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AUDIÊNCIA PÚBLICA DISCUTE OS AGROTÓXICOS

Radamés Zovaro – Empresário Apícola e Diretor Tecníco da Apacame

No dia 22 de maio de 2017, foi realizada na Câmara Municipal da cidade de Catanduva, interior de São Paulo, uma reunião, para debater os Projetos de Lei nºs 405 e 406 de 2016 de autoria do Deputado Estadual Padre Afonso Lobato, projetos estes que discute a “Pulverização aérea de agrotóxicos na Agricultura”, afetando de forma direta os apiários localizados nas imediações das plantações.

Presidiu a audiência o Padre Afonso Lobato do PV.

Presidiu a audiência o Padre Afonso Lobato do PV.

Sob o comando do Deputado, foi composta a mesa com a presença da representante da Sindiveg – Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal, Dra. Silvia de Toledo Fagnani; representante do sindicato das empresas Aéreas, Doutor Ricardo Vollbrecht; representante da Câmara Setorial de Produtos Apícolas do Estado de São Paulo, Sr. Ricardo Costa Rodrigues Camargo; representante da cidade de Catanduva, apicultor Sr. Wilson José Gussoni e, representando a APACAME, o Diretor técnico Sr. Radamés Zovaro.

Dando inicio aos trabalhos os representantes da Sindiveg e do Sindicato das empresas aéreas apresentaram seus discursos, evidentemente defendendo os interesses das empresas representadas, informando que tudo estava nos conformes, o que não aconteceu com os outros três palestrantes que usaram da palavra, comentando a realidade dos fatos, ou seja, a mortandade das abelhas provocadas pelas pulverizações aéreas dos produtos químicos, cada um apresentando justificativas relativas a mortandades das abelhas, além de afetar a natureza com a mortandade de outros insetos, também importantes á manutenção do meio ambiente e, infelizmente afetando também pessoas que residem próximos aos locais onde é feita a pulverização aérea, o que tem apresentado vários tipos de doenças, incluindo o câncer.

Em primeiro plano Radamés Zovaro diretor Técnico da APACAME, compondo a mesa ao lado da Dra. Sílvia de Toledo Fagnani e do Dr. Ricardo Vollbrecht.

Em primeiro plano Radamés Zovaro diretor Técnico da APACAME, compondo a mesa ao lado
da Dra. Sílvia de Toledo Fagnani e do Dr. Ricardo Vollbrecht.

Na sequência o Coordenador abriu a palavra para oito pessoas que se candidataram. Alguns defendendo o trabalho das empresas citadas, principalmente a pulverizaçôes aéreas e outros preocupados com a mortandade das abelhas. Porem, três comentários chamaram mais a atenção. Um apicultor, que infelizmente eu não guardei o nome, residente na região, comentou da mortandade de abelhas que sofreu em função da pulverização aérea e foi mais além, comentando que esta com câncer provocado segundo os médicos pelas inalações sofridas em função das pulverizações aéreas que sofreu. Outro palestrante, o apicultor João Seabra, muito conhecido no meio apícola, informou que perdeu 1.940 (um mil novecentos e quarenta) colmeias com as pulverizações aéreas. Leu também uma matéria de um jornal do estado do Mato Grosso do Sul, comentando o péssimo trabalho de uma empresa aérea que não tem registro nos departamentos competentes para o uso das aeronaves, o que veio contestar as palavras dadas pelo representante das empresas aéreas. Finalizando usou da palavra o Prof. Ademilson Espencer Egea Soares, professor do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – FMRP, onde fez uma apresentação de forma bastante clara e objetiva, criticando veementemente o uso dos produtos agrotóxicos e das pulverizações aéreas que infelizmente tem provocado inúmeros prejuízos ao meio ambiente e a população em geral, não só no Brasil como também em outros países do nosso planeta,

A situação é critica. O Brasil tem a segunda maior frota de aviões do planeta para uso de pulverizações em plantações agrícolas, e, o meio ambiente é sem duvida o mais prejudicado. Lamentavelmente os fazendeiros também não têm tomado certos cuidados quanto à utilização da pulverização aérea, com o uso de muitos e variados produtos ao mesmo tempo. A grande pergunta é: Até quando nós Seres humanos vamos suportar a ganância das indústrias na produção de defensivos agrícolas e dos fazendeiros no uso das aeronaves em manter plantações de frutas, hortaliças e legumes a base desses produtos que esta provado afeta o meio ambiente, e não dos produtos orgânicos?