{"id":2996,"date":"2019-06-18T20:53:38","date_gmt":"2019-06-18T20:53:38","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=2996"},"modified":"2019-06-18T21:03:13","modified_gmt":"2019-06-18T21:03:13","slug":"artigo-8","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-151-maio-de-2019\/artigo-8\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">A meliponicultura \u00e9 um campo f\u00e9rtil para empreendedores brasileiros<\/h1>\n<blockquote><p>Cristiano Menezes \u2013 Embrapa Meio Ambiente \u2013 <a href=\"mailto:cristiano.menezes@embrapa.br\">cristiano.menezes@embrapa.br<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O Brasil \u00e9 o pa\u00eds com a maior biodiversidade do mundo e nos esfor\u00e7amos muito para n\u00e3o a perder. Agricultores deixam de plantar em determinadas partes das suas propriedades. Empresas investem seu capital em tecnologias para reduzir o impacto de suas atividades. O estado brasileiro investe bilh\u00f5es anualmente na conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Consumidores pagam mais caro por produtos que s\u00e3o amigos da natureza. \u00c9 um esfor\u00e7o muito grande para um pa\u00eds em desenvolvimento, com tantas mazelas para resolver. Mas por que fazemos isso?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O primeiro grande benef\u00edcio \u00e9 o que chamamos de servi\u00e7os ambientais ou servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. S\u00e3o os servi\u00e7os que a natureza oferece ao homem gratuitamente e na maioria das vezes discretamente. Por isso, muitas vezes s\u00f3 o percebemos quando o perdemos. O fornecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel, a ciclagem de nutrientes no solo, a regularidade no regime de chuvas, a absor\u00e7\u00e3o do carbono livre na atmosfera, a preven\u00e7\u00e3o da eros\u00e3o do solo, a poliniza\u00e7\u00e3o da agricultura, o fornecimento de alimentos e mat\u00e9rias-primas, a purifica\u00e7\u00e3o do ar, s\u00e3o todos exemplos de benef\u00edcios que os ecossistemas fornecem ao homem. Ent\u00e3o, preservar a natureza j\u00e1 se justifica porque significa preservar diretamente os servi\u00e7os que ela nos fornece e dos quais somos altamente dependentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Mas tem uma outra boa justificativa para preservar a nossa biodiversidade e que pode ser o grande trunfo para o Brasil se tornar um pa\u00eds de primeiro mundo. \u00c9 ali que est\u00e3o as oportunidades para gera\u00e7\u00e3o de ativos biotecnol\u00f3gicos para o futuro. \u00c9 ali que est\u00e3o os rem\u00e9dios e os cosm\u00e9ticos do futuro, os produtos para controle de pragas do futuro, os alimentos funcionais e diferenciados que alimentar\u00e3o o mundo no futuro. Por isso, o primeiro passo \u00e9 a preserva\u00e7\u00e3o da nossa biodiversidade, para em seguida poder estud\u00e1-la e finalmente gerar produtos e servi\u00e7os que beneficiem a sociedade e gerem riquezas para o Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">E o que a meliponicultura tem a ver com tudo isso? A meliponicultura \u00e9 um exemplo perfeito para mostrar a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o da natureza e o tesouro que ela representa para o Brasil. N\u00f3s temos cerca da metade de toda a diversidade de abelhas sem ferr\u00e3o conhecida no mundo (cerca de 240 esp\u00e9cies conhecidas), inclusive muitas ainda a serem descritas. N\u00f3s temos diversas esp\u00e9cies fant\u00e1sticas do ponto de vista zoot\u00e9cnico, com grande potencial para serem criadas em larga escala. E muitas s\u00e3o exclusivas, ou seja, s\u00f3 n\u00f3s as temos. Al\u00e9m disso, cada esp\u00e9cie de abelha possui peculiaridades e gera produtos \u00fanicos, de modo que cada uma pode ser aproveitada para finalidades espec\u00edficas, com forte car\u00e1ter regional. Enfim, o potencial \u00e9 enorme e praticamente inexplorado, representando um campo muito promissor para empreendedores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Isso n\u00e3o significa, contudo, que \u00e9 um caminho f\u00e1cil. O universo que envolve a meliponicultura ainda est\u00e1 em forma\u00e7\u00e3o e o retorno ainda \u00e9 incerto. A atividade ainda sofre com desafios t\u00e9cnico-cient\u00edficos que precisam ser superados para atingir escala comercial. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso muita paci\u00eancia e resili\u00eancia para superar os entraves burocr\u00e1ticos inerentes a uma atividade que at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s era invis\u00edvel para os \u00f3rg\u00e3os reguladores. Mas como pode ser observado nos exemplos abaixo, j\u00e1 temos bons exemplos de pessoas bem-sucedidas em suas iniciativas.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2998\" aria-describedby=\"caption-attachment-2998\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Campo-fertil.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2998\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Campo-fertil-300x211.png\" alt=\"Figura 1: Diversidade de m\u00e9is de abelhas sem ferr\u00e3o. Cada esp\u00e9cie produz um produto \u00fanico, com sabor, cor e aromas peculiares.\" width=\"300\" height=\"211\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Campo-fertil-300x211.png 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Campo-fertil-150x105.png 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Campo-fertil-500x351.png 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Campo-fertil.png 748w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2998\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1: Diversidade de m\u00e9is de abelhas sem ferr\u00e3o. Cada esp\u00e9cie produz um produto \u00fanico, com sabor, cor e aromas peculiares.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Abaixo listo algumas das potencialidades econ\u00f4micas da meliponicultura com o objetivo de estimular a pesquisa e o desenvolvimento de produtos e servi\u00e7os nessas linhas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Mel<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O mel ainda \u00e9 o principal produto oriundo das abelhas sem ferr\u00e3o. O fato de ser mais aguado que o mel das abelhas africanizadas j\u00e1 seria suficiente para torn\u00e1-los diferenciados, mas tem muito mais coisas interessantes envolvidas com a qualidade e excepcionalidade do mel das abelhas sem ferr\u00e3o. Por exemplo, ao inv\u00e9s de estocar o mel em favos de cera pura, como ocorre nas abelhas africanizadas, ele \u00e9 estocado em potes feitos de cerume, uma mistura de cera com resinas de plantas. Esse pote funciona como um barril de carvalho na produ\u00e7\u00e3o de vinhos. Os aromas presentes no cerume s\u00e3o gradativamente transmitidos ao mel, adicionando sabores e propriedades \u00fanicas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os processos fermentativos que ocorrem naturalmente nos m\u00e9is de abelhas sem ferr\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o excepcionalidades que adicionam aromas e propriedades peculiares. Esse \u00e9 um dos campos na meliponicultura completamente desconhecido e com \u00f3timas possibilidades de aplica\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de produtos inovadores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Do ponto de vista do mercado, dificilmente produziremos mel de abelhas sem ferr\u00e3o em volumes equivalentes ao da apicultura. O caminho \u00e9 explorar os nichos de mercado mais especializados, valorizando as peculiaridades regionais e agregando valor a esses produtos, pois cada abelha produz um mel \u00fanico e exclusivo (Figura 1). Esses nichos j\u00e1 est\u00e3o bem estabelecidos e atualmente falta mel de abelhas sem ferr\u00e3o no mercado para atender \u00e0 demanda. Muitos meliponicultores reclamavam que a falta de legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para venda de mel de abelhas sem ferr\u00e3o era o principal empecilho para atividade. Contudo essa barreira j\u00e1 foi vencida em v\u00e1rios estados e come\u00e7a a ser resolvida a n\u00edvel nacional. O problema agora \u00e9 justamente a falta de produ\u00e7\u00e3o em escala comercial para colocar no mercado formal, o que representa uma oportunidade para quem est\u00e1 em busca de novas alternativas de renda. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Algumas iniciativas de sucesso j\u00e1 se destacam nesse campo a algum tempo. Um dos exemplos \u00e9 a startup a Hebor\u00e1, cujo foco \u00e9 a qualifica\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra feminina, usando como principal produto o mel das abelhas nativas (<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/heboraabelhasdobrasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.facebook.com\/heboraabelhasdobrasil<\/a>). Elas formam uma grande rede de colaboradoras para levar sa\u00fade, diversidade, inova\u00e7\u00e3o e conhecimento por meio das abelhas do Brasil. Seus produtos possuem alto valor agregado e atendem predominantemente o exigente p\u00fablico da metr\u00f3pole de S\u00e3o Paulo. Outro caso de sucesso \u00e9 o meliponicultor Paulo Menezes de Mossor\u00f3, que foi um dos primeiros a conseguir vencer as barreiras burocr\u00e1ticas e comercializar o mel da abelha janda\u00edra no mercado formal do Rio Grande do Norte (<a href=\"http:\/\/www.melmenezes.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.melmenezes.com.br<\/a>).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>P\u00f3len, Pr\u00f3polis e Cera<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Ao contr\u00e1rio do mel, o p\u00f3len, o pr\u00f3polis e a cera de abelhas sem ferr\u00e3o ainda n\u00e3o possuem um mercado consumidor definido e h\u00e1 um caminho longo pela frente para serem explorados comercialmente. Esse campo carece ainda de pesquisa cient\u00edfica e de campanhas de divulga\u00e7\u00e3o para estimular o consumo desses produtos. Por outro lado, assim como o mel, s\u00e3o produtos com alto n\u00edvel de especificidade, ou seja, cada esp\u00e9cie produz um produto \u00fanico e peculiar, e com grande potencial produtivo em algumas esp\u00e9cies. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As abelhas do g\u00eanero Frieseomelitta por exemplo, s\u00e3o excelentes para produ\u00e7\u00e3o de pr\u00f3polis. Al\u00e9m de produzirem em grande quantidade, seu pr\u00f3polis possui aromas incr\u00edveis e propriedades exclusivas quando comparado com pr\u00f3polis de abelhas africanizadas produzido no mesmo local. Um dos pioneiros no uso do pr\u00f3polis de abelhas sem ferr\u00e3o foi o meliponicultor Wilson Melo, de Barra do Corda no interior do Maranh\u00e3o. Ele produz uma pomada a partir do pr\u00f3polis da abelha Tubi, uma esp\u00e9cie de Scaptotrigona exclusiva da sua regi\u00e3o. O senhor Wilson estimulou os m\u00e9dicos da sua regi\u00e3o a testarem o seu produto para ajudar na cicatriza\u00e7\u00e3o de ferimentos na pele e gradativamente criou um mercado consumidor muito interessante em fun\u00e7\u00e3o dos excelentes resultados obtidos por esses m\u00e9dicos. O Wilson Melo \u00e9 um dos meliponicultores mais relevantes no Brasil gra\u00e7as \u00e0s suas habilidades de comunica\u00e7\u00e3o e por ser um verdadeiro empreendedor. Ficou muito conhecido ap\u00f3s ter dado uma excelente contribui\u00e7\u00e3o no programa do Globo Rural, que pode ser assistida no seguinte link: <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=38BfmepjqdQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.youtube.com\/watch?v=38BfmepjqdQ<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O p\u00f3len tamb\u00e9m j\u00e1 come\u00e7a a ser explorado com sucesso em alguns lugares. Um dos exemplos \u00e9 a iniciativa da Cooperativa Tupygu\u00e1, do Esp\u00edrito Santo, que produz e comercializa p\u00f3len de uru\u00e7u-amarela desidratado (www.tupygua.com.br). Em geral, o p\u00f3len das abelhas sem ferr\u00e3o \u00e9 bastante \u00e1cido, com aroma de vinagre. Por isso tem sido utilizado para temperar saladas ou misturado ao mel. O p\u00f3len parece ser muito interessante do ponto de vista nutricional, em fun\u00e7\u00e3o dos altos teores de prote\u00ednas e outros elementos ben\u00e9ficos \u00e0 sa\u00fade do homem, como vitaminas, lip\u00eddios e sais minerais. Contudo, ainda sabemos muito pouco sobre a real constitui\u00e7\u00e3o nutricional desse produto e seus benef\u00edcios para a alimenta\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 uma das \u00e1reas interessantes para desbravar no mundo da pesquisa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Educa\u00e7\u00e3o Ambiental<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Por n\u00e3o terem ferr\u00e3o, essas abelhas s\u00e3o excelentes tamb\u00e9m para serem usadas em atividades de educa\u00e7\u00e3o ambiental, especialmente com crian\u00e7as. O mundo das abelhas est\u00e1 repleto de bons exemplos para trabalhar os conceitos que envolvem a conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e a rela\u00e7\u00e3o do homem com o planeta. Casos de empreendedorismo nessa linha se destacam em todo o Brasil. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Um dos exemplos de maior destaque \u00e9 o projeto Jardins de Mel da Prefeitura de Curitiba, coordenado pelo agroec\u00f3logo Felipe Thiago de Jesus (<a href=\"http:\/\/www.curitiba.pr.gov.br\/conteudo\/jardins-de-mel\/2944\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.curitiba.pr.gov.br\/conteudo\/jardins-de-mel\/2944<\/a>). Col\u00f4nias de abelhas sem ferr\u00e3o t\u00eam sido distribu\u00eddas em parques, jardins e hortas comunit\u00e1rias da cidade com o objetivo de disseminar a import\u00e2ncia dessas abelhas.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2999\" aria-describedby=\"caption-attachment-2999\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Campo-fertil.png\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2999\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Campo-fertil-300x200.png\" alt=\"Figura 2: Aulas de educa\u00e7\u00e3o ambiental da startup KombiLab utilizando abelhas sem ferr\u00e3o como material did\u00e1tico.\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Campo-fertil-300x200.png 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Campo-fertil-150x100.png 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Campo-fertil-500x334.png 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Campo-fertil.png 748w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2999\" class=\"wp-caption-text\">Figura 2: Aulas de educa\u00e7\u00e3o ambiental da startup KombiLab utilizando abelhas sem ferr\u00e3o como material did\u00e1tico.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Outro exemplo de sucesso \u00e9 a iniciativa da startup KombiLab, uma empresa especializada em aulas pr\u00e1ticas de ci\u00eancias. A empresa possui uma Kombi retr\u00f4 que leva as abelhas e todo o material did\u00e1tico at\u00e9 as escolas e oferece aulas de educa\u00e7\u00e3o ambiental com o tema das abelhas sem ferr\u00e3o (Figura 2). Entre todos os temas de ci\u00eancia que a bi\u00f3loga Isabela Cardoso Fontoura trabalha, a aula das abelhas \u00e9 a mais demandada, o que a estimulou a criar um projeto espec\u00edfico para esse tema, o Projeto Kombee (<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/projetokombee\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.facebook.com\/projetokombee<\/a>).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Servi\u00e7os de Poliniza\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Uma das possibilidades com maior potencial econ\u00f4mico \u00e9 a poliniza\u00e7\u00e3o da agricultura. Muitas culturas agr\u00edcolas produzem mais frutos e com melhor qualidade por causa da presen\u00e7a das abelhas sem ferr\u00e3o e por isso demandam col\u00f4nias dos meliponicultores. Entre elas destaca-se o morango, o caf\u00e9, o a\u00e7a\u00ed, o tomate, a berinjela, a macad\u00e2mia, a lichia, o mirtilo, entre outras. E em muitos casos ainda n\u00e3o conhecemos o efeito concreto dessas abelhas no aumento de produtividade. Essa lista dever\u00e1 aumentar muito com o avan\u00e7o das pesquisas cient\u00edficas nessa \u00e1rea. O potencial a ser explorado \u00e9 enorme. Para se ter uma ideia desse mercado, para atender os 3500 hectares de morango plantados no Brasil, seriam necess\u00e1rias cerca de 70.000 col\u00f4nias de jata\u00ed. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O servi\u00e7o de poliniza\u00e7\u00e3o consiste no aluguel de colmeias durante o per\u00edodo de flora\u00e7\u00e3o ou venda de col\u00f4nias no caso de culturas com longo tempo de florescimento. \u00c9 uma realidade na agricultura do mundo todo e \u00e9 uma estrat\u00e9gia que j\u00e1 come\u00e7ou a ser adotada por algumas culturas no Brasil, como ma\u00e7a e mel\u00e3o, utilizando as abelhas africanizadas para essa finalidade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Algumas iniciativas utilizando abelhas sem ferr\u00e3o j\u00e1 come\u00e7aram a aparecer na pr\u00e1tica. Uma delas \u00e9 a startup AgroBee que est\u00e1 criando uma plataforma digital para conectar meliponicultores que possuem col\u00f4nias dispon\u00edveis para a poliniza\u00e7\u00e3o com agricultores que demandam as abelhas sem ferr\u00e3o em suas propriedades (<a href=\"http:\/\/www.agrobee.net\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.agrobee.net<\/a>). A empresa j\u00e1 est\u00e1 alugando colmeias em plantios de caf\u00e9 e morango e em breve expandir\u00e1 suas a\u00e7\u00f5es para outros cultivos que tamb\u00e9m dependem de abelhas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Animal de Estima\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Outro mercado muito forte para a meliponicultura \u00e9 a venda de col\u00f4nias para pessoas que se interessam em cri\u00e1-las como animal de estima\u00e7\u00e3o ou como atividade de lazer. Esse j\u00e1 \u00e9 um mercado consolidado e muitos meliponicultores de todas as regi\u00f5es se dedicam exclusivamente \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias e \u00e0 sua comercializa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Um dos exemplos de sucesso nesse setor \u00e9 o caso do meliponicultor Daniel Marostegan Doro, de Limeira-SP. Ele criou um e-commerce envolvendo a cria\u00e7\u00e3o de abelhas sem ferr\u00e3o e por meio do seu site \u201cLoja das Abelhas\u201d comercializa diversos produtos vinculados \u00e0 atividade, como caixas, utens\u00edlios e ferramentas (<a href=\"http:\/\/www.lojadasabelhas.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.lojadasabelhas.com.br<\/a>). A maioria dos consumidores s\u00e3o pessoas querendo simplesmente ter uma colmeia em seu jardim; muitos sequer querem colher o mel delas.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A meliponicultura \u00e9 um campo f\u00e9rtil para empreendedores brasileiros Cristiano Menezes \u2013 Embrapa Meio Ambiente \u2013 cristiano.menezes@embrapa.br O Brasil \u00e9 o pa\u00eds com a maior biodiversidade do mundo e nos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"parent":2921,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"pmpro_default_level":"","_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"class_list":["post-2996","page","type-page","status-publish","hentry","pmpro-has-access"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2996"}],"collection":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2996"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2996\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3003,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2996\/revisions\/3003"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2921"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2996"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}