{"id":4591,"date":"2021-12-09T21:59:51","date_gmt":"2021-12-09T21:59:51","guid":{"rendered":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=4591"},"modified":"2021-12-09T22:02:28","modified_gmt":"2021-12-09T22:02:28","slug":"artigo-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-164-novembro-de-2021\/artigo-2\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">O MEL<\/h1>\n<blockquote><p>Dr. Celso Henrique &#8211; Diretor T\u00e9cnico da APACAME &#8211; Supervisor de cursos da cl\u00ednica PORTAL DA SA\u00daDE &#8211; Fisioterapeuta, p\u00f3s-graduado em Acupuntura, p\u00f3s-graduado em Apicultura e Meliponicultura, Quiroprata e Apiterapeuta.<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O mel foi uma das primeiras fontes de a\u00e7\u00facar para o homem, uma vez demonstrado pelo seu uso nos per\u00edodos pr\u00e9-hisp\u00e2nicos e no seu desempenho na dieta das comunidades ind\u00edgenas americanas. At\u00e9 o s\u00e9culo XIX no Brasil, o mel era utilizado na alimenta\u00e7\u00e3o pelos \u00edndios e brancos at\u00e9 ser substitu\u00eddo gradualmente por a\u00e7\u00facares refinados manufaturados, de qualidade incomparavelmente inferior, como os extra\u00eddos da cana e a\u00e7\u00facar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Colora\u00e7\u00e3o do mel<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, (OMS), define o mel como uma subst\u00e2ncia a\u00e7ucarado obtida a partir do n\u00e9ctar das plantas ou que se encontre sobre elas, que as abelhas trabalham, transformam e combinam com mat\u00e9rias especificas, depositando depois nos favos da colmeia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Mel define-se como uma subst\u00e2ncia natural doce produzida pelas abelhas Apis mell\u00edfera. As obreiras preparam-no recolhendo o n\u00e9ctar das flores, que depois transformam, combinam com secre\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias gl\u00e2ndulas, armazenam e deixam maturar nos favos da colmeia, ventilando com as asas para evaporar a \u00e1gua. Quando resta menos de 18 % de \u00e1gua, passa a chamar-se mel e, a abelha sela o favo com uma pel\u00edcula de cera, o op\u00e9rculo. Seu sabor, a cor e propriedades, variam conforme a flora que predomina em redor das colmeias. Podem observar-se cores diferentes, do mais claro, como o mel rico em n\u00e9ctar da flor de laranjeira, ao mais escuro, o mel de montanha. Dependendo da origem floral, o mel pode classificar-se como mel monofloral, quando cont\u00e9m mais de 45% de n\u00e9ctar da mesma esp\u00e9cie bot\u00e2nica, ou mel multifloral quando resulta da combina\u00e7\u00e3o do n\u00e9ctar de v\u00e1rias esp\u00e9cies, no qual n\u00e3o se real\u00e7am caracter\u00edsticas predominantes de uma determinada planta. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Mel de melato ou extrafloral \u00e9 aquele que tem origem das secre\u00e7\u00f5es das partes vivas das plantas (mel da cana), ou secre\u00e7\u00f5es de insetos (cochinilhas, pulg\u00f5es etc.) ou em frutos maduros (isto em escassez de n\u00e9ctar floral.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O mel \u00e9 um fluido viscoso, arom\u00e1tico, doce e \u00e9 produzido pelas abelhas por meio da invertase com o n\u00e9ctar e\/ou exsudatos das plantas, na maioria das vezes florais, os quais, depois de levados para a colmeia pelas abelhas, s\u00e3o amadurecidos e armazenados nos favos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Em sua composi\u00e7\u00e3o foram encontrados mais de 180 componentes distintos, mas \u00e9 essencialmente uma solu\u00e7\u00e3o sobressaturada de a\u00e7\u00facares, principalmente, frutose e glucose (&gt; 60 %), com um teor de umidade aproximado de 18%. Adicionalmente apresenta tamb\u00e9m uma grande variedade de compostos secund\u00e1rios, como os flavonoides e \u00e1cidos fen\u00f3licos, \u00e1cidos org\u00e2nicos, amino\u00e1cidos, prote\u00ednas e vitaminas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A composi\u00e7\u00e3o do mel depende da regi\u00e3o e da fonte da mat\u00e9ria prima, mas pode ser dada basicamente por:(VEJA QUADRO).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Umidade \u00e9 muito importante para o mel, pois condiciona seu tempo de vida. O teor ideal \u00e9 de 17% a 20%, que impossibilita a fermenta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os carboidratos podem ser divididos em dois grupos, os simples que s\u00e3o rapidamente absorvidos e que atuam de maneira diversa e os complexos que precisam ser quebrados e por isso levam mais tempo para serem assimilados. A glicose e a frutose s\u00e3o exemplos de a\u00e7\u00facares simples e a sacarose um exemplo de a\u00e7\u00facar complexo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O consumo excessivo de frutose pode causar altera\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis de gordura no sangue, principalmente dos triglicer\u00eddeos, al\u00e9m de propiciar ac\u00famulo de gordura no f\u00edgado e abd\u00f4men e causar diabetes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A presen\u00e7a destes compostos faz do mel um alimento energ\u00e9tico por excel\u00eancia, no entanto, \u00e9 cada vez mais frequente a sua utiliza\u00e7\u00e3o para outros fins, explorando as suas propriedades bioativas, nomeadamente no controle de doen\u00e7as gastrointestinais, na cicatriza\u00e7\u00e3o de feridas e queimaduras ou como um agente antimicrobiano. Os consumidores t\u00eam sido atra\u00eddos pelo mel devido \u00e0s suas caracter\u00edsticas nutricionais, medicinais e sensoriais <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A quantidade de minerais no mel n\u00e3o \u00e9 grande, mas quando ele \u00e9 consumido junto \u00e0 dieta alimentar, em substitui\u00e7\u00e3o ao a\u00e7\u00facar, com isso, ocorre aumento de minerais no organismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Quadro_Mel.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-4593\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Quadro_Mel-300x228.jpg\" alt=\"Quadro_Mel\" width=\"300\" height=\"228\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Quadro_Mel-300x228.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Quadro_Mel-150x114.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Quadro_Mel-500x380.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Quadro_Mel.jpg 780w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os componentes essenciais do mel s\u00e3o: \u00e1gua (17%), glic\u00eddios (80%), e subst\u00e2ncias diversas como enzimas, amino\u00e1cidos, \u00e1cidos org\u00e2nicos, flavonoides e materiais minerais. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A qualidade do mel vista pelos consumidores depende das caracter\u00edsticas organol\u00e9pticas, que dependem da origem bot\u00e2nica e geogr\u00e1fica. A\u00e7\u00facares e \u00e1gua representam a principal constitui\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do mel, seguido de prote\u00ednas, pigmentos, vitaminas, amino\u00e1cidos e compostos vol\u00e1teis, que s\u00e3o respons\u00e1veis por tais caracter\u00edsticas e por caracter\u00edsticas nutricionais. A presen\u00e7a de flavonoides nos m\u00e9is confere a este produto atividade antioxidante e antibacteriana. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Higroscopicidade, \u00e9 a capacidade de absorber \u00e1gua do ar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Viscosidade, \u00e9 a resist\u00eancia que o mel oferece ao ser manipulado, tamb\u00e9m varia de acordo com composi\u00e7\u00e3o, \u00e9 sens\u00edvel a temperatura, diminuindo a medida que a temperatura aumenta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Condutibilidade t\u00e9rmica, apresenta baixa condutibilidade, por isso demora a aquecer e resfria lentamente, a dificuldade de aquecer o mel uniformemente oferece a destrui\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas, vitamina, enzimas etc. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Cristaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 um fen\u00f4meno natural onde ocorrera a separa\u00e7\u00e3o da glicose (menos sol\u00favel que a frutose) e consequentemente forma\u00e7\u00e3o de hidratos de carbono em forma solida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Fermenta\u00e7\u00e3o ocorre pelo desenvolvimento de levedura presentes no mel em forma de esporos. devido a alta acidez do mel, os esporos n\u00e3o se desenvolvem, mas caso haja uma modifica\u00e7\u00e3o dessa acidez, as leveduras se reproduzem e atacam o a\u00e7\u00facar produzindo \u00e1lcool e g\u00e1s (CO2). Geralmente decorre do alto teor de umidade natural ou adquirida pelo mau armazenamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O Hridroximetilfurfural (HMF), \u00e9 um alde\u00eddo (composto) org\u00e2nico) que se forma devido a rea\u00e7\u00e3o de certos a\u00e7\u00facares com \u00e1cidos e pela a\u00e7\u00e3o da temperatura sobre os a\u00e7\u00facares, aumentando sua quantidade com o aquecimento e armazenamento. \u00c9 utilizado como indicador de qualidade do mel, j\u00e1 que esse n\u00famero elevado representa queda de seu valor nutricional. Segundo a Instru\u00e7\u00e3o Normativa 11\/2000, do Minist\u00e9rio da agricultura e abastecimento, o aceit\u00e1vel \u00e9 de 6%.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Esporos da bact\u00e9ria do clostridium botulinum s\u00e3o amplamente distribu\u00eddos na natureza, como em solo, sedimentos de lagos, mares, nas \u00e1guas n\u00e3o tratadas, em produtos agr\u00edcolas tais como legumes, vegetais, mel e em intestinos de mam\u00edferos peixes e v\u00edsceras de crust\u00e1ceos. Portanto, n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel dar mel para crian\u00e7as com idade entre 3 e 26 semanas, pois corre-se o risco de o mel estar contaminado e pode ocorrer botulismo infantil, que \u00e9 uma doen\u00e7a neuroparalitica grave, n\u00e3o contagiosa. Isso ocorre, pelo fato de que crian\u00e7as nessa facha et\u00e1ria, possu\u00edrem apenas sistema imunol\u00f3gico nato, o adquirido ainda n\u00e3o est\u00e1 formado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Tem-se desenvolvidos in\u00fameros trabalhos cient\u00edficos e outros tantos encontram-se em andamento a respeito desse produto considerado por muitos povos da antiguidade como n\u00e9ctar dos deuses e ainda n\u00e3o foram descobertos o qu\u00e3o ben\u00e9ficas s\u00e3o suas propriedades para o organismo humano e animais. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>BIBLIOGRAFICA<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">CASAGRANDE, V.L. Produtos Ap\u00edcolas. Revista CASAGRANDE. Chapec\u00f3, 2009. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.ceo.udesc.br\/pagina\/caderno_rural_4%AA_edi%E7%E3o.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.ceo.udesc.br\/pagina\/caderno_rural_4%AA_edi%E7%E3o.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 21 abr. 2016.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">CAMARGO, J. M. F Manual de Apicultura. 1a ed. S\u00e3o Paulo: Agron\u00f4mica Ceres LTDA, 1972. 252p.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">COUTO, R. H. N; COUTO, L. A. Apicultura: manejo e produtos. 1a ed. Jaboticabal: FUNEP, 2002. 191p.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">EPAGRI SC, Cartilha produtos das abelhas, Florian\u00f3polis, agosto, 2015.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">LIANDA, R. P. Perfil de subst\u00e2ncias fen\u00f3licas de m\u00e9is brasileiros por cromatografia l\u00edquida de alta efici\u00eancia e avalia\u00e7\u00e3o de potenciais antioxidante. PPGQO-UFRRJ, 2009, Tese de Doutorado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">LINS, C. Informa\u00e7\u00f5es sobre os produtos das abelhas. [S.l.], 2009. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/abelhasgeometras.blogspot.com\/2016\/11\/informacoes-sobre-os-produtos-das.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/abelhasgeometras.blogspot.com\/2016\/11\/informacoes-sobre-os-produtos-das.html<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">MELLO, N. B. Guia Pr\u00e1tico do Apicultor. 1a ed. S\u00e3o Paulo: Graund,1989. 157p.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">VIEIRA, M. I. Criar Abelhas \u00e9 Lucro Certo \u2013 Manual pr\u00e1tico. 1a ed. S\u00e3o Paulo: Prata, 2000. 180p.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O MEL Dr. Celso Henrique &#8211; Diretor T\u00e9cnico da APACAME &#8211; Supervisor de cursos da cl\u00ednica PORTAL DA SA\u00daDE &#8211; Fisioterapeuta, p\u00f3s-graduado em Acupuntura, p\u00f3s-graduado em Apicultura e Meliponicultura, Quiroprata [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"parent":4512,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"pmpro_default_level":"","_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"class_list":["post-4591","page","type-page","status-publish","hentry","pmpro-has-access"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4591"}],"collection":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4591"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4591\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4595,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4591\/revisions\/4595"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4512"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}