{"id":2981,"date":"2019-06-18T20:22:01","date_gmt":"2019-06-18T20:22:01","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=2981"},"modified":"2019-06-18T20:25:16","modified_gmt":"2019-06-18T20:25:16","slug":"artigo-7","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-151-maio-de-2019\/artigo-7\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">Espa\u00e7o ASA \u201cOnde podemos voar juntos \u00e0s abelhas\u201d<\/h1>\n<blockquote><p>Camila Maia-Silva<sup>1<\/sup>, Vera Lucia Imperatriz-Fonseca<sup>2<\/sup>, Michael Hrncir<sup>3<\/sup> \u2013 (<a href=\"mailto:maia-silva@gmail.com\">maia-silva@gmail.com<\/a>)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Centro de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias, Universidade Federal do Cear\u00e1, Av. Mister Hull &#8211; s\/n Campu do Pici, CE 60440-900, Brasil<br \/>\n<sup>2<\/sup>Instituto Tecnol\u00f3gico Vale Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, Rua Boaventura da Silva, 955, Bel\u00e9m, PA 66055\u2011090, Brasil<br \/>\n<sup>3<\/sup>Departamento de Bioci\u00eancias, Universidade Federal Rural do Semi-\u00c1rido, Avenida Francisco Mota, 572, Mossor\u00f3, RN 59625\u2011900, Brasil.<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>A constru\u00e7\u00e3o do Espa\u00e7o ASA:o Melipon\u00e1rio Imperatriz<\/b><\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2983\" aria-describedby=\"caption-attachment-2983\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-ASA.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2983\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-ASA-300x222.png\" alt=\"Figura 1. Etapas da constru\u00e7\u00e3o do melipon\u00e1rio do Espa\u00e7o ASA.\" width=\"300\" height=\"222\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-ASA-300x222.png 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-ASA-150x111.png 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-ASA-500x370.png 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-ASA.png 749w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2983\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1. Etapas da constru\u00e7\u00e3o do melipon\u00e1rio do Espa\u00e7o ASA.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O Espa\u00e7o ASA (Abelhas Semi\u00e1rido), instalado no campus oeste da UFERSA em Mossor\u00f3\/RN, abriga um melipon\u00e1rio (local para a cria\u00e7\u00e3o de abelhas sem ferr\u00e3o), um hotel para abelhas solit\u00e1rias (abelhas que n\u00e3o vivem em col\u00f4nias) e um jardim com plantas importantes para as abelhas do bioma Caatinga. Esse espa\u00e7o foi restaurado com plantas nativas visando incrementar as popula\u00e7\u00f5es de insetos polinizadores para contribuir com a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade local. A \u00e1rea cedida pela UFERSA possui cerca de 0,7 hectare e estava completamente desocupada, apresentava apenas algumas esp\u00e9cies herb\u00e1ceas em crescimento espont\u00e2neo, al\u00e9m de algumas plantas invasoras (Figura 1). Em homenagem a Profa. Dra. Vera Lucia Imperatriz-Fonseca o melipon\u00e1rio, inaugurado no dia 24 de mar\u00e7o de 2018, recebeu o nome de Melipon\u00e1rio Imperatriz. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A obra contempla uma ampla \u00e1rea coberta com duas prateleiras, as quais possuem capacidade para 48 caixas de abelhas sem ferr\u00e3o (Figura 1). Atualmente o melipon\u00e1rio abriga col\u00f4nias de seis esp\u00e9cies de abelhas sociais, Melipona subnitida (janda\u00edra), Melipona asilvai (munduri, rajada), Scaptotrigona sp. (canudo), Plebeia aff. flavocincta (mirim, mosquito), Partamona seridoenses (cupira), Frieseomelitta doederleini (mo\u00e7a-branca), Frieseomelitta varia (abelha amarela). Todas as caixas do melipon\u00e1rio foram numeradas e possuem dimens\u00f5es e espessuras padronizadas. A espessura \u00e9 um fator fundamental para a sobreviv\u00eancia das abelhas sociais nativas da Caatinga, pois confere isolamento t\u00e9rmico para amenizar os efeitos das varia\u00e7\u00f5es de temperaturas ambientais sobre o desenvolvimento do ninho. <\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2984\" aria-describedby=\"caption-attachment-2984\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-ASA.png\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2984\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-ASA-300x224.png\" alt=\"Figura 2. Hotel e casinhas para abelhas solit\u00e1rias do Espa\u00e7o ASA.\" width=\"300\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-ASA-300x224.png 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-ASA-150x112.png 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-ASA-500x374.png 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-ASA.png 748w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2984\" class=\"wp-caption-text\">Figura 2. Hotel e casinhas para abelhas solit\u00e1rias do Espa\u00e7o ASA.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Dentro do melipon\u00e1rio foram constru\u00eddas duas salas de apoio a projetos cient\u00edficos, desenvolvidos pelo grupo de pesquisa (Grupo ASA \u2013 Abelhas Semi\u00e1rido), sendo uma sala utilizada exclusivamente para microscopia e para as cole\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas. O acervo \u00e9 composto por arm\u00e1rios entomol\u00f3gicos para acondicionar a cole\u00e7\u00e3o de abelhas (cerca de 2200 esp\u00e9cimes de abelhas) e um lamin\u00e1rio da palinoteca, contendo amostras de gr\u00e3os de p\u00f3len das principais plantas da Caatinga (cole\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia com 487 amostras de plantas coletadas no Rio Grande do Norte). A cole\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os de p\u00f3len foi recentemente inclu\u00edda na base de dados on-line da RCPol. O jardim do Espa\u00e7o ASA foi projetado utilizando dados obtidos a partir de estudos que investigaram a origem bot\u00e2nica dos recursos coletados pelas abelhas, utilizando para isso os gr\u00e3os de p\u00f3len armazenados nas col\u00f4nias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Al\u00e9m das pesquisas desenvolvidas no Espa\u00e7o ASA, tamb\u00e9m s\u00e3o oferecidas aulas de educa\u00e7\u00e3o ambiental e cursos de extens\u00e3o. Temas relacionados com poliniza\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o social, coopera\u00e7\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o de abelhas, conserva\u00e7\u00e3o e sustentabilidade s\u00e3o exemplos a serem trabalhados em aulas extraclasses com crian\u00e7as, jovens e adultos. Principalmente em ambientes semi\u00e1ridos como a Caatinga, os ambientes verdes e sombreados s\u00e3o capazes de demonstrar a import\u00e2ncia da conserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A constru\u00e7\u00e3o do Espa\u00e7o ASA: o Jardim<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Para atrair maior diversidade de abelhas \u00e9 fundamental disponibilizar flores com cores, formas e tamanhos variados e tamb\u00e9m com flora\u00e7\u00e3o em diferentes \u00e9pocas do ano, principalmente na esta\u00e7\u00e3o seca, per\u00edodo de escassez de recursos florais nesse bioma. O jardim foi projetado para conter exclusivamente plantas melit\u00f3filas, importantes para as abelhas tanto para a coleta de recursos florais como tamb\u00e9m utilizadas como local de nidifica\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2985\" aria-describedby=\"caption-attachment-2985\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-3-ASA.png\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2985\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-3-ASA-300x224.png\" alt=\"Figura 3. Passarelas constru\u00eddas para permitir acesso aos principais pontos e atrativos no Espa\u00e7o ASA.\" width=\"300\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-3-ASA-300x224.png 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-3-ASA-150x112.png 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-3-ASA-500x373.png 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-3-ASA.png 749w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2985\" class=\"wp-caption-text\">Figura 3. Passarelas constru\u00eddas para permitir acesso aos principais pontos e atrativos no<br \/>Espa\u00e7o ASA.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Na primeira etapa de plantio de mudas foram priorizadas mudas com porte m\u00e9dio, com cerca de 2 m de altura, plantamos 131 mudas de plantas nativas arb\u00f3reo-arbustivas (mudas de 13 esp\u00e9cies). Essas mudas foram produzidas em viveiro atrav\u00e9s do plantio de sementes em sacos pl\u00e1stico e antes do transplante para o local definitivo, foi realizada a transfer\u00eancia para recipientes maiores que favoreceram o crescimento e desenvolvimento das mudas. As plantas com porte m\u00e9dio s\u00e3o mais resistentes \u00e0s adversidades clim\u00e1ticas facilitando o manejo e incrementando a \u00e1rea com flores mais rapidamente e, portanto, disponibilizando recursos florais para os insetos polinizadores. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Na segunda etapa foram plantadas 141 mudas de 20 esp\u00e9cies de plantas. Al\u00e9m das esp\u00e9cies nativas, nessa etapa foi constru\u00eddo um setor com plantas frut\u00edferas, composto por mudas de caju, goiaba, pitanga, acerola e rom\u00e3. A \u00faltima etapa de plantio priorizou esp\u00e9cies com flores tubulares, ip\u00ea-branco (Tabebuia roseoalba), ip\u00ea-roxo (Handroanthus impetiginosus) e craibeira (Tabebuia aurea) todas com porte acima de 2,5 metros de altura. Nessa etapa tamb\u00e9m foram plantadas 5 cajaranas (Spondias sp.) e uma timba\u00faba (Enterolobium sp.), tamb\u00e9m com porte grande, totalizando 68 mudas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Al\u00e9m do plantio de esp\u00e9cies fontes de p\u00f3len e n\u00e9ctar, para aumentar a disponibilidade de cavidades naturais utilizadas pelas abelhas para nidifica\u00e7\u00e3o foram plantadas algumas esp\u00e9cies como, por exemplo, a imburana (Commiphora leptophloeos), a qual \u00e9 utilizada pela abelha janda\u00edra e tamb\u00e9m por abelhas solit\u00e1rias dos g\u00eaneros Centris (abelhas da acerola) e Xylocopa (mamangava) como principal substrato de nidifica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">No total foram plantadas 341 mudas de 38 esp\u00e9cies arb\u00f3reo-arbustiva e para facilitar o monitoramento das mudas, todas foram numeradas e georreferenciadas. Mensalmente s\u00e3o registrados par\u00e2metros relacionados ao crescimento e desenvolvimento das mudas, sendo estes a circunfer\u00eancia do caule \u00e0 altura do solo (CAS) e a presen\u00e7a ou aus\u00eancia de flores e frutos. Em longo prazo, esse levantamento de dados ser\u00e1 fundamental para avaliar o desenvolvimento das plantas ap\u00f3s o processo de restaura\u00e7\u00e3o. Espera-se que o aumento de esp\u00e9cies com flores na \u00e1rea influencie positivamente a riqueza e diversidade das popula\u00e7\u00f5es de polinizadores. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Um arbusto que rapidamente se destacou florindo logo ap\u00f3s o seu plantio foi o cambar\u00e1 (Lantana camara). O cambar\u00e1 atrai principalmente borboletas e mariposas, contudo registramos visitas de abelhas (Apis mellifera) e tamb\u00e9m beija-flores. Foram plantadas cerca de 70 mudas de cambar\u00e1. Outra planta que apresentou um florescimento r\u00e1pido foi a jurema-branca (Mimosa sp.), atraindo abelhas de todos os tamanhos, principalmente os melipon\u00edneos, e disponibilizando grandes quantidades de p\u00f3len como recurso floral, no total foram plantadas 48 mudas de jurema. Outro destaque do jardim foram as flores do feij\u00e3o-bravo uma esp\u00e9cie arb\u00f3rea que cresceu espontaneamente na \u00e1rea (cerca de 50 indiv\u00edduos de feij\u00e3o-bravo), trata-se de um grande atrativo para as abelhas, principalmente para as mamangavas (Xylocopa sp.). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Em pontos estrat\u00e9gicos do jardim localizam algumas manchas com esp\u00e9cies herb\u00e1ceas e subarbustivas que possuem crescimento espont\u00e2neo. Essas plantas possuem um grande potencial em \u00e1reas de restaura\u00e7\u00e3o, visto que elas possuem crescimento r\u00e1pido e, consequentemente, t\u00eam o potencial de fornecer em curto prazo alimento para as abelhas. Essas esp\u00e9cies, conhecidas como plantas ruderais, disponibilizem grandes quantidades de recursos florais para as abelhas. Nesses pontos (manchas naturais de flores) a atratividade de cada esp\u00e9cie de planta est\u00e1 sendo avaliada atrav\u00e9s da estimativa do n\u00famero de visitantes florais. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Para incrementar ainda mais a \u00e1rea e diversificar as cores e formas das flores, algumas esp\u00e9cies ornamentais tamb\u00e9m foram utilizadas no entorno do melipon\u00e1rio e para a constru\u00e7\u00e3o de cercas-viva, para essa finalidade tamb\u00e9m priorizamos as esp\u00e9cies mais resistentes e tolerantes as condi\u00e7\u00f5es do semi\u00e1rido. No total foram plantadas 785 mudas de plantas ornamentais, dentre elas, mudas de casuarina, ixoria, alamanda-trepadeira, alamanda-amarela, mini-jasmin, grama-amendoim, e palmeira areca. Poucos meses ap\u00f3s a finaliza\u00e7\u00e3o do jardim foi poss\u00edvel notar o incremento nas popula\u00e7\u00f5es de polinizadores incluindo abelhas, vespas, moscas, borboletas e beija-flores. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Al\u00e9m das plantas, no jardim foi constru\u00eddo um hotel para abelhas solit\u00e1rias. O hotel \u00e9 uma estrutura simples que permite a nidifica\u00e7\u00e3o natural de v\u00e1rias esp\u00e9cies de abelhas solit\u00e1rias. Trata-se de orif\u00edcios produzidos em diferentes substratos como colmos de bambu, peda\u00e7os de madeira perfurada e troncos de madeira apodrecida, os quais servem como local de nidifica\u00e7\u00e3o para as abelhas do jardim (Figura 2). Logo ap\u00f3s a instala\u00e7\u00e3o do hotel no Espa\u00e7o ASA foi poss\u00edvel observar a constru\u00e7\u00e3o de muitos ninhos da abelha Centris analis (abelhas da acerola) e tamb\u00e9m de algumas esp\u00e9cies de vespas. Normalmente as abelhas solit\u00e1rias escolhem nidificar pr\u00f3ximo ao seu local de origem, sendo por isto chamado de reutiliza\u00e7\u00e3o do ninho parental, esse comportamento intensifica a forma\u00e7\u00e3o de grandes agrega\u00e7\u00f5es de ninhos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Ao longo do jardim foram constru\u00eddas passarelas de acesso ao bosque de plantas, ao hotel de abelha solit\u00e1ria e ao caramanch\u00e3o em formato hexagonal. Ao longo desse percurso foram distribu\u00eddas placas ilustrativas e educativas, onde os visitantes e alunos podem visualizar a biodiversidade nativa e ter acesso a textos informativos sobre as plantas e seus polinizadores. Em pontos estrat\u00e9gicos desses caminhos foram instaladas algumas casinhas para abelhas solit\u00e1rias, visando incrementar as popula\u00e7\u00f5es dessas abelhas, e tamb\u00e9m demonstrar a beleza de seus ninhos para os visitantes (Figura 3). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Outras atra\u00e7\u00f5es do jardim s\u00e3o os dois caramanch\u00f5es, ambos foram ornamentados com mudas de maracuj\u00e1, cujas flores atraem as abelhas mamangavas, o principal polinizador dessa esp\u00e9cie (Xylocopa spp.). Para complementar a ornamenta\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os foram instalados bancos, mesas, placas ilustrativas e casinhas para abelhas solit\u00e1rias (Figura 3). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Trata-se de uma excelente oportunidade para contemplar a fauna e a flora natural do bioma Caatinga, al\u00e9m de permitir o resgate da conveni\u00eancia com o semi\u00e1rido. Projetos como o Espa\u00e7o ASA que visam \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos ambientais, causados pela perda de h\u00e1bitat nativo, a fim de desacelerar o decl\u00ednio das abelhas s\u00e3o de suma import\u00e2ncia para conserva\u00e7\u00e3o desses polinizadores, essenciais para a manuten\u00e7\u00e3o dos ecossistemas naturais e agr\u00edcolas. Atrav\u00e9s do servi\u00e7o de poliniza\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel incrementar a produ\u00e7\u00e3o de frutos e sementes e consequentemente restabelecer o processo natural de restaura\u00e7\u00e3o ambiental de \u00e1reas degradadas. A longo prazo, \u00e1reas restauradas s\u00e3o capazes de promover a locomo\u00e7\u00e3o de polinizadores entre as \u00e1reas naturais, agr\u00edcolas e urbanas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Homenagem ao Dr. Paulo Nogueira Neto<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O Espa\u00e7o ASA \u00e9 fruto da paix\u00e3o que o Dr. Paulo Nogueira Neto tinha pelas abelhas, em especial as abelhas nativas sem ferr\u00e3o. O Dr. Paulo foi respons\u00e1vel por in\u00fameras inciativas em prol da conserva\u00e7\u00e3o de abelhas. Ainda me lembro do dia em que visitei a fazenda dele em S\u00e3o Sim\u00e3o\/SP pela primeira vez. Visitar lugares como essa fazenda muda completamente nossas vidas. E o amor pelas abelhas que eu compartilhei naquele dia, eu singelamente trouxe para o Espa\u00e7o ASA. Um espa\u00e7o que cresceu feito semente, plantada l\u00e1 atr\u00e1s em 2006 na cidade de S\u00e3o Sim\u00e3o. O nome do nosso melipon\u00e1rio homenageia a minha querida orientadora Dra. Vera Lucia Imperatriz-Fonseca, orientada pelo Dr. Paulo. Ela, assim como ele, tem o dom de nos transmitir esse sentimento de dedica\u00e7\u00e3o e amor pela conserva\u00e7\u00e3o das abelhas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A eles minha eterna gratid\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Agradecimentos<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os autores agradecem especialmente \u00e0 Syngenta pelo apoio financeiro ao projeto; \u00e0 UFERSA pelo apoio na execu\u00e7\u00e3o do projeto e aos alunos do Grupo ASA, Antonio Gustavo Medeiros da Silva, Jo\u00e3o Batista P. Filho, Eva Sara Santiago, Eduardo Alves de Souza e Vin\u00edcio H. S. T. de Souza, os quais contribu\u00edram imensamente para a realiza\u00e7\u00e3o do Espa\u00e7o ASA. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Leitura recomendada<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Maia-Silva C, Silva CI, Hrncir M, Queiroz RT, Imperatriz-Fonseca VL (2012) Guia de plantas visitadas por abelhas na Caatinga. Editora Funda\u00e7\u00e3o Brasil Cidad\u00e3o, Fortaleza.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Maia-Silva C, Gon\u00e7alves LS, Hrncir M, Imperatriz-Fonseca VL. (2014) Trilha dos polinizadores UFERSA: um passeio ecol\u00f3gico na Caatinga. Mensagem Doce, v. 126, p. 2-5. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Maia-Silva C, Hrncir M, Imperatriz-Fonseca VL. (2017) Estrat\u00e9gias para a conserva\u00e7\u00e3o da abelha janda\u00edra na Caatinga. In: Imperatriz-Fonseca VL, Koedam D, Hrncir M (eds) A abelha janda\u00edra: no passado, no presente e no futuro. Editora Universit\u00e1ria da UFERSA, Mossor\u00f3, p. 227-235.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Maia-Silva C, Lim\u00e3o AAC, Hrncir M, Pereira JS, Imperatriz-FonsecaVL (2018) The contribution of palynological surveys to stinglessbee conservation: A case study with Melipona subnitida. In: VitP, Pedro SRM, Roubik DW (eds) Pot-pollen stingless bee melittology.Springer, Cham, pp 89\u2013101.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Espa\u00e7o ASA \u201cOnde podemos voar juntos \u00e0s abelhas\u201d Camila Maia-Silva1, Vera Lucia Imperatriz-Fonseca2, Michael Hrncir3 \u2013 (maia-silva@gmail.com) 1Centro de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias, Universidade Federal do Cear\u00e1, Av. Mister Hull &#8211; s\/n [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"parent":2921,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"pmpro_default_level":"","_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"class_list":["post-2981","page","type-page","status-publish","hentry","pmpro-has-access"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2981"}],"collection":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2981"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2981\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2987,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2981\/revisions\/2987"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2921"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2981"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}