{"id":2971,"date":"2019-06-18T19:10:36","date_gmt":"2019-06-18T19:10:36","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=2971"},"modified":"2019-06-18T19:18:40","modified_gmt":"2019-06-18T19:18:40","slug":"artigo-6","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-151-maio-de-2019\/artigo-6\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">Meliponicultura e gen\u00f4mica: como a abelha Janda\u00edra responder\u00e1 \u00e0 redu\u00e7\u00e3o<br \/>\ndo seu habitat e \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas?<\/h1>\n<blockquote><p>Rodolfo Jaff\u00e9; Jamille C. Veiga; Nathaniel S. Pope; \u00c9der C.M. Lanes; Carolina S. Carvalho; Ronnie Alves; S\u00f3nia C.S. Andrade, Maria C. Arias; Vanessa Bonatti; Airton T. Carvalho, Marina S. de Castro; Felipe A. L. Contrera; Tiago M. Francoy; Breno M. Freitas; Tereza C. Giannini; Michael Hrncir; Celso F. Martins; Guilherme Oliveira; Antonio M. Saraiva, Bruno A. Souza; Vera L. Imperatriz-Fonseca. \u2013 <a href=\"mailto:rodolfo.jaffe@itv.org\">rodolfo.jaffe@itv.org<\/a><\/p><\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_2975\" aria-describedby=\"caption-attachment-2975\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Genomica.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2975\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Genomica-300x214.png\" alt=\"Figura 1 \u2013 Pontos de amostragem de Melipona subnitida ao longo da sua distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica pelo nordeste do Brasil sobre um mapa de cobertura do solo (fonte: http:\/\/mapbiomas.org).\" width=\"300\" height=\"214\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Genomica-300x214.png 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Genomica-150x107.png 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Genomica-500x356.png 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Genomica.png 750w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2975\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1 \u2013 Pontos de amostragem de Melipona subnitida ao longo da sua distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica<br \/>pelo nordeste do Brasil sobre um mapa de cobertura do solo (fonte: http:\/\/mapbiomas.org).<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">\u201cAs \u00e1reas hoje predominantemente agr\u00edcolas da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira, h\u00e1 algumas dezenas de anos atr\u00e1s, ou h\u00e1 um s\u00e9culo, eram muitas vezes cobertas por extensas matas, cerrados, caatingas e campos naturais. Viviam ali muitas esp\u00e9cies de Melipon\u00edneos que a a\u00e7\u00e3o irrefletida e predadora dos seres humanos eliminou completamente ou reduziu consideravelmente. Eram, por\u00e9m, abelhas adaptadas aos climas locais. Essas esp\u00e9cies devem merecer a prefer\u00eancia, para serem reintroduzidas e criadas nessas regi\u00f5es.\u201d (Paulo Nogueira-Neto em \u201cVida e Cria\u00e7\u00e3o de Abelhas Ind\u00edgenas Sem Ferr\u00e3o\u201d)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os recentes processos de degrada\u00e7\u00e3o ambiental e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas amea\u00e7am esp\u00e9cies silvestres e manejadas. Polinizadoras por excel\u00eancia, as abelhas s\u00e3o as mais relevantes prestadoras desse servi\u00e7o ecol\u00f3gico. Suas popula\u00e7\u00f5es se encontram em decl\u00ednio no mundo todo, trazendo riscos \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da diversidade de plantas, a estabilidade ecossist\u00eamica e a produtividade agr\u00edcola em escala global. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A abelha Janda\u00edra (Melipona subnitida Ducke 1910) \u00e9 uma abelha nativa sem ferr\u00e3o incrivelmente adaptada a condi\u00e7\u00f5es extremas de temperatura e longos per\u00edodos de seca da Caatinga &#8211; o que para elas significa aus\u00eancia n\u00e3o apenas de \u00e1gua, mas de plantas em flora\u00e7\u00e3o. A Janda\u00edra ocorre principalmente no semi-\u00e1rido brasileiro, tamb\u00e9m alcan\u00e7ando a mata atl\u00e2ntica na regi\u00e3o costeira do Nordeste, e os manguezais da regi\u00e3o maranhense. A ampla distribui\u00e7\u00e3o da Janda\u00edra pelos diferentes fitos fisionomias do nordeste brasileiro nos informa sobre sua plasticidade ecol\u00f3gica, indicando tamb\u00e9m seu importante papel como polinizadora de plantas silvestres e cultivadas na regi\u00e3o (Imperatriz-Fonseca et al., 2017). Sua relev\u00e2ncia torna-se ainda maior diante das crescentes taxas de desmatamento no Nordeste, e da intensifica\u00e7\u00e3o dos riscos de desertifica\u00e7\u00e3o (Marengo et al., 2016).<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2976\" aria-describedby=\"caption-attachment-2976\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Genomica.png\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2976\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Genomica-300x220.png\" alt=\"Figura 2 \u2013 Composi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de Melipona subnitida estruturada em qautro popula\u00e7\u00f5es, sobre mapa de eleva\u00e7\u00e3o (obtido de USGS Earth Explorer). As cores dos c\u00edrculos indicam coeficientes de ancestralidade de cada uma das quatro popula\u00e7\u00f5es. Se o indiv\u00edduo possui uma porcentagem maior de um dos coeficientes, significa que h\u00e1 maiores chances dele pertencer \u00e0 popula\u00e7\u00e3o correspondente.\" width=\"300\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Genomica-300x220.png 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Genomica-150x110.png 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Genomica-500x366.png 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Genomica.png 748w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2976\" class=\"wp-caption-text\">Figura 2 \u2013 Composi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de Melipona subnitida estruturada em qautro popula\u00e7\u00f5es, sobre<br \/>mapa de eleva\u00e7\u00e3o (obtido de USGS Earth Explorer). As cores dos c\u00edrculos indicam coeficientes<br \/>de ancestralidade de cada uma das quatro popula\u00e7\u00f5es. Se o indiv\u00edduo possui uma porcentagem<br \/>maior de um dos coeficientes, significa que h\u00e1 maiores chances dele pertencer \u00e0 popula\u00e7\u00e3o<br \/>correspondente.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Estudos recentes mostram que, no futuro, as popula\u00e7\u00f5es da abelha Janda\u00edra encontrar\u00e3o ref\u00fagios clim\u00e1ticos nas regi\u00f5es mais elevadas da sua distribui\u00e7\u00e3o (Giannini et al., 2017; Imperatriz-Fonseca et al., 2017). Nessas \u00e1reas, as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas ser\u00e3o favor\u00e1veis tanto \u00e0s abelhas, quanto aos seus recursos alimentares. Portanto, \u00e9 importante entender como as popula\u00e7\u00f5es da Janda\u00edra respondem \u00e0s altera\u00e7\u00f5es ambientais no presente, a fim de tra\u00e7ar estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o para o futuro. Esse foi justamente o objetivo principal do nosso trabalho recentemente publicado na revista de livre acesso \u201cEvolutionary Applications\u201d (Jaff\u00e9 et al., 2019). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Como realizamos esse estudo?<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Nesse estudo, avaliamos (i) a estrutura das popula\u00e7\u00f5es da abelha Janda\u00edra, ii) como o desmatamento influencia a diversidade gen\u00e9tica destas abelhas, iii) como a paisagem afeta a conectividade gen\u00e9tica de suas popula\u00e7\u00f5es, e iv) se existem adapta\u00e7\u00f5es locais \u00e0s condi\u00e7\u00f5es ambientais e como essas adapta\u00e7\u00f5es est\u00e3o distribu\u00eddas ao longo da faixa de ocorr\u00eancia da esp\u00e9cie. Para tanto, coletamos amostras de 160 ninhos (uma abelha por ninho), em melipon\u00e1rios distribu\u00eddos ao longo de toda a sua \u00e1rea de ocorr\u00eancia geogr\u00e1fica (Figura 1). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">No laborat\u00f3rio, extra\u00edmos o DNA de cada abelha e, a partir do seu material gen\u00e9tico, obtivemos um conjunto de marcadores moleculares denominados SNPs, o qual subdividimos em dois: um conjunto de marcadores neutrais, e um conjunto potencialmente adaptativos. Com o primeiro conjunto, estudamos os processos demogr\u00e1ficos contempor\u00e2neos, que informam sobre a diversidade gen\u00e9tica e como a Janda\u00edra se dispersa e se estabelece nos diferentes ambientes que ocupa. Com o segundo, avaliamos processos adaptativos, os quais revelam regi\u00f5es do genoma da abelha fortemente associadas \u00e0 sua maior sobreviv\u00eancia em determinados ambientes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Com base na localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica dos ninhos, obtivemos dados referentes \u00e0 paisagem de cada local. Para entender os efeitos da paisagem sobre o fluxo g\u00eanico das popula\u00e7\u00f5es de Janda\u00edra, as principais m\u00e9tricas de paisagem que utilizamos foram: estabilidade t\u00e9rmica, precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual, cobertura de floresta, eleva\u00e7\u00e3o e regularidade da topografia do terreno.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>O que encontramos como resultado?<\/b><\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2977\" aria-describedby=\"caption-attachment-2977\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-3-Genomica.png\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2977\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-3-Genomica-300x300.png\" alt=\"Figura 3 \u2013 Autocorrela\u00e7\u00e3o espacial no grau de relacionamento gen\u00e9tico entre col\u00f4nias de Melipona subnitida. A linha s\u00f3lida representa o ajuste do modelo ao grau de relacionamento gen\u00e9tico observado, enquanto \u00e1rea sombreada em cinza representa um intervalo de confian\u00e7a de 95% em torno da distribui\u00e7\u00e3o nula (linha preta pontilhada). As barras verticais na base da figura indicam o n\u00famero de pares de indiv\u00edduos comparados a cada dist\u00e2ncia.\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-3-Genomica-300x300.png 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-3-Genomica-150x150.png 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-3-Genomica-100x100.png 100w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-3-Genomica-500x500.png 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-3-Genomica.png 748w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2977\" class=\"wp-caption-text\">Figura 3 \u2013 Autocorrela\u00e7\u00e3o espacial no grau de relacionamento gen\u00e9tico entre col\u00f4nias de<br \/>Melipona subnitida. A linha s\u00f3lida representa o ajuste do modelo ao grau de relacionamento<br \/>gen\u00e9tico observado, enquanto \u00e1rea sombreada em cinza representa um intervalo de confian\u00e7a<br \/>de 95% em torno da distribui\u00e7\u00e3o nula (linha preta pontilhada). As barras verticais na base da<br \/>figura indicam o n\u00famero de pares de indiv\u00edduos comparados a cada dist\u00e2ncia.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Nossos resultados revelam quatro grupos gen\u00e9ticos ou unidades demogr\u00e1ficas ao longo da distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da Janda\u00edra (Figura 2). Mostram ainda que, at\u00e9 uma dist\u00e2ncia de 300 km, as col\u00f4nias s\u00e3o geneticamente semelhantes (Figura 3). Fora desse raio, a similaridade \u00e9 reduzida, indicando transi\u00e7\u00e3o entre uma popula\u00e7\u00e3o e outra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os resultados revelam tamb\u00e9m que o desmatamento n\u00e3o parece ter influenciado ainda os n\u00edveis de diversidade gen\u00e9tica, por\u00e9m sim reduzido o fluxo g\u00eanico. Significa que as altera\u00e7\u00f5es na paisagem ainda n\u00e3o impactam a variabilidade gen\u00e9tica das popula\u00e7\u00f5es de Janda\u00edra, mas foram suficientes para desconect\u00e1-las. Especificamente, o fluxo g\u00eanico foi facilitado pelo aumento da estabilidade t\u00e9rmica, maior cobertura florestal, menores eleva\u00e7\u00f5es e terrenos de topografia menos irregulares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Al\u00e9m disso, nossos resultados mostram que o genoma dessa esp\u00e9cie apresenta regi\u00f5es fortemente associadas a condi\u00e7\u00f5es locais de temperatura, precipita\u00e7\u00e3o e cobertura de floresta. As regi\u00f5es adaptativas do genoma da Janda\u00edra apresentaram uma distribui\u00e7\u00e3o espacial seguindo um gradiente norte-sul (Figura 4-A) e um gradiente de altitude (Figura 4-B).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Qual a import\u00e2ncia desses resultados?<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A meliponicultura est\u00e1 intimamente ligada ao tr\u00e2nsito de col\u00f4nias de abelhas sem ferr\u00e3o pelos mais diferentes ambientes. Embora seja uma pr\u00e1tica essencial para o fortalecimento da atividade, o deslocamento de col\u00f4nias constitui um agravante \u00e0 perda de h\u00e1bitat e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, uma vez que seu maior impacto \u00e9 a homogeneiza\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica das popula\u00e7\u00f5es manejadas (Jaff\u00e9, 2018), podendo levar \u00e0 dilui\u00e7\u00e3o ou perda de adapta\u00e7\u00f5es em n\u00edvel gen\u00f4mico, como essas que encontramos na Janda\u00edra. Por exemplo, deslocar col\u00f4nias de Janda\u00edra dos brejos de altitude para regi\u00f5es ao n\u00edvel do mar, significa remover esses genes do seu local de origem, e introduzi-los em condi\u00e7\u00f5es adversas de temperatura, precipita\u00e7\u00e3o e estabilidade termal, podendo alterar a susceptibilidade das col\u00f4nias a doen\u00e7as e parasitas (Vollet-Neto et al., 2018). Contudo, acreditamos que \u00e9 poss\u00edvel deslocar col\u00f4nias respeitando os processos naturais de dispers\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o da paisagem dessa esp\u00e9cie.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Nosso estudo levanta novas informa\u00e7\u00f5es sobre a hist\u00f3ria natural da abelha Janda\u00edra e destaca o papel de regi\u00f5es com grandes flutua\u00e7\u00f5es t\u00e9rmicas, \u00e1reas desmatadas e cadeias de montanhas como barreiras de dispers\u00e3o para essa esp\u00e9cie. Considerando estes resultados, sugerimos tr\u00eas recomenda\u00e7\u00f5es para a conserva\u00e7\u00e3o da diversidade gen\u00e9tica e contribui\u00e7\u00e3o para a sobreviv\u00eancia futura da esp\u00e9cie: <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">1) Evitar o deslocamento de ninhos al\u00e9m de 300 kil\u00f3metros da sua localiza\u00e7\u00e3o original<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">2) Conservar separadamente as popula\u00e7\u00f5es de sert\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es de chapadas, a fim de conservar adapta\u00e7\u00f5es locais<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">3) Preservar ou restaurar as florestas do sop\u00e9 dos brejos de altitude, a fim de manter a conectividade entre as popula\u00e7\u00f5es do sert\u00e3o e das chapadas.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2974\" aria-describedby=\"caption-attachment-2974\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-4-Genomica.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2974\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-4-Genomica-300x138.png\" alt=\"Figura 4 \u2013 Distribui\u00e7\u00e3o espacial da variabilidade gen\u00e9tica adaptativa em Melipona subnitida. As cores distinguem \u00e1reas com diferentes conjuntos de alelos adaptativos, seguindo um gradiente norte-sul (A) e um gradiente de altitude (B). Em ambas as figuras, as \u00e1reas sombreadas representam regi\u00f5es elevadas, com pelo menos 500 metros de altura acima do n\u00edvel do mar.\" width=\"300\" height=\"138\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-4-Genomica-300x138.png 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-4-Genomica-150x69.png 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-4-Genomica-500x231.png 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-4-Genomica.png 750w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2974\" class=\"wp-caption-text\">Figura 4 \u2013 Distribui\u00e7\u00e3o espacial da variabilidade gen\u00e9tica adaptativa em Melipona subnitida.<br \/>As cores distinguem \u00e1reas com diferentes conjuntos de alelos adaptativos, seguindo um<br \/>gradiente norte-sul (A) e um gradiente de altitude (B). Em ambas as figuras, as \u00e1reas sombreadas<br \/>representam regi\u00f5es elevadas, com pelo menos 500 metros de altura acima do n\u00edvel do mar.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A finalidade pr\u00e1tica do trabalho foi contribuir a preservar a abelha Janda\u00edra para o futuro com todo seu potencial gen\u00e9tico, e incentivar o levantamento dessas informa\u00e7\u00f5es para outras esp\u00e9cies. Se pretendermos conservar as nossas abelhas nativas sem ferr\u00e3o, devemos faz\u00ea-lo respeitando seus processos naturais, seja para manter suas popula\u00e7\u00f5es, garantir servi\u00e7os de poliniza\u00e7\u00e3o ou produzir mel. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Bibliografia consultada<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Giannini, T.C., Maia-Silva, C., Acosta, A.L., Jaff\u00e9, R., Carvalho, A.T., Martins, C.F., et al. (2017) Protecting a managed bee pollinator against climate change: strategies for an area with extreme climatic conditions and socioeconomic vulnerability. Apidologie, 48, 784\u2013794.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Imperatriz-Fonseca, V., Koedam, D. &amp; Hrncir, M. (2017) A abelha janda\u00edra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Jaff\u00e9, R. (2018) Influ\u00eancia do transporte de colmeias sobre a estrutura gen\u00e9tica das popula\u00e7\u00f5es de abelhas. Em: Vollet-Neto, A. &amp; Menezes, C. (Eds) Desafios e recomenda\u00e7\u00f5es para o manejo e o transporte de polinizadores. S\u00e3o Paulo, A.B.E.L.H.A. ISBN 978-85-69982-03-6. URL: http:\/\/eepurl.com\/dHBhYz <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Jaff\u00e9, R., Veiga, J.C., Pope, N.S., Lanes, \u00c9.C.M., Carvalho, C.S., Alves, R., et al. (2019) Landscape genomics to the rescue of a tropical bee threatened by habitat loss and climate change. Evolutionary Applications, 1\u201314.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Marengo, J.A., Torres, R.R. &amp; Alves, L.M. (2017) Drought in Northeast Brazil\u2014past, present, and future. Theoretical and Applied Climatology, 129, 1189\u20131200. Theoretical and Applied Climatology.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">NOGUEIRA-NETOo, P. (1997). Vida e Cria\u00e7\u00e3o de Abelhas Ind\u00edgenas Sem Ferr\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Editora Nogueirapis.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Vollet-Neto, A., Blochtein, B., Viana, B.F., dos Santos, C.F., Menezes, C., Nunes-Silva, P., et al. (2018) Desafios e recomenda\u00e7\u00f5es para o manejo e transporte de polinizadores. A.B.E.L.H.A., S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meliponicultura e gen\u00f4mica: como a abelha Janda\u00edra responder\u00e1 \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do seu habitat e \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas? Rodolfo Jaff\u00e9; Jamille C. 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