{"id":4855,"date":"2022-06-09T20:33:48","date_gmt":"2022-06-09T20:33:48","guid":{"rendered":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=4855"},"modified":"2022-06-09T20:36:43","modified_gmt":"2022-06-09T20:36:43","slug":"meliponicultura","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-166-maio-de-2022\/meliponicultura\/","title":{"rendered":"Meliponicultura"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">AS PR\u00d3POLIS DAS ABELHAS SEM FERR\u00c3O E SEUS SIGNIFICADOS<\/h1>\n<blockquote><p>Harold Brand \u2013 Bi\u00f3logo, Geneticista, Meliponicultor, Consultor da APA.<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura1_propolis.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-4856\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura1_propolis-300x193.jpg\" alt=\"Figura1_propolis\" width=\"300\" height=\"193\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura1_propolis-300x193.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura1_propolis-150x97.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura1_propolis-500x322.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura1_propolis.jpg 967w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>S\u00e3o poucas as investiga\u00e7\u00f5es no amplo universo das fontes dos recursos vegetais obtidas pelas abelhas, o p\u00f3len, o n\u00e9ctar, as resinas e a maneira que esses fatores interagem na qualidade da alimenta\u00e7\u00e3o e sanidade da colmeia. E de um modo semelhante, como a disponibilidade das diversas resinas necess\u00e1rias a forma\u00e7\u00e3o das pr\u00f3polis afeta o comportamento da colmeia. Menor ainda \u00e9 o nosso conhecimento sobre as consequ\u00eancias das atividades antr\u00f3picas, at\u00e9 onde elas repercutem na disponibilidade e na forma\u00e7\u00e3o das suas dietas. Como os agrot\u00f3xicos sist\u00eamicos que s\u00e3o incorporados aos vegetais visitados pelas abelhas afetam as popula\u00e7\u00f5es das colmeias? De que forma os perfis dos ecossistemas, a exemplo das florestas, dos campos, dos ambientes suburbanos, das monoculturas (florestas de eucalipto, culturas agr\u00edcolas), como cada uma delas em particular interferem nos n\u00edveis tr\u00f3ficos e nos mecanismos de defesa das abelhas? Nesses ambientes, as car\u00eancias de algumas subst\u00e2ncias ou a presen\u00e7a de outras podem modificar a composi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3polis, a ponto de comprometer a efic\u00e1cia no controle dos microorganismos patog\u00eanicos, tornando a comunidade das abelhas mais suscet\u00edvel \u00e0s doen\u00e7as. Todas essas rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00f3picos importantes, negligenciadas pela maioria dos pesquisadores, mas que poderiam ajudar a responder algumas quest\u00f5es como desaparecimento silencioso das nossas abelhas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>As Pr\u00f3polis e o Cheiro da Colm\u00e9ia<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os odores de cada esp\u00e9cie provem da secre\u00e7\u00e3o glandular do corpo, mas o cheiro particular de cada colmeia depende dos componentes da pr\u00f3polis da sua regi\u00e3o. O exemplo muito evidente e facilmente apreci\u00e1vel nos \u00e9 fornecido pela col\u00f4nia da abelha tubuna. Basta abrir uma caixa para sentirmos um forte cheiro de coco e que varia um pouco quando comparadas outras da mesma esp\u00e9cie, mas localizadas em outro contesto ecol\u00f3gico. O comportamento das abelhas sem ferr\u00e3o, de transferir alguns componentes da pr\u00f3polis para a sua superf\u00edcie corporal, caracteriza o cheiro particular de cada fam\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"> Essa etologia vem a ser uma esp\u00e9cie de cart\u00e3o de identidade que permite a abelha circular livremente dentro da sua colmeia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A car\u00eancia de um ou mais componentes da pr\u00f3polis acaba incidindo na sua ecologia qu\u00edmica podendo inviabilizar a sua sobreviv\u00eancia. A falta da diversidade vegetal no raio de a\u00e7\u00e3o da coleta das resinas \u00e9 apontada como uma das causas do decl\u00ednio das abelhas tanto das dom\u00e9sticas como das nativas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As montagens fotogr\u00e1ficas abaixo representam extratos de pr\u00f3polis de diferentes regi\u00f5es, elas nos permitem com uma visualiza\u00e7\u00e3o bem simples, avaliar de como a diversidade da flora, onde as abelhas t\u00eam na sua \u00e1rea de coleta influi nessa composi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>A Coleta de Resinas Pelas Oper\u00e1rias Campeiras<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Basicamente as pr\u00f3polis s\u00e3o produtos da atividade seletiva das abelhas campeiras especializadas na coleta das resinas nos vegetais no raio de a\u00e7\u00e3o de cada uma das esp\u00e9cies de abelhas. Pesquisas americanas com abelha dom\u00e9stica (Pais SP) as marcadas e monitoradas indicam que existe uma especializa\u00e7\u00e3o entre as campeiras, nesse trabalho de coleta, somente um pequeno n\u00famero \u00e9 apta ou especialista, (em torno de apenas oitenta na popula\u00e7\u00e3o de sessenta mil de uma colmeia populosa). Mas seu n\u00famero pode aumentar se a colmeia for pressionada por doen\u00e7as ou outras necessidades. Nelas existe uma voca\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica para a fun\u00e7\u00e3o de abelha coletora de resina (voca\u00e7\u00e3o herdada como heran\u00e7a pol\u00edmera, tem sua distribui\u00e7\u00e3o g\u00eanica representada por uma curva de Gauss).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Nas nossas abelhas nativas n\u00e3o sabemos se existe essa voca\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, mas pelas observa\u00e7\u00f5es em nosso melipon\u00e1rio nos indicam que elas s\u00e3o muito oportunistas e a coleta est\u00e1 vinculada a uma das faixas et\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Nas feridas expostas das plantas, pela poda, observamos grande n\u00famero de abelhas de v\u00e1rias esp\u00e9cies coletando as resinas secretadas. Os australianos nos d\u00e3o um indicativo, das cinco das suas esp\u00e9cies pesquisadas, o pendor para a procura de resinas variou entre 10 a 40 por cento entre as abelhas forrageiras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Os Locais de Coleta Nos Tecidos Vegetais.<\/b> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Inj\u00farias mec\u00e2nicas: nas les\u00f5es provocadas por diversos fatores as plantas respondem secretando subst\u00e2ncias que protegem os locais lesionados contra fungos e microrganismos. Muitas plantas possuem nos tecidos mais internos vasos resin\u00edferos (Con\u00edferas) vasos lact\u00edferos (Euforbi\u00e1ceas) que extravasam suas secre\u00e7\u00f5es quase de imediato ap\u00f3s uma les\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Crescimento em espessura do caule: Grandes grupos de plantas como as Dicotiled\u00f4neas e Gimnospermas anualmente crescem espessura rompendo os tecidos mais externos do caule e at\u00e9 formar outros de substitui\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo devem secretar substancias que impe\u00e7am a contamina\u00e7\u00e3o pelos agentes patog\u00eanicos do meio ambiente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O exemplo not\u00e1vel nas matas de Arauc\u00e1rias \u00e9 o pinheiro do Paran\u00e1. Quando cresce em espessura os tecidos mais externos se rompem (ritidoma) e os vasos resin\u00edferos extravasam o seu conte\u00fado gosmento protegendo a regi\u00e3o at\u00e9 a forma\u00e7\u00e3o dos tecidos de substitui\u00e7\u00e3o. \u00c9 o momento oportuno de coleta pelas abelhas forrageiras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Estruturas vegetais especializadas em secre\u00e7\u00f5es: S\u00e3o muitos os exemplos no reino vegetal de estruturas especializadas tais como c\u00e9lulas secretoras, gl\u00e2ndula secretora, pelos secretores, localizados em v\u00e1rias regi\u00f5es do caule, folhas e flor. Essas subst\u00e2ncias elaboradas s\u00e3o denominadas de metab\u00f3licos secund\u00e1rios pelos Bot\u00e2nicos, s\u00e3o muito peculiares a certos grupos de vegetais, (os metab\u00f3licos s\u00e3o representados por in\u00fameras subst\u00e2ncias dos grupos dos fen\u00f3is, terpenos, alcal\u00f3ides e glicos\u00eddeos). <\/span><\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-4855 gallery-columns-2 gallery-size-large'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura2_propolis.jpg'><img decoding=\"async\" width=\"967\" height=\"579\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura2_propolis.jpg\" class=\"attachment-large size-large\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura2_propolis.jpg 967w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Figura2_propolis-300x180.jpg 300w, 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subst\u00e2ncias produzidas pelas gl\u00e2ndulas das abelhas. Muitas vezes pode ser simplesmente armazenado para utiliza\u00e7\u00e3o futura. As da tribo Trigonini como a exemplo da Pleb\u00e9ia remota armazenam resinas de duas maneiras, em volumosos mont\u00edculos ou na forma de pequenas bolotas gosmentas, dispostas em locais estrat\u00e9gicos de modo que prontamente podem ser usadas contra poss\u00edveis invasores. As marmeladas disp\u00f5em as pequenas bolotas em grande quantidade em torno da colmeia \u00e0 maneira de funcionar como verdadeira pega formiga e outros pequenos predadores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A cera das abelhas sem ferr\u00e3o como o das abelhas dom\u00e9sticas quando secretados \u00e9 de tom esbranqui\u00e7ado, mas antes ser utilizada nas constru\u00e7\u00f5es passa a ter aspecto diferente. Na Apis sp, \u00e9 de cor amarelada (recebe o acr\u00e9scimo de crisina) nas abelhas sem ferr\u00e3o \u00e9 bem mais escura, devido \u00e0 misturada com muitos terpen\u00f3ides componentes da pr\u00f3polis que lhe d\u00e3o esse aspecto. Essa substancia, d\u00e3o maior consist\u00eancia nas constru\u00e7\u00f5es das estruturas interna ao mesmo tempo em que protegem contra os pat\u00f3genos no interior da colmeia. Essa mistura \u00e9 tamb\u00e9m amplamente usada nas constru\u00e7\u00f5es e revestimento das paredes dos potes de mel e dos alv\u00e9olos ou c\u00e9lulas aonde ir\u00e3o se desenvolver as suas crias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Essas misturas de componentes da pr\u00f3polis com a cera \u00e9 uma das raz\u00f5es do decantado poder medicinal do mel das nossas abelhas nativas na cultura popular. E \u00e9 explic\u00e1vel, a pr\u00f3polis misturada \u00e0 cera das paredes dos potes no decorrer do tempo se difunde para o mel enriquecendo as suas propriedades. O processo se assemelha a obten\u00e7\u00e3o do rum armazenado em barricas de carvalho, com o decorrer do tempo as subst\u00e2ncias da madeira d\u00e3o um toque especial a bebida.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AS PR\u00d3POLIS DAS ABELHAS SEM FERR\u00c3O E SEUS SIGNIFICADOS Harold Brand \u2013 Bi\u00f3logo, Geneticista, Meliponicultor, Consultor da APA. 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