{"id":3298,"date":"2019-12-11T20:30:33","date_gmt":"2019-12-11T20:30:33","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=3298"},"modified":"2019-12-11T20:30:33","modified_gmt":"2019-12-11T20:30:33","slug":"artigo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-154-novembro-de-2019\/artigo\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">DIETAS PROTEICAS \u00c0 BASE DE SOJA PARA ABELHAS SEM FERR\u00c3O: EFEITOS SOBRE AS COL\u00d4NIAS, CUIDADOS E BOAS PR\u00c1TICAS<\/h1>\n<blockquote><p>Autores: Jamille Veiga (<a href=\"mailto:jal.cveiga@gmail.com\">jal.cveiga@gmail.com<\/a>), Joyce Teixeira, Ana Carolina Queiroz, Kamila Le\u00e3o, Felipe Contrera, Felipe Domingues, Jos\u00e9 Eraldo Fontes, Thiago Lopes, Anita Marsaioli e Cristiano Menezes.<br \/>\nInstitui\u00e7\u00f5es: Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental, Embrapa Meio Ambiente, Universidade Federal do Par\u00e1 e Unicamp.<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As abelhas sem ferr\u00e3o enfrentam ciclos anuais de abund\u00e2ncia e escassez de alimentos, de maneira que a disponibilidade desses recursos depende da distribui\u00e7\u00e3o das plantas no ambiente e do seu per\u00edodo de flora\u00e7\u00e3o (Aleixo et al., 2017). Na natureza, as col\u00f4nias lidam com esses ciclos coletando o m\u00e1ximo poss\u00edvel das ofertas peri\u00f3dicas, assim formando seus estoques de mel (fonte de carboidratos) e de p\u00f3len (fonte de prote\u00ednas e sais minerais) para as futuras gera\u00e7\u00f5es (Veiga et al., 2013).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">No contexto da meliponicultura, os desafios s\u00e3o ainda maiores. Nesse cen\u00e1rio, muitas col\u00f4nias s\u00e3o criadas no mesmo local \u2013 o melipon\u00e1rio \u2013 e assim s\u00e3o estimuladas a disputar entre si os poucos recursos dispon\u00edveis na paisagem ao redor. Al\u00e9m disso, o pr\u00f3prio manejo interfere nessa din\u00e2mica de estoque de recursos, a exemplo da colheita de mel e da multiplica\u00e7\u00e3o de ninhos: ambas a\u00e7\u00f5es que reduzem \u00e0 metade, ou mais, os estoques de alimento em uma col\u00f4nia (Kerr et al., 1996; Nogueira-Neto, 1997). A intera\u00e7\u00e3o entre (i) varia\u00e7\u00e3o anual da disponibilidade de alimento, (ii) adensamento de col\u00f4nias em melipon\u00e1rios, e (iii) manejo de col\u00f4nias para a produ\u00e7\u00e3o, pode resultar em baixos estoques alimentares \u2013 possivelmente reduzindo a produ\u00e7\u00e3o de alimento larval, e a quantidade de alimento para a rainha e as oper\u00e1rias jovens (Cruz-Landim, 2009) \u2013 afetando diretamente o desenvolvimento e a sa\u00fade das col\u00f4nias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Como uma alternativa para garantir a alimenta\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia em situa\u00e7\u00e3o de pouca oferta, surgiram as dietas artificiais. A ideia seria fornecer uma alimenta\u00e7\u00e3o artificial que ajudasse as col\u00f4nias a atravessarem o per\u00edodo de escassez, e os meliponicultores a manterem o seu plantel. As t\u00e9cnicas variam, cada uma delas com foco no fornecimento extra de nutrientes, principalmente carboidratos ou prote\u00ednas. O uso de xarope de \u00e1gua com a\u00e7\u00facar em propor\u00e7\u00e3o 1:1 ou xarope de a\u00e7\u00facar invertido \u00e9 uma t\u00e9cnica bastante comum entre os criadores para a oferta de carboidratos (Nogueira-Neto, 1997; Pires et al., 2009). Enquanto para incremento do alimento proteico, costuma-se utilizar p\u00f3len natural congelado e\/ou dietas proteicas a base de vegetais, como macaxeira e soja (Venturieri et al., 2012; Ferreira et al., 2018). Estudos anteriores mostram que as dietas artificiais proteicas a base de extrato de soja apresentam um bom potencial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Com base nisso, dois estudos publicados esse ano mostraram que as dietas artificiais proteicas s\u00e3o uma alternativa vi\u00e1vel para alimentar col\u00f4nias de abelhas sem ferr\u00e3o (Queiroz et al., 2019; Teixeira et al., 2019). Os estudos foram realizados pela Embrapa, em colabora\u00e7\u00e3o com parceiros da Universidade Federal do Par\u00e1 e da Unicamp, e podem ser lidos integralmente nas revistas cient\u00edficas Sociobiology e Journal of Apicultural Research.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>O Que Quer\u00edamos Saber?<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Pergunta n\u00ba1: Como \u00e9 a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do p\u00f3len das abelhas sem ferr\u00e3o? Uma dieta artificial proteica tem composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica parecida ou diferente? <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Pergunta n\u00ba2: Qual o efeito da dieta artificial no tamanho e na sobreviv\u00eancia dos indiv\u00edduos em compara\u00e7\u00e3o a uma dieta natural?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Pergunta n\u00ba3: Qual o efeito da dieta artificial na longevidade de indiv\u00edduos em compara\u00e7\u00e3o a uma dieta natural?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Como Fizemos?<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Escolhemos como esp\u00e9cies de estudo a Uru\u00e7u-amarela (Melipona flavolineata, Figura 1) e a abelha Canudo (Scaptotrigona aff. postica, Figura 2): abelhas sem ferr\u00e3o de import\u00e2ncia econ\u00f4mica na regi\u00e3o norte do Brasil, tanto para a produ\u00e7\u00e3o de mel, quanto para a poliniza\u00e7\u00e3o de plantas silvestres e cultivos agr\u00edcolas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"> Para responder \u00e0 primeira pergunta, comparamos a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do p\u00f3len natural com a composi\u00e7\u00e3o da dieta artificial \u00e0 base do extrato de soja, produzida a partir de uma receita padronizada (Figura 3). Para responder \u00e0 segunda pergunta, investigamos o efeito dessa dieta artificial no tamanho e na sobreviv\u00eancia de oper\u00e1rias, comparando indiv\u00edduos de col\u00f4nias com estoque de p\u00f3len, e indiv\u00edduos de col\u00f4nias com estoque de dieta artificial \u00e0 base de extrato de soja (foram utilizadas cinco col\u00f4nias para cada grupo). Para facilitar o rastreamento do uso do alimento artificial dentro do ninho, foi utilizada anilina, um corante para alimentos de cor verde (Figura 4). A compara\u00e7\u00e3o entre dietas e a avalia\u00e7\u00e3o de tamanho e sobreviv\u00eancia foram realizadas apenas para a esp\u00e9cie Uru\u00e7u-amarela.<\/span><\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-3298 gallery-columns-2 gallery-size-medium'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-1-Dietas.jpg'><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"213\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-1-Dietas-300x213.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-3299\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-1-Dietas-300x213.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-1-Dietas-150x106.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-1-Dietas-500x354.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-1-Dietas.jpg 748w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-3299'>\n\t\t\t\tFigura 1: Oper\u00e1ria de Uru\u00e7u-amarela (Melipona flavolineata) visitando flor de urucum (Bixa\norellana L.). Foto Cristiano Menezes.\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-2-Dietas.jpg'><img decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"229\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-2-Dietas-300x229.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-3300\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-2-Dietas-300x229.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-2-Dietas-150x115.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-2-Dietas-500x382.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-2-Dietas.jpg 748w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-3300'>\n\t\t\t\tFigura 2: Oper\u00e1ria de Canudo (Scaptotrigona aff. postica) visitando flor n\u00e3o identificada.\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Quadro-1-Dietas.jpg'><img decoding=\"async\" width=\"201\" height=\"300\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Quadro-1-Dietas-201x300.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Quadro-1-Dietas-201x300.jpg 201w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Quadro-1-Dietas-686x1024.jpg 686w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Quadro-1-Dietas-150x224.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Quadro-1-Dietas-335x500.jpg 335w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Quadro-1-Dietas.jpg 830w\" sizes=\"(max-width: 201px) 100vw, 201px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-4-Dietas.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"230\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-4-Dietas-300x230.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-3301\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-4-Dietas-300x230.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-4-Dietas-150x115.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-4-Dietas-500x384.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/figura-4-Dietas.jpg 747w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-3301'>\n\t\t\t\tFigura 4: Col\u00f4nia de Uru\u00e7u-amarela (Melipona flavolineata) alimentada com dieta artificial \u00e0\nbase de extrato de soja, colorida com anilina verde para rastreamento. a) Interior do ninho de\nUru\u00e7u-Amarela, apresentando a \u00e1rea de cria no centro, com potes de alimento e cerume ao redor.\nNa imagem, aparecem duas oper\u00e1rias e a rainha. b) C\u00e9lula de cria aprovisionada. c) Ovo rec\u00e9m-\novipositado sobre alimento larval. d) Uma larva que ingeriu alimento larval. O rastreamento por\nmeio de corante sugere que o alimento larval foi produzido \u00e0 partir da dieta artificial \u00e0 base de\nextrato de soja, e que este foi ingerido normalmente pelos membros da col\u00f4nia.\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n<p><span style=\"font-size: large;\">Por fim, para responder \u00e0 terceira pergunta, investigamos o efeito da dieta artificial na longevidade de grupos de oper\u00e1rias. Esta avalia\u00e7\u00e3o foi realizada em ambas as esp\u00e9cies. Para cada uma, foram utilizadas 200 abelhas oper\u00e1rias, formando-se 10 grupos de 20 indiv\u00edduos, em que cinco foram alimentados com p\u00f3len, e os outros cinco grupos, alimentados com dieta artificial \u00e0 base de extrato de soja.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>O Que Encontramos?<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O alimento artificial apresentou composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica bem diferente do alimento natural. Foi mais rico em carboidratos e lip\u00eddios, por\u00e9m mais pobre em prote\u00ednas em compara\u00e7\u00e3o com o p\u00f3len natural (Tabela 1). Apesar dessa diferen\u00e7a na composi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o encontramos diferen\u00e7a na sobreviv\u00eancia da cria que ingeriu a dieta artificial. Contudo, encontramos diferen\u00e7as no tamanho de oper\u00e1rias e na longevidade dos indiv\u00edduos. Se por um lado, oper\u00e1rias de M. flavolineata alimentadas com dieta artificial apresentaram um tamanho corporal em m\u00e9dia 5% maior que oper\u00e1rias do grupo controle (Tabela 1), por outro, abelhas adultas alimentadas exclusivamente com a dieta artificial viveram em m\u00e9dia 9 dias a menos que as abelhas que ingeriram p\u00f3len natural (Tabela 2). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A redu\u00e7\u00e3o na longevidade tamb\u00e9m foi observada em S. aff postica, de forma que oper\u00e1rias alimentadas com a dieta artificial viveram em m\u00e9dia 17 dias a menos (Tabela 2).<\/span><\/p>\n<div id='gallery-2' class='gallery galleryid-3298 gallery-columns-1 gallery-size-large'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Tabela-1-Dietas.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"316\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Tabela-1-Dietas-1024x316.jpg\" class=\"attachment-large size-large\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-2-3303\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Tabela-1-Dietas-1024x316.jpg 1024w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Tabela-1-Dietas-300x93.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Tabela-1-Dietas-150x46.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Tabela-1-Dietas-500x154.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Tabela-1-Dietas.jpg 1140w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-2-3303'>\n\t\t\t\tTabela 1 \u2013 O que esperar de uma dieta artificial \u00e0 base de extrato de soja? Nessa compara\u00e7\u00e3o, a dieta natural \u00e0 base de p\u00f3len da esp\u00e9cie \u00e9\nconsiderada como o ponto de refer\u00eancia (controle). Os dados referem-se apenas \u00e0 esp\u00e9cie Uru\u00e7u-amarela (Melipona flavolineata).\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Tabela-2-Dietas.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"283\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Tabela-2-Dietas-1024x283.jpg\" class=\"attachment-large size-large\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-2-3304\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Tabela-2-Dietas-1024x283.jpg 1024w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Tabela-2-Dietas-300x83.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Tabela-2-Dietas-150x41.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Tabela-2-Dietas-500x138.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Tabela-2-Dietas.jpg 1141w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-2-3304'>\n\t\t\t\tTabela 2 \u2013 Qual o impacto da dieta artificial \u00e0 base de extrato de soja sobre a longevidade das abelhas oper\u00e1rias? Longevidade m\u00e9dia em dias\n(\u00b1 erro padr\u00e3o) para as abelhas Canudo (Scaptotrigona aff. postica) e Uru\u00e7u-amarela (Melipona flavolineata) submetidas aos tratamentos p\u00f3len\n(controle) e soja (experimento).\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Qual A Import\u00e2ncia Desses Resultados?<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Nossos resultados s\u00e3o importantes porque mostram que uma dieta proteica artificial \u00e0 base de extrato de soja pode ser utilizada com sucesso em duas esp\u00e9cies de abelhas sem ferr\u00e3o. Al\u00e9m disso, mostram que a dieta artificial n\u00e3o substitui plenamente o p\u00f3len natural &#8211; dificilmente encontraremos uma dieta artificial perfeita. Apesar disso, dietas artificiais podem suprir requerimentos nutricionais das col\u00f4nias de abelhas sem ferr\u00e3o em circunst\u00e2ncias adversas, por exemplo: em per\u00edodos de escassez de flores, em situa\u00e7\u00f5es de grande adensamento de colmeias, em locais com pasto ap\u00edcola deficiente, tais como ambientes urbanos e rurais degradados (Nogueira-Neto, 1997; Vollet-Neto et al., 2018). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A receita pode ser usada para formular dietas para outras esp\u00e9cies de abelhas sem ferr\u00e3o, desde que se use o p\u00f3len natural da esp\u00e9cie de interesse, e que se fa\u00e7a um teste preliminar de aceita\u00e7\u00e3o da dieta na col\u00f4nia (Costa &amp; Venturieri, 2009; Pires et al., 2009). Para formula\u00e7\u00f5es futuras, precisamos reduzir a quantidade de a\u00e7\u00facar e lip\u00eddios na receita, e procurar ingredientes que aumentem o teor de prote\u00ednas. Isso contribuir\u00e1 para que as dietas artificiais se aproximem cada vez mais das caracter\u00edsticas do alimento natural.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Mesmo fazendo manejo adequado das col\u00f4nias e utilizando dietas artificiais, destacamos que, para obter sucesso, os criadores de abelhas precisam investir em pasto ap\u00edcola, atrav\u00e9s do plantio de \u00e1rvores, para aumentar a oferta de alimento natural ao longo do ano, especialmente as esp\u00e9cies de plantas que florescem no per\u00edodo de entressafra. Essa simples atitude contribuir\u00e1 com o aumento da produtividade das popula\u00e7\u00f5es manejadas, e tamb\u00e9m ajudar\u00e1 na conserva\u00e7\u00e3o popula\u00e7\u00f5es silvestres.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Cuidados Necess\u00e1rios No Uso Das Dietas Artificiais Proteicas<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Apesar de a alimenta\u00e7\u00e3o artificial ser uma alternativa importante para a meliponicultura, tamb\u00e9m pode se tornar um pesadelo para a sua cria\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 uma via para a transmiss\u00e3o de doen\u00e7as. Como boas pr\u00e1ticas para o uso dessa alternativa, temos tr\u00eas recomenda\u00e7\u00f5es fundamentais para os meliponicultores:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Nunca utilize p\u00f3len de outras esp\u00e9cies para promover a fermenta\u00e7\u00e3o da dieta artificial. Enquanto n\u00e3o sabemos como os microrganismos ben\u00e9ficos de uma esp\u00e9cie de abelha podem afetar a sa\u00fade de uma outra, a melhor op\u00e7\u00e3o \u00e9 evitar! As consequ\u00eancias podem ser desastrosas e irrevers\u00edveis para a sua cria\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Evite utilizar p\u00f3len de Apis mellifera na formula\u00e7\u00e3o da dieta, pois as doen\u00e7as que afetam essa abelha podem ser transmitidas para as abelhas sem ferr\u00e3o. Caso o p\u00f3len de A. mellifera seja a \u00fanica alternativa dispon\u00edvel, ferva a mistura pastosa (p\u00f3len + xarope), e deixe-a esfriar naturalmente. Esse procedimento poder\u00e1 reduzir as chances de contamina\u00e7\u00e3o, mas pode n\u00e3o ser suficiente para eliminar todos os tipos de doen\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Seja sempre cauteloso! Como afirmamos anteriormente, ainda s\u00e3o necess\u00e1rios mais estudos sobre as vias de contamina\u00e7\u00e3o entre col\u00f4nias e entre esp\u00e9cies de abelhas. Por essas raz\u00f5es, recomendamos cuidados redobrados na transfer\u00eancia de p\u00f3len, mel e outros materiais biol\u00f3gicos entre esp\u00e9cies diferentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Bibliografia Consultada<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Aleixo, K.P., Menezes, C., Imperatriz Fonseca, V.L. &amp; da Silva, C.I. (2017) Seasonal availability of floral resources and ambient temperature shape stingless bee foraging behavior (Scaptotrigona aff. depilis). Apidologie, 48, 117\u2013127.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Costa, L. &amp; Venturieri, G.C. (2009) Diet impacts on Melipona flavolineata workers (Apidae, Meliponini). Journal of Apicultural Research..<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Cruz-Landim, C. (2009) Abelhas: Morfologia e Fun\u00e7\u00e3o de Sistemas. Editora UNESP, S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Ferreira, J.C.B., Queiroz, A.C.M., Andrade, A.A. &amp; Veiga, J.C. (2018) Nutri\u00e7\u00e3o de abelhas sem ferr\u00e3o: uma revis\u00e3o sobre a alimenta\u00e7\u00e3o proteica complementar como alternativa no per\u00edodo de escassez da regi\u00e3o amaz\u00f4nica. In Anais XXII Congresso Brasileiro de Apciultura e VII Congresso Brasileiro de Meliponicultura p. 313.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Kerr, W.E., Carvalho, G.A., Nascimento, V.A. &amp; Bego, L.R. (1996) Abelha uru\u00e7u: biologia, manejo e conserva\u00e7\u00e3o2a. Editora Liber Liber, Belo Horizonte, MG.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Nogueira-Neto, P. (1997) Vida e cria\u00e7\u00e3o de abelhas ind\u00edgenas sem ferr\u00e3o. Nogueirapis, S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Pires, N.V.C.R., Venturieri, G.C. &amp; Contrera, F.A.L. (2009) Elabora\u00e7\u00e3o de uma dieta artificial prot\u00e9ica para Melipona fasciculata. Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental, Bel\u00e9m, PA.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Queiroz, A.C.M., Le\u00e3o, K.L., Teixeira, J.C.S., Contrera, F.A.L. &amp; Menezes, C. (2019) Stingless bees fed on fermented soybean-extract-based diet had reduced lifespan than pollen-fed workers. Sociobiology, 66, 107\u2013112.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Teixeira, J., Queiroz, A.C., Veiga, J., Le\u00e3o, K., Contrera, F., Domingues, F., et al. (2019) Soy extract as protein replacement to feed Melipona flavolineata Friese (Hymenoptera, Apidae, Meliponini). Journal of Apicultural Research. Taylor &amp; Francis.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Veiga, J.C.C., Menezes, C., Venturieri, G.C.C. &amp; Contrera, F.A.L.A.L. (2013) The bigger, the smaller: relationship between body size and food stores in the stingless bee Melipona flavolineata. Apidologie, 44, 324\u2013333.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Venturieri, G.C., Alves, D.A., Villas-B\u00f4as, J.K., Carvalho, C.A.L. de, Menezes, C., Vollet-Neto, A., et al. (2012) Meliponicultura no Brasil: situa\u00e7\u00e3o atual e perspectivas futuras para o uso na poliniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. In Polinizadores no Brasil: Contribui\u00e7\u00e3o e Perspectivas para a Biodiversidade, Uso Sustent\u00e1vel, Conserva\u00e7\u00e3o e Servi\u00e7os Ambientais (eds V.L. Imperatriz-fonseca, D.A.L. Canhos, D. de A. Alves &amp; A.M. Saraiva), p. 4881a. Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Vollet-Neto, A., Blochtein, B., Viana, B.F., dos Santos, C.F., Menezes, C., Nunes-Silva, P., et al. (2018) Desafios e recomenda\u00e7\u00f5es para o manejo e transporte de polinizadores. A.B.E.L.H.A., S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DIETAS PROTEICAS \u00c0 BASE DE SOJA PARA ABELHAS SEM FERR\u00c3O: EFEITOS SOBRE AS COL\u00d4NIAS, CUIDADOS E BOAS PR\u00c1TICAS Autores: Jamille Veiga (jal.cveiga@gmail.com), Joyce Teixeira, Ana Carolina Queiroz, Kamila Le\u00e3o, Felipe [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"parent":3244,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"pmpro_default_level":"","_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"class_list":["post-3298","page","type-page","status-publish","hentry","pmpro-has-access"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3298"}],"collection":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3298"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3298\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3306,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3298\/revisions\/3306"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3244"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}