{"id":3554,"date":"2020-08-18T21:38:38","date_gmt":"2020-08-18T21:38:38","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=3554"},"modified":"2020-08-18T21:38:38","modified_gmt":"2020-08-18T21:38:38","slug":"artigo-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-157-julho-de-2020\/artigo-2\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">Importantes para v\u00e1rios cultivos, abelhas nativas do Brasil sofrem amea\u00e7as \u2013 da pr\u00f3pria agricultura<\/h1>\n<blockquote><p>Fonte: Sib\u00e9lia Zanon em 21 maio 2020 em &lt; <a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/2020\/05\/importantes-para-varios-cultivos-abelhas-nativas-do-brasil-sofrem-ameacas-da-propria-agricultura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/brasil.mongabay.com\/2020\/05\/importantes-para-varios-cultivos-abelhas-nativas-do-brasil-sofrem-ameacas-da-propria-agricultura\/<\/a>&gt;.<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Quando se fala em abelhas, nem sempre se considera a enorme diversidade desses insetos \u2013 no imagin\u00e1rio de muitas pessoas, \u00e9 como se houvesse uma \u00fanica esp\u00e9cie. De fato, quase todo o mel que consumimos, por exemplo, vem das abelhas africanizadas (Apis mellifera), que resultam do cruzamento de ra\u00e7as europeias e africanas. Existem, por\u00e9m, cerca de 20 mil esp\u00e9cies diferentes no mundo. S\u00f3 o Brasil possui mais de 300 esp\u00e9cies de abelhas \u2014 a grande maioria, ao contr\u00e1rio das africanizadas, com o ferr\u00e3o atrofiado. \u00c9 a maior diversidade no mundo desse tipo de abelha.<a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Quadro1-abelhas-importantes.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-3557\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Quadro1-abelhas-importantes-300x245.jpg\" alt=\"Quadro1-abelhas-importantes\" width=\"300\" height=\"245\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Quadro1-abelhas-importantes-300x245.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Quadro1-abelhas-importantes-150x122.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Quadro1-abelhas-importantes-500x408.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Quadro1-abelhas-importantes.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Aos poucos, as abelhas sem ferr\u00e3o do Brasil v\u00eam tendo sua import\u00e2ncia reconhecida. Cultivos agr\u00edcolas com alto valor econ\u00f4mico dependem desses insetos. E a cria\u00e7\u00e3o ajuda na conserva\u00e7\u00e3o: os meliponicultores (criadores de abelhas sem ferr\u00e3o) costumam preservar ecossistemas locais e restaurar \u00e1reas para subsidiar a atividade, j\u00e1 que as abelhas nativas brasileiras dependem de um habitat saud\u00e1vel para se reproduzir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">\u201cH\u00e1 uma tend\u00eancia de valoriza\u00e7\u00e3o. Lugares que mantiveram a cultura de cria\u00e7\u00e3o de abelhas nativas podem agora fazer disso um empreendimento para gera\u00e7\u00e3o alternativa de renda\u201d, conta Jer\u00f4nimo Villas-B\u00f4as, autor do livro Manual Tecnol\u00f3gico: Mel de Abelhas sem Ferr\u00e3o, que aborda as pr\u00e1ticas associadas \u00e0 meliponicultura no pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Na gastronomia, o mel das abelhas brasileiras j\u00e1 chegou \u00e0s\u00a0cozinhas de\u00a0chefs\u00a0renomados \u2013 Alex Atala \u00e9 um deles.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os produtos das abelhas brasileiras \u2013 mel, pr\u00f3polis, p\u00f3len, cera e geleia real \u2013 s\u00e3o conhecidos h\u00e1 s\u00e9culos. Relatos escritos em 1577 por Hans Staden, que viveu entre os Tupinamb\u00e1 no litoral paulista, mencionam tr\u00eas abelhas nativas usadas pelos ind\u00edgenas para uso medicinal e na alimenta\u00e7\u00e3o. As esp\u00e9cies seriam provavelmente a manda\u00e7aia (Melipona quadrifasciata), a mandaguari (Scaptotrigona postica) e a jata\u00ed-amarela (Tetragonisca angustula)..<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">\u201cPara a minha tese de doutorado, testei o mel de tr\u00eas esp\u00e9cies de abelha sem ferr\u00e3o: a jata\u00ed, a canudo (Scaptotrigona depilis) e a bor\u00e1 (Tetragona elongata)\u201d, diz Raoni da Silva Duarte, Mestre e Doutor em Entomologia pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). \u201cEm testes in vitro, os m\u00e9is tiveram a\u00e7\u00e3o antimicrobiana contra v\u00e1rios pat\u00f3genos causadores de doen\u00e7as em humanos. \u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A cria\u00e7\u00e3o de abelhas nativas, hoje em expans\u00e3o no Brasil, pode visar desde pesquisas cient\u00edficas at\u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de mel em base comunit\u00e1ria, gerando diversos benef\u00edcios. \u201cOs meliponicultores buscam \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o conservada\u201d, diz Jer\u00f4nimo Villas-B\u00f4as. \u201cA cria\u00e7\u00e3o permite a conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies envolvidas e, indiretamente, de outros animais do ecossistema, como aves e mam\u00edferos. \u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Poliniza\u00e7\u00e3o: trabalho que vale bilh\u00f5es<\/b><\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3555\" aria-describedby=\"caption-attachment-3555\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/figura1-abelhas-importantes.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3555\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/figura1-abelhas-importantes-300x264.jpg\" alt=\"Uma abelha nativa sem ferr\u00e3o, a irapu\u00e3 (Trigona spinipes): as mais de 300 esp\u00e9cies brasileiras come\u00e7am a ter sua import\u00e2ncia reconhecida. Foto: Jo\u00e3o Paulo Corr\u00eaa de Carvalho \/ CCBY.\" width=\"300\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/figura1-abelhas-importantes-300x264.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/figura1-abelhas-importantes-150x132.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/figura1-abelhas-importantes-500x439.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/figura1-abelhas-importantes.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3555\" class=\"wp-caption-text\">Uma abelha nativa sem ferr\u00e3o, a irapu\u00e3 (Trigona spinipes): as mais de 300 esp\u00e9cies brasileiras come\u00e7am a ter sua import\u00e2ncia reconhecida. Foto: Jo\u00e3o Paulo Corr\u00eaa de Carvalho \/ CCBY.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO, na sigla em ingl\u00eas), mais de 75% dos cultivos destinados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o humana dependem da poliniza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A maioria das esp\u00e9cies vegetais, cultivadas ou nativas, \u00e9 polinizada por animais como morcegos, mariposas, borboletas, vespas, besouros e, principalmente, abelhas. A\u00a0Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos (BPBES)\u00a0estima em R$ 43 bilh\u00f5es por ano o valor do servi\u00e7o ambiental da poliniza\u00e7\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos no pa\u00eds, numa lista de 44 plantas cultivadas ou silvestres.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A poliniza\u00e7\u00e3o feita pelas abelhas sem ferr\u00e3o brasileiras \u00e9 a \u00fanica que alcan\u00e7a certas esp\u00e9cies da flora. \u201cElas s\u00e3o principais respons\u00e1veis por polinizar a vegeta\u00e7\u00e3o nativa, proporcionando a fecunda\u00e7\u00e3o cruzada, o que garante a variabilidade das esp\u00e9cies vegetais\u201d, diz Generosa Sousa Ribeiro, do Setor de Meliponicultura da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). \u201cDiversas plantas necessitam de esp\u00e9cies nativas. A acerola, por exemplo, depende das abelhas solit\u00e1rias do g\u00eanero\u00a0Centris.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">H\u00e1 evid\u00eancias de que a inser\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias de abelhas sem ferr\u00e3o em \u00e1reas agr\u00edcolas tem efeito positivo na produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9, canola, goiaba, ma\u00e7\u00e3, maracuj\u00e1, pepino e dend\u00ea, entre outros cultivos. No morango, a poliniza\u00e7\u00e3o da ira\u00ed (Nannotrigona testaceicornis)\u00a0diminui o grau de deforma\u00e7\u00e3o das frutas. E um estudo revelou alta frequ\u00eancia da uru\u00e7u-nordestina (Melipona scutellaris) na poliniza\u00e7\u00e3o de laranjas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">\u201cQuanto mais conhecemos as abelhas sem ferr\u00e3o brasileiras, mais import\u00e2ncia elas ganham\u201d, diz Juliana Feres, pesquisadora e s\u00f3cia-fundadora da\u00a0Hebor\u00e1, plataforma que foca na qualifica\u00e7\u00e3o de mulheres do campo por meio da produ\u00e7\u00e3o de m\u00e9is brasileiros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As abelhas sem ferr\u00e3o prestam ainda um servi\u00e7o especializado de poliniza\u00e7\u00e3o por vibra\u00e7\u00e3o, conhecido por\u00a0buzz pollination. Pousadas sobre a flor, muitas esp\u00e9cies, sociais ou solit\u00e1rias, t\u00eam a capacidade de vibrar por meio da contra\u00e7\u00e3o da musculatura tor\u00e1cica, liberando assim o p\u00f3len das flores e beneficiando cultivos como tomate, berinjela e jil\u00f3.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3556\" aria-describedby=\"caption-attachment-3556\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/figura2-abelhas-importantes.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3556\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/figura2-abelhas-importantes-300x212.jpg\" alt=\"A abelha africanizada (Apis Mellifera) \u00e9 altamente disseminada no Brasil. Generalista, ela tem grande capacidade na produ\u00e7\u00e3o de mel. Foto: Thiago Gama Oliveira \/ CC BY-NC-SA.\" width=\"300\" height=\"212\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/figura2-abelhas-importantes-300x212.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/figura2-abelhas-importantes-150x106.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/figura2-abelhas-importantes-500x353.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/figura2-abelhas-importantes.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3556\" class=\"wp-caption-text\">A abelha africanizada (Apis Mellifera) \u00e9 altamente disseminada no Brasil. Generalista, ela tem grande capacidade na produ\u00e7\u00e3o de mel. Foto: Thiago Gama Oliveira \/ CC BY-NC-SA.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Apesar disso, as esp\u00e9cies nativas s\u00e3o ainda pouco utilizadas. A abelha africanizada continua sendo a preferida n\u00e3o s\u00f3 para a produ\u00e7\u00e3o de mel como tamb\u00e9m para suplementar a poliniza\u00e7\u00e3o em cultivos agr\u00edcolas, por ter manejo bastante conhecido e popula\u00e7\u00e3o abundante. O\u00a0Relat\u00f3rio Tem\u00e1tico sobre Poliniza\u00e7\u00e3o, Polinizadores e Produ\u00e7\u00e3o de Alimentos no Brasil\u00a0mostra que a generaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 perigosa: v\u00e1rios cultivos necessitam de polinizadores espec\u00edficos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Amea\u00e7as no ar<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Mas as abelhas nativas sem ferr\u00e3o enfrentam um paradoxo: importantes para o cultivo agr\u00edcola, elas est\u00e3o amea\u00e7adas pela pr\u00f3pria agricultura. \u201cO principal motivo de as abelhas estarem desaparecendo \u00e9 o nosso sistema de produ\u00e7\u00e3o de alimentos\u201d, alerta Jer\u00f4nimo Villas-B\u00f4as. \u201cA supress\u00e3o vegetal afeta o seu habitat natural. Al\u00e9m disso, a homogeneiza\u00e7\u00e3o da paisagem n\u00e3o propicia a dieta diversificada que os insetos precisam. E para piorar, temos o uso abusivo de agrot\u00f3xicos. \u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os agrot\u00f3xicos, quando n\u00e3o matam, podem diminuir a longevidade das abelhas, comprometer a capacidade de voltar \u00e0 colmeia, interromper a postura de ovos pela rainha, impossibilitar a comunica\u00e7\u00e3o, comprometer a organiza\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o dos trabalhos e paralisar asas e pernas, entre outros danos que acabam por enfraquecer ou mesmo dizimar a colmeia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Quadro2-abelhas-importantes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-large wp-image-3558\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Quadro2-abelhas-importantes-1024x788.jpg\" alt=\"Quadro2-abelhas-importantes\" width=\"1024\" height=\"788\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Quadro2-abelhas-importantes-1024x788.jpg 1024w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Quadro2-abelhas-importantes-300x231.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Quadro2-abelhas-importantes-150x115.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Quadro2-abelhas-importantes-500x385.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Quadro2-abelhas-importantes.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a>\u201cAs popula\u00e7\u00f5es [de esp\u00e9cies sem ferr\u00e3o] s\u00e3o bem menores que as de A. mellifera, o que dificulta a reorganiza\u00e7\u00e3o dessas abelhas ap\u00f3s pulveriza\u00e7\u00f5es sucessivas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Em 2017, fizemos coletas em regi\u00f5es onde ocorreram pulveriza\u00e7\u00f5es em massa e conseguimos localizar mais de dez agrot\u00f3xicos letais para as abelhas nativas\u201d, afirma Generosa Sousa Ribeiro, da Uesb.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As abelhas africanizadas s\u00e3o prioridade nos testes de agroqu\u00edmicos no Brasil, baseados em protocolos da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE). Mas alguns estudos j\u00e1 atestam que as abelhas sem ferr\u00e3o s\u00e3o mais sens\u00edveis aos agrot\u00f3xicos do que essa esp\u00e9cie padr\u00e3o. \u201cAinda s\u00e3o poucos os resultados diante dos danos grav\u00edssimos que os venenos v\u00eam causando aos polinizadores nas \u00faltimas d\u00e9cadas\u201d, avalia Generosa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Uma publica\u00e7\u00e3o de 2018 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama),\u00a0Sele\u00e7\u00e3o de Esp\u00e9cies de Abelhas Nativas para Avalia\u00e7\u00e3o de Risco de Agrot\u00f3xicos,\u00a0defendeu a realiza\u00e7\u00e3o de\u00a0estudos mais espec\u00edficos, que n\u00e3o se limitem a uma \u00fanica esp\u00e9cie.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Outros trabalhos vieram na sequ\u00eancia. Um\u00a0estudo\u00a0de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), publicado em 2019, avaliou o efeito do dimetoato, usado como refer\u00eancia internacional em testes de toxicidade, e mostrou que a dosagem da subst\u00e2ncia capaz de matar 50% de uma popula\u00e7\u00e3o de larvas de uru\u00e7u-nordestina \u00e9 320 vezes menor do que a mesma dosagem capaz de matar igual percentual de larvas de\u00a0A. mellifera.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">No mesmo ano, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq-USP), outro\u00a0trabalho\u00a0mostrou que o tiametoxam, bastante usado na agricultura, e outros tr\u00eas inseticidas do grupo dos neonicotinoides podem causar mudan\u00e7as de comportamento em abelhas adultas jata\u00ed, como redu\u00e7\u00e3o da velocidade de voo e diminui\u00e7\u00e3o da dist\u00e2ncia percorrida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Um indicador da gravidade do uso de agrot\u00f3xicos na agricultura, com efeitos comprometedores para a sa\u00fade humana e para a poliniza\u00e7\u00e3o, \u00e9 fato de o inseticida imidacloprido ter sido o mais encontrado nos testes realizados em amostras de alimentos na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do\u00a0Programa de An\u00e1lise de Res\u00edduos de Agrot\u00f3xicos em Alimentos, da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), publicado em dezembro de 2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Um\u00a0artigo\u00a0de 2016, que teve como base a timba-amarela\u00a0(Scaptotrigona postica Latreille),\u00a0mostrou que o ingrediente ativo imidacloprido interferiu no comportamento dessa abelha,\u00a0afetando a sua capacidade de reconhecer alimento e inviabilizando a sua locomo\u00e7\u00e3o em campo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A perda de polinizadores em um ecossistema pode ser irrevers\u00edvel \u2013 e nada se sabe sobre a possibilidade de recoloniza\u00e7\u00e3o natural. \u201cAs abelhas do Brasil coevolu\u00edram durante muito tempo com a flora nativa\u201d, explica Raoni da Silva Duarte, da USP. \u201cCada planta se adaptou aos benef\u00edcios que determinada esp\u00e9cies trouxeram para a sua reprodu\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, as abelhas se adaptaram a recursos espec\u00edficos, em forma de n\u00e9ctar, p\u00f3len, \u00f3leos e resinas. Ou seja, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia grande entre a flora brasileira e as abelhas nativas. \u201d<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Importantes para v\u00e1rios cultivos, abelhas nativas do Brasil sofrem amea\u00e7as \u2013 da pr\u00f3pria agricultura Fonte: Sib\u00e9lia Zanon em 21 maio 2020 em &lt; https:\/\/brasil.mongabay.com\/2020\/05\/importantes-para-varios-cultivos-abelhas-nativas-do-brasil-sofrem-ameacas-da-propria-agricultura\/&gt;. 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