{"id":4425,"date":"2021-10-22T18:59:25","date_gmt":"2021-10-22T18:59:25","guid":{"rendered":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=4425"},"modified":"2021-10-22T18:59:25","modified_gmt":"2021-10-22T18:59:25","slug":"artigo-3","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-163-setembro-de-2021\/artigo-3\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">Estufa artesanal para fermenta\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o para abelhas<\/h1>\n<blockquote><p>Juliana Pereira Lisboa M. Paiva <sup>1<\/sup>*, Carolina Gama<sup>1<\/sup>, Michelle Manfrini Morais<sup>2<\/sup><br \/>\n<sup>1<\/sup>Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, Instituto de Ci\u00eancia e Tecnologia, 12231-280, S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP, Brasil, e-mail: <a href=\"mailto:carolina.gama@outlook.com\">carolina.gama@outlook.com<\/a> &#8211; <a href=\"mailto:jplbiologia@gmail.com\">jplbiologia@gmail.com<\/a>,<br \/>\n<sup>2<\/sup>Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, Departamento de Ecologia e Evolu\u00e7\u00e3o, 09920-000, Diadema, SP, Brasil, e-mail: <a href=\"mailto:michelle.manfrini@unifesp.br\">michelle.manfrini@unifesp.br<\/a><br \/>\n*Corresponding author: <a href=\"mailto:jplbiologia@gmail.com\">jplbiologia@gmail.com<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Com a crescente necessidade de suplementa\u00e7\u00e3o alimentar dos enxames, especialmente em per\u00edodos de escassez alimentar na natureza, torna-se importante a oferta de recursos tecnol\u00f3gicos diretamente aos produtores, para que estes possam produzir em sua propriedade os alimentos que as abelhas precisam. Pesquisas reportam a import\u00e2ncia da suplementa\u00e7\u00e3o nutricional, especialmente a proteica, pois quando as fontes de p\u00f3len na natureza sofrem redu\u00e7\u00f5es significativas, as col\u00f4nias reduzem sua produtividade, devido ao enfraquecimento das mesmas (Morais et al, 2013; Paiva et al, 2016). Entretanto, a fermenta\u00e7\u00e3o desse alimento torna-se um fator fundamental na aceita\u00e7\u00e3o e no consumo deste por parte dos animais, visto que esse processo microbiol\u00f3gico torna o alimento mais pr\u00f3ximo do beebread: mais palat\u00e1vel e atrativo (Ellis e Hayes Jr, 2009, Li et al, 2012).<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_4426\" aria-describedby=\"caption-attachment-4426\" style=\"width: 654px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Figura_1_Estufa.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-4426\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Figura_1_Estufa-654x1024.jpg\" alt=\"Fig.1: Detalhes da constitui\u00e7\u00e3o da estufa artesanal: A. Caixa revestida de isopor e polietileno; B. Tampa com soquete e l\u00e2mpada; C.Termostato, fonte e tomada; D. Face interna da caixa e tampa; E. Termostato digital; F.Estufa pronta; G. Ra\u00e7\u00e3o antes da fermenta\u00e7\u00e3o e H. Ra\u00e7\u00e3o fermentada.\" width=\"654\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Figura_1_Estufa-654x1024.jpg 654w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Figura_1_Estufa-192x300.jpg 192w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Figura_1_Estufa-150x235.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Figura_1_Estufa-319x500.jpg 319w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Figura_1_Estufa.jpg 1747w\" sizes=\"(max-width: 654px) 100vw, 654px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4426\" class=\"wp-caption-text\">Fig.1: Detalhes da constitui\u00e7\u00e3o da estufa artesanal: A. Caixa revestida de isopor e polietileno; B. Tampa com soquete e<br \/>l\u00e2mpada; C.Termostato, fonte e tomada; D. Face interna da caixa e tampa; E. Termostato digital; F.Estufa pronta; G. Ra\u00e7\u00e3o<br \/>antes da fermenta\u00e7\u00e3o e H. Ra\u00e7\u00e3o fermentada.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Para que o processo fermentativo ocorra de maneira satisfat\u00f3ria, o controle de fatores como a temperatura garantem o desempenho dos microorganismos fermentadores (especialmente do g\u00eanero Lactobacillus e Pediococcus) que encontram em faixas de 27\u00b0 a 32\u00b0C o ponto ideal para a fermenta\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facares (como a sacarose) presentes no alimento, convertendo-os em \u00e1cido l\u00e1tico. Esse processo reduz o pH do alimento, conservando seus nutrientes e impedindo o ataque de organismos deterioradores, especialmente bact\u00e9rias do g\u00eanero Clostridium, capazes de consumir os amino\u00e1cidos do alimento, reduzindo sua palatabilidade e seu valor nutritivo (Strauber et al, 2016). Dessa forma, o alimento preserva suas caracter\u00edsticas desej\u00e1veis, sendo consumido e aproveitado pelos enxames, fortalecendo-os e melhorando sua performance produtiva, mesmo em per\u00edodos de redu\u00e7\u00e3o de recursos florais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A disponibilidade de um equipamento de funcionamento simples e de baixo custo como a estufa, permite ao produtor fermentar a quantidade de alimento necess\u00e1ria e armazen\u00e1-lo em perfeitas condi\u00e7\u00f5es at\u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o deste pelos enxames, evitando perdas e deteriora\u00e7\u00e3o dos nutrientes e ofertando para as abelhas um alimento ben\u00e9fico e eficiente. Desta forma, o objetivamos com este trabalho, a confec\u00e7\u00e3o de uma estufa artesanal facilitadora para apicultores e meliponicultores interessados em usar ra\u00e7\u00f5es fermentadas em seu pasto ap\u00edcola, possibilitando a fermenta\u00e7\u00e3o das ra\u00e7\u00f5es para abelhas e mantendo a temperatura entre 27\u00b0 e 28\u00b0, atingindo 30\u00b0C.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Utilizou-se materiais como caixa de isopor (40x40x30cm) para o prot\u00f3tipo, sendo posteriormente substitu\u00edda por uma caixa de madeira (35x35x35 cm) com tampa revestida de isopor e isolada termicamente com embalagens cartonadas, revestidas de camadas de polietileno e alum\u00ednio (usadas em caixas de leite ou suco), termostato digital, soquete de porcelana; l\u00e2mpada de 15w; fio paralelo; interruptor e tomada (figura 1). O funcionamento do sistema ocorre atrav\u00e9s do termostato digital, que possui um visor de ajuste de temperatura m\u00ednima e m\u00e1xima com um sistema on\/off de rel\u00e9, al\u00e9m de um sensor t\u00e9rmico, que faz a leitura da temperatura ambiente, mostrando-a no visor. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Com as temperaturas ajustadas de 28\u00b0C para m\u00ednimo e 30\u00b0C para m\u00e1ximo, o termostato permite a passagem de corrente para a l\u00e2mpada quando o sensor registra temperaturas menores que a m\u00e1xima. Assim, a l\u00e2mpada acende gerando calor dentro da caixa. Quando o sensor registra a temperatura m\u00e1xima de 30\u00b0C, o sistema deixa de permitir a passagem de corrente, desligando assim a l\u00e2mpada. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Ap\u00f3s a confec\u00e7\u00e3o da estufa, inseriu-se quatro frascos de vidro, tampados, contendo 100 g de ra\u00e7\u00f5es \u00e0 base de farelo de soja, milho, levedura de cana, ovo em p\u00f3 e premix vitam\u00ednico-mineral. Em cada frasco adicionou-se 40 mL de solu\u00e7\u00e3o de sacarose 50% e 0.5 mg de in\u00f3culo microbiano (Lactobacillusplantarum e Pediococcussp) para fermenta\u00e7\u00e3o, formando uma pasta. Esses frascos foram mantidos por 7 dias, 14 e 21 dias, a 30\u00b0C, com monitoramento di\u00e1rio do processo, at\u00e9 sua conclus\u00e3o. O pH das ra\u00e7\u00f5es foi aferido no primeiro, no 7\u00ba dia, no 14\u00b0 e no 21\u00b0 dia do experimento, para acompanhamento. Ao final de sete dias, observamos que as ra\u00e7\u00f5es fermentaram satisfatoriamente, apresentando a forma\u00e7\u00e3o de bolhas na massa (devido \u00e0 libera\u00e7\u00e3o de gases oriundos da atividade microbiana) e altera\u00e7\u00e3o de pH (inicial: 4.76; 7\u00badia: 3.62; 14\u00ba dia: 3.67 e 21\u00badia: 3.77), cuja redu\u00e7\u00e3o \u00e9 ind\u00edcio de produ\u00e7\u00e3o de \u00e1cidos pelos micro-organismos, a partir da fermenta\u00e7\u00e3o dos a\u00e7\u00facares. Ap\u00f3s a conclus\u00e3o do processo, 4 g de ra\u00e7\u00e3o foram oferecidos para 60 abelhas oper\u00e1rias confinadas em gaiolas, com 7 repeti\u00e7\u00f5es, para consumo da ra\u00e7\u00e3o fermentada, sendo este alimento bem aceito pelos animais (Paiva et al, 2019).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Considerando o exposto, podemos concluir que a utiliza\u00e7\u00e3o de materiais acess\u00edveis e de baixo custo possibilitou a produ\u00e7\u00e3o de uma estufa artesanal eficiente, permitindo ao apicultor fermentar e conservar alimentos proteicos suplementares para as abelhas, principalmente nos per\u00edodos de maior car\u00eancia de p\u00f3len na natureza. Com este recurso, o apicultor pode ter ao seu alcance um alimento efetivo, minimizando perdas e auxiliando os enxames a manter a produ\u00e7\u00e3o ap\u00edcola.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Agradecimentos<\/b> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Agradecemos \u00e0 Paula Drago pelo projeto gr\u00e1fico da estufa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Refer\u00eancias<\/b> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">ELLIS A.M, HAYES Jr G.W. (2009).An evaluation of fresh versus fermented diets for honey bees (Apis mellifera). Journal of Apicultural Research48 (3): 215-216.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">LI C. et al. (2012). Effects of dietary crude protein levels on development, antioxidant status, and total midgut protease activity of honey bee (Apis mellifera ligustica). Apidologie43 (5): 576-586.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">MORAIS, M.M. et al. (2013). Protein levels and colony development of Africanized and European honey bees fed natural and artificial diets. Genetics and Molecular Research 12 (4): 6915-6922.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">PAIVA, J.P.LM. et al. (2016). On the Effects of Artificial Feeding on Bee Colony Dynamics: A Mathematical Model. PloS one. 11 (11): e0167054.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">PAIVA, JPLM , GAMA, C , DRAGO, PM , BARBIERI, C , MORAIS, MM. A Short Note on an Artisanal Incubator for Fermentation of Apis mellifera Artificial Diets. Sociobiology 66(4): 606-609 (December, 2019) DOI: 10.13102\/sociobiology.v66i4.4892.\u2019<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">PAIVA, J.P.L.M., ESPOSITO, E., SOUSA, G.I.H., FRANCOY, T.M. &amp; MORAIS, M.M. (2019). Effects of ensiling on the quality of protein supplements for honey bees Apis mellifera. Apidologie, 50: 414-424, doi: 10.1007\/s13592-019-00661-4.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">STRAUBER, H, LUCAS, R, KLEINSTEUBER, S. (2016).Metabolic and microbial community dynamics during the anaerobic digestion of maize silage in a two-phase process. Applied Microbiology Biotechnology100(1):479-91.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estufa artesanal para fermenta\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o para abelhas Juliana Pereira Lisboa M. 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