{"id":4766,"date":"2022-04-04T19:31:40","date_gmt":"2022-04-04T19:31:40","guid":{"rendered":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=4766"},"modified":"2022-04-04T19:33:05","modified_gmt":"2022-04-04T19:33:05","slug":"artigo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-165-marco-de-2022\/artigo\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">O que determina o consumo do mel no Brasil<\/h1>\n<blockquote><p>Rafaela da Rosa Quaglia<sup>1<\/sup>;L\u00eddia Maria Ruv Carelli Barreto<sup>1*<\/sup><br \/>\nFabiola Figueiredo Nejar<sup>1<\/sup>;Denise de Lima Belisario<sup>1<\/sup>; Jo\u00e3o Carlos Nordi<sup>1<\/sup>.<br \/>\n<sup>1*<\/sup>Universidade de Taubat\u00e9, P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Tecnologia Apicultura e Meliponicultura \u201cUnitau\u201d, Departamento de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias, CEP 12020-010, Taubat\u00e9, SP, Brasil. Autor para correspond\u00eancia &#8211; E-mail: <a href=\"mailto:lidiaunitau@gmail.com\" target=\"_blank\">lidiaunitau@gmail.com<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><strong>Resumo<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O sistema alimentar moderno e os fatores espec\u00edficos culturais s\u00e3o condicionantes onde eles ocorrem e a este ambiente o consumo obedece. Num contexto mais amplo, a transforma\u00e7\u00e3o do consumo por habitante dada a oferta e demanda ditada pelos ciclos econ\u00f4micos capitalistas sugere uma intensifica\u00e7\u00e3o da oferta de produtos. Com o objetivo de entender o que determina o consumo do mel no Brasil, o presente trabalho realizou um estudo transversal e a coleta dados por meio de question\u00e1rio eletr\u00f4nico categorizado em 13 quest\u00f5es, das quais somaram 357 respostas, no per\u00edodo de 21\/03\/2021 a 21\/05\/2021. A compila\u00e7\u00e3o dos dados n\u00e3o coincide com a percep\u00e7\u00e3o do uso do mel enquanto um produto terap\u00eautico, mas principalmente de um alimento com finalidade alimentar e promotor da sa\u00fade, ou seja, usado n\u00e3o apenas para tratar doen\u00e7as. Contudo, mesmo a expressiva produ\u00e7\u00e3o de mel no Brasil n\u00e3o contribui proporcionalmente para o aumento do consumo por habitante se comparado a outros Pa\u00edses do Continente Norte-Americano. Depreende-se a necessidade da forma\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos a partir da maneira como o mel \u00e9 consumido para aproximarmo-nos desses indicadores internacionais, ainda que a literatura cient\u00edfica enfatize os interesses e significados socioculturais antes dos econ\u00f4micos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> Mel, Comportamento alimentar, Terapia nutricional<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A apicultura \u00e9 um ramo de atividade desenvolvida fundamentalmente com vi\u00e9s de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, sendo concomitante ao trip\u00e9: econ\u00f4mico por garantir a ocupa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, em grande parte, no contexto da agricultura familiar; cultural por promover pr\u00e1ticas e sele\u00e7\u00f5es alimentares nutricionalmente adequadas; e ecol\u00f3gica por estimular boas pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel e por contribuir com o processo de poliniza\u00e7\u00e3o (J\u00daNIOR, 2018). Sustentabilidade em um sentido mais amplo estende-se as rela\u00e7\u00f5es humanas, sociais, econ\u00f4micas e as etapas do sistema alimentar (Brasil, 2012). A apicultura para a produ\u00e7\u00e3o do mel no Brasil \u00e9 dada como uma das principais atividades das fam\u00edlias e representa importante fatia da renda desses produtores (Assad, 2018).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Em se tratando das caracter\u00edsticas f\u00edsico-qu\u00edmicas, o mel \u00e9 produzido por abelhas a partir do n\u00e9ctar das flores ou das secre\u00e7\u00f5es ou excre\u00e7\u00f5es provenientes das plantas ou insetos sugadores, o que lhe confere peculiaridade para sabores, aromas e propriedades nutricionais, dada a florada proposta (Campos, 2003).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O mercado de varejo brasileiro foi avaliado em 796 milh\u00f5es de reais. J\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de mel no ano de 2016 foi contabilizada em 39.588 mil toneladas e o consumo por habitante em 60 gramas\/ano, relativamente baixa comparado \u00e0s 910 gramas por habitante Norte-Americano, ainda que na data consultada o Brasil figurasse na 9\u00b0 posi\u00e7\u00e3o em termos de volume de exporta\u00e7\u00e3o (ASSAD, 2018).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Entretanto os aspectos que reconhecem as prefer\u00eancias alimentares, a acessibilidade e produ\u00e7\u00e3o, contrastados com a persist\u00eancia da desigualdade social denotam condicionamento para certos estilos alimentares e, consequentemente, para variabilidade e oferta desses produtos (ARNAIZ, 2005). A alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um ato apenas biol\u00f3gico, que garante a sobreviv\u00eancia humana, ela vai al\u00e9m disso, a alimenta\u00e7\u00e3o acontece a partir das escolhas sobre o que se come e est\u00e1 atrelada \u00e0s quest\u00f5es socioculturais (CANESQUI &amp; GARCIA, 2005). A\u00e7\u00f5es de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional embasam a discuss\u00e3o de assuntos que permeiam as escolhas alimentares, garantindo mudan\u00e7as de h\u00e1bitos que favorecem a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade (Brasil, 2014). Para Canesqui (2005, p. 9 e 10),apesar das press\u00f5es forjadas pelo setor produtivo, como um dos mecanismos que interferem nas decis\u00f5es dos consumidores, a cultura, em um sentido mais amplo, molda a sele\u00e7\u00e3o alimentar, impondo as normas que prescrevem, pro\u00edbem ou permitem o que comer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Um dos exemplos \u00e9 o PNAE (Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar), que em sua atua\u00e7\u00e3o visa oferecer alimentos de elevada qualidade nutricional e estimular o consumo de produtos regionais (Bezerra, 2018). No que se refere \u00e0 promo\u00e7\u00e3o alimentar saud\u00e1vel para a popula\u00e7\u00e3o, a EAN (Educa\u00e7\u00e3o Alimentar Nutricional) al\u00e9m de fazer-se necess\u00e1ria a satisfa\u00e7\u00e3o alimentar das pessoas, relativa ao curto e longo prazo, preconiza a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o sacrifiquem aspectos sociais, recursos renov\u00e1veis ou n\u00e3o assim como os par\u00e2metros da \u00e9tica e justi\u00e7a (Brasil, 2012). Da mesma forma, \u00e9 importante que as experi\u00eancias alimentares educativas expressem autocuidado, para ent\u00e3o constituir possibilidades ampliadas no processo de aprendizado sobre as escolhas alimentares (Brasil, 2018).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Para tanto, este artigo divulga uma pesquisa quantitativa e bibliogr\u00e1fica acerca do consumo de mel de tal modo a contribuir com o entendimento dos aspectos objetivos do consumo deste produto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><strong>MATERIAIS E M\u00c9TODOS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Foram categorizadas 13 quest\u00f5es considerando o: mel, seus aspectos funcionais, mercado e consumo. A pesquisa fundamentou-se em um question\u00e1rio feito na plataforma Google Forms\u00ae e respondido por 357 pessoas baseando-se por: maior de 18 anos, defini\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, faixa et\u00e1ria, n\u00edvel de escolaridade, renda familiar, se j\u00e1 comeu mel, frequ\u00eancia de consumo, raz\u00e3o para consumi-lo, local de compra, crit\u00e9rio de compra, envase preferido, embalagem que geralmente encontra o mel e o que significa embalagem com selo de inspe\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A pesquisa foi realizada no per\u00edodo 21\/03\/2021 11:24 AM \u00e0 21\/05\/2021 11:02 AM hor\u00e1rio de Bras\u00edlia. A amostragem foi tabulada no Microsoft Excel 365 MSO 32 bits e os resultados foram apresentados em tabelas e gr\u00e1ficos calculados por meio da m\u00e9dia aritm\u00e9tica simples e desvio padr\u00e3o. Vale ressaltar que, para an\u00e1lise do dado da idade, foram considerados 304 participantes (85% da amostra) devido a falha no preenchimento da data de nascimento do participante da pesquisa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><strong>RESULTADOS E DISCUSS\u00c3O<\/strong><\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_4767\" aria-describedby=\"caption-attachment-4767\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Grafico-pesquisa.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-4767\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Grafico-pesquisa-300x244.jpg\" alt=\"Figura 1: - Raz\u00e3o, em frequ\u00eancia relativa, para consumir mel. O que determina o consumo do mel no Brasil 2021 - Fonte: o autor\" width=\"300\" height=\"244\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Grafico-pesquisa-300x244.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Grafico-pesquisa-150x122.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Grafico-pesquisa-500x406.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Grafico-pesquisa.jpg 978w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4767\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1: &#8211; Raz\u00e3o, em frequ\u00eancia relativa, para consumir mel.<br \/>O que determina o consumo do mel no Brasil 2021 &#8211; Fonte: o autor<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Com base no que foi apresentado na literatura consultada, p\u00f4de-se perceber que independentemente das t\u00e9cnicas apresentadas pelo mercado para indu\u00e7\u00e3o do consumo, tais a\u00e7\u00f5es n\u00e3o prevalecem na decis\u00e3o de compra, j\u00e1 que esta \u00e9 necessariamente modelada pela cultura (Canesqui &amp; Garcia, 2005).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Dentre os desafios para que se permita a generaliza\u00e7\u00e3o do consumo de mel h\u00e1 o reconhecimento dos aspectos culturais e a necessidade de naturalizar programas educativos a fim de estreitar as recomenda\u00e7\u00f5es culturais impl\u00edcitas. Segundo BRASIL (2014, p. 103), \u201cAinda assim, a ado\u00e7\u00e3o integral de todas as recomenda\u00e7\u00f5es nem sempre ser\u00e1 f\u00e1cil ou imediata para todos. Esses obst\u00e1culos s\u00e3o identificados como: informa\u00e7\u00e3o, oferta, custo, habilidades culin\u00e1rias, tempo e publicidade\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Do total de 357 quest\u00f5es respondidas, 304 se declararam maior de 18 anos 47,62% pertenciam ao sexo masculino e 52,38% ao sexo feminino. A idade m\u00e9dia de ambos os sexos \u00e9 de 47,24 anos e desvio padr\u00e3o de 10,19 anos. A escolaridade da maioria dos respondentes 58,26% \u00e9 n\u00edvel superior, seguido por ensino m\u00e9dio 20,17%, mestrado 12,61%, doutorado 6,72% e ensino fundamental 2,24%.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A faixa de renda familiar contabilizou 4,76% para at\u00e9 1 sal\u00e1rio-m\u00ednimo, seguido por 14,29% de 1 a 3 sal\u00e1rios, 25,49% para 3 a 5 sal\u00e1rios, 32,21% de 5 a 10 sal\u00e1rios e 23,25% para 10 ou mais sal\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Pessoas que j\u00e1 comeram mel correspondem a 99,16% e os que nunca comeram, 0,84%. Sobre a frequ\u00eancia com que consomem mel, 27,68% disseram que o consumo \u00e9 di\u00e1rio, 27,12% semanalmente, 24,01% mensalmente, 15,82% anualmente e 5,37% deixaram de consumir o mel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O canal de compra destaca por 52,54% para aquisi\u00e7\u00e3o direto do produtor, 1,41% compram em farm\u00e1cias, 0,85% via internet, 15,54% atrav\u00e9s de lojas especializadas, 18,36% em redes de supermercados e 8,47% obt\u00eam de vendedor ambulante. Relataram dificuldade em encontrar mel 2,82% dos respondentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Programas, como de identifica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica (IG), aplicados \u00e0 cadeia ap\u00edcola viabilizariam a regionaliza\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o da cadeia local, redu\u00e7\u00e3o dos custos de produ\u00e7\u00e3o, ou seja, validaria o protagonismo dos produtores locais quanto \u00e0s dificuldades mercadol\u00f3gicas. (Pellin, 2019).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os crit\u00e9rios para compra mel revelou que 38,42% levam em considera\u00e7\u00e3o cor e densidade, 27,40% optam pela florada, 8,19% marca, 11,58% pre\u00e7o e 14,41% compram por conta do selo de inspe\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os entrevistados preferem comprar o mel embalado em vidro 82,20% e 17,80% em bisnaga pl\u00e1stica. Corroborando o h\u00e1bito de consumo, a embalagem mais encontrada \u00e9 de vidro 57,91%, seguido por bisnaga pl\u00e1stica 40,68%, bl\u00edster 1,13% e sach\u00ea 0,28%.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Foi perguntado o que significaria a embalagem do mel com selo de inspe\u00e7\u00e3o e 78,25% disseram ter proced\u00eancia, 10,45% que o mel era industrializado e 11,30% n\u00e3o souberam informar. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A embalagem com carimbo dos servi\u00e7os de inspe\u00e7\u00e3o \u00e9 um atributo que d\u00e1 confiabilidade ao produto e influencia a decis\u00e3o de compra (Jacob, 2020), corroborando os dados analisados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Embora estudos acerca do comportamento do consumo alimentar apresentem diferentes raz\u00f5es para aqueles o consomem, ficou evidenciado que o mel \u00e9 um produto com finalidade alimentar para 48,02% dos participantes. O consumo do mel com finalidade terap\u00eautica contabilizou 25,99% das respostas, seguida por 20,34% para consumo por h\u00e1bito ou cultura alimentar. 5,65% das pessoas disseram n\u00e3o saber a raz\u00e3o para consumir o mel. (Figura 1).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os trabalhos que apresentam a mesma linha de pesquisa citam que o mel \u00e9 considerado alimento e tamb\u00e9m medicamento para combate de infec\u00e7\u00f5es virais, tal como a gripe, ou seja, seu consumo \u00e9 feito por indiv\u00edduos doentes (Gomes &amp; Santos, 2016).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As tend\u00eancias de consumo por possu\u00edrem tamb\u00e9m car\u00e1cter cultural, social e econ\u00f4mico e este ser um poder simb\u00f3lico, extremo oculto, n\u00e3o se mostram, aparentam ou n\u00e3o s\u00e3o apercebidas quanto \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o estabelecidas no ato aquisitivo. (Bourdieu apud Souza, 1989).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">No consumo de mel o papel do mercado \u00e9 fr\u00e1gil por haver um embate entre as quest\u00f5es culturais e mercadol\u00f3gicas. Embora essas estruturas comerciais procurem legitimar suas estrat\u00e9gias com mecanismos para que seus produtos sejam intensivamente ofertados e se mostrem aparentemente acess\u00edveis, dando \u201ca falsa\u201d sensa\u00e7\u00e3o de cultura inclusiva, h\u00e1 um v\u00e3o, impl\u00edcito, velado, que inibe o desenvolvimento para a forma\u00e7\u00e3o de novos h\u00e1bitos alimentares. Entendendo esse panorama cabe o resgate da nossa cultura alimentar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><strong>RECONHECIMENTOS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A pesquisa teve financiamento do pr\u00f3prio autor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><strong>CONTRIBUI\u00c7\u00d5ES DOS AUTORES<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Todos os autores contribu\u00edram igualmente para a concep\u00e7\u00e3o e escrita do manuscrito. Todos os autores revisaram criticamente o manuscrito e aprovaram a vers\u00e3o final.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><strong>APROVA\u00c7\u00c3O DO COMIT\u00ca DE BIO\u00c9TICA E BIOSSEGURAN\u00c7A<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A pesquisa n\u00e3o foi submetida ao Comit\u00ea de \u00c9tica e Pesquisa (CEP) por n\u00e3o coletar dados pessoais e sens\u00edveis ou que possibilitem identificar o examinado. A coleta de dados foi realizada virtualmente, na rede de internet mundial de computadores por meio de formul\u00e1rio eletr\u00f4nico da plataforma Google Forms\u00ae, conforme Carta Circular n\u00ba 1\/2021-CONEP\/SECNS\/MS, de 03 de mar\u00e7o de 2021.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">ARNAIZ, M. G. Em dire\u00e7\u00e3o a uma nova ordem alimentar? In: CANESQUI, A. M. (org). Antropologia e nutri\u00e7\u00e3o: um di\u00e1logo poss\u00edvel [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">2005. Cap.8. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/static.scielo.org\/scielobooks\/v6rkd\/pdf\/canesqui-9788575413876.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/static.scielo.org\/scielobooks\/v6rkd\/pdf\/canesqui-9788575413876.pdf<\/a>. Acesso em: 25 mai 2021. doi: id\/v6rkd\/pdf\/canesqui-9788575413876-09.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">ASSAD, A. L. et al. Plano de fortalecimento da cadeia produtiva da apicultura e meliponicultura do estado de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo, 2018. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/agricultura.sp.gov.br\/media\/13377-plano-de-fortalecimento-da-cadeia-da-apicultura-e-meliponicultura-10-dez-2018.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/agricultura.sp.gov.br\/media\/13377-plano-de-fortalecimento-da-cadeia-da-apicultura-e-meliponicultura-10-dez-2018.pdf<\/a>. Acesso em: 25 mai 2021. doi: media\/13377-plano-de- fortalecimento-da-cadeia-da-apicultura-e-meliponicultura-10-dez-2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">BEZERRA, J. A. B. Educa\u00e7\u00e3o alimentar e nutricional: articula\u00e7\u00e3o de saberes. [online] Fortaleza: Edi\u00e7\u00f5es UFC, 2018. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.fnde.gov.br\/index.php\/centrais-de-conteudos\/publicacoes\/category\/116-alimentacaoescolar?download=12042:educa%C3%A7%C3%A3o-alimentar-nutricional-articulacao-de-saberes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.fnde.gov.br\/index.php\/centrais-de-conteudos\/publicacoes\/category\/116-alimentacaoescolar?download=12042:educa%C3%A7%C3%A3o-alimentar-nutricional-articulacao-de-saberes<\/a>. Acesso em: 21 de abril 2021. doi: catalogo\/52-categoria-indefinida\/934-educacao- alimentar-e-nutricional-articulacao-de-saberes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">BRASIL. Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social e Combate \u00e0 Fome. Marco de refer\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o alimentar e nutricional para as pol\u00edticas p\u00fablicas. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social, 2012. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.cfn.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/marco_EAN.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cfn.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/marco_EAN.pdf<\/a>. Acesso em: 19 de abr 2021. doi: wp- content\/uploads\/2017\/03\/marco_EAN<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">BRASIL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Secretaria de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade. Departamento de Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. Guia alimentar para a popula\u00e7\u00e3o brasileira. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2014. 2 ed <a href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf<\/a>. Acesso em: 15 de mar 2021. doi: bvs\/publicacoes\/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">BRASIL. Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social e Combate \u00e0 Fome. Princ\u00edpios e pr\u00e1ticas para educa\u00e7\u00e3o alimentar e nutricional. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social, 2018. Dispon\u00edve em: <a href=\"https:\/\/www.mds.gov.br\/webarquivos\/arquivo\/seguranca_alimentar\/caisan\/Publicacao\/Educacao_Alimentar_Nutricional\/21_Principios_Praticas_para_EAN.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.mds.gov.br\/webarquivos\/arquivo\/seguranca_alimentar\/caisan\/Publicacao\/Educacao_Alimentar_Nutricional\/21_Principios_Praticas_para_EAN.pdf<\/a>. Acesso em: 21 de abr 2021 doi:webarquivos\/arquivo\/seguranca_alimentar\/caisan\/Publicacao\/Educacao_Alimentar_Nutricion al\/21_Principios_Praticas_para_EAN\u00ad<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">CAMPOS, G.; DELLA-MODESTA, R. C.; SILVA, T. J. P.; BAPTISTA, K. E.; GOMIDES, M.F.; GODOY, R. L. Classifica\u00e7\u00e3o do mel em floral ou mel de melato. Ci\u00eancia Tecnol. Aliment., Campinas, v. 23(1): p. 1-5, 2003 Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/cta\/a\/cL3wGWjrq5LVhJndnMtHhrS\/?lang=pt&amp;format=pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/cta\/a\/cL3wGWjrq5LVhJndnMtHhrS\/?lang=pt&amp;format=pdf<\/a>. Acesso em: 30 de mai 2021. doi: \/j\/cta\/a\/cL3wGWjrq5LVhJndnMtHhrS\/?lang=pt&amp;format=pdf<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">CANESQUI, A. M. (org). Antropologia e nutri\u00e7\u00e3o: um di\u00e1logo poss\u00edvel [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2005. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/static.scielo.org\/scielobooks\/v6rkd\/pdf\/canesqui-9788575413876.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/static.scielo.org\/scielobooks\/v6rkd\/pdf\/canesqui-9788575413876.pdf<\/a>. Acesso em: 26 de mar 2021. doi: scielobooks\/v6rkd\/pdf\/canesqui-9788575413876<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">GOMES, S. J. da S; SANTOS, C. V. dos. Consumo e mercado do mel: Um estudo bibliogr\u00e1fico. Revista S\u00edntese AEDA, v. 01, n. 02, 2016. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/aeda.edu.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/REVISTA-SINTESE_06.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/aeda.edu.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/REVISTA-SINTESE_06.pdf<\/a>. Acesso em: 25 jun 2021.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">JACOB, M. et al. Inspe\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria de produtos de origem animal: o debate sobre qualidade de alimentos no Brasil. Sa\u00fade Soc. S\u00e3o Paulo, v. 29, n. 4, 2020 Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/sausoc\/a\/G7BJwDFxtNMNvL7BMV7hvrL\/?lang=pt&amp;format=pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/sausoc\/a\/G7BJwDFxtNMNvL7BMV7hvrL\/?lang=pt&amp;format=pdf<\/a>. Acesso em: 10 jul 2021. doi 10.1590\/S0104-12902020190687<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">J\u00daNIOR, C. G. da S. A apicultura como pr\u00e1tica educacional de conserva\u00e7\u00e3o, sustentabilidade e fonte de renda no campo. Doce mensagem, S\u00e3o Paulo, v. 145, 2018. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-145-marco-de-2018\/artigo-6\/\" target=\"_blank\">http:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-145-marco-de-2018\/artigo-6\/<\/a>. Acesso em 01 de fev 2021. doi: site\/revista\/mensagem-doce-n-145-marco-de-2018\/artigo-6\/<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">PELLIN, V. Indica\u00e7\u00f5es Geogr\u00e1ficas e desenvolvimento regional no Brasil: a atua\u00e7\u00e3o dos principais atores e suas metodologias de trabalho. INTERA\u00c7\u00d5ES, Campo Grande, v. 20, n. 1, p. 63-78, 2019 Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/inter\/a\/gQ7KFM4TjpbQ4RbtjyNCyBS\/?lang=pt&amp;format=pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/inter\/a\/gQ7KFM4TjpbQ4RbtjyNCyBS\/?lang=pt&amp;format=pdf<\/a>. Acesso em 10 jul 2021. doi: dx.doi.org\/ 10.20435\/inter.v20i1.1792<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">SOUZA, R. B de. Formas de pensar a sociedade: o conceito de habitus, campos e viol\u00eancia simb\u00f3lica em Bourdieu. Ars Historica, Rio de Janeiro, v. 7, p. 139-151, 2014. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/dialnet.unirioja.es\/servlet\/articulo?codigo=4766705\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/dialnet.unirioja.es\/servlet\/articulo?codigo=4766705<\/a>. Acesso em 10 jul 2021. doi: servlet\/articulo?codigo=4766705<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><strong>DECLARA\u00c7\u00c3O DE CONFLITO DE INTERESSES<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os autores declaram n\u00e3o haver conflitos de interesse.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que determina o consumo do mel no Brasil Rafaela da Rosa Quaglia1;L\u00eddia Maria Ruv Carelli Barreto1* Fabiola Figueiredo Nejar1;Denise de Lima Belisario1; Jo\u00e3o Carlos Nordi1. 1*Universidade de Taubat\u00e9, P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"parent":4681,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"pmpro_default_level":"","_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"class_list":["post-4766","page","type-page","status-publish","hentry","pmpro-has-access"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4766"}],"collection":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4766"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4766\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4769,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4766\/revisions\/4769"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4766"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}