Editorial


UMA NOVA FERRAMENTA EM DEFESA DA APICULTURA E DA MELIPONICULTURA BRASILEIRA.

Os últimos 3 anos foram particularmente importantes no Brasil para que se elevassem as discussões sobre a importância de nossas abelhas como os maiores polinizadores da natureza, e a necessidade de sua proteção. Nosso país, apesar de ostentar o título de maior consumidor de agrotóxicos do planeta, entrou tardiamente nesta discussão – haja visto que em 2007 o tema já era debatido na Apimondia, e logo se transformaria numa grande pauta mundial – e somente depois da reunião de diversas evidências incontestes por parte de ONGs, associações e criadores privados tornou-se claro que o problema do declínio, morte massiva e desaparecimento de abelhas seria também um problema sério de nosso país. De lá para cá, assistimos à preocupante introdução de novos protagonistas a quererem liderar o debate sobre o tema, destacando-se os interesses das indústrias agroquímicas e de transgênicos.

No cerne desta discussão encontra-se a iniciativa da organização de proteção às abelhas BEE OR NOT TO BE, liderada pelo Prof. Dr. Lionel Segui Gonçalves, que no final de 2013 lançaria a primeira campanha de proteção às abelhas do país, a já conhecida “Sem Abelha, Sem Alimento” (www.semabelhasemalimento.com.br ). Esta campanha viria acompanhada de diversas ações, com destaque para o Aplicativo “Bee Alert”, o primeiro a geolocalizar e quantificar as ocorrências de morte massiva de abelhas no Brasil (hoje são cerca de 250 casos documentados no Brasil, com 18 mil colmeias mortas); a entrega de uma Petição Pública pela proteção às abelhas, com a assinatura física de 23 mil nomes; o lançamento do Caderno de Atividades de Educação Ambiental “Sem Abelha, Sem Alimento”, com conteúdo pedagógico para o ensino de alunos do ensino fundamental I; e o Projeto Cidade Amiga das Abelhas, que tem o propósito de pautar para a gestão pública boas práticas da proteção aos polinizadores nas cidades.

É louvável e extremamente importante uma iniciativa como esta, pois preenche uma lacuna importante do debate pela ótica dos interesses de nossa sociedade e também de parte da classe científica independente. No próximo dia 20/05/17 a Organização Bee or Not to Be dará um novo passo importante: nascida com uma iniciativa do CETAPIS/RN (Centro Tecnológico de Apicultura do RN), realizará agora um ato de constituição de sua fundação como uma associação independente e com objetivos específicos, em nova sede na cidade de Ribeirão Preto- SP. A promoção da educação ambiental, a proteção das diversas espécies de abelhas e a difusão de sua importância como maior polinizadora da natureza, e o fomento da criação técnica e sustentável de abelhas serão o norte das ações e interesses de seu importante quadro de associados fundadores. Devemos desejar sucesso na sequência desta iniciativa, pois representa legitimamente uma voz ativa importante a debater os desafios da sustentabilidade na apicultura e na meliponicultura.

Constantino Zara Filho – Presidente Executivo