Polinização


“Tecnologia 4.0 para promoção da Polinização Assistida e Inteligente”

Jorge Kavicki1, Guilherme Jorge Gomes de Sousa2, Andresa Aparecida Berretta3
1Time de Tecnologia da Informação da Startup AgroBee
2CEO AgroBee.
3Co-fundadora da AgroBee. Presidente da ABEMEL gestão 2020/2021. Farmacêutica Responsável e Gerente de PD&I da Apis Flora Indl. Coml. Ltda. Convenor do Grupo de Trabalho de Própolis (WG2) na ISO.

A tecnologia não para de avançar. É possível observarmos isso facilmente através do que vemos diariamente nos nossos aparelhos de telefonia móvel, os celulares. Na indústria e na agricultura, isso não é diferente. Estamos vivendo um novo momento de revolução industrial e no campo, a chamada “Indústria 4.0” e “Agricultura 4.0”, respectivamente.

Esse momento, ainda que ainda tenha um imenso campo para crescimento, já tem sido adotado de forma crescente pelos mais diversos segmentos. Para se ter uma ideia, o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que cerca de 1,5 milhão de produtores rurais acessam por meio de dispositivos eletrônicos os dados da sua cultura, um crescimento de 1900% em relação há 10 anos atrás. Mostrando que essa tendência veio para ficar, e que é só questão de tempo e recursos (Zaparoli, 2020).

A tecnologia 4.0 independentemente de sua aplicação, industrial ou no campo, pode ser utilizada independentemente do tamanho do produtor ou empreendedor. Sua operação se baseia nas tecnologias de conectividade, computação em nuvem, inteligência artificial, internet das coisas, comunicação entre máquinas, dentre muitas outras. Essas tecnologias associadas a outros dispositivos como drones, sensores, etc. fazem com que hoje o produtor rural consiga controlar inúmeros tratores em tempo real, como um “Big Brother” do campo, sendo possível tomar medidas imediatas se algo ocorrer com aquela máquina ou operador. Mensurações da qualidade do solo, monitoramento do clima, ganho de peso do gado, dentre muitas outras, são algumas das aplicações dessas tecnologias. Das vantagens que esses sistemas trazem para o agricultor estão o aumento de produtividade, monitoração da operação agrícola gerando redução de desperdício e de custos. Com o tempo, as máquinas associadas às tecnologias, irão operar de forma independente.

Mas nem tudo são flores, e algumas barreiras ainda se observam. De todas, a infraestrutura das telecomunicações no campo é a que se configura como o maior gargalo por enquanto. De acordo com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, ESALQ, apenas 5% da área agriculturável do país está conectada à internet (Zaparoli, 2020). O Ministério da Agricultura já tem ciência do problema, e já mapeou em seu planejamento estratégico ações voltadas para a ampliação da conectividade no campo, pois essa ação proporcionará maiores condições do Brasil ampliar sua produção de alimentos.

De acordo com dados da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), estima-se que até 2050 a população mundial estará em 9,8 bilhões de pessoas. Nesse cenário, o Brasil demandará um aumento de 70% na produção de alimentos para suprir essa demanda. Desse modo, a busca por soluções que ajudem a aumentar a produtividade, com respeito ao meio ambiente são imprescindíveis (FAO, 2010).

Sabemos o papel fundamental das abelhas para o aumento da produtividade e qualidade dos alimentos. A polinização realizada pelas abelhas oferece não só uma ajuda fundamental no aumento das produções agrícolas, mas são essenciais para alguns alimentos, como é o caso da maçã e melão. Mas, tão importante como o aumento da produção, é fazer isso sem causar danos ambientais. E isso, é um trabalho que as abelhas fazem muito bem (Berretta & Gonçalves, 2021).

O setor de apícola é um dos que mais carecem de investimentos em novas tecnologias, pensando no bem estar do nosso planeta, no aumento da produtividade e qualidade dos alimentos, aliado à tecnologia 4.0, surge o aplicativo AgroBee. A plataforma que ficou conhecida popularmente como “Uber das Abelhas”, vai muito além da conexão entre produtores rurais e criadores de abelhas, a proposta busca e utiliza as espécies corretas, nas quantidades adequadas para cada cultura agrícola, através de algoritmos especificamente desenvolvidos para esse fim. A primeira versão do App tinha várias limitações, e teve início mais como uma forma de cadastro. Pensando em oferecer uma experiência ao usuário mais intuitiva e de fácil manuseio, foi realizado um trabalho no aprimoramento da ferramenta de modo que possamos ajudar a preservar o meio ambiente e promover a sustentabilidade no agronegócio, de forma mais fácil e ágil tanto para o produtor quanto para o criador de abelhas. Através da nova versão do App Agrobee melhorou-se a interação entre as culturas agrícolas e os criadores de abelhas. Com um sistema simples de demandas, os criadores agora podem gerar renda com suas colônias e garantir um desenvolvimento mais sustentável para as abelhas. O agricultor cadastrado faz uma solicitação e a equipe técnica da AgroBee seleciona os mais qualificados e que correspondem as necessidades de cada tipo de cultura, a tendência com o uso de inteligência artificial é que isso tudo ocorra de forma independente num futuro próximo.

O novo sistema de polinizações no App dá mais controle e liberdade aos criadores de abelhas podendo determinar sua distância máxima para arrendamento e quantidade de caixas disponível, ou seja, o próprio criador já limitará no cadastro qual é a distância máxima que está disposto a percorrer para levar suas abelhas. Outra facilidade é que as polinizações são confirmadas pelo próprio criador e seguem gerenciadas pela nossa equipe. Agora contamos com uma sessão com diversos artigos sobre agricultura e criação de abelhas para promover o conhecimento e uma base segura de informações, assim, o App também tem uma função de capacitação e qualificação. Com o App os criadores terão um monitor de saúde das colônias preenchendo dados simples e com resultado instantâneo, garantindo que estejam sempre saudáveis e aptas a tarefa. Novo perfil e sistema de verificação garantem que apenas os melhores sejam selecionados para as polinizações através de uma avaliação direta dentro do App.

As vantagens não param por aí. Para os fazendeiros também são muitas tanto no aspecto físico do trabalho como diminuição das horas de trator, redução do uso de agrotóxicos, melhoria na qualidade dos produtos e aumento da produtividade, mas também em eficiência e controle, fazendo tudo online.

Muitos desafios ainda existem pela frente, os investimentos nas ferramentas de automação são altos, e em alguns meses, o sistema oferecerá análise da qualidade e força das abelhas através de inteligência artificial, uma ferramenta que o time de tecnologia da informação da AgroBee está trabalhando com o CPQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações) de Campinas.

A polinização é uma importante ferramenta para a profissionalização da apicultura e meliponicultura pois cria uma fonte de renda extra para apicultores ao longo do calendário apícola e cria uma renda na meliponicultura, onde está era praticamente praticada como um “hobby. Para fazer parte desta iniciativa baixe nosso App na Google Play ou na AppStore, e cadastre-se gratuitamente. O serviço de polinização assistida e inteligente AgroBee poderá te acionar quando houver contratos próximo a sua localização, para que você avalie se tem interesse em levar suas abelhas para esse serviço.

O futuro já começou. O mercado apícola é sempre muito volátil e flutuante. Que tal se profissionalizar para estar apto a ter uma renda em várias frentes de atuação dentro deste mercado? Acredite no potencial das “Abelhas no campo para o bem do Planeta”, e faça parte desta história.

Referências Bibliográficas

Berretta, A. A. & Gonçalves, D.M. “Polinização como estratégia de sustentabilidade ambiental, social e econômica. Revista Apacame, nº.160, março de 2021.

Food and Agriculture Organization (FAO). 2010. ‘Climate- smart’ agriculture, policies, practices and finances for food security, adaptation and mitigation. FAO, Rome.

Zaparoli, D. Agricultura 4.0. Revista Pesquisa FAPESP v. 287, 2020, p. 13-20.

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