{"id":3372,"date":"2020-04-08T19:43:55","date_gmt":"2020-04-08T19:43:55","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=3372"},"modified":"2020-04-08T20:01:24","modified_gmt":"2020-04-08T20:01:24","slug":"artigo-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-155-marco-de-2020\/artigo-2\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">OS PRODUTOS DA ABELHA APIS MELLIFERA E A UTILIZA\u00c7\u00c3O DO MEL NA CICATRIZA\u00c7\u00c3O DE FERIDAS: REVIS\u00c3O DE LITERATURA<\/h1>\n<blockquote><p>Beatriz Gabriele Mariano<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>RESUMO<\/b><\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3374\" aria-describedby=\"caption-attachment-3374\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_01_produtos.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3374\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_01_produtos-300x259.jpg\" alt=\"Figura 1 - Divis\u00e3o do corpo da abelha. Fonte: Rezerra e Lopes, (1956).\" width=\"300\" height=\"259\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_01_produtos-300x259.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_01_produtos-1024x885.jpg 1024w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_01_produtos-150x130.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_01_produtos-500x432.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_01_produtos.jpg 1125w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3374\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1 &#8211; Divis\u00e3o do corpo da abelha. Fonte: Rezerra e Lopes, (1956).<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As abelhas de esp\u00e9cie Apis mellifera s\u00e3o as principais abelhas criadas pelo homem atrav\u00e9s da apicultura. Ela \u00e9 respons\u00e1vel pela poliniza\u00e7\u00e3o, pela produ\u00e7\u00e3o de cera, pr\u00f3polis, p\u00f3len, geleia real, apitoxina e pelo mel. Um enxame possui apenas uma rainha, at\u00e9 80 mil oper\u00e1rias e de zero a quatrocentos zang\u00f5es. A cera \u00e9 utilizada na constru\u00e7\u00e3o de favos, na ind\u00fastria, farm\u00e1cia, medicina e na fabrica\u00e7\u00e3o de cosm\u00e9ticos. A pr\u00f3polis mant\u00e9m a colmeia livre de doen\u00e7as e evita correntes de ar frio durante o inverno, al\u00e9m de servir como suplemento alimentar, preventivo de enfermidades e na aplica\u00e7\u00e3o t\u00f3pica pela popula\u00e7\u00e3o humana. O p\u00f3len e a geleia real s\u00e3o muito importantes para a nutri\u00e7\u00e3o das larvas e das rainhas devido \u00e0s suas qualidades nutricionais. Nos humanos, tem a mesma finalidade. A apitoxina \u00e9 o veneno da abelha Apis mellifera, e serve para a sua defesa, e tamb\u00e9m para o tratamento de diversas afec\u00e7\u00f5es no homem. Um dos produtos considerados mais puros da natureza \u00e9 o mel, derivado do n\u00e9ctar que \u00e9 coletado e transformado pelas abelhas. O mel \u00e9 um alimento apreciado por seu sabor caracter\u00edstico e por seu consider\u00e1vel valor nutritivo, entretanto, possui outro papel muito importante, podendo ser utilizado no tratamento de feridas. O mel possui um importante efeito antibacteriano, principalmente devido a subst\u00e2ncias como o per\u00f3xido de hidrog\u00eanio, flavonoides e aos \u00e1cidos fen\u00f3licos. De maneira geral, o mel desodoriza feridas e as desbrida com facilidade, estimula o crescimento epitelial, minimiza a forma\u00e7\u00e3o de cicatriz, reduz a inflama\u00e7\u00e3o, o edema e a quantidade de exsudato, al\u00e9m de ter efeito \u201ccalmante\u201d quando aplicado sobre feridas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Palavras-chave:<\/b> Abelhas; Apis mellifera; cera; pr\u00f3polis; p\u00f3len; geleia real; apitoxina; mel; cicatriza\u00e7\u00e3o de feridas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As abelhas atuais surgiram h\u00e1 milh\u00f5es de anos junto com o surgimento das flores e, desde ent\u00e3o, s\u00e3o seres extremamente importantes para o planeta. S\u00e3o consideradas insetos sociais, pois vivem em grupos, dividindo-se em castas na colmeia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O g\u00eanero Apis, especialmente a esp\u00e9cie Apis mellifera, cujo nome significa \u201cabelha que traz mel\u201d, \u00e9 a principal abelha criada pelo homem atrav\u00e9s da apicultura, com o prop\u00f3sito de gerar produtos para a comercializa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os produtos das abelhas Apis mellifera v\u00eam sendo utilizados desde tempos antigos para fins medicinais, como no tratamento de feridas, por exemplo. E at\u00e9 os dias atuais possui grande import\u00e2ncia para o mercado aliment\u00edcio, farmac\u00eautico e tamb\u00e9m para as ind\u00fastrias de beleza e cosm\u00e9tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Neste trabalho ser\u00e3o abordados os produtos fabricados pelas abelhas como o mel, pr\u00f3polis, p\u00f3len ap\u00edcola, geleia real, cera e at\u00e9 mesmo a apitoxina, o veneno da abelha Apis mellifera, e suas utilidades para as abelhas al\u00e9m dos principais fins para a popula\u00e7\u00e3o humana.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Algumas literaturas sobre o assunto foram revisadas e analisadas para que este trabalho fosse realizado, com o objetivo de revisar sobre a import\u00e2ncia das abelhas para o planeta, mostrando o benef\u00edcio de cada um de seus produtos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Revis\u00e3o De Literatura<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Biologia, anatomia e a conviv\u00eancia das abelhas<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O processo evolutivo pelo qual as abelhas passaram ao longo desses milh\u00f5es de anos, desde o surgimento das flores at\u00e9 os dias atuais, deu origem a milhares de esp\u00e9cies diferentes (Bomfim; Oliveira; Freitas, 2017).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A fam\u00edlia Apidae possui duas subfam\u00edlias: Apinae e Meliponinae. A subfam\u00edlia Apinae possui as abelhas do g\u00eanero Apis e Bombus que possuem ferr\u00e3o. A subfam\u00edlia Meliponinae conta com as abelhas sem ferr\u00e3o, chamadas de ind\u00edgenas, e s\u00e3o abelhas encontradas em regi\u00f5es tropicais e subtropicais. O g\u00eanero Apis possui quatro esp\u00e9cies de abelhas sociais: Apis, mellifera, Apis dorsata, Apis florea e Apis cerana (Itagiba, 1997).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">S\u00e3o as abelhas Apis mellifera que mais realizam a poliniza\u00e7\u00e3o, ajudando a agricultura, produ\u00e7\u00e3o de mel, geleia real, cera, pr\u00f3polis e p\u00f3len (Ramos; Carvalho, 2007).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">No corpo da abelha existe uma divis\u00e3o geral. H\u00e1 o tegumento que \u00e9 a parte viva e corresponde \u00e0 hipoderme que dar\u00e1 origem a outras camadas, e a parte n\u00e3o viva que corresponde a quitina, esclerotina, resilina e a cera. Esses componentes proporcionam, respectivamente, resist\u00eancia, rigidez, flexibilidade e impermeabilidade \u00e0 abelha (Itagiba, 1997).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A abelha Apis mellifera \u00e9 dividida em tr\u00eas partes: cabe\u00e7a, t\u00f3rax e abdome (Figura 1). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Na cabe\u00e7a est\u00e3o localizados os olhos simples e compostos, as antenas, o aparelho bucal e, internamente as gl\u00e2ndulas. Os olhos simples ou ocelos s\u00e3o tr\u00eas pequenas estruturas que possuem fun\u00e7\u00e3o de detectar a intensidade luminosa, enquanto os olhos compostos s\u00e3o capazes de perceber luz, cores e movimentos. Nas antenas existem estruturas respons\u00e1veis por olfato, tato e audi\u00e7\u00e3o. O aparelho bucal \u00e9 composto por duas mand\u00edbulas e pela l\u00edngua, glossa ou prob\u00f3cide. As gl\u00e2ndulas no interior da cabe\u00e7a s\u00e3o as gl\u00e2ndulas hipofaringeanas respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de geleia real, gl\u00e2ndulas salivares que podem estar envolvidas no processamento do alimento e as gl\u00e2ndulas mandibulares que t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com a produ\u00e7\u00e3o de geleia real e ferom\u00f4nio de alarme (Pereira et al., 2003).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O t\u00f3rax \u00e9 formado pelo pr\u00f3torax ligado a cabe\u00e7a, mesot\u00f3rax e o metat\u00f3rax ligado ao abd\u00f4men. Em cada um desses segmentos est\u00e1 fixado um par de pernas e cada par possui uma fun\u00e7\u00e3o definida. O primeiro par de pernas \u00e9 respons\u00e1vel pela limpeza das antenas. O segundo possui espor\u00e3o para retirar as bolotas de p\u00f3len que s\u00e3o transportadas no terceiro par, onde se localizam as corb\u00edculas, esp\u00e9cie de cesta onde \u00e9 transportado o p\u00f3len e a pr\u00f3polis. Nos dois \u00faltimos segmentos encontram-se as asas. As asas posteriores possuem uma fileira de h\u00e1mulos no bordo frontal que se prendem na asa anterior, no momento de voar, possibilitando o trabalho em grupo (Palumbo, 2015).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O abdome \u00e9 formado por segmentos unidos por membranas bastante flex\u00edveis que facilitam o movimento. No final do abdome, encontra-se o ferr\u00e3o, \u00f3rg\u00e3o de defesa das abelhas, presente nas oper\u00e1rias e rainhas. O ferr\u00e3o \u00e9 constitu\u00eddo por um estilete usado na perfura\u00e7\u00e3o e duas lancetas com farpas que prendem o ferr\u00e3o na superf\u00edcie ferroada. H\u00e1 uma bolsa onde o veneno fica armazenado que, mesmo ap\u00f3s a inje\u00e7\u00e3o do veneno e sa\u00edda da abelha, permanece realizando contra\u00e7\u00e3o muscular para injetar mais veneno. Na maioria das vezes, quando o ferr\u00e3o fica preso na estrutura ferroada, a abelha tem uma ruptura do abdome e consequente morte (Ramos; Carvalho, 2007).<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3377\" aria-describedby=\"caption-attachment-3377\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_02_produtos.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3377\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_02_produtos-300x261.jpg\" alt=\"Figura 2 - Estrutura das castas de Apis mellifera. Fonte: Starosta, (2007).\" width=\"300\" height=\"261\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_02_produtos-300x261.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_02_produtos-1024x890.jpg 1024w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_02_produtos-150x130.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_02_produtos-500x434.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_02_produtos.jpg 1121w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3377\" class=\"wp-caption-text\">Figura 2 &#8211; Estrutura das castas de Apis mellifera. Fonte: Starosta, (2007).<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Um enxame de abelhas \u00e9 composto pela rainha, as oper\u00e1rias e os zang\u00f5es (Figura 2), sendo que deve existir apenas uma rainha, at\u00e9 oitenta mil oper\u00e1rias e de zero a quatrocentos zang\u00f5es (Abelhas, 2010).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Cada colmeia deve ter apenas uma abelha rainha, portanto, quando nasce a primeira delas, ela destr\u00f3i as outras realeiras ou briga com as outras rainhas at\u00e9 que sobre apenas uma. A abelha rainha acasala ao seu 13\u00ba dia de vida, durante o voo nupcial que ocorre entre 10 a 20 metros do ch\u00e3o, no qual pode se acasalar com 8 ou at\u00e9 20 zang\u00f5es. Quanto maior a sua postura, maior ser\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de mel da col\u00f4nia. A abelha rainha est\u00e1 sempre cercada por pequeno grupo de oper\u00e1rias, respons\u00e1veis por aliment\u00e1-la com geleia real e limp\u00e1-la. Seu tempo de vida pode ser de at\u00e9 3 anos (Barbosa et al., 2007).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As abelhas oper\u00e1rias s\u00e3o respons\u00e1veis pelo trabalho de manuten\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia. Suas fun\u00e7\u00f5es podem variar de acordo com o seu tempo de vida, portanto do 1\u00ba ao 3\u00ba dia, elas realizam a limpeza da colmeia e de alv\u00e9olos. Do 4\u00ba ao 14\u00ba dia, as oper\u00e1rias passam a elaborar a geleia real para alimentarem a abelha rainha e as larvas. Do 14\u00ba ao 21\u00ba dia elas passam a produzir cera e a construir favos. A partir do 21\u00ba dia, as oper\u00e1rias podem realizar atividades fora da colmeia, coletando n\u00e9ctar, p\u00f3len, resina e \u00e1gua (Abelhas, 2010).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os zang\u00f5es s\u00e3o os machos da col\u00f4nia. As larvas que viram zang\u00f5es s\u00e3o criadas em alv\u00e9olos maiores, podendo levar cerca de 24 dias para se tornarem adultos. Eles t\u00eam fun\u00e7\u00e3o \u00fanica em cruzar com a rainha, portanto, n\u00e3o contribuem trabalhando. Quando h\u00e1 falta de alimento, as oper\u00e1rias podem expuls\u00e1-los ou mat\u00e1-los (Bomfim; Oliveira; Freitas, 2017).<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3376\" aria-describedby=\"caption-attachment-3376\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_03_produtos.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3376\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_03_produtos-300x131.jpg\" alt=\"Figura 3 - Ciclo de desenvolvimento da abelha Apis mellifera. Fonte: Embrapa Meio-Norte, (2003).\" width=\"300\" height=\"131\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_03_produtos-300x131.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_03_produtos-1024x447.jpg 1024w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_03_produtos-150x66.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_03_produtos-500x218.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_03_produtos.jpg 1122w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3376\" class=\"wp-caption-text\">Figura 3 &#8211; Ciclo de desenvolvimento da abelha Apis mellifera. Fonte: Embrapa Meio-Norte, (2003).<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Durante o ciclo de vida, as abelhas passam por algumas fases: ovo, larva, pupa e adulto (Figura 3). Geralmente, a abelha rainha inicia a postura ap\u00f3s o terceiro dia de sua fecunda\u00e7\u00e3o, depositando um ovo em cada alv\u00e9olo. Tr\u00eas dias depois, ocorre o nascimento da larva que fica posicionada no fundo do alv\u00e9olo. Durante essa fase, a larva passa por cinco est\u00e1gios de crescimento para trocar sua cut\u00edcula. No final da fase larval, a larva muda de posi\u00e7\u00e3o, se tornando reta e im\u00f3vel, e tece seu casulo. Na fase pupa j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel distinguir o corpo da abelha que passa por algumas mudan\u00e7as de colora\u00e7\u00e3o at\u00e9 atingir a fase adulta (Pereira et al., 2003).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Produtos Oriundos da Abelha Apis Mellifera<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As abelhas Apis mellifera contribuem com a apicultura, uma atividade de grande import\u00e2ncia para o homem do campo, lhe servindo como alternativa de ocupa\u00e7\u00e3o e renda. Os principais produtos obtidos atrav\u00e9s dessa atividade incluem cera, pr\u00f3polis, p\u00f3len ap\u00edcola, geleia real, apitoxina e o mel (Freitas; Kahn; Silva, 2004).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A cera de abelha \u00e9 um importante produto da colmeia, usada na constru\u00e7\u00e3o de favos que servir\u00e3o como dep\u00f3sito de alimento e desenvolvimento da prole. Atualmente, a cera tamb\u00e9m \u00e9 utilizada na ind\u00fastria, na farm\u00e1cia, na medicina e na fabrica\u00e7\u00e3o de diversos tipos de cosm\u00e9ticos (Silva et al., 2000).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A pr\u00f3polis \u00e9 um produto oriundo de subst\u00e2ncias resinosas, gomosas e bals\u00e2micas, colhidas pelas abelhas, de brotos, flores e exsudados de plantas, nas quais as abelhas acrescentam secre\u00e7\u00f5es salivares, cera e p\u00f3len para elabora\u00e7\u00e3o final do produto (Brasil, 2000). Sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica normalmente est\u00e1 relacionada com a flora de cada regi\u00e3o visitada pelas abelhas e com o per\u00edodo de coleta da resina. De maneira geral, inclui flavonoides, \u00e1cidos arom\u00e1ticos, terpen\u00f3ides e fenilpropan\u00f3ides, e \u00e1cidos graxos (Lustosa et al., 2008).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Pelas abelhas, a pr\u00f3polis \u00e9 usado para manter a colmeia livre de doen\u00e7as e para fechar as frestas e a entrada do ninho, assim evitando correntes de ar frio durante o inverno (Barbosa et al., 2007). J\u00e1 para os humanos, \u00e9 um produto utilizado em suplementos alimentares, como preventivo de enfermidades e em aplica\u00e7\u00f5es t\u00f3picas (Funari; Ferro, 2006).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O p\u00f3len coletado das flores \u00e9 essencial para a nutri\u00e7\u00e3o principalmente das larvas e das abelhas adultas. \u00c9 rico em prote\u00ednas, lip\u00eddeos, amido, a\u00e7\u00facar, v\u00e1rios minerais e vitaminas. Gra\u00e7as aos nutrientes liberados pela digest\u00e3o do p\u00f3len, metabolizado pelas c\u00e9lulas das gl\u00e2ndulas hipofaringeanas e mandibulares, as abelhas s\u00e3o capazes de produzir geleia real. Para os humanos, os benef\u00edcios incluem estimula\u00e7\u00e3o de bem-estar e vigor f\u00edsico, corre\u00e7\u00e3o de alimenta\u00e7\u00e3o deficiente e fortalecimento do organismo (Modro et al., 2007).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A geleia real \u00e9 produzida pelas abelhas oper\u00e1rias mais novas. Na colmeia, \u00e9 usada como alimento das crias e da abelha rainha, entretanto, \u00e9 produzida por apicultores a fim de comercializ\u00e1-la em natural, misturada com mel ou mesmo seca em tabletes. \u00c9 uma subst\u00e2ncia rica em prote\u00ednas, \u00e1gua, a\u00e7\u00facares, gorduras e vitaminas. Seu sabor \u00e9 \u00e1cido forte e possui colora\u00e7\u00e3o branco-leitosa. Tamb\u00e9m \u00e9 utilizada pelas ind\u00fastrias de produtos de beleza e medicamentos (Barbosa et al., 2007).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A apitoxina \u00e9 o veneno de abelha Apis mellifera. \u00c9 um l\u00edquido transparente, incolor e muito sol\u00favel em \u00e1gua. Possui cerca de cinquenta componentes identificados, sendo muitos deles t\u00f3xicos para v\u00e1rios animais. Entretanto, tamb\u00e9m possui efeitos ben\u00e9ficos uma vez que \u00e9 utilizado pelas abelhas como forma de defesa e prote\u00e7\u00e3o da colmeia, e tamb\u00e9m para o tratamento de eczemas, \u00falceras t\u00f3picas, infec\u00e7\u00f5es, problemas reumatol\u00f3gicos, cardiovasculares, pulmonares e ortop\u00e9dicos nos humanos (Modanesi, 2012).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Um dos produtos considerados mais puros da natureza \u00e9 o mel, derivado do n\u00e9ctar que \u00e9 coletado e transformado pelas abelhas. \u00c9 um alimento apreciado por seu sabor caracter\u00edstico e por seu consider\u00e1vel valor nutritivo (Just; Nespolo, 2010). De maneira geral, o mel de abelha \u00e9 composto por cerca de 40% de frutose, 20% de \u00e1gua, amino\u00e1cidos, vitaminas (\u00e1cido nicot\u00ednico, piridoxina e tiamina), enzimas (di\u00e1stase, invertase, catalase e glicose-oxidase), per\u00f3xido de hidrog\u00eanio e minerais (pot\u00e1ssio, ferro, magn\u00e9sio, f\u00f3sforo, cobre, zinco e c\u00e1lcio) (Alves et al., 2008).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O mel \u00e9 uma subst\u00e2ncia viscosa, arom\u00e1tica e a\u00e7ucarada, podendo ter o seu aroma, paladar, colora\u00e7\u00e3o, viscosidade e at\u00e9 mesmo as suas propriedades medicinais ligadas diretamente \u00e0 fonte de n\u00e9ctar que o originou e a esp\u00e9cie de abelha que o produziu (Carmargo; Pereira; Lopes, 2002).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Al\u00e9m de suas propriedades nutritivas, o mel tamb\u00e9m vem sendo utilizado desde os tempos antigos como rem\u00e9dio no tratamento de feridas agudas como as queimaduras e as lacera\u00e7\u00f5es, e de feridas cr\u00f4nicas como as \u00falceras (Jull; Rodgers; Walker, 2008).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Caracter\u00edsticas da pele e o processo de cicatriza\u00e7\u00e3o de feridas<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A pele \u00e9 o maior \u00f3rg\u00e3o do corpo humano, possuindo diversos tecidos, tipos celulares e estruturas especializadas, distribu\u00eddos em camadas interdependentes. \u00c9 um \u00f3rg\u00e3o de defesa e de revestimento externo, com capacidade de se adaptar \u00e0s varia\u00e7\u00f5es do meio ambiente e \u00e0s necessidades do organismo que protege, cobrindo-o em sua totalidade (Cestari, 2018).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As fun\u00e7\u00f5es da pele incluem percep\u00e7\u00e3o, termorregula\u00e7\u00e3o, secre\u00e7\u00e3o seb\u00e1cea e prote\u00e7\u00e3o, criando uma barreira que impede a penetra\u00e7\u00e3o de agentes externos e impede perdas de \u00e1gua, eletr\u00f3litos e outras subst\u00e2ncias do meio interno (Sampaio; Rivitti, 2014).<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3375\" aria-describedby=\"caption-attachment-3375\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_04_produtos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3375\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_04_produtos-300x215.jpg\" alt=\"Figura 4 - Camadas da pele. Fonte: Encyclopedia Britannica, Inc., (2010).\" width=\"300\" height=\"215\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_04_produtos-300x215.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_04_produtos-1024x735.jpg 1024w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_04_produtos-150x108.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_04_produtos-500x359.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fig_04_produtos.jpg 1125w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3375\" class=\"wp-caption-text\">Figura 4 &#8211; Camadas da pele. Fonte: Encyclopedia Britannica, Inc., (2010).<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A pele \u00e9 formada por epiderme e derme, suas por\u00e7\u00f5es epitelial e conjuntiva, respectivamente (Figura 4). Abaixo da derme encontra-se a hipoderme ou tecido celular subcut\u00e2neo, entretanto a hipoderme n\u00e3o faz parte da pele, apenas a une com os \u00f3rg\u00e3os subjacentes (Junqueira; Carneiro, 2008).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A epiderme \u00e9 a camada epitelial da superf\u00edcie, que est\u00e1 em contato com o ambiente externo. Invagina\u00e7\u00f5es desta camada produzem gl\u00e2ndulas sudor\u00edparas, fol\u00edculos pilosos e outros anexos epid\u00e9rmicos. A derme \u00e9 uma camada m\u00e9dia de sustenta\u00e7\u00e3o que cont\u00e9m os anexos cut\u00e2neos, vasos sangu\u00edneos, nervos e terminais nervosos. A subcut\u00e2nea \u00e9 a camada mais profunda, que varia em tamanho e em conte\u00fado, sendo, em geral, composta principalmente de tecido adiposo (Stevens; Lowe, 1997).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Uma ferida \u00e9 representada pela interrup\u00e7\u00e3o da continuidade de um tecido corp\u00f3reo, em maior ou em menor extens\u00e3o, causada por qualquer tipo de trauma f\u00edsico, qu\u00edmico, mec\u00e2nico ou desencadeada por uma afec\u00e7\u00e3o cl\u00ednica (Brito et al., 2013).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O processo de cicatriza\u00e7\u00e3o de uma ferida passa por determinadas etapas como: coagula\u00e7\u00e3o, inflama\u00e7\u00e3o, prolifera\u00e7\u00e3o, contra\u00e7\u00e3o da ferida e remodelamento (Mandelbaum; Santis, 2003).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A coagula\u00e7\u00e3o se inicia logo ap\u00f3s o surgimento da les\u00e3o e subst\u00e2ncias vasoativas, prote\u00ednas adesivas, fatores de crescimento e proteases s\u00e3o liberadas para determinar as pr\u00f3ximas fases. Ocorre uma vasoconstri\u00e7\u00e3o a fim de minimizar a hemorragia (Paganela Et Al., 2009).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A fase inflamat\u00f3ria ocorre, tamb\u00e9m, logo ap\u00f3s o surgimento da les\u00e3o, por\u00e9m, t\u00eam dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas dias. Nesta fase, a migra\u00e7\u00e3o sequencial das c\u00e9lulas para a ferida \u00e9 facilitada por mediadores bioqu\u00edmicos que aumentam a permeabilidade vascular, favorecendo a exsuda\u00e7\u00e3o plasm\u00e1tica e a passagem de elementos celulares para a \u00e1rea da ferida (Tazima; Vicente; Moriya, 2008).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A fase proliferativa inicia-se por volta do terceiro dia ap\u00f3s a les\u00e3o, perdura por duas a tr\u00eas semanas e \u00e9 o marco inicial da forma\u00e7\u00e3o da cicatriz (Tazima; Vicente; Moriya, 2008). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Essa fase \u00e9 representada pela reepiteliza\u00e7\u00e3o, angiog\u00eanese e fibroplasia. A reepiteliza\u00e7\u00e3o permite reconstituir a integridade da permeabilidade da epiderme, enquanto a angiog\u00eanese \u00e9 um processo de reconstru\u00e7\u00e3o da derme caracterizado pela forma\u00e7\u00e3o de tecido de granula\u00e7\u00e3o. A etapa da fibroplasia inclui a s\u00edntese de col\u00e1geno e prote\u00ednas da matriz extracelular, envolvendo a migra\u00e7\u00e3o e prolifera\u00e7\u00e3o dos fibroblastos para o co\u00e1gulo de fibrina formado precocemente no processo de cicatriza\u00e7\u00e3o (Laureano; Rodrigues, 2011).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A contra\u00e7\u00e3o das paredes marginais da les\u00e3o \u00e9 realizada pelos fibroblastos ativados, os quais se diferenciam em miofibroblastos. Os miofibroblastos cont\u00eam fibras intracelulares de actina e miosina e formam fibronexus com a matriz extracelular e outras c\u00e9lulas dentro da cavidade da les\u00e3o (Paganela et al., 2009).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Finalizado a cicatriza\u00e7\u00e3o, temos a fase do remodelamento com dura\u00e7\u00e3o de meses. Ocorre no col\u00e1geno e na matriz. Os elementos reparativos da cicatriza\u00e7\u00e3o s\u00e3o transformados em tecido maduro de caracter\u00edsticas bem diferenciadas, portanto, h\u00e1 um aumento da for\u00e7a de tens\u00e3o e diminui\u00e7\u00e3o do tamanho da cicatriz e do eritema (Oliveira; Dias, 2012).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A cicatriza\u00e7\u00e3o de feridas pode ser afetada por fatores end\u00f3genos (fisiopatol\u00f3gicos) ou fatores ex\u00f3genos (microrganismos). O risco de infec\u00e7\u00e3o aumenta \u00e0 medida que as condi\u00e7\u00f5es locais favorecem a invas\u00e3o bacteriana e crescimento (Al-Waili; Salom; Al-Ghamdi, 2011).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os antibi\u00f3ticos sist\u00eamicos s\u00e3o uma op\u00e7\u00e3o para os pacientes com feridas, principalmente aqueles com queimaduras que s\u00e3o os mais suscept\u00edveis a infec\u00e7\u00e3o, entretanto, t\u00eam baixa taxa de penetra\u00e7\u00e3o em tecido morto e pode causar resist\u00eancia. Existem muitos antiss\u00e9pticos dispon\u00edveis para tratamento t\u00f3pico, mas com efeitos prejudiciais ao processo de cicatriza\u00e7\u00e3o (Boekema; Pool; Ulrich, 2012).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>A Utiliza\u00e7\u00e3o Do Mel Na Cicatriza\u00e7\u00e3o De Feridas<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">De acordo com Mathews e Binnington (2002) existem diversos documentos relatando a efic\u00e1cia do mel na cicatriza\u00e7\u00e3o de feridas e v\u00e1rios estudos indicam que o mel parece ser superior a muitos m\u00e9todos modernos de tratamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O mel rapidamente desodoriza feridas e as desbrida com facilidade, estimula o crescimento epitelial, minimiza a forma\u00e7\u00e3o de cicatriz, reduz a inflama\u00e7\u00e3o, o edema e a quantidade de exsudato, al\u00e9m de ter efeito \u201ccalmante\u201d quando aplicado sobre feridas (Molan, 2014).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Bangroo, Khatri e Chauhan (2005, p. 172) explicam que v\u00e1rios pesquisadores j\u00e1 demonstraram que o mel possui uma atividade antibacteriana contra v\u00e1rios microrganismos, incluindo bact\u00e9rias Gram-positivas e Gram-negativas. Essa atividade antibacteriana se deve principalmente a subst\u00e2ncias como o per\u00f3xido de hidrog\u00eanio, flavonoides e \u00e1cidos fen\u00f3licos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O efeito antibacteriano do mel \u00e9 baseado em v\u00e1rios mecanismos. O per\u00f3xido de hidrog\u00eanio \u00e9 produzido pela enzima glicose-oxidase quando o mel \u00e9 dilu\u00eddo pelo exsudato da ferida. O per\u00f3xido de hidrog\u00eanio ativa os neutr\u00f3filos e ent\u00e3o s\u00e3o ativados genes que produzem citocinas respons\u00e1veis pelo fortalecimento da resposta inflamat\u00f3ria em recruta e ativa\u00e7\u00e3o de leuc\u00f3citos (Vandamme et al., 2013).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Al\u00e9m disso, o mel \u00e9 respons\u00e1vel por criar um ambiente com baixo teor de \u00e1gua, ou seja, com alta osmolaridade uma vez que o plasma e a linfa migram do tecido para a solu\u00e7\u00e3o e inibem o crescimento bacteriano por diminui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua (Rodr\u00edguez, 2011).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os compostos fen\u00f3licos e os flavonoides t\u00eam propriedades captadoras de radicais livres, servindo como bons antioxidantes. Ainda conferem atividades antivirais, antibacterianas e anti-inflamat\u00f3rias (Oliveira Et Al., 2012).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Outro fator que contribui para a atividade bactericida do mel \u00e9 o seu pH baixo (Kwakman et al., 2010). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Com pH entre 3,2 a 4,5 o mel inibe ainda mais o crescimento de microrganismos, pois o crescimento ideal para a maioria deles deve ser de 7,2 a 7,4 (Vandamme et al., 2013).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As prostaglandinas s\u00e3o mediadoras da inflama\u00e7\u00e3o e da dor. S\u00e3o consideradas como imunossupressores, podendo diminuir muitos aspectos das fun\u00e7\u00f5es dos linf\u00f3citos B e T. O mel natural pode conter mat\u00e9rias-primas que inibem a s\u00edntese de prostaglandinas, assim explicando muitos dos efeitos biol\u00f3gicos e terap\u00eauticos do mel, principalmente aqueles relacionados \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o, dor, imunidade e cicatriza\u00e7\u00e3o de feridas. Ainda, sugere-se que o aumento da produ\u00e7\u00e3o de anticorpos ocorre devido a inibi\u00e7\u00e3o das prostaglandinas realizada pelo mel (Al- Waili; Salom; Al-Ghamdi, 2011).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A propriedade antibacteriana do mel tem sido o foco quanto ao seu uso na cicatriza\u00e7\u00e3o de feridas, por isso, sugere-se que mais estudos sejam realizados sobre outros poss\u00edveis componentes do mel (Song; Salcido, 2011).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A partir das literaturas pesquisadas para a realiza\u00e7\u00e3o deste trabalho, foi poss\u00edvel constatar que as abelhas, especialmente a Apis mel\u00edfera, s\u00e3o seres extremamente importantes para o planeta. Chamadas de abelhas sociais devido a sua forma de viver em grupos, as abelhas s\u00e3o capazes de produzir subst\u00e2ncias para a sobreviv\u00eancia, mas tamb\u00e9m para o usufruto dos seres humanos. O maior exemplo disso \u00e9 o mel e a pr\u00f3polis, subst\u00e2ncias comumente utilizadas como suplemento aliment\u00edcio e para fins medicinais. Por\u00e9m, ainda existem outras op\u00e7\u00f5es como o p\u00f3len ap\u00edcola, cera, apitoxina e a geleia real, que fazem parte do processo de sobreviv\u00eancia das abelhas e entram como produtos utilizados por ind\u00fastrias de produtos de beleza, farmac\u00eautico e aliment\u00edcio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O mel vem sendo utilizado para fins medicinais h\u00e1 muitos anos e, um de seus pap\u00e9is mais importantes, \u00e9 na cicatriza\u00e7\u00e3o de feridas. A sua composi\u00e7\u00e3o favorece ao efeito antibacteriano, de maneira que se aplicado corretamente sobre as feridas, pode apresentar uma melhora na desodoriza\u00e7\u00e3o, desbridamento e na cicatriza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de estimular o crescimento epitelial e reduzir a inflama\u00e7\u00e3o, o edema e a quantidade de exsudato.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Al\u00e9m de todos os itens produzidos pelas abelhas e que s\u00e3o utilizados tamb\u00e9m pelos humanos, \u00e9 importante ressaltar que \u00e9 apenas um pouco do que as abelhas s\u00e3o capazes de fazer pelo mundo. Elas possuem uma capacidade incompar\u00e1vel de realizar a poliniza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o processo de retirada do p\u00f3len de uma flor para outra, permitindo a fecunda\u00e7\u00e3o das flores para que haja o surgimento de novos frutos. Sem esse processo, muitos alimentos deixariam de existir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Entretanto, a grande parte dos estudos realizados sobre a import\u00e2ncia das abelhas e de seus produtos s\u00e3o trabalhos antigos, o que sugere que novos estudos sejam feitos a fim de se obter cada vez mais informa\u00e7\u00f5es sobre seus benef\u00edcios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Abelhas Apis mellifera: instala\u00e7\u00e3o do api\u00e1rio. 2. ed. Bras\u00edlia: SENAR, 2010. 80 p.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Alves, D. F. S.; Cabral J\u00fanior, F. C.; Cabral, P. P. A. C.; Oliveira Junior, R. M.; Rego, A. C. M.; Medeiros, A. C. Efeitos da aplica\u00e7\u00e3o t\u00f3pica do mel de Melipona subnitida em feridas infectadas de ratos. Revista do col\u00e9gio brasileiro de cirurgi\u00f5es, Natal, p. 188-193, 2008. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/rcbc\/v35n3\/a10v35n3.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/rcbc\/v35n3\/a10v35n3.pdf<\/a>. Acesso em: 14 ago. 2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Al-Waili, N. S.; Salom, K.; Al-Ghamdi, A. A. Honey for wound healing, ulcers, and burns: data supporting its use un clinical practice. The scientific world journal, [S. l.], p. 766-787, abril 2011. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/pdfs.semanticscholar.org\/58dd\/8fcf0720e0c0736cfed2f73b81525b3fe532.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pdfs.semanticscholar.org\/58dd\/8fcf0720e0c0736cfed2f73b81525b3fe532.pdf<\/a>. Acesso em: 13 ago.2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Bangroo, A. K.; Khatri, R.; Chauhan, S. Honey dressing in pediatric burns. Journal of Indian association of pediatric surgeons, [S. l.], v. 10, p. 172-175, julho\/setembro 2005. 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