Pasto Apícola


ASTRAPEIA Dombeya wallichii

Dr. João Martins Ferreira é Professor Titular da Universidade Paulista UNIP, Pesquisador junto à Universidade de São Paulo, Apicultor e Jornalista – MTB 93480 SP – Site: martinsferreira.net – Contato: [email protected]

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Apis Mellifera visitando flores da Astrapeia – Foto de João Martins Ferreira.

Originária de Madagascar, país insular da costa sudeste da África, essa planta se destaca como importante fonte de alimentação para abelhas e outros insetos na época do inverno no Brasil, uma vez que nesse período do ano poucas espécies florescem.

Seu nome científico, Dombeya wallichii, em parte representa uma homenagem ao doutor Joseph Dombey, um botânico e explorador francês do século XVIII. Popularmente essa planta é conhecida como “Astrapeia”, “Dombeia”, “Assônia”, “Astrapeia-Rosa” e “Astrapeia-Pendente”, ou ainda como “Pinkball”, “Pink ball tree” e “Tropical hydrangea”.

Trata-se de uma árvore de pequeno porte, que pode atingir como altura máxima entre 5 metros e 7 metros. Ela apresenta folhagem perene, a qual forma uma copa arredondada a partir de muitos ramos. Suas folhas são grandes, simples, cartáceas, pubescentes-aveludadas, de cor verde e com bordas serrilhadas. Tais atributos tornam-na útil como proteção contra ventos indesejáveis que incidam sobre um apiário, ou mesmo possibilitam que sirva como uma larga cerca-viva, que objetive, por exemplo, dificultar o acesso de pessoas ou de grandes animais à área em que estejam instaladas as colmeias.

Ao visitar flores da Astrapeia, a Apis Mellifera parece dançar – Foto de João Martins Ferreira.

Ao visitar flores da Astrapeia, a Apis Mellifera parece dançar – Foto de João
Martins Ferreira.

As flores da Astrapeia são belas e perfumadas, apresentam a cor rosa e são dispostas em grandes capítulos pendentes, sendo comum ocorrer farta secreção de néctar a partir das pétalas, quando a planta se encontra em terreno fértil e com humidade adequada no solo. Assim, são bastante atrativas para as apis mellifera, que as visitam intensamente, colhendo delas muito néctar e pólen – para os amantes da natureza, observar atentamente os movimentos que as abelhas fazem no ar em torno dessas flores, durante tal coleta, é prazeroso, pois até se parecem com balanços de uma sublime e delicada dança que nos encanta. Há pássaros, como os beija-flores (colibris, cuitelos), que delas também obtêm seu sustento e por vezes disputam com as abelhas o alimento. Normalmente essa espécie floresce entre os meses de junho e de agosto. Notadamente é uma planta importante para a apicultura, que contribui para a manutenção, o vigor e o estímulo produtivo das colônias de abelhas durante os meses frios, mas que não é tão adequada quanto outras quando o objetivo do apicultor for o de produzir grandes quantidades de mel, haja vista que, além da florescência no inverno, período em que as operárias realizam menos viagens para coletas, a concentração de açúcares em seu néctar é baixa, ficando entre 8% e 28% (WIESE, 1982, p.385).

A Astrapeia repleta de flores – Foto de João Martins Ferreira.

A Astrapeia repleta de flores – Foto de João Martins Ferreira.

É uma planta rústica, que cresce rapidamente, de fácil manuseio e que aceita bem podas de formação, sendo adequada para plantios em parques, praças e espaços semelhantes, apresentando grande potencial paisagístico. Como suas raízes não são invasivas, ela pode ser plantada em locais em que haja algum revestimento de solo, como pátios ou amplas calçadas, sem prejuízos futuros nos projetos de jardins. Pode ser reproduzida a partir do plantio de sementes, retiradas das flores quando elas secam, ou a partir de seus ramos, por estaquia, retirando-os da planta quando for podada – a melhor época para se realizar o desbaste da Astrapeia, caso se queira fazê-lo, é após o término do ciclo de floração. Podas mais intensas possibilitam manter a planta com um perfil mais próximo de um arbusto do que propriamente de uma árvore. Ela se desenvolve bem em locais de sol pleno, ou pouca sombra, com solo bem drenado e rico em matéria orgânica que, de preferência, seja irrigado regularmente. Geralmente se adapta bem nos diferentes climas das regiões brasileiras.

Existem outras espécies semelhantes, como a Dombeya nairobensisi, conhecida popularmente como “Astrapeia-de-Nairobi”, originária do Quênia, na África. Seu porte é menor, com folhas menores e flores em tom de rosa claro, quase branco, com mancha central vermelha, sendo que elas também são melíferas. No entanto, apesar de igualmente ser uma planta dotada de expressivas características ornamentais, é menos atraente às abelhas do que a Dombeya wallichii, além de ser mais sensível ao frio e a geadas. É comum ainda se observar a prática do cultivo das espécies Dombeya acutangula, Dombeya burgessiae e Dombeya natalensis, bem como vários outros tipos híbridos.

Referências:

– CARTER, Kathie. Tropical Hydrangea: Dombeya wallichii. University of California Cooperative Extension, Central Coast & South Region, Center for Landscape and Urban Horticulture, 2009.

https://pt.wikipedia.org/

https://www.jardineiro.net/plantas/astrapeia-dombeya-wallichii.html

– LORENZI, Harri. Árvores Exóticas no Brasil: madeireiras, ornamentais e aromáticas. Nova Odessa: Plantarum, 2003.

– WIESE, Helmuth (coord.). Nova Apicultura. 3. ed. Porto Alegre: Agropecuária, 1982.