{"id":4904,"date":"2022-06-13T18:45:10","date_gmt":"2022-06-13T18:45:10","guid":{"rendered":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=4904"},"modified":"2022-06-13T18:45:46","modified_gmt":"2022-06-13T18:45:46","slug":"pasto-apicola","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-166-maio-de-2022\/pasto-apicola\/","title":{"rendered":"Pasto Ap\u00edcola"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">ABACATEIRO Persea americana e Persea nubigena<\/h1>\n<blockquote><p>Dr. Jo\u00e3o Martins Ferreira \u00e9 Professor Titular da Universidade Paulista UNIP, Pesquisador junto \u00e0 Universidade de S\u00e3o Paulo, Jornalista e Apicultor.<br \/>\nSite: <a href=\"http:\/\/martinsferreira.net\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">martinsferreira.net<\/a> &#8211; Contato: <a href=\"mailto:martins_ferreira@hotmail.com\" target=\"_blank\">martins_ferreira@hotmail.com<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\"> <a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura1_Pasto-apicola.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-4905\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura1_Pasto-apicola-300x202.jpg\" alt=\"Figura1_Pasto-apicola\" width=\"300\" height=\"202\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura1_Pasto-apicola-300x202.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura1_Pasto-apicola-150x101.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura1_Pasto-apicola-500x336.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura1_Pasto-apicola.jpg 935w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Dentre as plantas que fornecem alimento para as abelhas, geralmente temos uma aten\u00e7\u00e3o especial com aquelas possam vir a oferecer algum alimento tamb\u00e9m para n\u00f3s, e sabemos que quase sempre os frutos que obtemos a partir de tais plantas dependem imensamente da poliniza\u00e7\u00e3o realizada pelas esfor\u00e7adas oper\u00e1rias. Da\u00ed ser f\u00e1cil compreendermos a grande import\u00e2ncia desses insetos para o sustento dos seres humanos e de outros seres da natureza. Obtemos mel e v\u00e1rios produtos diretamente das abelhas, mas tamb\u00e9m \u00e9 por causa delas que indiretamente obtemos expressivas quantidades de frutas, legumes, cereais e outros alimentos indispens\u00e1veis para o nosso sustento, alcan\u00e7ando ainda, pela mesma raz\u00e3o, alta qualidade nas produ\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas. O fruto do Abacateiro, um alimento excelente para a nutri\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade de nosso organismo, \u00e9 um \u00f3timo exemplo disso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Quase todo apicultor sabe que presen\u00e7a de agentes polinizadores em um pomar ou horta poder\u00e1 aumentar a produtividade das plantas. Diversas pesquisas e estudos j\u00e1 comprovaram isso e no caso do Abacateiro tais agentes s\u00e3o fundamentais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Essa planta \u00e9 origin\u00e1ria das regi\u00f5es centrais do continente americano, localizadas entre o M\u00e9xico e o Panam\u00e1, e atualmente est\u00e1 disseminada pelo mundo, apresentando uma grande variedade de tipos e qualidades. Antes da chegada de povos europeus \u00e0s am\u00e9ricas, abacateiros foram cultivados por nativos na Am\u00e9rica do Sul at\u00e9 a regi\u00e3o do Peru. Ap\u00f3s as coloniza\u00e7\u00f5es espanholas e portuguesas no s\u00e9culo XVI, o cultivo dessa planta se alastrou e ela acabou se adaptando bem a certos climas caracter\u00edsticos de algumas regi\u00f5es brasileiras. Oficialmente, foi Luiz de Abreu Vieira e Silva quem, em 1809, trouxe da Guiana Francesa quatro mudas, \u00e0s quais foram levadas para o Rio de Janeiro e oferecidas ao rei D. Jo\u00e3o VI, que as mandou plantar no Real Horto, atual Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro, de onde sa\u00edram sementes para o cultivo em outras partes do Brasil. <\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_4906\" aria-describedby=\"caption-attachment-4906\" style=\"width: 263px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura2_Pasto-apicola.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-4906\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura2_Pasto-apicola-263x300.jpg\" alt=\"A \u00f3tima produtividade da Persea americana ap\u00f3s a poliniza\u00e7\u00e3o das abelhas \u2013 Foto de Jo\u00e3o Martins Ferreira.\" width=\"263\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura2_Pasto-apicola-263x300.jpg 263w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura2_Pasto-apicola-898x1024.jpg 898w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura2_Pasto-apicola-150x171.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura2_Pasto-apicola-439x500.jpg 439w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura2_Pasto-apicola.jpg 935w\" sizes=\"(max-width: 263px) 100vw, 263px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4906\" class=\"wp-caption-text\">A \u00f3tima produtividade da Persea americana ap\u00f3s a poliniza\u00e7\u00e3o das abelhas \u2013 Foto<br \/>de Jo\u00e3o Martins Ferreira.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Ap\u00f3s an\u00e1lises cient\u00edficas, os abacateiros foram separados em tr\u00eas grupos: o Mexicano, ou Persea americana Miller var. drymifolia, melhor adaptado ao clima semitropical, que apresenta folhas com odor de anis e fruto com casca de espessura fina, o Antilhano, ou Persea americana Miller var. americana, melhor adaptado ao clima tropical, que apresenta folhas cor verde claro, sem odor de anis, \u00e9 pouco resistente ao frio e seu fruto tem casca de espessura m\u00e9dia, e o Guatemalense, ou Persea nubigena Williams var. guatemalensis, de clima subtropical, com folhas verde escuro e fruto com casca de espessura grossa. As subesp\u00e9cies s\u00e3o intercruz\u00e1veis e originaram variedades modernas de abacateiro. Sabe-se que depois de 1925 variedades mexicanas, guatemalenses e h\u00edbridas foram introduzidas em nosso pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O Abacateiro \u00e9 uma \u00e1rvore que cresce rapidamente, atingindo geralmente entre 8 metros e 20 metros de altura. Aprecia o sol e um ambiente quente e \u00famido \u2013 alguns tipos, como o Mexicano, s\u00e3o mais resistentes a geadas do que outros. \u00c9 uma planta que n\u00e3o gosta de solos encharcados, mas que consome muita \u00e1gua da \u00e1rea em que esteja cultivada. Ela \u00e9 sens\u00edvel a ventos, os quais prejudicam sua frutifica\u00e7\u00e3o. Seu tronco \u00e9 pouco reto e chega a atingir um metro de di\u00e2metro ap\u00f3s cerca de trinta anos. A folhagem geralmente \u00e9 perene. As folhas t\u00eam tamanho que variam entre 10 cm e 30 cm, s\u00e3o verdes, brilhantes na parte superior e com um verde acinzentado fosco na parte inferior. As flores s\u00e3o abundantes, completas e pequenas, com cerca de 1 cm de di\u00e2metro, e costumam surgir na planta entre os meses finais do inverno e os meses finais da primavera. Elas oferecem n\u00e9ctar e p\u00f3len para as abelhas, sendo que a concentra\u00e7\u00e3o do n\u00e9ctar em a\u00e7\u00facares na Persea americana fica entre 44% e 49% &#8211; podendo ser essa taxa um pouco menor em algumas outras esp\u00e9cies. Os frutos podem ser pequenos, com menos de 100 gramas em algumas esp\u00e9cies, ou podem ser grandes em outras, chegando a pesar 1.500 gramas. Eles variam em suas formas, podendo ser redondos, ovais, piriformes, ou de pesco\u00e7o, com cores de tons diversos, indo do verde at\u00e9 o castanho, ou roxo, e possuem uma \u00fanica semente, grande e com formato esf\u00e9rico, que pode servir para a reprodu\u00e7\u00e3o da planta, sendo alta a taxa de germina\u00e7\u00e3o \u2013 existe tamb\u00e9m a reprodu\u00e7\u00e3o por meio de enxertia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Para que produzam frutos, \u00e9 preciso que v\u00e1rias \u00e1rvores dessas esp\u00e9cies sejam plantadas pr\u00f3ximas, haja vista que a troca de p\u00f3lens entre as flores de plantas diferentes \u00e9 fundamental nesse sentido. Em um \u00fanico Abacateiro existem flores femininas e flores masculinas, sendo que elas se abrem alternadamente, apenas pela manh\u00e3, ou no fim da tarde, de modo que a poliniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 ocorrer no caso de uma planta solit\u00e1ria, posto que a abertura das flores femininas e das masculinas n\u00e3o coincidem no mesmo hor\u00e1rio. Assim, existindo mais \u00e1rvores em uma mesma regi\u00e3o, as abelhas e outros agentes polinizadores possibilitar\u00e3o que ocorra de fato o processo de fecunda\u00e7\u00e3o, visitando flores femininas em uma planta e flores masculinas em outra alternadamente, mas num mesmo momento do dia.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_4907\" aria-describedby=\"caption-attachment-4907\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura3_Pasto-apicola.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-4907\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura3_Pasto-apicola-300x219.jpg\" alt=\"Um p\u00e1ssaro se alimenta do fruto do Abacateiro. \u2013 foto de Jo\u00e3o Martins Ferreira.\" width=\"300\" height=\"219\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura3_Pasto-apicola-300x219.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura3_Pasto-apicola-150x109.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura3_Pasto-apicola-500x364.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura3_Pasto-apicola.jpg 935w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4907\" class=\"wp-caption-text\">Um p\u00e1ssaro se alimenta do fruto do Abacateiro. \u2013 foto de Jo\u00e3o Martins Ferreira.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os nomes populares que as esp\u00e9cies Persea americana e semelhantes costumam receber s\u00e3o: Abacate, Abacado, Abacateiro, Loiro-abacate, Louro-abacate, Palta, Avocat, Avocado e P\u00eara-abacate, no entanto h\u00e1 mais de quinhentas categorias de abacate, estando entre os que s\u00e3o mais conhecidos e comercializados aqueles que recebem denomina\u00e7\u00f5es como: Fortuna, Prince, Geada, Margarida, Hass, Fucks, Breda, Ouro Verde, Oro Negro, Quintal, Wagner, Pollock, Collinson, Linda, Taylor, Barker, Princesa, Simmonds, Mil\u00eanio, Miguel, Pinkerton, Bacon, Fuerte, Reed, Lula, Zutano, Choquette, Russell, Gwen, Brogdon, Yamagata e Bernecker. Existem algumas outras plantas com caracter\u00edsticas f\u00edsicas parecidas com as do Abacateiro mais comum, por\u00e9m elas produzem frutos bem diferentes do abacate, os quais n\u00e3o s\u00e3o pr\u00f3prios para o consumo humano. Entretanto tais \u00e1rvores s\u00e3o igualmente interessantes em termos ap\u00edcolas, bem como s\u00e3o relevantes no fornecimento de alimenta\u00e7\u00e3o para a fauna. Dentre estas est\u00e3o o Abacateiro do Brejo e o Abacateiro do Mato.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Anualmente, um \u00fanico Abacateiro pode produzir mais de duzentos frutos. \u00c9 importante que eles sejam colhidos, pois podem vir a causar algum dano ao ca\u00edrem espontaneamente, ou mesmo causar sujeira e odor inc\u00f4modo caso caiam e permane\u00e7am se decompondo ao redor da \u00e1rvore. Por tal raz\u00e3o e por se tratar de uma \u00e1rvore grande, que proporciona denso sombreamento, \u00e9 preciso aten\u00e7\u00e3o na escolha do local adequado para plant\u00e1-la \u2013 seu plantio em cal\u00e7adas, nas cidades, por exemplo, pode vir a ser problem\u00e1tico. Os frutos devem ser retirados da \u00e1rvore ainda verdes, quando estiverem grandes, firmes, totalmente formados, sendo a seguir acondicionados, com vistas aos seus lentos amadurecimentos. A parte comest\u00edvel \u00e9 a polpa, que tem uma consist\u00eancia cremosa, com viscosidade parecida com a da manteiga, sendo oleosa e muito saborosa, de cor creme, entre o amarelo e o verde, situada entre a casca e a semente do fruto. Ela pode ser consumida crua, cozida, ou em conserva, e combina bem com pratos salgados, como sopa, pat\u00ea, ou salada, bem como com pratos doces, como sobremesa, vitamina, ou suco. O lim\u00e3o e o mel s\u00e3o alimentos que costumam se associar bem com a polpa do abacate, enriquecendo seu sabor e acrescentando benef\u00edcios ao nosso organismo.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_4908\" aria-describedby=\"caption-attachment-4908\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura4_Pasto-apicola.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-4908\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura4_Pasto-apicola-300x202.jpg\" alt=\"A cremosa polpa e o grande caro\u00e7o do fruto da Persea americana.\u2013 Foto de Jo\u00e3o Martins Ferreira.\" width=\"300\" height=\"202\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura4_Pasto-apicola-300x202.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura4_Pasto-apicola-150x101.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura4_Pasto-apicola-500x336.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura4_Pasto-apicola.jpg 935w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4908\" class=\"wp-caption-text\">A cremosa polpa e o grande caro\u00e7o do fruto da Persea americana.\u2013 Foto de Jo\u00e3o<br \/>Martins Ferreira.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O valor nutricional do abacate, fruto do Abacateiro, \u00e9 excepcional. Ele \u00e9 rico em calorias: em 100 gramas h\u00e1 cerca de 218 calorias. Se compararmos com 100 gramas de alguns outros alimentos, \u00e9 poss\u00edvel a constata\u00e7\u00e3o desse potencial: a laranja conta com 50 calorias, o leite, com 72 calorias, a banana, com 98 calorias e os ovos, com 166 calorias. Portanto, trata-se de um alimento que fornece bastante energia para nosso corpo, o que justifica a fama desse fruto como um rico alimento, al\u00e9m de ser saud\u00e1vel e muito acess\u00edvel, caracter\u00edsticas que podem contribuir substancialmente, por exemplo, no combate \u00e0 fome de pessoas que se encontrem em situa\u00e7\u00e3o de pen\u00faria \u2013 nesse aspecto, h\u00e1 inclusive alguns relatos antigos que apontam que fam\u00edlias inteiras chegaram a serem salvas da desnutri\u00e7\u00e3o gra\u00e7as ao consumo constante do abacate.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Quando comparamos o abacate com algumas outras frutas em termos nutricionais, percebemos o quanto ele \u00e9 importante para a alimenta\u00e7\u00e3o humana. Se comparado com frutas frescas como a banana, a uva ou a ma\u00e7a, o abacate possui metade dos a\u00e7\u00facares dessas frutas e tem o dobro (ou mais) de prote\u00ednas. Algumas pessoas, inclusive, declararam que consumir um grande abacate equivaleria a uma refei\u00e7\u00e3o. An\u00e1lises do fruto mostraram a presen\u00e7a de vitaminas dos tipos A, D e E, al\u00e9m de B e C em menores propor\u00e7\u00f5es, bem como de valorosos sais minerais. O teor de \u00f3leo na polpa do fruto \u00e9 elevado, sendo que este apresenta benef\u00edcios semelhantes aos que o \u00f3leo de oliva provoca em nosso organismo. Por apresentar alta concentra\u00e7\u00e3o de gordura, deve ser consumido com modera\u00e7\u00e3o por quem tenha tend\u00eancia \u00e0 obesidade. Nas palavras de Hilton Claudino, \u201ctrata-se de um alimento completo por excel\u00eancia (&#8230;)\u201d, \u201cum verdadeiro b\u00e1lsamo para o cora\u00e7\u00e3o e os vasos sangu\u00edneos\u201d (Claudino, 2020, p. 45). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O Abacateiro tamb\u00e9m \u00e9 utilizado popularmente com fins medicinais e cosm\u00e9ticos, sendo que suas potencialidades curativas t\u00eam sido cada vez mais estudadas por muitos pesquisadores. Al\u00e9m da polpa de seu fruto, igualmente s\u00e3o \u00fateis a semente, bem como as folhas e outras partes da planta. Com a semente ralada, pode-se preparar um suco pr\u00f3prio para tonificar o couro cabeludo ou, ap\u00f3s torr\u00e1-la, preparar um p\u00f3 que combate algumas enfermidades intestinais. A pesquisadora Dania Messmar aponta que os estudos sobre a \u201cprodu\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de um fitoter\u00e1pico a base do extrato das sementes de Persea americana\u201d mostram-se promissores, sendo que em suas an\u00e1lises ela comprovou as qualidades da semente do abacate como auxiliar \u201cno tratamento de dores cr\u00f4nicas, incluindo a osteoartrite\u201d (Messmar, 2013). O ch\u00e1 das folhas do Abacateiro tamb\u00e9m \u00e9 \u00fatil em alguns tratamentos, mas ele deve ser feito com folhas secas, para que se evitem efeitos colaterais indesej\u00e1veis. O consumo da polpa do abacate contribui no combate \u00e0 anemia, ao artritismo, \u00e0 gota, ao estresse, \u00e0 ins\u00f4nia, \u00e0 indisposi\u00e7\u00e3o, \u00e0 hipertens\u00e3o, \u00e0 rouquid\u00e3o, al\u00e9m de propiciar melhoras aos rins e \u00e0 bexiga, possibilitar equil\u00edbrio nas taxas do colesterol e ser ben\u00e9fico \u00e0s articula\u00e7\u00f5es. O \u00f3leo presente no fruto \u00e9 indicado no tratamento de pele e de cabelos ressecados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Com tantas qualidades positivas como essas, torna-se substancial que o apicultor dedique aten\u00e7\u00e3o a tal planta e que os pesquisadores a estudem cada vez com maior profundidade. Ela \u00e9 de grande valia para n\u00f3s, seres humanos, e tamb\u00e9m para muitos insetos, p\u00e1ssaros e animais. Com ela se pode combater a fome, a desnutri\u00e7\u00e3o e as enfermidades, entre outras coisas, e por mais incr\u00edvel que possa parecer, at\u00e9 mesmo os ciclos da natureza relacionados com o Abacateiro podem simbolicamente nos revelar li\u00e7\u00f5es, experi\u00eancias, alertas, desde que observemos com carinho e aten\u00e7\u00e3o as din\u00e2micas no meio ambiente. Em uma fotografia ficou registrada a imagem de um p\u00e1ssaro que se alimentava da polpa de um abacate ainda ligado \u00e0 \u00e1rvore-m\u00e3e, sinalizando que em algum momento a semente, essa for\u00e7a interior do fruto, se desprenderia e cairia no ch\u00e3o para germinar. Isso \u00e9 como um ensinamento para n\u00f3s: em um breve momento a natureza nos mostra que \u00e0s vezes s\u00e3o outros que nos ajudam a revelar ao mundo a nossa for\u00e7a interior. De imediato, pode parecer aos nossos olhos que o p\u00e1ssaro somente destru\u00eda o fruto do Abacateiro, consumindo sua polpa, tal como \u00e0s vezes imaginamos que agem algumas pessoas com as quais convivemos, quando supomos que elas s\u00f3 estejam nos prejudicando, nos consumindo, nos fazendo mal, mas ao observarmos o fato de outro modo percebemos que, com tal a\u00e7\u00e3o, o p\u00e1ssaro possibilitou a liberta\u00e7\u00e3o do que era vital, daquilo que deveria posteriormente brotar, para depois crescer at\u00e9 se tornar outra vigorosa \u00e1rvore. Tal ensinamento sintetiza uma din\u00e2mica da vida: o fruto do Abacateiro depende da abelha para existir, o p\u00e1ssaro depende do fruto para existir, a semente depende do p\u00e1ssaro para existir como semente livre que brotar\u00e1, a nova \u00e1rvore depende da semente para existir e ser\u00e1 essa \u00e1rvore que ofertar\u00e1 a flor da qual depende a abelha para existir, ou seja, um ser depende de outro ser e todos os seres se ajudam. Assim, aprendemos que todo ser \u00e9 essencial para a vida. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Refer\u00eancias:<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">&#8211; Camargo, Jo\u00e3o M. F. de. Manual de Apicultura. S\u00e3o Paulo: Ed. Agron\u00f4mica Ceres, 1972, p. 190. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">&#8211; Claudino, Hilton. Frutas e seus Benef\u00edcios para a Sa\u00fade e a Beleza. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2020, p. 45 a 53.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">&#8211; Enciclop\u00e9dia de Plantas e Flores. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, s\/d, p. 193.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">&#8211; <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Persea_americana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Persea_americana<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">&#8211; <a href=\"https:\/\/www.jardineiro.net\/plantas\/abacate-persea-americana.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.jardineiro.net\/plantas\/abacate-persea-americana.html<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">&#8211; Korbes, Irm\u00e3o V. Cirilo. Plantas Medicinais. 48 ed. Francisco Beltr\u00e3o: Associa\u00e7\u00e3o de Estudos, Orienta\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia Rural, 1995, p. 63.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">&#8211; Lorenzi, Harri. \u00c1rvores Brasileiras \u2013 volume 1. Nova Odessa: Plantarum, 1998.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">&#8211; Messmar, Dania Kemel. Avalia\u00e7\u00e3o da atividade anti-inflamat\u00f3ria dos extratos das sementes de Persea americana (Mill.) Lauraceae. Curitiba: Acervo Digital da UFPR, 2013.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">&#8211; Murayama, Shizuto. Fruticultura. 2. Ed. Campinas: Instituto Campineiro de Ensino Agr\u00edcola, 1973, p. 152 a 234.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">&#8211; Soares, Nilberto Bernardo et alii. Toler\u00e2ncia a Baixas Temperaturas de Cultivares de Abacate. Jaboticabal: Revista Brasileira de Frutic., 2002, p. 721 a 723.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">&#8211; Vieira, M\u00e1rcio Infante. Criar Abelhas \u00e9 Lucro Certo. S\u00e3o Paulo: Nobel, 1984.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ABACATEIRO Persea americana e Persea nubigena Dr. Jo\u00e3o Martins Ferreira \u00e9 Professor Titular da Universidade Paulista UNIP, Pesquisador junto \u00e0 Universidade de S\u00e3o Paulo, Jornalista e Apicultor. 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