{"id":2988,"date":"2019-06-18T20:35:07","date_gmt":"2019-06-18T20:35:07","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=2988"},"modified":"2019-06-18T21:27:19","modified_gmt":"2019-06-18T21:27:19","slug":"que-abelha-e-esta","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-151-maio-de-2019\/que-abelha-e-esta\/","title":{"rendered":"Que abelha \u00e9 esta?"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">Abelhas das orqu\u00eddeas nos jardins de melipon\u00edneos de Paulo Nogueira-Neto<\/h1>\n<blockquote><p>Sergio Dias Hil\u00e1rio<sup>\u00b9<\/sup>; Marilda Cortopassi-Laurino<sup>\u00b9<\/sup>; M\u00e1rcia de F\u00e1tima Ribeiro<sup>2<\/sup>; Paulo Nogueira-Neto<sup>\u00b9<\/sup><\/p>\n<p><sup>\u00b9<\/sup>Laborat\u00f3rio de Abelhas da USP-SP; rua do Mat\u00e3o, travessa 14, n\u00ba 321 CEP 05508-900 S\u00e3o Paulo, SP<br \/>\n<sup>2<\/sup>EMBRAPA-SEMI \u00c1RIDO, BR 428 km 152, Zona Rural, CEP 56302-970 Petrolina, PE<br \/>\n<a href=\"mailto:sedilar@alumni.usp.br\">sedilar@alumni.usp.br<\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_2990\" aria-describedby=\"caption-attachment-2990\" style=\"width: 226px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Orquideas.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2990\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Orquideas-226x300.png\" alt=\"abelha das orqu\u00eddeas Euglossa annectans coletando em flores da brom\u00e9lia Aechmea lindenii. - foto de Marilda Cortopassi-Laurino.\" width=\"226\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Orquideas-226x300.png 226w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Orquideas-150x199.png 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Orquideas.png 355w\" sizes=\"(max-width: 226px) 100vw, 226px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2990\" class=\"wp-caption-text\">abelha das orqu\u00eddeas Euglossa annectans<br \/>coletando em flores da brom\u00e9lia Aechmea<br \/>lindenii. &#8211; foto de Marilda Cortopassi-Laurino.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Dentre as abelhas mais belas, se destacam as abelhas de orqu\u00eddea (Euglossini), assim conhecidas por serem visitantes e polinizadoras das orqu\u00eddeas. Euglossini compreende cinco g\u00eaneros de abelhas corbiculadas: Aglae, Exaerete, Eulaema, Eufriesea e Euglossa (Roubik &amp; Hanson, 2004). A corb\u00edcula \u00e9 uma concavidade no terceiro par de pernas posteriores das f\u00eameas na qual o principal material coletado \u00e9 o p\u00f3len. O status de ser corbiculado \u00e9 compartilhado somente com Apini, Bombini e Meliponini, todas abelhas sociais. O n\u00e9ctar \u00e9 coletado com o aux\u00edlio da longa prob\u00f3scide (l\u00edngua) (Darrault et al., 2006). Os machos das abelhas de orqu\u00eddeas possuem uma estrutura que permite a coleta de fragr\u00e2ncias no terceiro par de pernas posteriores (Darrault et al., 2006). Acredita-se que estas fragr\u00e2ncias sejam precursoras de outras fragr\u00e2ncias que s\u00e3o oferecidas \u00e0s f\u00eameas durante a corte (Dressler, 1982). Embora haja intensa rela\u00e7\u00e3o com as orqu\u00eddeas, os membros da tribo Euglossini visitam e polinizam flores de outras fam\u00edlias bot\u00e2nicas (Darrault et al., 2006). Um interesse especial no estudo das abelhas de orqu\u00eddea diz respeito \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da socialidade, j\u00e1 que embora Euglossini tenha predomin\u00e2ncia de esp\u00e9cies solit\u00e1rias, outros n\u00edveis de socialidade s\u00e3o encontrados (Michener, 2007).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O g\u00eanero Euglossa \u00e9 o mais numeroso em esp\u00e9cies dentro de Euglossini, sendo distribu\u00eddas por toda a Am\u00e9rica do Sul e Central (Michener, 2007), uma esp\u00e9cie chegando \u00e0 Fl\u00f3rida (Estados Unidos). H\u00e1 esp\u00e9cies azuis, verdes, amarelas, vermelhas, p\u00farpura, roxas, sempre com colora\u00e7\u00e3o met\u00e1lica e brilhante (Roubik &amp; Hanson, 2004; Darrault et al., 2006). Euglossa annectans distribui-se no Paraguai, Argentina (Misiones) e no Brasil (Santa Catarina, Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espirito Santo) e \u00e9 uma das esp\u00e9cies mais estudadas do g\u00eanero (Moure et al., 2012). Euglossa annectans pode apresentar um ninho multif\u00eameas (comunal), isto \u00e9, seu ninho pode ter v\u00e1rias f\u00eameas irm\u00e3s ou n\u00e3o aparentadas da mesma gera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 rainha, pois todas as f\u00eameas ovipositam e h\u00e1 reuso das c\u00e9lulas pelas gera\u00e7\u00f5es seguintes (Gar\u00f3falo, 1998; Augusto &amp; Gar\u00f3falo, 2004). <\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2991\" aria-describedby=\"caption-attachment-2991\" style=\"width: 236px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Orquideas.png\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2991\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Orquideas-236x300.png\" alt=\"abelha das orqu\u00eddeas Euglossa annectans coletando n\u00e9ctar em flores da brom\u00e9lia Neoregelia laevis. - foto de Marilda Cortopassi- Laurino\" width=\"236\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Orquideas-236x300.png 236w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Orquideas-150x190.png 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Orquideas.png 357w\" sizes=\"(max-width: 236px) 100vw, 236px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2991\" class=\"wp-caption-text\">abelha das orqu\u00eddeas Euglossa annectans<br \/>coletando n\u00e9ctar em flores da brom\u00e9lia<br \/>Neoregelia laevis. &#8211; foto de Marilda Cortopassi-<br \/>Laurino<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">N\u00f3s obtemos dados sobre a longevidade e o tamanho de um ninho natural comunal de Euglossa annectans e a sua termorregula\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, analisamos a morfometria, a massa corp\u00f3rea, a longevidade e a termorregula\u00e7\u00e3o individual de machos e de f\u00eameas de E. annectans mantidos em cativeiro e verificaremos poss\u00edveis rela\u00e7\u00f5es entre estes elementos e o comportamento. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Nossas observa\u00e7\u00f5es iniciais de um ninho greg\u00e1rio foram realizadas nos jardins da casa de Paulo Nogueira-Neto em bairro arborizado na cidade de S\u00e3o Paulo. O ninho estava alojado em uma caixa de madeira previamente ocupada por um ninho de abelhas sem ferr\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">No ver\u00e3o de 2003, o ninho com pelo menos 27 abelhas se distribu\u00eda em duas gavetas com 108 c\u00e9lulas na parte inferior, junto da entrada, e 31 na parte superior. Destas c\u00e9lulas, 10 continham alimento larval. As c\u00e9lulas estavam primariamente apoiadas num pequeno bloco de madeira estando algumas c\u00e9lulas na posi\u00e7\u00e3o horizontal. Havia muitos \u00e1caros no ninho. Em mar\u00e7o de 2003, a parte inferior foi removida e restaram 35 c\u00e9lulas sendo 4 com alimento larval. Um m\u00eas depois, sem constru\u00e7\u00e3o, somente tr\u00eas abelhas foram encontradas dentro do ninho e uma fina camada de resina vedava a entrada da porta. Nesta \u00e9poca fria, as c\u00e9lulas estavam mais resinosas. Quatro anos depois, no inverno de 2007, o ninho continha cerca de 120 c\u00e9lulas sendo 6 com alimento larval e pelo menos 17 abelhas. A quantidade do n\u00famero de abelhas dentro do ninho sempre maior que o n\u00famero de c\u00e9lulas em constru\u00e7\u00e3o sugere que algumas abelhas podiam ser machos, ou que varias abelhas eram rec\u00e9m-nascidas e n\u00e3o realizavam atividades ou que havia colabora\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias abelhas para esta atividade de constru\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas como ocorre em E. towsendi (Augusto &amp; Gar\u00f3falo 2004). No ver\u00e3o de 2007, o ninho com 259 c\u00e9lulas, foi atacado por formigas Camponotus sp. e em mar\u00e7o de 2008 ele continuava sem abelhas adultas, mas mostrava sinais de eclos\u00e3o em quase todas as c\u00e9lulas. Portanto o ninho foi ativo em todas as esta\u00e7\u00f5es e existiu por pelo menos cinco anos, atrav\u00e9s do reuso de c\u00e9lulas. Ninhos compar\u00e1veis em tamanho foram o de E. imperialis, com 275 c\u00e9lulas e 8 indiv\u00edduos trabalhando (Roberts &amp; Dodson, 1967) e E. nigropilosa com 22 indiv\u00edduos trabalhando (Otero et al., 2008). Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 longevidade do ninho, foi observado um ninho de E. ignita com pelo menos 10 meses de idade (Roberts &amp; Dodson, 1967).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Durante as observa\u00e7\u00f5es iniciais no local original, vespas Melittobia sp. emergiram sincronicamente do ninho e muitos \u00e1caros foram observados. No laborat\u00f3rio, houve uma diminui\u00e7\u00e3o no n\u00famero de \u00e1caros e eles eram frequentemente encontrados juntos aos machos durante o processo de pesagens. A dispers\u00e3o dos \u00e1caros ocorre via machos e, durante o acasalamento, prosseguem com as f\u00eameas at\u00e9 chegarem aos novos ninhos (Roubik &amp; Hanson, 2004). Outro prov\u00e1vel parasita encontrado foi o diptero Cyphomyia\u00a0sp. (Stratiomyidae), cuja colora\u00e7\u00e3o \u00e9 similar \u00e0 da Euglossa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Gar\u00f3falo e colaboradores (1998) que tamb\u00e9m estudaram Euglossa annectans encontraram o d\u00edptero Anthrax oedipus, abelha Coelioxys sp. e vespa Melittobia. Similarmente, foram encontrados em ninhos de outras esp\u00e9cies de Euglossa: vespas (Dodson, 1966), abelhas (Cocom-Pech et al., 2008; Ram\u00edrez-Arriaga et al., 1996) e d\u00edpteros (Cocom-Pech et al., 2008).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A termorregula\u00e7\u00e3o do ninho ou colonial \u00e9 o controle de temperaturas na \u00e1rea de cria. Assim, a temperatura do ninho \u00e9 maior do que a temperatura ambiente, acelerando e permitindo um desenvolvimento adequado da cria (Heinrich, 1996). A fim de obter dados sobre a temperatura interna do ninho foi colocado um registrador de temperaturas dentro da parte superior da caixa no dia 24\/01\/2003 e retirado em 20\/02\/2003. Dados de temperatura ambiente foram obtidos de uma esta\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica instalada no Instituto de Bioci\u00eancias, aproximadamente a 2,9 Km do local do ninho. A temperatura m\u00e9dia no ninho foi muito pr\u00f3xima \u00e0 temperatura ambiente, isto \u00e9, n\u00e3o houve termorregula\u00e7\u00e3o do ninho. Isto \u00e9 o esperado e contrasta com as sociais Apini, Bombini e alguns Meliponini onde h\u00e1 termorregula\u00e7\u00e3o colonial. (Heinrich, 1996). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A parte inferior do ninho foi removida, como dito anteriormente, e levada ao laborat\u00f3rio. O ninho foi mantido dentro de um fil\u00f3 e eram anotados o sexo das abelhas que nasciam, seus dados morfom\u00e9tricos e a massa individual. Este ninho tinha 108 c\u00e9lulas, das quais 30 estavam abertas, isto \u00e9, o indiv\u00edduo j\u00e1 tinha nascido anteriormente \u00e0 remo\u00e7\u00e3o; 16 c\u00e9lulas estavam com conte\u00fado, mas somente uma tinha uma abelha formada que n\u00e3o emergiu. Portanto, acompanhamos o nascimento de 62 abelhas, sendo 20 f\u00eameas e 42 machos. Inicialmente liberamos a sa\u00edda das abelhas para o exterior, mas desde que n\u00e3o houve retorno das primeiras f\u00eameas, passamos a mant\u00ea-las em cativeiro. Machos e f\u00eameas foram colocados no interior de caixas de pl\u00e1stico e de madeira, geralmente um indiv\u00edduo ou um macho e uma f\u00eamea por caixa. Oferecemos alimento (p\u00f3len e xarope de \u00e1gua e mel) trocado diariamente, por toda a vida das abelhas e assim obtivemos dados de longevidade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A raz\u00e3o sexual de Euglossa annectans foi de 1:2 (f\u00eameas:machos), dentro do esperado para Euglossini que varia de 1:4 a 5:1 (Roubik &amp; Hanson, 2004). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Para obter os dados morfom\u00e9tricos, os indiv\u00edduos foram colocados previamente no freezer para diminuir sua mobilidade e, em seguida, colocados em um pequeno aparato para medi\u00e7\u00e3o, sob microsc\u00f3pio estereosc\u00f3pico com ocular graduada. As medidas obtidas foram: largura da cabe\u00e7a, dist\u00e2ncia interorbital, dist\u00e2ncia intertegular, comprimento do t\u00f3rax anterior e comprimento do t\u00f3rax posterior. A largura dos olhos foi calculada subtraindo-se a dist\u00e2ncia interorbital da largura da cabe\u00e7a. Os machos (n=41) e f\u00eameas (n=20) apresentaram m\u00e9dias semelhantes para todas as vari\u00e1veis analisadas, exceto que machos apresentaram uma dist\u00e2ncia interorbital significativamente maior do que as f\u00eameas. Pode haver um significado biol\u00f3gico para isso, uma vez que os machos usam a vis\u00e3o para localizar as f\u00eameas para o acasalamento e olhos separados poderiam fornecer um maior campo visual, favorecendo sua acuidade visual. Em E. hyacinthina f\u00eameas foram consideradas maiores do que os machos baseados na sua maior dist\u00e2ncia intertegular (Capaldi et al., 2007); medidas da largura da cabe\u00e7a e comprimento da asa foram semelhantes. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Dados da massa corp\u00f3rea dos indiv\u00edduos foram obtidos com balan\u00e7a de em diferentes situa\u00e7\u00f5es: logo ap\u00f3s o nascimento e por algumas vezes ao longo de suas vidas. Ao nascerem machos e f\u00eameas apresentaram massas corp\u00f3reas similares. Contudo, em cativeiro, a massa corp\u00f3rea dos machos diminuiu com o aumento da idade, enquanto a massa corp\u00f3rea das f\u00eameas foi quase constante. A longevidade dos machos (17,9\u00b112,1 dias, n=32) diferiu significativamente e foi bem menor do que a das f\u00eameas (54,3\u00b143,8 dias, n=15). No estudo de Gar\u00f3falo e colaboradores (1998) em E. annectans, a longevidade de f\u00eameas mantidas em liberdade foi de 79,0\u00b136,3 dias (n=4), acima da longevidade em cativeiro. Dodson (1966) tamb\u00e9m estudou abelhas criadas em cativeiro com extensa \u00e1rea de voo e observou f\u00eameas de E. ignita vivendo de 30 a 60 dias e machos de 13 a 14 dias de idade; quando orqu\u00eddeas foram oferecidas aos machos, eles viveram at\u00e9 31 dias. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Para voar, todas as abelhas elevam a temperatura do t\u00f3rax acima da temperatura do abd\u00f4men. Isto \u00e9 denominado termorregula\u00e7\u00e3o individual. Para verificar isto em E. annectans, um indiv\u00edduo por vez foi colocado no interior de um tubo vedado em ambos os lados. Neste tubo havia um orif\u00edcio pelo qual a extremidade de um registrador de temperaturas entrava em contato com o t\u00f3rax deste indiv\u00edduo. Antes e depois de um voo de dura\u00e7\u00e3o de cinco minutos, foram mensuradas a temperatura e a massa das abelhas. N\u00f3s obtivemos a temperatura ambiental por meio de um registrador de temperaturas. Embora o m\u00e9todo de medi\u00e7\u00e3o de temperatura do t\u00f3rax n\u00e3o tenha alcan\u00e7ado a efici\u00eancia de um term\u00f4metro infravermelho, sempre houve acr\u00e9scimos na temperatura corp\u00f3rea e gasto de massa dos indiv\u00edduos. E estes valores foram semelhantes em machos e f\u00eameas (16 compara\u00e7\u00f5es).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Alguns aspectos estudados por n\u00f3s ocorreram em ambiente natural (longevidade, tamanho, termorregula\u00e7\u00e3o do ninho e intera\u00e7\u00f5es com parasitas), mas outros foram observados em laborat\u00f3rio (raz\u00e3o sexual, morfometria, massa corp\u00f3rea, longevidade e termorregula\u00e7\u00e3o individual de machos e de f\u00eameas). No laborat\u00f3rio, o cativeiro n\u00e3o altera a raz\u00e3o sexual, nem a morfometria de indiv\u00edduos gerados na natureza. Por outro lado, o cativeiro modifica a massa corp\u00f3rea, a longevidade e a termorregula\u00e7\u00e3o individual, j\u00e1 que neste ambiente n\u00e3o h\u00e1 predadores, nem busca ativa de alimento, fragr\u00e2ncias ou materiais de constru\u00e7\u00e3o. Os machos deixam o ninho e abrigam-se nas folhas, as f\u00eameas voltam ao ninho. Portanto, a manuten\u00e7\u00e3o em cativeiro \u00e9 muito artificial e uma motiva\u00e7\u00e3o (p.ex. as orqu\u00eddeas usadas por Dodson, 1966 ou possibilidade de oviposi\u00e7\u00e3o) poderia fazer com que os machos e as f\u00eameas vivessem mais. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">E aqui houve um claro antagonismo entre a boa adapta\u00e7\u00e3o para viver em ambientes urbanos e o estresse de manuten\u00e7\u00e3o em cativeiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Agradecimentos<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">S.D. Hil\u00e1rio agradece pelo apoio financeiro provido pelo CNPq (#140169\/2000; Zoologia IBUSP).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O Dr. Paulo Nogueira-Neto deixou um legado muito importante para as pessoas que o conheceram. Extremamente preparado, com forma\u00e7\u00e3o em Direito e Ci\u00eancias Naturais, ambas na USP, foi secret\u00e1rio do Meio-Ambiente no Governo Federal por 12 anos e \u00e9 considerado o primeiro ministro do Meio-Ambiente. Gra\u00e7as ao seu preparo fez parte da Comiss\u00e3o Brundtland, onde foi cunhado o termo sustentabilidade, participou de reuni\u00f5es sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, quando o assunto s\u00f3 engatinhava. Criou diversas reservas naturais no pa\u00eds, sempre se prevalecendo do seu conhecimento, da sua moral. S\u00e9rio, cr\u00edtico, bem humorado, simples, mostrou que o \u00e1rduo trabalho traz frutos e reconhecimento. Se o seu legado ambiental encontra-se em perigo na atual conjuntura pol\u00edtica, por certo o seu legado humano e moral prevalecer\u00e1 entre as pessoas que tiveram a honra de conhec\u00ea-lo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Augusto, S.C. &amp; Gar\u00f3falo, C.A. 2004. Nesting biology and social structure of Euglossa (Euglossa) townsendi Cockerell (Hymenoptera, Apidae, Euglossini). Insectes Sociaux, 51(4): 400-409.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Capaldi, E.A.; Flynn, C.J., &amp; Wcislo, W.T. 2007. Sex ratio and nest observations of Euglossa hyacinthina (Hymenoptera: Apidae: Euglossini).\u00a0Journal of the Kansas Entomological Society, 80(4):395-399.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Cocom-Pech, M.E.; May-Itz\u00e1, W. de J.; Medina-Medina, L.A. &amp; Quezada-Eu\u00e1n, J.J.G. 2008. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Sociality in Euglossa (Euglossa) viridissima Friese (Hymenoptera, Apidae, Euglossini). Insectes Sociaux, 55(4):428-433. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Darrault, R.O.; Medeiros, P.C.R.; Locatelli, E.; Lopes, A.V.; Machado, I.C. &amp; Schlindwein, C. 2006. Abelhas Euglossini. In P\u00f4rto, K.C.; Almeida-Cortez, J.S. &amp; Tabarelli, M. (eds.) Diversidade biol\u00f3gica e conserva\u00e7\u00e3o da Floresta Atl\u00e2ntica ao norte do Rio S\u00e3o Francisco. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, pp. 239-253.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Dodson, C.H. 1966. Ethology of some bees of the tribe Euglossini (Hymenoptera: Apidae).\u00a0Journal of the Kansas Entomological Society, 39:607-629.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Dressler, R.L. 1982. Biology of the orchid bees (Euglossini). Annual Review of Ecology and Systematics, 13:373-394. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Gar\u00f3falo, C.A.; Camillo, E.; Augusto, S.C.; Jesus, B.M.V. &amp; Serrano, J.C. 1998. Nest structure and communal nesting in Euglossa (Glossura) annectans Dressler (Hymenoptera, Apidae, Euglossini). Revista Brasileira de Zoologia, 15(3):589-596.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Heinrich, B. 1996. The Thermal Warriors. Cambridge, Massachussets: Harvard University Press, 221 p.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Michener, C.D. 2007. The Bees of the World. 2nd. Ed. 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Santo Domingo de Heredia, San Jos\u00e9:Instituto Nacional de Biodiversidad (INBio), 370 p.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abelhas das orqu\u00eddeas nos jardins de melipon\u00edneos de Paulo Nogueira-Neto Sergio Dias Hil\u00e1rio\u00b9; Marilda Cortopassi-Laurino\u00b9; M\u00e1rcia de F\u00e1tima Ribeiro2; Paulo Nogueira-Neto\u00b9 \u00b9Laborat\u00f3rio de Abelhas da USP-SP; rua do Mat\u00e3o, travessa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"parent":2921,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"pmpro_default_level":"","_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"class_list":["post-2988","page","type-page","status-publish","hentry","pmpro-has-access"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2988"}],"collection":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2988"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2988\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3010,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2988\/revisions\/3010"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2921"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}