Artigo


Alimentação Apícola

Radamés Zovaro – Empresário apícola e Diretor Técnico da Apacame

O Brasil é um país continental, portanto quando falamos sobre produtividade apícola, temos que analisar cada região, pois as variedades de vegetação em nosso pais é algo que impressiona qualquer especialista na área, seja no campo dos pesquisadores, dos estudiosos sobre o assunto bem como dos apicultores. alimentador

E é exatamente nessa área que vamos comentar a importância do conhecimento da vegetação da região onde esta instalado o apiário.

As abelhas evoluíram ao longo do tempo com as plantas superiores que florescem e produzem frutos e/ou sementes (PROCTOR et al. 1996). Essa associação trouxe benefícios mútuos. De um lado ás abelhas e de outro lado as plantas se beneficiam da polinização efetuada pelas abelhas. Adicionalmente as abelhas são responsáveis pelo fluxo de genes na população de muitas espécies vegetais, o que assegura a perfeita perpetuação das espécies. (Plantas Apícolas e sua relação com a polinização – Afonso Inácio Ofth e

Lineu Schneider – 4º Congresso Catarinense de Apicultores – 10 a 13/07/1997 – Mafra – SC)

A vida das abelhas esta voltada diretamente ao trabalho, desde o momento que ela nasce até a sua morte. A função é o trabalho em sociedade, ou seja, de acordo com a idade a abelha tem uma função dentro da sua sociedade.

Praticamente o ciclo da vida das abelhas Apis melífera é de 40 a 45 dias podendo no inverno em regiões mais frias durar mais tempo. A sua vida se resume no seguinte:

1 – postura dos ovos pela rainha, ovos que se transformam de acordo com a passagens dos dias em larvas, pré pupa, pupa e nascimento

2 – os três primeiros dias de vida efetuam a limpeza do alvéolo que nasceu deixando em condições para nova postura pela rainha ou armazenamento do mel e pólen; do quarto ao décimo quarto dia desenvolvem a tarefa de preparar e cuidar das alimentações das larvas., limpeza interna da colmeia, transformação do néctar em mel, e outras funções dentro da colmeia. Do décimo quarto ao vigésimo dia desenvolvem as glândulas cerigênas para a produção de cera e consequentemente a produção dos favos. Do vigésimo dia até a morte vivem a procura de alimentos, como néctar, pólen, resina além do transporte de água para o interior da colmeia.

É exatamente nesse período que o trabalho de procura de alimentos é vital para o desenvolvimento do enxame. A abelha encontrando uma fonte de alimento ela volta a colmeia e através de movimentos que chamamos dança da abelha ela consegue orientar as colegas exatamente onde foi encontrada a fonte.

Porém existe épocas que falta esses alimentos e ai cabe ao apicultor ajuda-la no combate a fome, ou seja, a falta de alimentos para manter a vida da colmeia.

É de suma importância que o apicultor conheça a vegetação que tem no entorno do apiário e as épocas de floradas dessa vegetação. Tendo esse conhecimento ele pode e deve alimentar as colmeias com dois meses de antecedência. Isso vai provocar um aumento de postura de ovos por parte da rainha, fazendo com que o numero de abelhas aumente, e quando a florada abrir o numero de abelhas campeiras será bem maior e consequentemente a produtividade da colmeia será o dobro ou triplo do que o apicultor colheria sem essa alimentação.

Existem varias formas de alimentação, sempre voltadas para manutenção e desenvolvimento dos enxames. Basicamente essas alimentações são baseadas nos produtos: mel, açúcar e água. E ai pode citar várias fórmulas:

Alimentação de manutenção:

Mel ou açúcar – 50 ou 60% – Água – 50 ou 40%.

Para preparar aqueça a água sem chegar a ferver e misture o mel ou o açúcar mexendo até dissolver completamente. Deixe esfriar e forneça as abelhas – Observação o açúcar deve ser o granulado.

A quantidade a ser dada para a colmeia deve durar 2 (dois) dias e repetir a dose 1 a 2 vezes por semana

Alimentação Estimulante

Açúcar branco granulado – 1 parte – Mel – 1 parte Água fervida – 1 parte.

O processo de produção é o mesmo usado na receita anterior.

Deve ser servido para as abelhas durante 15 dias de preferência morno espalhado ou borrifando sobre os quadros.

Obs:- os alimentos líquidos sempre devem ser aplicados ao entardecer, para evitar a pilhagem que é muito comum em épocas de falta de alimentos.

Cândi

Açúcar ou mel misturado com água.

O processo de produção é misturar o açúcar ou mel com pequenas quantidades de água até formar uma massa, como se fosse uma massa de pão e ficar totalmente compacta.

É um alimento de forma sólida, muito utilizado no transporte de rainhas, porem também pode ser utilizado na alimentação das colmeias.

O Cândi é um produto utilizado muito no transporte de rainhas, na alimentação de subsistência da colmeia e em núcleos de fecundação (para quem cria rainhas).

Não estimula a pilhagem por ser um alimento sólido.

Pólen

O pólen é um alimento importante, é a proteína das crias e indispensável para o preparo da geleia real (alimento exclusivo da Rainha). Não existe nada que o substitua, porem estudiosos do assunto descobriram que a união da farinha de Soja, fermento de cerveja, leite desnatado em pó, albuminas de ovos e outros produtos possa ajudar na alimentação das crias.

Nos EUA, os apicultores usam uma formula recomendada para substituir o pólen:

Farinha de soja – 20% – Caseína – 30% – Fermento de cerveja – 20% – Leite Desnatado, em pó – 20% – Gema de ovo, em pó- 10%.

Alimentadores

Normalmente é utilizado 2 (dois) tipos de alimentadores; o individual e o coletivo.

Individual são pequenos equipamentos destinado a alimentação de cada colmeia. O alimento pode ser liquido ou sólido e pode ser colocado no alvado, ou dentro da colmeia, o que permite ao apicultor definir a dosagem que cada colmeia deverá ter. Exemplos desses alimentadores, Boardmann; Doolitle e Alexander.

Os alimentadores coletivos atende a demanda de todo o apiário, além de abastecer exames que estão ao redor do mesmo, consequentemente concorrentes. Pode ser utilizado um equipamento que armazena o alimento e que tenha um dispositivo que evita a abelha cair no alimento, pois se este for líquido poderá matar muitas abelhas. A abelha caindo em um alimento líquido dificilmente ela consegue sair.