Ciência cidadã: oportunidade para participar e se beneficiar das pesquisas sobre abelhas e outros polinizadores

Arthur Henrique Puccetti Nascimento & David De Jong
Departamento de Genética, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP. E-mail: arthurhpn@usp.br

A ciência cidadã é a participação de voluntários não ligados diretamente ao campo científico em pesquisas científicas. A ciência cidadã foi considerada um movimento de democratização da ciência por Irwin (2021), permitindo que cidadãos contribuam ativamente para a construção do conhecimento científico humano.

Ao coletar dados, fazer observações, capturar imagens e descrever organismos, fenômenos e processos, esses participantes se envolvem diretamente no avanço da ciência. Além disso, a participação em pesquisas científicas proporciona aos cidadãos um aprendizado sobre os métodos utilizados nesses estudos.

Atualmente, com o acesso facilitado à tecnologia e à internet, qualquer pessoa pode participar e compartilhar seus dados e observações com outros pesquisadores, sejam eles profissionais ou amadores. Isso facilita a comunicação e colaboração entre diferentes indivíduos interessados em contribuir para a ciência (Bonney et al., 2016).

Na área das ciências da natureza, a participação de cidadãos cientistas é especialmente útil para o acúmulo de dados. Por exemplo, eles podem auxiliar na descrição de espécies nativas ou invasoras que visitam determinadas flores, contribuindo para a preservação dessas espécies.

Além disso, a monitoração de alterações climáticas e tremores geológicos também pode contar com a participação dos cidadãos, pois muitas vezes instrumentos simples são capazes de detectar essas mudanças e auxiliar na previsão de acidentes.

Outras atividades incluem a catalogação e levantamento de espécies em uma determinada área, contribuindo para estudos sobre biodiversidade, entre outras relacionadas ao meio ambiente e seus componentes bióticos e abióticos (Bonney et al., 2009).

A Ciência aliada à apicultura e meliponicultura

O químico francês, Louis Pasteur (1822 – 1895), disse que “Os benefícios da ciência não são para os cientistas, e sim para a humanidade!”.

Essa frase icônica reflete o papel das ciências no progresso da sociedade humana como uma atividade intelectual e prática que constrói tecnologias e desenvolve métodos nas mais diversas áreas, buscando moldar o ambiente segundo as vontades e necessidades humanas.

Direcionando seu papel (da ciência) à criação de abelhas, fica patente o benefício que as pesquisas científicas ofereceram (e oferecem) na especialização, padronização e profissionalização da apicultura e meliponicultura.

A. J. Cook, em seu artigo “The relation of apiculture to Science”, publicado em 1881, descreve inúmeras contribuições da ciência para a apicultura. O autor cita como por meio das pesquisas e observações pôde-se conhecer a dinâmica de um ninho, as castas com suas especificidades, a fecundação e oviposição da abelha rainha, o papel das abelhas na polinização, a extração dos produtos da colmeia, entre outras informações que foram melhor descritas seguindo o método científico (Cook, 1881).

Outro exemplo crucial na padronização dos materiais usados na apicultura é o desenvolvimento da caixa Langstroth, pelo professor e apicultor Lorenzo Langstroth, na metade do século 19 (Langstroth, 1857), que revolucionou a maneira de criar racionalmente abelhas melíferas, conferindo facilidades para o apicultor no manejo e extração dos produtos apícolas.

Na meliponicultura, a importância da ciência também fica clara ao remontarmos as origens da criação de abelhas sem ferrão por tribos indígenas pertencentes às Américas do Sul e Central (Camargo e Posey, 1990).

Ao analisar os meios, técnicas e recipientes utilizados por povos naturais no manejo de meliponíneos e, comparar com os métodos e instrumentos utilizados atualmente, identifica-se a especialização desenvolvida por pesquisadores que trouxeram padronização à atividade (Cortopassi Laurino et al., 2006).

Portanto, ao analisar o papel da ciência na apicultura e meliponicultura, podemos identificar inúmeros benefícios. Um exemplo é o desenvolvimento de caixas adequadas e práticas para o manejo, levando em consideração o tamanho das abelhas na configuração dos quadros, como observado na caixa Langstroth.

Além disso, as pesquisas sobre patologias que afetam as abelhas têm buscado solucionar problemas e prevenir a disseminação de doenças. Outros avanços incluem a seleção de abelhas mais resistentes, melhorias na suplementação alimentar, bem como o desenvolvimento de vestimentas e ferramentas de manejo que oferecem segurança e praticidade aos criadores de abelhas.

Essas conquistas foram possíveis graças à colaboração entre a comunidade científica e os apicultores/meliponicultores. A criação de abelhas, tanto na apicultura (com abelhas do gênero Apis) quanto na meliponicultura (com abelhas sem ferrão), é uma prática antiga de busca e cultivo de alimentos.

Pinturas rupestres do período Paleolítico superior (entre 50.000 e 12.000 anos atrás) evidenciam a colheita de mel por comunidades primitivas, demonstrando que o mel já era valorizado como alimento nutritivo.

A apicultura moderna teve início a partir do século XVIII, com o desenvolvimento de técnicas de criação racional e colheita dos produtos apícolas. É importante destacar que a criação de abelhas, antes de ser objeto de estudo científico, é uma atividade rural que pode ser guiada pelo empirismo, e os profissionais dessa área, os apicultores e meliponicultores, possuem vasta experiência que pode contribuir e enriquecer as pesquisas científicas.

Eles podem inclusive sugerir temas relevantes e convenientes para a busca de soluções e melhorias nos protocolos e equipamentos utilizados no campo. Assim, os criadores de abelhas se tornam cientistas cidadãos, contribuindo para o desenvolvimento da ciência e da apicultura/meliponicultura.

O livro intitulado “Ciência Cidadã e Polinizadores da América do Sul”, lançado em 2022 e disponível gratuitamente online em português e espanhol (Guilardi-Lopes & Zattara, 2022), aborda o papel dos cidadãos cientistas que se voluntariam e contribuem para pesquisas científicas relacionadas à polinização na América do Sul.

Os capítulos do livro fornecem informações detalhadas sobre os polinizadores, seus recursos florais e serviços ecossistêmicos, além de descreverem projetos de ciência cidadã desenvolvidos em diferentes regiões da América do Sul, demonstrando a eficácia dessa colaboração com a pesquisa científica.

O livro também apresenta maneiras pelas quais os cidadãos podem participar e desenvolver projetos que envolvam a comunidade no âmbito científico.

A investigação da polinização tem sido realizada há muito tempo pela comunidade científica, e seus resultados são divulgados para conscientizar a população sobre a importância da preservação dos recursos e habitats naturais.

O conhecimento popular sobre a fauna, flora e fenômenos naturais muitas vezes é valioso para os pesquisadores, que direcionam cidadãos voluntários para realizar observações, coletar dados e monitorar uma ampla variedade de temas, ampliando as possibilidades de investigação para a compreensão da natureza.

Descrição dos capítulos do livro “Ciência Cidadã e Polinizadores da América do Sul”

A produção deste material técnico-científico contou com a participação de 60 autores, entre brasileiros e estrangeiros, incluindo professores, pesquisadores de diversas áreas do conhecimento e profissionais de outras áreas que são entusiastas e observadores de polinizadores em geral.

O livro foi dividido em três seções:
I Aspectos ecológicos dos polinizadores;
II Os grupos de polinizadores da América do Sul;
III Ciência cidadã e polinizadores. São abordados aqui em maior detalhe os capítulos que tratam das abelhas como polinizadoras e da relação entre os seres humanos e esses insetos.

Capítulo 1. Polinização: um serviço ecossistêmico completo

Neste capítulo, os autores apresentam de forma clara e sucinta os papéis desempenhados pela polinização como um serviço ecossistêmico completo. A polinização contribui para a promoção da biodiversidade ao fornecer e beneficiar a variabilidade genética.

Além disso, ela desempenha um papel crucial na produção de alimentos e tem um impacto significativo no aspecto cultural, aumentando o conhecimento da população. O capítulo também aborda exemplos de polinizadores, métodos para aprimorar o serviço de polinização e estratégias de conservação deste serviço essencial.

Capítulo 2. Paisagismo funcional: uma forma de juntar estética e ecologia

O foco deste capítulo é a integração entre a paisagem urbana e as necessidades biológicas das plantas e de seus polinizadores. Explora-se o conceito de paisagismo ecológico e sua relação com a polinização. São discutidos temas relacionados à preferência por plantas nativas na configuração de jardins e praças urbanas, valorizando as interações entre as espécies endêmicas.

Também é abordada a importância da diversidade vegetal na manutenção das cadeias alimentares, bem como práticas para mitigar os efeitos negativos da ocupação urbana sobre o meio ambiente.

Capítulo 3. Abelhas exóticas invasoras no sul da América do Sul

Neste capítulo, trata-se das espécies exóticas, que são aquelas introduzidas, intencionalmente ou não, em regiões onde não são nativas. Essa introdução pode causar interferências negativas na cadeia alimentar e na ecologia do habitat que recebe o invasor.

Explora-se a introdução de abelhas exóticas na América do Sul, descrevendo exemplos de espécies invasoras, suas características morfológicas, local de origem e os danos causados por essa invasão.

Seção II – Os grupos de polinizadores da América do Sul:

Capítulo 4. Abelhas e polinização

Neste capítulo abrangente, discute-se a importância e eficiência das abelhas como polinizadores. São apresentadas características específicas de alguns grupos de abelhas, incluindo:

Abelhas sem ferrão (Tribo Meliponini): Essas abelhas estão distribuídas nas Américas, Ásia, África e Oceania. Possuem ferrão atrofiado como uma característica marcante. Dividem-se em 33 gêneros e geralmente são pequenas, de cores variadas e vivem em colônias. São polinizadores importantes para a manutenção dos biomas naturais, que possuem alto valor econômico e cultural para os seres humanos.

Abelhas das orquídeas (Tribo Euglossini): Essas abelhas são de cores metálicas, possuem língua longa e podem ser solitárias ou ter uma sociabilidade pouco desenvolvida. São polinizadores importantes, especialmente para as flores de orquídeas. Os machos visitam as flores de orquídeas para coletar substâncias cujas fragrâncias são usadas na produção de feromônios para atrair as fêmeas. Essas abelhas são exclusivas da região Neotropical e habitam principalmente florestas úmidas.

Abelhas do gênero Bombus (Tribo Bombini): Essas abelhas são robustas e vivem em colônias não perenes. São polinizadores importantes em habitats naturais e agrícolas, pois são generalistas e realizam polinização por vibração, uma habilidade não observada em todos os grupos de abelhas. Até o momento, foram catalogadas 239 espécies dessa tribo.

Abelhas solitárias: Cerca de 90% das aproximadamente 20.000 espécies de abelhas conhecidas são solitárias. Elas estão distribuídas em cinco famílias registradas: Colletidae, Halictidae, Andrenidae, Megachilidae e Apidae. As abelhas solitárias constroem ninhos em vários substratos, como madeira, cavidades pré-existentes e solo. Possuem adaptações variadas para coletar recursos vegetais, tanto para alimentação quanto para a construção de ninhos. São polinizadores importantes, principalmente devido a espécies especialistas que beneficiam a reprodução de determinadas espécies vegetais.

Abelhas melíferas (Apis mellifera): Essas abelhas têm origem euro-asiática-africana e foram introduzidas na América Latina no século XIX. Atualmente, estão amplamente distribuídas pelo mundo. Possuem grande importância econômica devido ao seu papel na polinização e na produção de produtos comerciáveis e nutritivos, como mel, pólen e própolis. Além disso, são abelhas eussociais, com ninhos que abrigam milhares de indivíduos e muitas vezes apresentam comportamentos defensivos elevados. Foram registradas 31 subespécies, e no Brasil, a hibridização entre subespécies Europeias que já estavam no Brasil e abelhas Africanas resultou na abelha Africanizada.

Capítulo 5. Borboletas e mariposas (Lepidoptera) e seu papel como polinizadores

As borboletas e mariposas pertencem à ordem Lepidoptera. Esses insetos desempenham um papel importante como polinizadores em seus habitats naturais, contribuindo para as cadeias alimentares e para o equilíbrio dinâmico dos ecossistemas, tanto na fase imatura quanto na fase adulta.

Este capítulo explora os papéis ecológicos desempenhados por esses lepidópteros, abordando sua diversidade, distribuição, morfologia e exemplos de interações entre os insetos e as plantas.

Capítulo 6. Coleópteros como polinizadores: diversidade e distribuição na América do Sul

Os coleópteros, também conhecidos como besouros, desempenham um papel importante na polinização, com cerca de 77.000 espécies contribuindo para a manutenção dos ecossistemas naturais. A ordem Coleoptera apresenta uma ampla variedade de recursos alimentares, com modificações morfológicas específicas para se adaptarem a esses recursos.

Para os besouros que se alimentam de pólen e néctar, os pelos desempenham um papel eficiente na transferência do pólen durante a reprodução das plantas. Neste capítulo, os autores descrevem a morfologia, distribuição e diversidade dos besouros e destacam espécies polinizadoras de interesse na América do Sul.

Capítulo 7. Polinização e as aves

Este capítulo fornece informações abrangentes sobre as aves como polinizadoras, desempenhando um papel crucial na reprodução sexuada das plantas com flores que oferecem recompensas alimentares, como néctar. Os autores apresentam informações sobre o papel ecológico das aves polinizadoras, as características das flores visitadas por esses animais e exploram a coevolução entre plantas e aves, destacando o mutualismo trófico e reprodutivo presente nessa relação. As beija-flores recebem maior destaque devido à sua eficiência na polinização.

Capítulo 8. Polinização por morcegos e sua importância

Na América, cerca de 360 espécies de plantas dependem da polinização por morcegos. Essas plantas possuem flores grandes, de cores claras , com abundante néctar, pólen e odores intensos, facilitando a localização pelos morcegos durante a noite. Sendo os únicos mamíferos voadores, os morcegos desempenham um papel significativo na reprodução das angiospermas.

Muitas espécies de morcegos são nectarívoras e seus pelos aderem eficientemente aos grãos de pólen, permitindo uma ampla dispersão dos gametas vegetais devido ao seu alto alcance de voo. Além de abordar a polinização por morcegos, este capítulo apresenta a diversidade, morfologia e distribuição dessas espécies de mamíferos.

Capítulo 9. Moscas (Diptera) e seu papel na polinização

Neste capítulo, são descritas a morfologia, diversidade e distribuição das moscas, assim como os tipos de flores com as quais esses insetos se relacionam durante o processo de polinização. As moscas desempenham um papel crucial na reprodução sexuada das plantas, sendo excelentes polinizadoras. Nesse processo, as moscas obtêm alimento, substrato para a oviposição, locais para acasalamento e exposição ao sol.

Seção III – Ciência cidadã e polinizadores:

Capítulo 10. Como se tornar um cientista cidadão?

Este capítulo fornece motivação e orientação passo a passo para aqueles que desejam participar de pesquisas científicas, estabelecendo parcerias com institutos, laboratórios e projetos como cientistas cidadãos. Explorando os detalhes da prática da ciência cidadã, o capítulo orienta o leitor sobre o método científico e como criar um projeto de ciência cidadã.

Capítulo 11. Os Guardiões dos polinizadores e do serviço de polinização

No Brasil, existem projetos como os Guardiões da Chapada, os Guardiões dos Sertões e os Guardiões do Rio Grande do Sul, que têm como objetivo a conservação dos polinizadores em ambientes naturais e impactados pela atividade humana. Esses projetos incentivam a participação do público no monitoramento e coleta de dados sobre a conservação dos polinizadores naturais.

As informações e fotos registradas são inseridas em plataformas online ou em aplicativos do projeto, permitindo a análise por especialistas. Esses projetos se baseiam na produção colaborativa de informações, no compartilhamento de conhecimento e na promoção da ciência cidadã na sociedade.

Capítulo 12. Projeto Beekeep #cidadãoasf abelhas e ciência cidadã

A plataforma BeeKeep é uma ferramenta de monitoramento de abelhas, sejam elas exóticas ou nativas, que busca parcerias com a sociedade para ampliar o conhecimento sobre esses insetos polinizadores.

Este capítulo aborda o projeto #cidadãosasf Monitoramento de atividade de voo em abelhas sem ferrão, que utiliza o protocolo presente na plataforma BeeKeep para registrar a atividade de voo das abelhas sem ferrão e investigar como o ambiente afeta a dinâmica de voo dessas abelhas. O capítulo fornece informações sobre como o leitor pode participar do projeto.

Capítulo 13. Listas Ecológicas de Espécies de Borboletas (LEEB) Curitiba e Paraná

Este projeto envolve a sociedade na esfera científica ao disponibilizar listas de espécies de borboletas observadas na cidade de Curitiba e no estado do Paraná. Além de fotografias das borboletas, as listas incluem informações como o status de conservação, plantas hospedeiras, raridade, dados reprodutivos e o primeiro observador.

As listas são constantemente atualizadas e os objetivos do projeto incluem fornecer conteúdo informativo sobre as espécies de borboletas e suas interações naturais, visando à conservação do meio ambiente e incentivando a participação da população por meio da ciência cidadã.

Capítulo 14. Monitoramento da visitação de flores com Contagem Cronometrada de Visitantes Florais (FIT Count)

Com o objetivo de coletar dados sobre visitantes florais que ocorrem na vegetação, seja natural ou antropizada, a “UK Pollinator Monitoring Scheme” no Reino Unido, proveniente de uma parceria entre institutos e centros de pesquisa, desenvolveu um protocolo de contagem de visitantes florais (abelhas, aves, moscas, entre outros), onde qualquer interessado pode auxiliar no monitoramento dos polinizadores. O observador utiliza o aplicativo do projeto para alimentar com os dados de contagem, contribuindo com as informações da pesquisa. O capítulo conta ainda com instruções para iniciar a participação no projeto.

Capítulo 15. Conhecendo as moscas das flores do Chile: um projeto com e para as pessoas

Moscas Florícolas de Chile é um projeto chileno que utiliza as redes sociais para compartilhar e divulgar fotos de dípteros em locais diversos no Chile. O projeto conta com mais de 6.000 voluntários e visa contribuir com os conhecimentos da ecologia dos dípteros, além de incentivar a cidadania na Ciência. O capítulo em questão expõe as informações básicas para compreensão do projeto.

Capítulo 16. Abelha Procurada – Procura-se viva a abelha invasora: Bombus terrestris

A espécie Bombus terrestris é nativa da Europa, mas devido a sua utilidade como polinizadora de culturas agrícolas em estufas, foi introduzida em vários outros continentes, tornando-se, portanto, uma espécie invasora.

Este projeto, desenvolvido por pesquisadores brasileiros, argentinos e chilenos possui como objetivos monitorar e avaliar os efeitos ecológicos causados por esta mamangava exótica e detectar esta abelha a locais ainda sem registros de sua chegada, como no Brasil, por exemplo.

Os pesquisadores contam com o auxílio da comunidade através da abordagem de ciência cidadã. Fazendeiros e pessoas do campo em geral podem ajudar a localizar as mamangavas exóticas e registrar seu aparecimento por fotos.

O monitoramento desta espécie invasora é de grande importância para criar protocolos de manejo e conservação de espécies nativas, bem como, poder desenvolver práticas no controle de doenças transmitidas pela mamangava introduzida.

Capítulo 17. Morcegos urbanos em Lima (Peru): reconectando com nossos vizinhos noturnos

O projeto “Monitoreo ciudadano de murciélagos” (Monitoramento cidadão de morcegos) tem como objetivo monitorar, registrar a presença e conscientizar a população sobre a importância dos morcegos para o meio ambiente, principalmente como polinizadores.

O projeto surge como resposta à falta de informação e ao medo que a sociedade tem desses mamíferos voadores. Com a ajuda de cidadãos voluntários equipados com detectores acústicos e câmeras fotográficas, é possível registrar os morcegos em suas atividades naturais e enviar esses dados para a plataforma de ciência cidadã iNaturalist. O objetivo principal do projeto é a conservação dos morcegos.

Capítulo 18. Ciência cidadã na Argentina Projeto “Vi Un Abejorro”

O projeto “Vi Um Abejorro” (Vi Uma Mamangava) tem como missão monitorar as mamangavas na Patagônia, tanto as espécies nativas quanto as invasoras, utilizando a abordagem da ciência cidadã. Com a preocupação dos efeitos negativos da invasão da mamangava europeia Bombus terrestris e o desejo de entender e identificar as mamangavas nativas do sul da América do Sul, esse projeto foi criado. Os idealizadores compartilham informações sobre como contribuir e participar como cientista cidadão, incentivando o envio de fotos por meio dos canais de comunicação disponibilizados.

Referencias:

  • Bonney, R. et al. (2009). Citizen science: A developing tool for expanding science knowledge and scientific literacy. BioScience 59(11): 977-984. https://doi.org/10.1525/ bio.2009.59.11.9
  • Bonney, R. et al. (2016). Can citizen science enhance public understanding of science? Public understanding of science 25(1): 2-16. https://doi. org/10.1177/0963662515607406
  • Camargo, J. M. F., Posey, D. A. (1990). O conhecimento dos Kayapó sobre as abelhas sociais sem ferrão (Meliponinae, Apidae, Hymenoptera): Notas adicionais. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Nova Série, Zoologia 6(1): 17-42. https:// repositorio.museu-goeldi.br/handle/ mgoeldi/761
  • Cook, A. J. (1881). The relation of apiculture to science. The American Naturalist 15(3): 195-203. https:// www.jstor.org/stable/2449352
  • Cortopassi-Laurino, M. et al. (2006). Global meliponiculture: challenges and opportunities. Apidologie 37(2): 275-292. https:// doi.org/10.1051/apido:2006027
  • Ghilardi-Lopes, N. P., & Zattara, E. E. (Eds.). (2022). Ciência Cidadã e polinizadores da América do Sul (1st ed.). Cubo Multimídia. ISBN 978-65-86819-20-5. https:// doi.org/10.4322/978-65-86819-205.100001.pt (Português). https:// doi.org/10.4322/978-65-86819-212.100001.es (Espanhol)
  • Irwin, A. (2002). Citizen science: A study of people, expertise and sustainable development. Routledge. https://doi. org/10.4324/9780203202395
  • Langstroth, L. L. (1857). A Practical Treatise on the Hive and Honeybee. CM Saxton & Company. https://www.biodiversitylibrary.org/ item/120282#page/11/mode/1up