{"id":4017,"date":"2021-04-09T20:12:11","date_gmt":"2021-04-09T20:12:11","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=4017"},"modified":"2021-04-09T20:25:47","modified_gmt":"2021-04-09T20:25:47","slug":"artigo-6","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-160-marco-de-2021\/artigo-6\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">A abelha sem ferr\u00e3o jati do Nordeste, Plebeia flavocincta (Cockerell, 1912): distribui\u00e7\u00e3o no passado, atual e futura<\/h1>\n<blockquote><p>Ulysses Madureira Maia<sup>1<\/sup>,<sup>2<\/sup>, Leonardo de Sousa Miranda<sup>2<\/sup>, Airton Torres Carvalho<sup>3<\/sup>, Vera Imperatriz-Fonseca<sup>4<\/sup>, Guilherme Corr\u00eaa de Oliveira<sup>2<\/sup>, Tereza Cristina Giannini<sup>1<\/sup>,<sup>2<\/sup><br \/>\n<sup>1<\/sup>Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas, Universidade Federal do Par\u00e1, Bel\u00e9m, PA, Brasil.<br \/>\n<sup>2<\/sup>Instituto Tecnol\u00f3gico Vale, Bel\u00e9m, PA, Brasil.<br \/>\n<sup>3<\/sup>Unidade Acad\u00eamica de Serra Talhada, Universidade Federal Rural do Pernambuco, Serra Talhada, PE, Brasil.<br \/>\n<sup>4<\/sup>Instituto de Bioci\u00eancias, Universidade de S\u00e3o Paulo, SP, S\u00e3o Paulo, Brasil.<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Conhecer a distribui\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e como o clima influencia essa distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para desenvolver planos visando sua conserva\u00e7\u00e3o e manejo. Entre os animais polinizadores, especialmente as abelhas, um grande problema para esses planos \u00e9 a falta de dados sobre sua \u00e1rea de ocorr\u00eancia. No geral, o que se sabe sobre a distribui\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de abelha \u00e9 onde ela \u00e9 encontrada, atrav\u00e9s de relatos de observa\u00e7\u00e3o de sua presen\u00e7a em um determinado lugar e de dep\u00f3sitos de exemplares nas cole\u00e7\u00f5es para identifica\u00e7\u00e3o e certifica\u00e7\u00e3o (isto \u00e9, quando especialistas verificam se a esp\u00e9cie foi identificada corretamente). Deste modo, colocamos em um mapa os pontos onde a esp\u00e9cie foi registrada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Entretanto, esses pontos onde as abelhas foram encontradas podem servir de base para estudos mais amplos, que consideram onde potencialmente essas esp\u00e9cies podem ser encontradas<sup>1<\/sup>. Para isso, modelos de adequabilidade de habitat s\u00e3o usados para correlacionar esses registros pontuais de uma esp\u00e9cie com as caracter\u00edsticas do ambiente (como por exemplo, a temperatura e a pluviosidade). O clima \u00e9 um importante agente determinante de varia\u00e7\u00e3o de distribui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, principalmente para os insetos. Evidentemente, sempre houve uma din\u00e2mica na distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1reas climaticamente adequadas para as esp\u00e9cies, desde o passado mais remoto. Ou seja, em alguns per\u00edodos no passado, uma esp\u00e9cie pode ter tido muito mais \u00e1reas que em rela\u00e7\u00e3o ao presente, ou at\u00e9 mesmo, ter tido menos \u00e1reas que atualmente. Por\u00e9m, essa din\u00e2mica tem sido acelerada no presente e ser\u00e1 ainda mais acentuada no futuro, considerando-se as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em curso, devido \u00e0 emiss\u00e3o crescente de gases de efeito estufa. Portanto, as aplica\u00e7\u00f5es desta modelagem s\u00e3o importantes para fins de conserva\u00e7\u00e3o e para constru\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios sobre os impactos da mudan\u00e7a de clima e tamb\u00e9m sobre o seu uso sustent\u00e1vel<sup>1<\/sup>,<sup>2<\/sup>. O n\u00famero de estudos com essa abordagem, usando abelhas sem ferr\u00e3o (Meliponini) como objeto de estudo tem crescido nos \u00faltimos anos<sup>3<\/sup>,<sup>4<\/sup>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Esse crescimento n\u00e3o \u00e9 por acaso. O Brasil possui a maior diversidade de esp\u00e9cies de abelhas sem ferr\u00e3o no mundo. Globalmente, s\u00e3o aproximadamente 600 esp\u00e9cies j\u00e1 conhecidas<sup>5<\/sup>. O Brasil abriga cerca de 300 destas esp\u00e9cies<sup>6<\/sup>, sendo que a regi\u00e3o Neotropical (que compreende as Am\u00e9ricas do Sul e Central) apresenta 420 esp\u00e9cies<sup>7<\/sup>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As abelhas sem ferr\u00e3o possuem import\u00e2ncia tanto ecol\u00f3gica quanto econ\u00f4mica. A import\u00e2ncia ecol\u00f3gica \u00e9, principalmente, devido aos servi\u00e7os de poliniza\u00e7\u00e3o que elas prestam. Esse servi\u00e7o \u00e9 essencial para manuten\u00e7\u00e3o da vida no planeta, uma vez que a maioria das plantas com flores depende da poliniza\u00e7\u00e3o por abelhas. J\u00e1 economicamente, al\u00e9m dos benef\u00edcios diretos e indiretos dos servi\u00e7os de poliniza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do aumento de safras de cultivos agr\u00edcolas, um grande n\u00famero de esp\u00e9cies pode ser criado racionalmente a fim de gerar renda extra aos criadores por meio da produ\u00e7\u00e3o de mel, pr\u00f3polis, al\u00e9m da multiplica\u00e7\u00e3o e venda de ninhos. Mesmo com tamanha import\u00e2ncia, a maioria dessas esp\u00e9cies n\u00e3o t\u00eam sua distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica bem conhecida, e geralmente s\u00e3o pouco estudadas. Essa lacuna de conhecimento \u00e9 observada tamb\u00e9m para as esp\u00e9cies que ocorrem nas regi\u00f5es Norte e Nordeste.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Plebeia flavocincta, popularmente conhecida como abelha mosquito ou simplesmente por jati, \u00e9 uma pequena abelha com adapta\u00e7\u00f5es que a possibilitam ocupar \u00e1reas clim\u00e1ticas secas da regi\u00e3o Nordeste do Brasil (Figura 1). Ela foi descrita em 1912 por Theodore Dru Alison Cockerell, um taxonomista anglo-americano, a partir de um exemplar da antiga cidade de Independ\u00eancia, hoje chamada por Guarabira no Estado da Para\u00edba, situada numa regi\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o entre a plan\u00edcie litor\u00e2nea e as eleva\u00e7\u00f5es do Planalto da Borborema. A esp\u00e9cie tamb\u00e9m pode ser encontrada tanto nas \u00e1reas litor\u00e2neas como tamb\u00e9m nas \u00e1reas semi\u00e1ridas. Sua ampla \u00e1rea de ocorr\u00eancia somada \u00e0 sua docilidade contribuem para que a esp\u00e9cie possa ser manejada facilmente em caixas racionais para produ\u00e7\u00e3o de mel, considerado medicinal pela popula\u00e7\u00e3o do semi\u00e1rido. Por ser uma abelha end\u00eamica e muito comum (65% dos meliponicultores do RN t\u00eam essa esp\u00e9cie nos seus melipon\u00e1rios)<sup>8<\/sup>, \u00e9 considerada um polinizador importante para a flora local. Estudos da origem do floral do alimento atrav\u00e9s da an\u00e1lise pol\u00ednica de col\u00f4nias estudadas na Flona de Assu no semi\u00e1rido<sup>9<\/sup> revelaram que elas visitaram 58 esp\u00e9cies de plantas. Essa abelha j\u00e1 foi encontrada nidificando em cinco esp\u00e9cies de \u00e1rvores ex\u00f3ticas presentes em \u00e1reas urbanas em Pernambuco<sup>10<\/sup> e em uma esp\u00e9cie de \u00e1rvore nativa, a Cenostigma pyramidale (Tul.) Gagnon &amp; GP Lewis (Fabaceae), popularmente chamada de catingueira<sup>11<\/sup>. O semi\u00e1rido abrange a maior parte do Nordeste brasileiro e est\u00e1 sob forte risco de desertifica\u00e7\u00e3o decorrente de diversos fatores, incluindo atividades humanas e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Cen\u00e1rios clim\u00e1ticos j\u00e1 preparados para a regi\u00e3o sugerem para 2050 um aumento de temperatura e diminui\u00e7\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o, ocasionando um prolongamento maior das secas e uma esta\u00e7\u00e3o de chuvas ainda mais irregular<sup>12<\/sup>. Al\u00e9m disso, \u00e9 prevista uma redu\u00e7\u00e3o dos reservat\u00f3rios e dos fluxos de \u00e1gua subterr\u00e2neos e superficiais na \u00e1rea. Tais altera\u00e7\u00f5es poder\u00e3o ser profundas e ter consequ\u00eancias sem precedentes<sup>12<\/sup>.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_4018\" aria-describedby=\"caption-attachment-4018\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Fig_1_abelhas-sem-ferrao.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-4018\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Fig_1_abelhas-sem-ferrao-300x222.jpg\" alt=\"Figura 1. Oper\u00e1ria de Plebeia flavocincta depositada no Instituto Smithsoniano (EUA) em vista lateral. Fotografia por Karolyn Darrow e cedida pelo curador Dr. Sean Brady.\" width=\"300\" height=\"222\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Fig_1_abelhas-sem-ferrao-300x222.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Fig_1_abelhas-sem-ferrao-1024x759.jpg 1024w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Fig_1_abelhas-sem-ferrao-150x111.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Fig_1_abelhas-sem-ferrao-500x371.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Fig_1_abelhas-sem-ferrao.jpg 1126w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4018\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1. Oper\u00e1ria de Plebeia flavocincta depositada no Instituto Smithsoniano<br \/>(EUA) em vista lateral. Fotografia por Karolyn Darrow e cedida pelo curador Dr.<br \/>Sean Brady.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">No presente estudo, estimamos a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica potencial atual de P. flavocincta e a influ\u00eancia do clima na din\u00e2mica de disponibilidade de habitats adequados no passado, no presente e no futuro para essa esp\u00e9cie. N\u00f3s nos concentramos nos registros de ocorr\u00eancia original da P. flavocincta a partir de plataformas digitais (GBIF e SPECIESLINK), ampliados com dados de coleta em campo, e buscamos entender como as flutua\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas poderiam ter afetado a din\u00e2mica de distribui\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie no passado e como ser\u00e1 no futuro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Utilizamos a modelagem de adequabilidade de habitat como ferramenta para estimar as \u00e1reas de ocorr\u00eancia no passado (\u00faltimo per\u00edodo interglacial e \u00faltimo per\u00edodo de m\u00e1ximo glacial), no presente e no futuro (anos 2050 e 2070). O \u00faltimo per\u00edodo interglacial, ocorreu h\u00e1 120 mil anos, e \u00e9 caracterizado como um per\u00edodo est\u00e1vel, em geral, mais quente e \u00famido que o per\u00edodo atual. J\u00e1 o \u00faltimo per\u00edodo de m\u00e1ximo glacial (quando camadas de gelo cobriam grandes por\u00e7\u00f5es de terra e congelavam oceanos em algumas regi\u00f5es) corresponde ao per\u00edodo mais frio e seco da \u00faltima glacia\u00e7\u00e3o (per\u00edodo de resfriamento do planeta), h\u00e1 20 mil anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">De acordo com os nossos modelos, houve grande din\u00e2mica na disponibilidade de habitats adequados para P. flavocincta, com per\u00edodos de retra\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o dessas \u00e1reas no passado. A distribui\u00e7\u00e3o das \u00e1reas climaticamente adequadas no passado mais distante (\u00faltimo per\u00edodo interglacial, que ocorreu h\u00e1 120 mil de anos) era maior que a distribui\u00e7\u00e3o atual das \u00e1reas. No entanto, durante essa escala de tempo, a esp\u00e9cie sofreu uma retra\u00e7\u00e3o no per\u00edodo mais frio e seco (\u00faltimo per\u00edodo de m\u00e1ximo glacial, h\u00e1 20 mil anos) e posterior expans\u00e3o de suas \u00e1reas adequadas (per\u00edodo presente chamado de holoceno, per\u00edodo que compreende os \u00faltimos 10 mil anos). Nossos resultados sugerem que a esp\u00e9cie pode se beneficiar em termos de ganho de adequa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica no futuro, ou seja, a esp\u00e9cie tende a ter dispon\u00edvel um n\u00famero maior de \u00e1reas climaticamente adequadas no futuro, principalmente na d\u00e9cada de 2070 (Ver Figura 2). Estes resultados s\u00e3o muito parecidos com os j\u00e1 encontrados para uma outra esp\u00e9cie de abelha sem ferr\u00e3o que tamb\u00e9m ocorre praticamente nas mesmas \u00e1reas, a abelha janda\u00edra (Melipona subnitida Ducke, 1910). Todavia, as proje\u00e7\u00f5es sugerem que, no futuro, a distribui\u00e7\u00e3o da abelha janda\u00edra expandir\u00e1 em dire\u00e7\u00e3o as bordas com uma consequente separa\u00e7\u00e3o central de sua \u00e1rea atual<sup>13<\/sup>.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_4019\" aria-describedby=\"caption-attachment-4019\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Fig_2_abelhas-sem-ferrao.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-4019\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Fig_2_abelhas-sem-ferrao-300x149.jpg\" alt=\"Figura 2. A esquerda se encontram os mapas de distribui\u00e7\u00e3o potencial de \u00e1reas climaticamente adequadas para Plebeia flavocincta no \u00daltimo Interglacial (A), \u00daltimo M\u00e1ximo Glacial (B), no presente (C). A direita s\u00e3o os mapas de distribui\u00e7\u00e3o potencial de \u00e1reas climaticamente adequadas no futuro: (D) ano 2050 e RCP 4.5; (E) ano 2050 e RCP 8.5; (F) ano 2070 e RCP 4.5; e (G) ano 2070 e RCP 8.5. Os tons verdes representam \u00e1reas onde mais de um modelo se sobrep\u00f5e. RCP, em ingl\u00eas, s\u00e3o os Caminhos Representativos de Concentra\u00e7\u00e3o, ou seja, cen\u00e1rios futuros poss\u00edveis dependentes do n\u00edvel de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa na atmosfera. RCP 4.5 \u00e9 um cen\u00e1rio moderado e o RCP 8.5 refere-se a um cen\u00e1rio em que as emiss\u00f5es continuam sempre aumentando.\" width=\"300\" height=\"149\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Fig_2_abelhas-sem-ferrao-300x149.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Fig_2_abelhas-sem-ferrao-1024x509.jpg 1024w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Fig_2_abelhas-sem-ferrao-150x75.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Fig_2_abelhas-sem-ferrao-500x248.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Fig_2_abelhas-sem-ferrao.jpg 1125w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4019\" class=\"wp-caption-text\">Figura 2. A esquerda se encontram os mapas de distribui\u00e7\u00e3o potencial de \u00e1reas<br \/>climaticamente adequadas para Plebeia flavocincta no \u00daltimo Interglacial (A), \u00daltimo<br \/>M\u00e1ximo Glacial (B), no presente (C). A direita s\u00e3o os mapas de distribui\u00e7\u00e3o potencial<br \/>de \u00e1reas climaticamente adequadas no futuro: (D) ano 2050 e RCP 4.5; (E) ano<br \/>2050 e RCP 8.5; (F) ano 2070 e RCP 4.5; e (G) ano 2070 e RCP 8.5. Os tons verdes<br \/>representam \u00e1reas onde mais de um modelo se sobrep\u00f5e. RCP, em ingl\u00eas, s\u00e3o os<br \/>Caminhos Representativos de Concentra\u00e7\u00e3o, ou seja, cen\u00e1rios futuros poss\u00edveis<br \/>dependentes do n\u00edvel de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa na atmosfera. RCP 4.5<br \/>\u00e9 um cen\u00e1rio moderado e o RCP 8.5 refere-se a um cen\u00e1rio em que as emiss\u00f5es<br \/>continuam sempre aumentando.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Pela primeira vez, apresentamos a distribui\u00e7\u00e3o potencial atual da esp\u00e9cie e identificamos \u00e1reas de alta altitude (\u00e1reas de brejo de altitude) e a costa leste como habitats climaticamente est\u00e1veis para a abelha jati. Para essa esp\u00e9cie, estas \u00e1reas podem n\u00e3o sofrer mudan\u00e7as quanto a disponibilidade de habitat, portanto, devido a essa potencial estabilidade, podem ser consideradas como \u00e1reas priorit\u00e1rias para conserva\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Essas informa\u00e7\u00f5es aqui apresentadas podem ser utilizadas por tomadores de decis\u00e3o para apoiar a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o sustent\u00e1vel dessa abelha pequena e comum no Nordeste. As medidas de prote\u00e7\u00e3o s\u00e3o particularmente importantes, uma vez que essa esp\u00e9cie pode ser utilizada como fonte de renda extra aos criadores. Ainda, com rela\u00e7\u00e3o ao seu papel na poliniza\u00e7\u00e3o, existe um potencial a ser avaliado para seu uso na horticultura. Em um estudo sobre prospec\u00e7\u00e3o de polinizadores para o cacau, Theobroma cacao L. (Malvaceae), foi observado p\u00f3len de cacau, tanto nos potes de alimento como nas corb\u00edculas da abelha jati<sup>14<\/sup>. Embora nossos resultados indiquem que essa esp\u00e9cie possa encontrar uma \u00e1rea maior onde as condi\u00e7\u00f5es ambientais para sobreviver s\u00e3o favor\u00e1veis, n\u00e3o podemos descuidar dos outros impactos antr\u00f3picos sobre as abelhas. Plantar \u00e1rvores para sua nidifica\u00e7\u00e3o e esp\u00e9cies nativas que fornecem o alimento necess\u00e1rio \u00e0 sua sobreviv\u00eancia na caatinga e arredores \u00e9 sempre desej\u00e1vel. A sobreviv\u00eancia dos polinizadores locais \u00e9 essencial para a manuten\u00e7\u00e3o da nossa biodiversidade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b><i>O texto completo est\u00e1 dispon\u00edvel na internet e \u00e9 de livre acesso<\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Maia, U.M., Miranda, L.S., Carvalho, A.T., Imperatriz Fonseca, V.L., Oliveira, G.C., Giannini, T.C. Climate induced distribution dynamics of Plebeia flavocincta, a stingless bee from Brazilian tropical dry forests. Ecol Evol. 2020; 00: 1\u2013 9. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/ece3.6674\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1002\/ece3.6674<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><sup>1<\/sup>Giannini, T.C. Acosta, A.L., Saraiva, A.M., Alves-dos Santos, I., De Marco Junior, P. (2012). Constru\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios futuros para uso e conserva\u00e7\u00e3o de polinizadores. In: Imperatriz-Fonseca, VL et al org. Polinizadores no Brasil, contribui\u00e7\u00e3o para a biodiversidade, uso sustent\u00e1vel, conserva\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os ambientais. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.livrosabertos.edusp.usp.br\/edusp\/catalog\/book\/8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.livrosabertos.edusp.usp.br\/edusp\/catalog\/book\/8<\/a>. Acesso em 09 de setembro de 2020.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><sup>2<\/sup>Giannini, T.C. (2016) Cen\u00e1rio do impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre algumas esp\u00e9cies de abelhas polinizadoras do Brasil. Mensagem Doce, n\u00ba 138.Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-138-setembro-de-2016\/artigo-2\/\" target=\"_blank\">https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-138-setembro-de-2016\/artigo-2\/<\/a>. Acesso em 09 de setembro de 2020.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><sup>3<\/sup>Giannini, T.C., Costa, W.F., Borges, R.C., Miranda, L.S., Costa, C.P.W., Saraiva, A.M., Imperatriz-Fonseca, V.L. (2020). Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas poder\u00e3o reduzir a disponibilidade de polinizadores na Amaz\u00f4nia Oriental. Mensagem Doce, n\u00ba 156. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-156-maio-de-2020\/artigo-2\/\" target=\"_blank\">https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-156-maio-de-2020\/artigo-2\/<\/a>. Acesso em 09 de setembro de 2020.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><sup>4<\/sup>Giannini, T.C., Costa, W.F., Borges, R.C. et al. (2020). Climate change in the Eastern Amazon: crop-pollinator and occurrence-restricted bees are potentially more affected. Reg Environ Change, 20, 9. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s10113-020-01611-y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/s10113-020-01611-y<\/a>. Acesso em 09 de setembro de 2020.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><sup>5<\/sup>Rasmussen, C. &amp; Cameron, S.A. (2010) Global stingless bee phylogeny supports ancient divergence vicariance and long distance dispersal. Biol J Linn Soc, 99:206\u2013232<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><sup>6<\/sup>Pedro, S.R. (2014). The stingless bee fauna in Brazil (Hymenoptera: Apidae). Sociobiology, 61(4), 348-354.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><sup>7<\/sup>Camargo, J.M.F. &amp; Pedro, S.R.M. (2013). Meliponini Lepeletier, 1836. In Moure, J. S., Urban, D., &amp; Melo, G. A. R. (Orgs). Catalogue of Bees (Hymenoptera, Apoidea) in the Neotropical Region &#8211; online version. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.moure.cria.org.br\/catalogue\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.moure.cria.org.br\/catalogue<\/a>. Acesso em 09 de setembro de 2020.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><sup>8<\/sup>Maia, U. M., Jaffe, R., Carvalho, A. T., &amp; Fonseca, V. L. I. (2015). Meliponiculture in Rio Grande do Norte.\u00a0Brazilian Journal of Veterinary Medicine,\u00a037(4), 327-333.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><sup>9<\/sup>Costa, C.A. (2014). Distribui\u00e7\u00e3o espa\u00e7o-temporal de recursos florais e nicho tr\u00f3fico de Melipona subnitida e Plebeia aff. flavocincta (Apidae, Meliponini) em ambiente de caatinga. Tese. Ufersa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><sup>10<\/sup>Ribeiro, M.D.F. &amp; Taura, T.A. (2019). Presence of Plebeia aff. flavocincta nests in urban areas. Sociobiology, 66(1), 66-74.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><sup>11<\/sup>Martins, C.F., Laurino, M.C., Koedam, D., &amp; Fonseca, V.L.I. (2004). Esp\u00e9cies arb\u00f3reas utilizadas para nidifica\u00e7\u00e3o por abelhas sem ferr\u00e3o na caatinga (Serid\u00f3, PB; Jo\u00e3o C\u00e2mara, RN). Biota Neotropica, 4(2), 1-8.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><sup>12<\/sup>Acosta, A.L., Giannini, T.C., Imperatriz-Fonseca, V. L., Saraiva, A.M. Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na Caatinga com \u00eanfase no Rio Grande do Norte: breve an\u00e1lise e s\u00edntese. In: Imperatriz-Fonseca, V. L., Koedam, D., &amp; Hrncir, M. (org.). (2017). A abelha janda\u00edra no presente, no passado e no futuro. Edufersa, 254p. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/edufersa.ufersa.edu.br\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/10\/abelha-jandai%CC%81ra-livro-eletronico.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/edufersa.ufersa.edu.br\/wp-content\/uploads\/sites\/27\/2017\/10\/abelha-jandai%CC%81ra-livro-eletronico.pdf<\/a>. Acesso em 09 de setembro de 2020.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><sup>13<\/sup>Giannini, T.C., Maia-Silva, C., Acosta, A.L., Jaff\u00e9, R., Carvalho, A.T., Martins, C. F., &#8230; &amp; Siqueira, J.O. (2017). Protecting a managed bee pollinator against climate change: strategies for an area with extreme climatic conditions and socioeconomic vulnerability. Apidologie, 48(6), 784-794.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><sup>14<\/sup>Lemos, C.Q. Abelha Plebeia cf. flavocincta como potencial polinizador do cacaueiro (Theobroma cacao L.) no semi\u00e1rido brasileiro. 2014. 71p. Disserta\u00e7\u00e3o (mestrado em zootecnia) &#8211; Universidade Federal do Cear\u00e1, Fortaleza-CE, 2014.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A abelha sem ferr\u00e3o jati do Nordeste, Plebeia flavocincta (Cockerell, 1912): distribui\u00e7\u00e3o no passado, atual e futura Ulysses Madureira Maia1,2, Leonardo de Sousa Miranda2, Airton Torres Carvalho3, Vera Imperatriz-Fonseca4, Guilherme [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"parent":3952,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"pmpro_default_level":"","_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"class_list":["post-4017","page","type-page","status-publish","hentry","pmpro-has-access"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4017"}],"collection":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4017"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4017\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4021,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4017\/revisions\/4021"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3952"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4017"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}