{"id":5055,"date":"2022-08-10T21:22:39","date_gmt":"2022-08-10T21:22:39","guid":{"rendered":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=5055"},"modified":"2022-08-10T21:22:39","modified_gmt":"2022-08-10T21:22:39","slug":"gastronomia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-167-julho-de-2022\/gastronomia\/","title":{"rendered":"Gastronomia"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">Voc\u00ea sabe o que \u00e9 poncha?<\/h1>\n<blockquote><p>Clau Gavioli (ou Maria Cl\u00e1udia Gavioli) \u00e9 jornalista, mestre em hospitalidade e pesquisadora de comida. Ela \u00e9 editora do site e apresentadora do podcast Minestrone (<a href=\"https:\/\/www.minestrone.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.minestrone.com.br<\/a>).<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Foto_1_Gastronomia.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5056\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Foto_1_Gastronomia-248x300.jpg\" alt=\"Foto_1_Gastronomia\" width=\"248\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Foto_1_Gastronomia-248x300.jpg 248w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Foto_1_Gastronomia-150x182.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Foto_1_Gastronomia-413x500.jpg 413w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Foto_1_Gastronomia.jpg 748w\" sizes=\"(max-width: 248px) 100vw, 248px\" \/><\/a>Talvez voc\u00ea j\u00e1 tenha ouvido falar sobre ponche, que \u00e9 uma bebida parecida com a sangria, feita com vinho e frutas, mas poncha? Ser\u00e1 que lhe causa a mesma estranheza que eu senti quando li essa palavra a primeira vez? <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Como a gastronomia \u00e9 vasta&#8230; Al\u00e9m de todas as comidas, tem tamb\u00e9m as bebidas, os drinques e coquet\u00e9is, as harmoniza\u00e7\u00f5es&#8230; quanta riqueza! Lembrando disso me veio a ideia de escrever sobre uma bebida. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A poncha \u00e9 uma bebida que se acredita seja origin\u00e1ria da Ilha da Madeira, local que a reconhece como identit\u00e1ria ou, como costumamos falar, t\u00edpica de l\u00e1. Dizem que \u201cquem vai \u00e0 Madeira e n\u00e3o toma poncha, n\u00e3o pode dizer que foi\u201d. Ela \u00e9 feita de rum e lim\u00e3o e \u00e9 ado\u00e7ada com a\u00e7\u00facar de cana e mel. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O mito fundador da poncha remete \u00e0 honrosa labuta dos pescadores que para se aquecer na ida para o mar bebiam uma mistura feita com aguardente de cana, casca de lim\u00e3o, \u00e1gua e a\u00e7\u00facar ou mel. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">H\u00e1 muitas hist\u00f3rias que versam sobre a cria\u00e7\u00e3o de bebidas como meio de sobreviv\u00eancia para marinheiros. Talvez a poncha possa ter sido uma dessas, quem sabe? Existe uma lenda para as bebidas que origina das necessidades reais que tinham os marinheiros para preservar o lim\u00e3o em longas viagens, uma vez que a fruta era o rem\u00e9dio mais eficaz contra o escorbuto, doen\u00e7a impiedosa e frequente entre os que passavam meses nas embarca\u00e7\u00f5es durante as grandes navega\u00e7\u00f5es, isso nos idos do fim da Idade M\u00e9dia ou do in\u00edcio do s\u00e9culo XV em diante. Hoje se sabe que essa doen\u00e7a se deve \u00e0 car\u00eancia de vitamina C no organismo humano e, como naquela \u00e9poca n\u00e3o havia refrigeradores, para aumentar a durabilidade dos lim\u00f5es durante as viagens, uma forma de conserv\u00e1-los era misturando-os a bebidas alco\u00f3licas, como o rum e, mais tarde, a cacha\u00e7a de cana, al\u00e9m de a\u00e7\u00facar, mel ou melado. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">H\u00e1 semelhan\u00e7as entre a poncha da Madeira, o grogue de Cabo Verde e a nossa caipirinha, uma vez que qualquer delas \u00e9 feita de uma bebida destilada, lim\u00e3o e a\u00e7\u00facar de cana \u2013 que as tr\u00eas col\u00f4nias portuguesas citadas produziam. Apesar disso, a Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Bartenders (IBA \u2013 International Bartenders Association), que sistematizou oficialmente uma lista de bebidas a partir de suas origens, ingredientes essenciais e modos de preparo, n\u00e3o as trata como parentes. A receita de caipirinha reconhecida pela IBA leva cacha\u00e7a, pinga ou aguardente de cana-de-a\u00e7\u00facar, lim\u00e3o taiti, a\u00e7\u00facar refinado, tamb\u00e9m de cana, e gelo. A poncha da Madeira \u00e9 inflex\u00edvel no que se refere ao destilado: ela s\u00f3 pode ser feita com rum da Madeira. No mais leva lim\u00e3o de qualquer tipo, a\u00e7\u00facar, mascavado ou branco, e mela\u00e7o ou mel. N\u00e3o se sabe se esses dois \u00faltimos ingredientes estavam na receita original, mas, agora, s\u00e3o parte a composi\u00e7\u00e3o do coquetel. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Sem demasiado apego \u00e0 rigidez da originalidade, da poncha, como da caipirinha, surgiram outras bebidas, numa esp\u00e9cie de \u201cgourmetiza\u00e7\u00e3o\u201d a fim de agradar paladares diversos multiplicando as op\u00e7\u00f5es. \u00c9 o caso da caipirosca, feita com vodca e da \u201csaquerinha\u201d cuja bebida alco\u00f3lica \u00e9 o saqu\u00ea, ou das caipirinhas de frutas diversas como morango, maracuj\u00e1, lichia, tangerina e tantas outras que entram no lugar do lim\u00e3o ou que, junto com ele, podem compor um novo sabor. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Uma caracter\u00edstica marcante da poncha da Madeira \u00e9, no entanto, a presen\u00e7a do mel ou do mel de cana (mela\u00e7o). Pesquisando a respeito do uso desses ingredientes na bebida, fiquei com a impress\u00e3o que, especialmente no passado, o mel, mesmo sendo o preferido, acabava, muitas vezes, preterido em rela\u00e7\u00e3o ao mela\u00e7o de cana no preparo da poncha devido \u00e0 escassez no mercado que tornava alto o pre\u00e7o do produto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Para quem nunca tinha ouvido falar da poncha, j\u00e1 h\u00e1 lugares, at\u00e9 fora da Ilha da Madeira, que contam com bares especializados nesse drinque. Uma vez que o preparo contenha rum produzido na Ilha e, portanto, envelhecido em barril de madeira que lhe confere uma colora\u00e7\u00e3o de amarelo a \u00e2mbar, n\u00e3o h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es quanto a substituir o lim\u00e3o por outras frutas, nem quanto ao tipo de a\u00e7\u00facar ou se o mela\u00e7o ou o mel \u00e9 usado. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Entre o mel e o mela\u00e7o h\u00e1 diferen\u00e7as fundamentais. O primeiro \u00e9 feito pelas abelhas, tende a ser mais leve e claro, ao passo que o outro \u00e9 um derivado do suco da cana de a\u00e7\u00facar cozido em alta temperatura, mais viscoso e escuro e com retrogosto que chega a ser amargo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O mel \u00e9 um ingrediente que pode ser suave, mas que imp\u00f5e seu sabor caracter\u00edstico. Nas bebidas, vem se tornando cada vez mais apreciado por bartenders em todo o planeta. Resta-nos experimentar. Ent\u00e3o, que tal uma poncha? Ah, pode ser com mel, por favor? <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea sabe o que \u00e9 poncha? Clau Gavioli (ou Maria Cl\u00e1udia Gavioli) \u00e9 jornalista, mestre em hospitalidade e pesquisadora de comida. 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