Artigo


COLETOR DE PÓLEN PARA ABELHAS SEM FERRÃO

Pedro Acioli de Souza¹; Rogério Marcos de Oliveira Alves2.
¹Apiário & Meliponário Princesa das Matas – Viçosa, Alagoas.
2Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano – IFBAIANO.

INTRODUÇÃO

Dentre os produtos explorados na Apicultura o mel é destacadamente o mais conhecido e produzido. Outros produtos existem; como a própolis e o pólen, mas ainda são pouco explorados pelos apicultores. Quando analisamos a atividade meliponícola e suas oportunidades de negócios esses produtos estão também inclusos na cesta de recursos exploráveis economicamente.

Na meliponicultura o mel tem sido o produto base da cadeia de produção sendo as espécies do Gênero Melipona as mais utilizadas para essa finalidade. Entretanto outros gêneros tem despontado como novas oportunidades na produção do mel como Tetragonisca e Scaptotrigona, e da própolis e pólen (Scaptotrigona, Tetragonisca, Frieseomelitta, Trigona), constituindo uma importante fonte de renda para o setor.

O pólen em meliponineos não é explorado comercialmente, sendo aproveitado como resíduo da colheita do mel, na forma de pólen fermentado, conhecido como samburá, pouco apreciado pelo consumidor devido ao sabor acre e por isso utilizado apenas como ingrediente na alimentação das colônias na época de entressafra. A colheita do pólen fresco ainda é desconhecida na criação de abelhas sem ferrão, devido principalmente à falta de equipamento para colheita.

Para a produção econômica do pólen a escolha da espécie adequada é fundamental para o sucesso do empreendimento. No caso da Apicultura a espécie indicada é a Apis mellifera, no caso dos meliponineos são muitas espécies e pouca pesquisa para avaliar o potencial de produção. O translado de enxames de meliponineos que foram transladados de cortiços, caixas rústicas e troncos é observado uma grande quantidade de pólen fermentado (Samburá), o que sugere haver potencial para colheita do produto in natura. Outro dado importante é determinado quando é realizada a contagem do número de potes com pólen presentes na colônia e a avaliação da massa contida nos potes o que possibilita estimar o potencial de produção de pólen pelos meliponineos.

A exploração do pólen na apicultura é desenvolvida através de manejo de enxames e utilização de trampas ou telas para colheita do produto armazenado nas corbículas. Na meliponicultura o produtor colhe o pólen fermentado ou samburá diretamente dos potes de alimentos separando o pólen do cerume através de colheres ou bambus, sendo esse pólen fermentado colocado em vasilhas e desidratado utilizando o calor (FAO, 2017). Outro método tentado foi a retirada da colônia habitada do local e colocada uma nova caixa vazia para que as abelhas depositem o pólen em potes sendo depois recolhido (Menezes et al., 2012). Mas a quantidade coletada é reduzida, necessitando muitas colônias para abastecer de campeiras as matrizes.

FATORES QUE POSSIBILITAM A PRODUÇÃO DE PÓLEN FRESCO E ESPÉCIES POTENCIAIS

Para a produção de pólen fresco alguns fatores são importantes como: espécie escolhida, tipo de recursos colhidos pelas abelhas no campo, população, manejo, hábitos higiênicos, seleção genética. No caso dos meliponíneos algumas espécies possuem características favoráveis para a produção em escala comercial e outras espécies podem ser utilizadas para mercados gourmet. Dentre os gêneros e espécies de meliponineos Melipona é considerado o mais conhecido sendo caraterizado pela grande produção de mel e razoável produção de pólen, mas outros gêneros despontam com quantidade, qualidade e possibilidade de manejo de colheita e beneficiamentocomo pólen fresco ou desidratado de abelhas sem ferrão e também de pólen fermentado.

As espécies do gênero Scaptotrigona colhem néctar, pólen e própolis possibilitando a escolha do produto a explorar. Para a produção de pólen fresco possui características de grande população (10.000 a 30.000 indivíduos), podendo ser manejadas facilmente com véu de proteção, são de fácil adaptação em caixas racionais, existem em quase todo o território brasileiro, aceitam a régua com furos, acumulam muito pólen diversificado e mono floral, possui raio de ação amplo e não transportam barro.

Ao analisar o fato da utilização de trampas para coleta de pólen fresco de meliponineos, Menezes et al., 2012 ressaltaram que alguns impedimentos dificultam o sucesso com essas abelhas, principalmente para espécies do gênero Melipona que transportam barro nas corbículas. Entretanto as espécies dos gêneros Tetragonisca, Frieseomelitta e Scaptotrigona colhem os mesmos recursos utilizados pelas Apis mellifera, sendo portanto possível utilizar réguas ou trampas perfuradas para colheita do pólen fresco.

O COLETOR ACIOLI

A ideia de desenvolver um coletor de pólen para Abelhas Nativas Sem Ferrão – ASF,surgiu quando em um congresso Brasileiro de Apicultura-Meliponicultura, alguém relatou estar extraindo pólen (samburá), dos ninhos da Arapuá (Trigona spinipes), os ninhos eram abertos na parte de trás e extraído os potes com pólen. A arapuá é uma abelha presente em todo território nacional, conhecida por ser uma espécie que se especializou em coletar pólen com muita eficiência e também devido a seus ninhos possuirem uma grande quantidade de campeiras, o que favorece a grande acúmulo de pólen. A desvantagem é que essa espécie constrói ninhos com resíduos, fibras, argila e outros materiais que podem ser misturados ao pólen colhido possibilitando a contaminação do produto e também por não serem tão facilmente adaptadas a colméias racionais.

Desenvolver um “caça pólen”, que não destruísse a colônia de arapuá (Trigona spinipes) e fosse eficiente na coleta de pólen visando compor alimentação artificial para as Uruçús (Melipona scutellaris) foi o nosso objetivo inicial. Percebemos com o passar do tempo que o coletor de pólen de arapuá, com alguns ajustes poderia coletar pólen das demais espécies de Abelhas Nativas Sem Ferrão, tornando-se o “Coletor de Pólen de Abelhas Nativas Sem Ferrão” ou simplesmente “Coletor de Pólen de ASF ACIOLI”.

O equipamento permite a coleta de pólen de ASF, nas entradas das caixas “racionais”, através de uma trampa ou régua plástica perfurada de acordo com o tamanho da espécie que se deseja coletar o pólen. O “Coletor de Pólen de ASF” é construído com material de baixo custo acessível no mercado e de fácil higienização. Também pode ser utilizado para coleta de pólen em trabalhos de mapeamento da flora polínica utilizada pelas abelhas em projetos de palinologia.

ESPÉCIES TESTADAS

Foram selecionadas três espécies de ASF para teste do coletor: Scaptotrigona xantotricha, Melipona scutellaris e Trigona spinipes. Foi observado que as abelhas aceitaram o coletor sendo necessário cuidados quanto a permissão de entrada na colônia dos recursos necessários ao desenvolvimento da colônia como: barro, resinas e resíduos vegetais.

Abelhas do gênero Melipona, coletam barro e resina em quantidade necessitando maior atenção do criador para a coleta diária e limpeza dos orifícios da trampa periodicamente.

OBSERVAÇÃO

Foi requerida a patente do coletor no INPI.

REFERÊNCIAS

FAO. http://teca.fao.org/technology/propagation-stinglessbees- using-coconut-shells) we explained how stingless bees can be easily propagated using coconut shells. In the technology “Propagation of Stingless Bees using Cocount Shells”.

Menezes, C, Ayrton Vollet Neto and Vera Lucia Imperatriz Fonseca. A method for harvesting unfermented pollen from stingless bees (Hymenoptera, Apidae, Meliponini). Journal of Apicultural Research 51(3): 240-244 (2012)