{"id":4701,"date":"2022-03-31T16:18:27","date_gmt":"2022-03-31T16:18:27","guid":{"rendered":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=4701"},"modified":"2022-03-31T16:18:27","modified_gmt":"2022-03-31T16:18:27","slug":"homenagem-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-165-marco-de-2022\/homenagem-2\/","title":{"rendered":"Homenagem"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">ENCANTADA PELAS ABELHAS DESDE CRIAN\u00c7A!<\/h1>\n<blockquote><p>M\u00e1rcia Raad -Tecn\u00f3loga e Especialista em Apicultura e Meliponicultura &#8211; UNITAU<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Chamada-Mulheres-na-Apicultura_1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-4697\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Chamada-Mulheres-na-Apicultura_1-1024x210.jpg\" alt=\"Chamada-Mulheres-na-Apicultura_1\" width=\"1024\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Chamada-Mulheres-na-Apicultura_1-1024x210.jpg 1024w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Chamada-Mulheres-na-Apicultura_1-300x61.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Chamada-Mulheres-na-Apicultura_1-150x31.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Chamada-Mulheres-na-Apicultura_1-500x102.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Chamada-Mulheres-na-Apicultura_1.jpg 1919w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a>Meu primeiro encantamento com as abelhas foi aos 6 anos: ao acordar pela manh\u00e3 senti um perfume adocicado vindo da cozinha e me deparei com meus pais manuseando peda\u00e7os de favo com mel. Foi o doce mais doce que j\u00e1 provei. Meu pai disse que as abelhas produziam o mel e minha m\u00e3e o usava para fazer rem\u00e9dios. Ao ver algumas abelhas sobre os favos fiquei imaginando como uma abelhinha, t\u00e3o pequenina, conseguia fazer tudo aquilo. Desde ent\u00e3o comecei a observar as abelhas nas flores do jardim.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Muitos anos mais tarde, em 1982, tive o primeiro contato direto com um enxame. Foi junto com meu futuro esposo, que j\u00e1 trabalhava com algumas colmeias junto com seus colegas. Fiz minha primeira captura em um cupim e fiquei apaixonada de ver tantas abelhas juntas em um espa\u00e7o t\u00e3o pequeno. Logo percebi que era com elas que queria trabalhar. No in\u00edcio, por curiosidade, e depois pela oportunidade de ter uma renda.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Montei meu primeiro api\u00e1rio, com ajuda do meu esposo, para produ\u00e7\u00e3o de mel. Como quase todos os iniciantes, ficava preocupada se elas estavam bem e ia no api\u00e1rio quase todos os dias observ\u00e1-las. Li alguns livros sobre o assunto e tentei colocar o conhecimento em pr\u00e1tica. Come\u00e7amos trabalhando com mel, depois tentamos pr\u00f3polis, seguido de p\u00f3len e uma breve experi\u00eancia com apitoxina.<br \/>\nNo in\u00edcio, aprendemos a trabalhar com as abelhas em um api\u00e1rio fixo, com muitos erros e alguns acertos. Nesta \u00e9poca, j\u00e1 casada e com filhos, as abelhas ficavam na fazenda de um primo distante. A \u00fanica forma de ir ao api\u00e1rio era a p\u00e9 ou de carona, j\u00e1 que n\u00e3o t\u00ednhamos um ve\u00edculo. Foram v\u00e1rias viagens carregando a\u00e7\u00facar, macac\u00e3o, fumegador e as crian\u00e7as pelas estradas de ch\u00e3o. Os meninos ficavam esperando longe do api\u00e1rio, enquanto trabalh\u00e1vamos, e depois nos ajudavam a voltar com o material. Na \u00e9poca de colheita de mel, era preciso alugar um carro para transportar at\u00e9 a cidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A situa\u00e7\u00e3o foi melhorando e depois de alguns anos j\u00e1 est\u00e1vamos com tr\u00eas api\u00e1rios. Em vez de ir a p\u00e9, j\u00e1 t\u00ednhamos bicicletas. Foi nesta etapa que come\u00e7amos tamb\u00e9m a produzir alguns materiais ap\u00edcolas que eram dif\u00edceis de conseguir, como cavaletes e telas excluidoras. A associa\u00e7\u00e3o de apicultores j\u00e1 funcionava e n\u00e3o era mais preciso trazer material de cidades distantes, como a cera alveolada que vinha do Rio de Janeiro, a 400km.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Com as anota\u00e7\u00f5es que mantinha das colmeias e sua produ\u00e7\u00e3o, percebemos que algumas n\u00e3o davam resultados satisfat\u00f3rios. Estudando, conclu\u00edmos que era necess\u00e1rio trocar as rainhas para conseguir produzir mais. Por\u00e9m, n\u00e3o haviam produtores de rainhas na regi\u00e3o, e tivemos que come\u00e7ar a produzir para n\u00f3s mesmos. Selecionamos as melhores matrizes, separamos em um api\u00e1rio e fizemos os testes de higiene. Comecei a fazer as enxertias, com c\u00fapulas de cera e bobes de cabelo como gaiolas. Produzimos princesas e colocamos nos primeiros 10 n\u00facleos de fecunda\u00e7\u00e3o experimentais. As rainhas fecundaram e substitu\u00edram as rainhas indesej\u00e1veis nas col\u00f4nias de produ\u00e7\u00e3o. O resultado foi excelente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Devido \u00e0 demanda por rainhas, comecei a atender apicultores amigos da regi\u00e3o. As rainhas tinham que ser entregues em pessoa e o volume era muito pequeno. N\u00e3o havia demanda por princesas nesta \u00e9poca. Com a experi\u00eancia, o trabalho foi aprimorando e passei a gostar cada vez mais. O primeiro grande contratempo que sofremos foi nesta \u00e9poca, quando todo o api\u00e1rio de matrizes foi roubado em uma noite. Anos de trabalho foram perdidos e as col\u00f4nias nunca foram encontradas. Contudo, depois desta trag\u00e9dia foi que nasceu uma parceria maior com os demais apicultores e que dura at\u00e9 hoje: os apicultores enviam suas matrizes, escolhidas de acordo com suas anota\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o submetidas aos testes de higiene, e a partir delas produzimos novas princesas\/rainhas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Quadro-fotos-Mulheres-materia-2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-4702\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Quadro-fotos-Mulheres-materia-2-1024x607.jpg\" alt=\"Quadro-fotos-Mulheres-materia 2\" width=\"1024\" height=\"607\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Quadro-fotos-Mulheres-materia-2-1024x607.jpg 1024w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Quadro-fotos-Mulheres-materia-2-300x178.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Quadro-fotos-Mulheres-materia-2-150x89.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Quadro-fotos-Mulheres-materia-2-500x296.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Quadro-fotos-Mulheres-materia-2.jpg 1958w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a>Depois de mais de 20 anos trabalhando com as abelhas, finalmente conseguimos comprar uma caminhonete. Foi neste momento que realmente conseguimos ampliar o neg\u00f3cio. Montamos api\u00e1rios em regi\u00f5es mais distantes, come\u00e7amos a fazer migra\u00e7\u00e3o e tivemos bons resultados na produ\u00e7\u00e3o de mel e pr\u00f3polis. Foi nesta \u00e9poca que aprimoramos as t\u00e9cnicas de alimenta\u00e7\u00e3o artificial, j\u00e1 que n\u00e3o era mais poss\u00edvel ir semanalmente nos api\u00e1rios sem o custo de combust\u00edvel ser muito alto. A alimenta\u00e7\u00e3o com a\u00e7\u00facar seco e as ra\u00e7\u00f5es para substituir o p\u00f3len (tanto seca quanto em pasta) serviram para resolver este problema e o da mortandade de enxames intoxicados com p\u00f3len de barbatim\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Enquanto a produ\u00e7\u00e3o de mel se distanciava da cidade onde moramos, a produ\u00e7\u00e3o de rainhas se manteve aqui. Os api\u00e1rios de produ\u00e7\u00e3o foram substitu\u00eddos pelos de fecunda\u00e7\u00e3o, com o principal chegando a ter 150 n\u00facleos, sob alimenta\u00e7\u00e3o artificial constante. Nesta \u00e9poca as crian\u00e7as, que me ajudavam no trabalho, come\u00e7aram a ir embora para completar os estudos na universidade. Encontrar pessoas dispostas a ajudar no trabalho com abelhas se tornou dif\u00edcil e a manuten\u00e7\u00e3o das colmeias de produ\u00e7\u00e3o em cidades distantes foi ficando cada vez mais invi\u00e1vel. Lentamente, durante anos, a produ\u00e7\u00e3o de mel e pr\u00f3polis foi perdendo espa\u00e7o para a produ\u00e7\u00e3o de rainhas, que se tornou a principal atividade ap\u00edcola da fam\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Com cada vez mais tempo dedicado exclusivamente para as rainhas, foi poss\u00edvel ampliar o plantel e atender a mais clientes. Come\u00e7amos a enviar rainhas pelos Correios, um processo que demorou anos (e muitas abelhas mortas) para aperfei\u00e7oarmos e fazer com seguran\u00e7a. As c\u00fapulas de cera e os bobes de cabelo deram lugar \u00e0s c\u00fapulas de acr\u00edlico, estufas e gaiolas de nascimento. Com o aumento da demanda come\u00e7amos tamb\u00e9m a oferecer n\u00e3o somente rainhas, mas tamb\u00e9m princesas para os apicultores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">S\u00e3o 32 anos produzindo rainhas e, neste tempo, j\u00e1 atendemos apicultores de grande parte do Brasil. \u00c9 sempre gratificante ter o retorno dos apicultores e saber como as minhas meninas est\u00e3o se saindo em cada regi\u00e3o diferente, assim como a satisfa\u00e7\u00e3o dos produtores quando conseguem o aumento de produ\u00e7\u00e3o que procuravam. As dificuldades permanecem grandes, j\u00e1 que o processo de produ\u00e7\u00e3o de rainhas \u00e9 muito dependente do clima e da condi\u00e7\u00e3o das abelhas, com \u00e9pocas em que a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 abaixo do esperado ou muito acima do necess\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Agora, com o retorno dos filhos para a apicultura, o trabalho de campo tem ficado cada dia mais sob a responsabilidade deles. Mas as enxertias, quando precisam ser feitas com rapidez e precis\u00e3o, ainda tem que ser com minha ajuda. Meu foco tem mudado para cuidar da loja de materiais ap\u00edcolas que abrimos, ap\u00f3s a associa\u00e7\u00e3o de apicultores da regi\u00e3o fechar as portas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Participei de v\u00e1rios encontros de apicultores, semin\u00e1rios e congressos, sempre aprendendo e ensinando. N\u00e3o importa o que fa\u00e7a, fazendo com amor, dedica\u00e7\u00e3o e responsabilidade o sucesso, com certeza, triunfa.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ENCANTADA PELAS ABELHAS DESDE CRIAN\u00c7A! 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