Artigo


Manejo para melhor bem estar das colônias de abelhas africanizadas

Tuan Henrique Smielevski de Souza¹, José Elton de Melo Nascimento¹, Cláudio Gomes da Silva Júnior¹, Vagner de Alencar Arnaut de Toledo²

1- Programa de Pós-graduação em Zootecnia, Universidade Estadual de Maringá

2- Professor Titular, Universidade Estadual de Maringá.

O manejo para obter uma melhor termorregulação em colônias de abelhas Apis mellifera africanizadas é essencial para o desenvolvimento larval e das pupas. As abelhas realizam a produção de calor por meio de vibrações dos músculos localizados na região torácica. As abelhas se agrupam nas áreas de crias, formando várias camadas, sendo o calor produzido no centro, dipersado para as extremidades e isolado pelas diversas camadas de abelhas agrupadas. Dependendo do local que estão instalados os apiários, as abelhas podem ter dificuldade de manter a temperatura ideal de 33 – 36ºC na região das crias abertas.

Figura 1:Redutor de alvado para colmeias padrão Langstroth em diferentes posições.

Figura 1:Redutor de alvado para colmeias padrão Langstroth em diferentes
posições.

O manejo para o bem estar das colônias, pode auxiliar na termorregulação, entre eles, o uso do redutor de alvado, tábua separadora, utilização de colmeias quentes ou frias, localização dos apiários e a implantação de quebras ventos. O redutor de alvado é utilizado para a diminuição do alvado na colmeia Langstroth na estação do inverno e em regiões com temperaturas mais baixas, evitando assim a entrada de ventos frios e auxiliando na defesa da colônia em uma possível pilhagem. A obtenção do redutor de alvado é facilitada pelo baixo custo ou fácil produção. Suas dimensões (Figura 1) possuem dois cortes de tamanho diferentes e posições desencontradas, com medidas exatas, encaixa-se perfeitamente no alvado da colmeia Langstroth.

Dependendo da região do Brasil em que se encontram as colônias, o manejo pode ser realizado de diferentes formas. No centro-sul, utiliza-se em épocas frias a entrada do redutor com o menor corte, facilitando a termorregulação, com a chegada da primavera/verão pode-se mudar de posição ou realizar a remoção do redutor. Estes podem ser guardados para o uso na próxima estação fria. Desta forma, restabelecendo o tamanho original do alvado e facilitando a entrada e saída das abelhas campeiras, carregadas com recursos florais disponíveis com o começo das grandes floradas.

A utilização do redutor de alvado ajuda a diminuir o consumo de alimento pelas abelhas para realizar atividades de termorregulação e disponibiliza operárias para outras atividades importantes ou de difícil assistência pelos apicultores, como a coleta de néctar, pólen e atividades de nutrizes. O seu uso também reduz a incidência de possíveis saques/pilhagens realizados por outras abelhas, predadores ou parasitas. O comportamento de pilhagem é visível quando ocorrem aglomerações e brigas entre abelhas no alvado. Com isso, facilita-se a defesa pelas guardiãs em colônias saqueadas, principalmente, em colônias fracas. Em colônias coletadas ou enxames recém nidificados em colmeias, recomenda-se a utilização dos redutores, podendo auxiliar na termorregulação e na defesa da colônia em uma possível pilhagem. Em colônias fracas que possuem de 20 a 40% da área disponível ocupada, o uso do redutor de alvado é recomendado também. Outro ponto importante no bem estar da colônia é o uso da tábua separadora, que reduz a área de termorregulação das abelhas. No entanto, apicultores que possuem dificuldade em manter suas colônias populosas durante a estação fria, podem transferir as colônias para núcleos de cinco favos ou fazer o uso da tábua separadora que limita a área ocupada pelas abelhas. Com o desenvolvimento populacional da colônia e o aumento da área de crias, move-se a tábua aumentando espaço disponível na colmeia para as abelhas.

Figura 2: a) Colmeia modelo Langstroth ou colmeia fria. b) Colmeia modelo Schenck ou colmeia quente.

Figura 2: a) Colmeia modelo Langstroth ou colmeia fria. b) Colmeia modelo Schenck ou colmeia quente.

A utilização de diferentes modelos de colmeias é outra ferramenta que pode ser utilizada para auxiliar as abelhas na termorregulação. A sua escolha, primeiramente, deve ser rigorosa na utilização do espaço abelha, que varia de sete a onze milímetros. O modelo padrão utilizado é o Langstroth ou americano, este possui os quadros dispostos de forma perpendicular ao alvado, definida como colmeia fria, por facilitar a ventilação interna. A colmeia Langstroth é adotada como padrão internacional de colmeia para a criação racional de abelha (Figura 2a). Este modelo pode ser dividido em colmeia ninho com 10 quadros e núcleo de cinco, quatro ou três quadros.

O modelo Schenck é considerado uma colmeia quente, pois os quadros estão dispostos de forma paralela ao alvado, dificultando a circulação de ar em épocas mais frias, devido à barreira proporcionada pelos favos (Figura 2b). Ambas possuem recomendações diferentes, sendo o modelo Langstroth para regiões quentes e o modelo Schenck para regiões frias.

Para a escolha da colmeia ideal, os apicultores devem levar em consideração a facilidade de obtenção do material, o custo e, principalmente, a padronização de equipamentos. Pois, os modelos Langstroth e Shenck se diferenciam em suas medidas, desta forma não sendo possível o manejo de favos entre esses dois modelos de colmeias.

Os apiários devem ser instalados em locais ensolarados no inverno, preferencialmente, com os alvados das colônias voltadas para o nascer do sol, possibilitando, a saída das abelhas mais cedo e auxiliando na temperatura das colônias. Para melhor bem estar das colônias deve-se evitar locais com excesso de neblina e as colônias devem estar voltadas com o alvado para o lado de menor incidência de ventos. No Sul do país, a recomendação é que os apiários possam ser instalados em locais com árvores caducifólias, ou seja, perdem as folhas no inverno e permitam a passagem de luz e proporcionam sombra na estação quente.

Figura 3: Plantas utilizadas como quebra vento nos apiários. a-b) Sanção do campo (Mimosa caesalpiniaefolia). c-d) Astrapeia – (Dombeya wallichii).

Figura 3: Plantas utilizadas como quebra vento nos apiários. a-b) Sanção do campo (Mimosa caesalpiniaefolia). c-d) Astrapeia
– (Dombeya wallichii).

O quebra vento é utilizado para a redução na velocidade do vento sul (Figura 3a-b). Entre várias alternativas de plantas que podem ser utilizadas, pode-se destacar o sansão do campo (Mimosa caesalpiniifolia) e a astrapeia (Dombeya wallichii). A astrapeia que além de servir como quebra vento, é de fácil poda e fornece pólen e néctar na estação fria. A instalação do quebra vento auxilia no voo das abelhas, pois acarretada a diminuição da velocidade do vento e, consequentemente, melhor entrada e saída das abelhas na colônia. Outro ponto importante é a segurança para as pessoas e animais próximo ao apiário, pois as abelhas terão que voar mais alto e com isso diminuindo o risco de acidente. O quebra vento auxilia na diminuição da visibilidade das colônias por estranhos ou pessoas que estão passando nas proximidades do apiário, desta forma

evitando o furto de colônias.

Todos os manejos e equipamentos citados visam na melhoria das condições para a manutenção e desenvolvimento das colônias em estação fria. São facilmente aplicáveis no sistema produtivo e proporcionam ganhos ao apicultor, principalmente, pela manutenção do número de indivíduos para a época produtiva. Logicamente que, com estes manejos e materiais sozinhos, os apicultores não terão estes resultados, são necessários outros cuidados e manejos que serão comentados num próximo artigo.