{"id":3751,"date":"2020-10-16T14:43:18","date_gmt":"2020-10-16T14:43:18","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=3751"},"modified":"2020-10-16T14:43:18","modified_gmt":"2020-10-16T14:43:18","slug":"artigo-3","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-158-setembro-de-2020\/artigo-3\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">Produ\u00e7\u00e3o de dietas fermentadas para abelhas Apis mellifera utilizando inoculantes comerciais para silagens<\/h1>\n<blockquote><p>Juliana Pereira Lisboa Mohallem PAIVA<sup>1<\/sup>; Michelle Manfrini MORAIS<sup>2<\/sup><br \/>\n<sup>1<\/sup> Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, Instituto de Ci\u00eancia e Tecnologia, 12231-280, S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP, Brazil, e-mail: <a href=\"mailto:jplbiologia@gmail.com\" target=\"_blank\">jplbiologia@gmail.com<\/a><br \/>\n<sup>2<\/sup> Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, Departamento de Ecologia e Evolu\u00e7\u00e3o, 09920-000, Diadema, SP, Brazil, e-mail: <a href=\"mailto:michelle.manfrini@unifesp.br\" target=\"_blank\">michelle.manfrini@unifesp.br<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A oferta de m\u00e9todos alternativos de alimenta\u00e7\u00e3o dos enxames durante per\u00edodos de escassez consiste em um problema persistente na Apicultura brasileira, especialmente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 formula\u00e7\u00e3o e oferecimento de dietas alimentares capazes de suprir as necessidades dos animais e que sejam ao mesmo tempo palat\u00e1veis, atrativas e de custo acess\u00edvel ao produtor (Morais et al, 2013, Paiva et al, 2019). Considerar tamb\u00e9m o fato de que as abelhas preferem alimentos fermentados, por serem mais pr\u00f3ximos ao alimento natural (beebread ou p\u00e3o de abelha) e mais atrativos do que os alimentos n\u00e3o fermentados (Ellis e Hayes, 2009), pode se tornar um obst\u00e1culo na elabora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de dietas artificiais, por necessitar de maior aten\u00e7\u00e3o na escolha de ingredientes e microrganismos capazes de fermentar o produto de maneira eficiente. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Para a formula\u00e7\u00e3o de dietas eficazes e que atendam \u00e0s necessidades nutricionais das abelhas, \u00e9 de grande import\u00e2ncia a correta escolha dos ingredientes, priorizando produtos de maior disponibilidade e baixo custo ao produtor, como farelo de soja, farelo de trigo, milho, levedura de cana e outros insumos j\u00e1 utilizados na propriedade rural, obtendo um produto final mais acess\u00edvel. Ao adicionar a estas misturas cepas de bact\u00e9rias e outros organismos fermentadores, como as leveduras, obt\u00e9m-se um alimento pastoso, adocicado e extremamente arom\u00e1tico, capaz de atrair as abelhas e induzir o seu consumo. A utiliza\u00e7\u00e3o de microrganismos isolados do beebread para a fermenta\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00f5es para abelhas tem se mostrado eficaz na produ\u00e7\u00e3o de alimentos mais aceit\u00e1veis pelos animais (Almeida et al, 2018), entretanto, esses in\u00f3culos se mostram muito vari\u00e1veis e de dif\u00edcil padroniza\u00e7\u00e3o. Assim, a utiliza\u00e7\u00e3o de linhagens microbianas conhecidas, especialmente aquelas obtidas de inoculantes comerciais para silagens, possibilita maior controle do processo fermentativo, padronizando o processo de obten\u00e7\u00e3o desses alimentos fermentados, especialmente visando uma produ\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00f5es fermentadas para abelhas em larga escala. Outra vantagem na utiliza\u00e7\u00e3o de cepas de inoculantes comerciais \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o desses alimentos de uma forma mais segura (Paiva et al, 2019).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A recomenda\u00e7\u00e3o seria o oferecimento da dieta artificial nos per\u00edodos de menor oferta de p\u00f3len na natureza, evitando a perda dos enxames por enfraquecimento e fome e alcan\u00e7ando tamb\u00e9m a melhora na produtividade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Procedimento experimental<\/b><\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3752\" aria-describedby=\"caption-attachment-3752\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Tabela_1_producaodieta.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3752\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Tabela_1_producaodieta-300x130.jpg\" alt=\"Tabela 1: Composi\u00e7\u00e3o da ra\u00e7\u00e3o utilizada nos experimentos\" width=\"300\" height=\"130\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Tabela_1_producaodieta-300x130.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Tabela_1_producaodieta-150x65.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Tabela_1_producaodieta-500x217.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Tabela_1_producaodieta.jpg 748w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3752\" class=\"wp-caption-text\">Tabela 1: Composi\u00e7\u00e3o da ra\u00e7\u00e3o utilizada nos experimentos<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Assim, este trabalho realizou a produ\u00e7\u00e3o de uma ra\u00e7\u00e3o (dieta) fermentada para abelhas Apis mellifera em laborat\u00f3rio na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, utilizando microrganismos presentes em inoculantes comerciais de silagem (Kerasil, contendo apenas bact\u00e9rias para a ra\u00e7\u00e3o K e Kerasil + Supersile, cons\u00f3rcio de inoculantes contendo bact\u00e9rias e fungos, para a ra\u00e7\u00e3o KS), obtendo ra\u00e7\u00f5es K e KS (tabela 1 e figura 1) mantidas em estufa a 37\u00baC com diferentes per\u00edodos fermentativos (7, 14 e 28 dias).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Essas ra\u00e7\u00f5es foram oferecidas para abelhas oper\u00e1rias confinadas em gaiolas, mantidas em estufa no laborat\u00f3rio, com 60 animais em cada, com 7 repeti\u00e7\u00f5es para os seguintes tratamentos: Controle Positivo C+ (beebread), Controle Negativo C- (apenas solu\u00e7\u00e3o de sacarose 50%), Controle Fresca (ra\u00e7\u00e3o n\u00e3o fermentada) e ra\u00e7\u00f5es fermentadas K e KS de 7, 14 e 28 dias, trocando o alimento no 4\u00ba dia e pesando as sobras no 4\u00ba e 7\u00badia. Ap\u00f3s 7 dias, foram coletadas amostras de hemolinfa de 20 abelhas\/gaiola, para a quantifica\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas por Bradford e perfil eletrofor\u00e9tico por SDS Page. Amostras das ra\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m foram submetidas a an\u00e1lises Bromatol\u00f3gicas.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3753\" aria-describedby=\"caption-attachment-3753\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Figura_1_producaodieta.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3753\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Figura_1_producaodieta-300x142.jpg\" alt=\"Figura 1: Ra\u00e7\u00e3o Fresca (a) e Ra\u00e7\u00e3o Fermentada (b). Nota-se o aspecto aerado ap\u00f3s a fermenta\u00e7\u00e3o, pela libera\u00e7\u00e3o de gases. Imagens do autor.\" width=\"300\" height=\"142\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Figura_1_producaodieta-300x142.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Figura_1_producaodieta-150x71.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Figura_1_producaodieta-500x237.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Figura_1_producaodieta.jpg 824w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3753\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1: Ra\u00e7\u00e3o Fresca (a) e Ra\u00e7\u00e3o Fermentada (b). Nota-se o aspecto aerado ap\u00f3s a fermenta\u00e7\u00e3o, pela libera\u00e7\u00e3o de gases. Imagens do autor.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Resultados e discuss\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os dados obtidos mostraram que as ra\u00e7\u00f5es K e KS de 7 dias obtiveram os melhores resultados de consumo quando comparadas com a ra\u00e7\u00e3o fresca e com o beebread; todas as ra\u00e7\u00f5es fermentadas apresentaram maior consumo do que a ra\u00e7\u00e3o fresca. As ra\u00e7\u00f5es K e KS de 7 dias tamb\u00e9m apresentaram maiores t\u00edtulos de prote\u00edna na hemolinfa das abelhas, por\u00e9m esses valores foram menores do que os do beebread, entretanto, todas as abelhas que comeram as ra\u00e7\u00f5es fermentadas (exceto a K de 28 dias) apresentaram maiores t\u00edtulos de prote\u00edna na hemolinfa, quando comparadas com as abelhas que n\u00e3o consumiram nenhum alimento proteico (controle negativo e dia 0).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"> Os resultados da bromatologia mostraram que as ra\u00e7\u00f5es fermentadas s\u00e3o nutritivas e pr\u00f3ximas ao alimento natural (beebread) nos teores de prote\u00edna bruta, mat\u00e9ria mineral e fibra bruta, tendo menores teores de extrato et\u00e9reo. A corrida eletrofor\u00e9tica apresentou um perfil de prote\u00ednas compat\u00edvel com uma boa express\u00e3o proteica na hemolinfa dos animais que consumiram as ra\u00e7\u00f5es fermentadas, comparando com os animais sem nenhum alimento proteico. Sendo assim, pode-se concluir que a fermenta\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00f5es utilizando microrganismos oriundos de inoculantes comerciais para silagens mostrou-se uma alternativa vi\u00e1vel na produ\u00e7\u00e3o de alimentos suplementares nutritivos e atrativos para as abelhas A. mellifera. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Conclus\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O uso de linhagens comerciais de microrganismos ajuda a padronizar o processo de fermenta\u00e7\u00e3o e seria \u00fatil para a produ\u00e7\u00e3o em escala comercial. Outras op\u00e7\u00f5es que usam microrganismos de beebread s\u00e3o fortemente vari\u00e1veis \u200b\u200bem v\u00e1rios aspectos, incluindo esta\u00e7\u00e3o do ano, esp\u00e9cie de p\u00f3len e a possibilidade de transmiss\u00e3o de doen\u00e7as atrav\u00e9s do in\u00f3culo (Gilliam et al. 1990). Outra vantagem do processo \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de organismos liofilizados, evitando a necessidade de preparo do in\u00f3culo, processo que geralmente leva de 10 a 14 dias antes do in\u00edcio da fermenta\u00e7\u00e3o das dietas, conforme proposto por Almeida et al., 2018. Por\u00e9m, uma das vantagens mais importantes em nosso processo \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do tempo necess\u00e1rio para fermentar a dieta, uma vez que os procedimentos descritos na literatura levam de 17 a 28 dias (Ellis e Hayes 2009; Almeida et al. 2018), enquanto nossa dieta est\u00e1 pronta para uso depois de apenas sete dias. Importante lembrar, que esses experimentos foram testados em laborat\u00f3rio e mesmo que ganhos tenham sido observados, informamos que os testes em campo ainda s\u00e3o necess\u00e1rios serem executados. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Almeida, J.M.V., Morais, M.M., Francoy, T.M., Pereira, R.M., Turcatto, A.P and De Jong, D. (2018). Fermentation of a pollen substitute diet with beebread microorganisms increases diet consumption and hemolymph protein levels of honeybees (Hymenoptera: Apidae). Sociobiology 65(4): 760-765, Special Issue.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Ellis, A.M., Hayes, Jr, G.W. (2009). An evaluation of fresh versus fermented diets for honeybees (Apis mellifera). Journal of Apicultural Research 48 (3): 215-216. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Gilliam, M., Roubik, D.W., Lorenz, B.J. (1990). Microorganisms associated with pollen, honey, and brood provisions in the nest of a stingless bee, Melipona fasciata. Apidologie 21 (2): 89-97.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Morais, M.M., Turcatto, A.P., Francoy, T.M., Gon\u00e7alves, L.S., Cappelari, F.A., De Jong, D. (2013). Evaluation of inexpensive pollen substitute diets through quantification of haemolymph proteins.\u00a0Journal of Apicultural Research 52 (3): 119-121.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Paiva, J.P.L.M., Esposito, E., de Morais Honorato De Souza, G.I. Francoy, T.M., Morais, M.M. (2019). Effects of ensiling on the quality of protein supplements for honey bees Apis mellifera. Apidologie 50: 414\u2013424.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Produ\u00e7\u00e3o de dietas fermentadas para abelhas Apis mellifera utilizando inoculantes comerciais para silagens Juliana Pereira Lisboa Mohallem PAIVA1; Michelle Manfrini MORAIS2 1 Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, Instituto de Ci\u00eancia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"parent":3681,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"pmpro_default_level":"","_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"class_list":["post-3751","page","type-page","status-publish","hentry","pmpro-has-access"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3751"}],"collection":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3751"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3751\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3755,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3751\/revisions\/3755"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3751"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}