{"id":2950,"date":"2019-06-18T18:14:14","date_gmt":"2019-06-18T18:14:14","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=2950"},"modified":"2019-06-18T21:21:44","modified_gmt":"2019-06-18T21:21:44","slug":"artigo-3","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-151-maio-de-2019\/artigo-3\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">MELIPONICULTURA E POLINIZA\u00c7\u00c3O NO RIO GRANDE DO SUL<\/h1>\n<blockquote><p>Sidia Witter, Patr\u00edcia Nunes-Silva &amp; Betina Blochtein \u2013 <a href=\"mailto:sidia-witter@seapdr.rs.gov.br\">sidia-witter@seapdr.rs.gov.br<\/a><\/p><\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_2952\" aria-describedby=\"caption-attachment-2952\" style=\"width: 278px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Meliponicultura.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2952\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Meliponicultura-278x300.png\" alt=\"Mourella caerulea em flores de cebola Foto Betina Blochtein\" width=\"278\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Meliponicultura-278x300.png 278w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Meliponicultura-150x162.png 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Meliponicultura-464x500.png 464w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-1-Meliponicultura.png 748w\" sizes=\"(max-width: 278px) 100vw, 278px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2952\" class=\"wp-caption-text\">Mourella caerulea em flores de cebola Foto Betina Blochtein<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A agricultura \u00e9 praticada em todas as regi\u00f5es do territ\u00f3rio ga\u00facho, sendo historicamente reconhecida a import\u00e2ncia do Rio Grande do Sul para a oferta nacional de alimentos. Atualmente, as lavouras tempor\u00e1rias ocupam mais de nove milh\u00f5es de hectares no RS e, aproximadamente 90% da \u00e1rea \u00e9 voltada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os (cereais e oleaginosas), principal atividade agr\u00edcola do Estado (<a href=\"https:\/\/www.fee.rs.gov.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.fee.rs.gov.br<\/a>). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O RS \u00e9 o maior produtor nacional de uva, p\u00eassego, figo, pera, nectarina, kiwi, amora, mirtilo e azeitonas. Tem expressiva participa\u00e7\u00e3o no mercado de ameixa, ma\u00e7\u00e3, morango, caqui, citros para mesa, banana e abacaxi. A produ\u00e7\u00e3o ga\u00facha diferencia-se pela qualidade e pela possibilidade de produ\u00e7\u00e3o em \u00e9pocas de entressafra, o que permite a obten\u00e7\u00e3o de bons pre\u00e7os e viabiliza o com\u00e9rcio, para o consumo de mesa, em todo o Brasil. A produ\u00e7\u00e3o comercial de hortali\u00e7as \u00e9 uma das mais importantes atividades rurais no Estado, concentrando um alto \u00edndice de agricultores familiares e contribuindo fortemente para a inclus\u00e3o social e econ\u00f4mica (<a href=\"http:\/\/www.emater.tche.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.emater.tche.br<\/a>).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Muitas destas culturas no Rio Grande do Sul, especialmente frutas e legumes apresentam algum grau de depend\u00eancia de polinizadores para aumentar a produtividade. Para a melancia, o kiwi, a ab\u00f3bora e o mel\u00e3o a depend\u00eancia de polinizadores \u00e9 de 90 a 100%, enquanto para ma\u00e7\u00e3, p\u00eassego, nectarina, ameixa, pera, mirtilo e tomate o percentual \u00e9 entre 40 a 90%. A soja, por exemplo, de acordo com a cultivar pode ter um acr\u00e9scimo de at\u00e9 20% na produ\u00e7\u00e3o, assim como a laranja e o morango (Giannini et al., 2015).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A meliponicultura desponta atualmente como uma op\u00e7\u00e3o ao uso de Apis mellifera nos servi\u00e7os de poliniza\u00e7\u00e3o e, com potencial de aplica\u00e7\u00e3o para o incremento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Algumas das vantagens da utiliza\u00e7\u00e3o desse grupo de abelhas para poliniza\u00e7\u00e3o de culturas \u00e9 que possui alta diversidade de esp\u00e9cies, as col\u00f4nias s\u00e3o perenes, o ferr\u00e3o \u00e9 atrofiado e n\u00e3o oferecem perigo \u00e0s pessoas e animais em \u00e1reas agr\u00edcolas (Mel\u00e9ndez Ram\u00edrez et al., 2018). Os melipon\u00edneos podem ser especialmente importantes quando o assunto \u00e9 a poliniza\u00e7\u00e3o em estufas, onde a intera\u00e7\u00e3o com os trabalhadores \u00e9 mais intensa. Nesse tipo de cultivo, \u00e9 poss\u00edvel que as abelhas sem ferr\u00e3o, em especial as esp\u00e9cies de menor tamanho, possam ser mais facilmente direcionadas \u00e0 planta-alvo devido ao seu raio de voo reduzido (Mel\u00e9ndez Ram\u00edrez et al., 2018). No entanto, apesar da potencialidade, n\u00e3o h\u00e1 atualmente produ\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias visando a poliniza\u00e7\u00e3o, embora haja pr\u00e1ticas de manejo, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a multiplica\u00e7\u00e3o em larga escala para prover n\u00famero suficiente de col\u00f4nias. No Rio Grande do Sul, em 2018, segundo a Emater-RS\/ASCAR h\u00e1 registros de 547 meliponicultores assistidos, totalizando 3.248 colmeias. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O cultivo de morango em estufas fechadas proporciona vantagens como a prote\u00e7\u00e3o a condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas adversas e ataques de pragas e doen\u00e7as (Antunes et al., 2016). No entanto, esse sistema dificulta o acesso dos polinizadores (Kakutani et al., 1993), al\u00e9m de n\u00e3o haver a contribui\u00e7\u00e3o do vento, inviabilizando a produ\u00e7\u00e3o (Malagodi-Braga, 2018). De acordo com a cultivar, em diferentes graus, os morangos polinizados por insetos s\u00e3o mais pesados, proporcionando tamb\u00e9m uma redu\u00e7\u00e3o do percentual de frutos deformados (Witter et al., 2012). Uma dessas esp\u00e9cies de insetos, Plebeia nigriceps \u00e9 um potencial polinizador da cultura em ambiente protegido e seus ninhos s\u00e3o abundantes no Estado, encontrados em fendas de habita\u00e7\u00f5es humanas (Witter et al., 2007). Estudos realizados em S\u00e3o Paulo recomendam para a poliniza\u00e7\u00e3o de morangueiro em ambiente protegido, a introdu\u00e7\u00e3o de uma colmeia de Tetragonisca angustula para cada 1.350 plantas (Malagodi-Braga, 2018). No RS, estudos indicam a utiliza\u00e7\u00e3o de quatro colmeias de T. angustula para cada 170 m2 de \u00e1rea protegida para as cultivares Oso Grande, Tudla e Chandler (Antunes et al., 2007). <\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2953\" aria-describedby=\"caption-attachment-2953\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Meliponicultura.png\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2953\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Meliponicultura-300x225.png\" alt=\"Melipona quadrifasciata em flor de ma\u00e7\u00e3 - foto de Cleiton Jos\u00e9 Geuster.\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Meliponicultura-300x225.png 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Meliponicultura-150x113.png 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Meliponicultura-500x375.png 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Figura-2-Meliponicultura.png 748w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2953\" class=\"wp-caption-text\">Melipona quadrifasciata em flor de ma\u00e7\u00e3 &#8211; foto de Cleiton Jos\u00e9 Geuster.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A cultura da macieira \u00e9 altamente dependente de poliniza\u00e7\u00e3o (Giannini et al., 2015) e, dessa forma, a presen\u00e7a de col\u00f4nias de abelhas sem ferr\u00e3o nos pomares ou mesmo o seu manejo para esse fim \u00e9 ben\u00e9fico para a produ\u00e7\u00e3o de ma\u00e7\u00e3s (Viana et al., 2014). As abelhas sem ferr\u00e3o Schwarziana quadripunctata e Trigona spinipes foram observadas visitando flores de macieira no Rio Grande do Sul (Nunes-Silva et al., 2016). Outras esp\u00e9cies foram observadas em Santa Catarina, Mourella caerulea, Plebeia saiqui e Plebeia emerina (Ortolan &amp; Laroca, 1996; Nunes-Silva et al., 2016) e apesar de n\u00e3o terem sido observadas nos pomares do RS, elas ocorrem no Estado. Entre elas, P. emerina poliniza as flores de macieira eficientemente, aumentando a produtividade (Ortolan &amp; Laroca, 1996). Na Bahia, por exemplo, o cons\u00f3rcio de manda\u00e7aia (Melipona quadrifasciata) com Apis mellifera aumentou a produ\u00e7\u00e3o de frutos em 47% em rela\u00e7\u00e3o ao uso somente de A. mellifera (Viana et al., 2014).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Na cultura da canola, a autopoliniza\u00e7\u00e3o produz s\u00edliquas e sementes, entretanto, a produtividade pode ser aumentada quando as flores s\u00e3o visitadas por abelhas, gerando maior quantidade de s\u00edliquas e sementes, inclusive com aumento de peso (Witter et al., 2015). Em estudos realizados no RS, verificou-se que as flores de canola s\u00e3o visitadas por v\u00e1rias esp\u00e9cies de abelhas e, entre elas as abelhas sem ferr\u00e3o: P. nigriceps, P. emerina, S. quadripunctata, Tetragonisca fiebrigi e T. spinipes (Witter et al., 2014). Pesquisadores testaram a efici\u00eancia polinizadora de P. emerina e T. fiebrigi comparado com A. mellifera e, verificaram que as tr\u00eas esp\u00e9cies apresentam efici\u00eancia similar quando coletam p\u00f3len (Witter et al., 2015). Dessa maneira, as col\u00f4nias dessas esp\u00e9cies podem ser manejadas visando o aumento da produ\u00e7\u00e3o de canola, inclusive associadas ao uso de A. mellifera. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A poliniza\u00e7\u00e3o entom\u00f3fila pode exercer efeitos positivos na produ\u00e7\u00e3o da laranjeira (Citrus sinensis) promovendo aumentos no n\u00famero e peso dos frutos e no volume de suco, originando frutos mais doces e com maior quantidade de vitamina C (Malerbo-Souza et al., 2003, 2004; Malerbo-Souza &amp; Halak, 2013). Apesar da depend\u00eancia moderada (10 a 40%) por polinizadores, dos mais de US$ 2 bilh\u00f5es ganhos com a produ\u00e7\u00e3o anual de laranja, ao redor de US$ 500 milh\u00f5es \u00e9 atribu\u00eddo \u00e0 poliniza\u00e7\u00e3o por insetos (Giannini et al., 2015). Em fun\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da cultura do citros para o Brasil, das diferen\u00e7as de necessidade de poliniza\u00e7\u00e3o das variedades nas diversas regi\u00f5es do pa\u00eds e da discuss\u00e3o sobre os efeitos negativos da presen\u00e7a de abelhas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de sementes, tornam-se necess\u00e1rios mais estudos sobre o incremento de produtividade da cultura na presen\u00e7a de abelhas (Efrom &amp; Souza, 2018). Em flores de laranjeira no Rio Grande do Sul, foram identificadas sete esp\u00e9cies de Meliponini: M. caerulea, P. droryana, P. emerina, P. remota, S. quadripunctata, T. fiebrigi e T. spinipes (Tonietto et al., 2017). Como as flores de citros ofertam n\u00e9ctar em abund\u00e2ncia, constituem uma \u00f3tima fonte de recursos alimentares para as abelhas, proporcionando mat\u00e9ria-prima para um mel de sabor e aroma de excelente aceita\u00e7\u00e3o comercial (Malerbo-Souza et al., 2003), os melipon\u00edneos a exemplo de A. mellifera apresentam potencial para produ\u00e7\u00e3o de mel de laranjeira. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A a\u00e7\u00e3o de insetos \u00e9 indispens\u00e1vel para a produ\u00e7\u00e3o de sementes de cebola em escala comercial (Bohart et al., 1970) e a poliniza\u00e7\u00e3o induzida por esp\u00e9cies domesticadas de abelhas aumentam o rendimento de sementes em 2,5 vezes (Chandel et al., 2004). Um estudo realizado no Bioma Pampa, em Candiota, RS demonstra um aumento superior dea 20% na produ\u00e7\u00e3o de sementes de cebola na presen\u00e7a de insetos e, apesar de A. mellifera ter sido a mais abundante abelha nas flores, outros insetos tamb\u00e9m foram presentes, contribuindo para o aumento de produtividade na cultura. Um destaque foi M. caerulea, \u00fanico melipon\u00edneo encontrado na cultura (Witter et al., 2003), uma abelha que nidifica no solo a mais ou menos 40 cm da superf\u00edcie (Camargo &amp; Wittmann, 1989) e \u00e9 associada \u00e0 \u00e1reas de campo. A manuten\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o dos ninhos desta e, de outras esp\u00e9cies de abelhas nativas, aliados \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de parcelas de vegeta\u00e7\u00e3o natural, \u00e9 importante para a poliniza\u00e7\u00e3o de plantas nativas e cultivadas na regi\u00e3o do pampa (Witter et al., 2003).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A cria\u00e7\u00e3o e manejo de melipon\u00edneos podem gerar muitos benef\u00edcios econ\u00f4micos e ambientais. Incentivar a cria\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies regionais auxilia na preserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies do bioma onde s\u00e3o nativas, possibilita bons resultados para o meliponicultor (Santos &amp; Blochtein, 2018) e atende as demandas da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola regional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Sobre as Autoras<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Sidia Witter \u2013 Meus estudos com abelhas iniciaram com a leitura dos trabalhos do Dr. Paulo em 1989 e, finalmente o conheci no Encontro de Abelhas em 1998. Pouco tempo depois, quando fiz minha primeira palestra em um evento de meliponicultura no Rio Grande do Sul, ele estava na plateia, e tamb\u00e9m era um dos palestrantes. Eu estava t\u00e3o nervosa com ele l\u00e1 assistindo tudo. No final da minha apresenta\u00e7\u00e3o \u201cAs esp\u00e9cies de abelhas sem ferr\u00e3o do RS\u201d, sentei ao lado dele e ele me disse: voc\u00ea precisa transformar isso em um livro. Fiquei t\u00e3o feliz e claro que segui os conselhos do mestre e assim surgiu o livro: As esp\u00e9cies de abelhas sem ferr\u00e3o de ocorr\u00eancia no Rio Grande do Sul. S\u00f3 tenho agradecimentos por todos os ensinamentos desse grande mestre e pelo legado que ele nos deixou. Sidia Witter<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Patr\u00edcia Nunes-Silva &#8211; Conheci o Dr. Paulo em uma visita \u00e0 fazenda Aretuzina (S\u00e3o Sim\u00e3o, SP) na ent\u00e3o tradicional festa que marcava o final do Encontro sobre Abelhas em 2004. Foi uma grande emo\u00e7\u00e3o conhecer um dos grandes mestres das abelhas do Brasil. Sempre muito calmo e educado com todos, fazia um tour pelas col\u00f4nias de abelhas sem ferr\u00e3o que mantinha no local. Foi uma das primeiras vezes que pude ver a diversidade desse grupo de abelha e de tamanho, formas e arquitetura dos ninhos. Grande oportunidade! H\u00e1 esp\u00e9cies que nunca mais pude ver! Mas sua contribui\u00e7\u00e3o para minha forma\u00e7\u00e3o foi al\u00e9m: fiz mestrado no Laborat\u00f3rio de Ecologia de Abelhas (IB-USP) fundado por ele, sob orienta\u00e7\u00e3o de uma de suas orientadas, a Profa. Vera L\u00facia Imperatriz Fonseca, que seguiu me orientando no doutorado na USP-RP. E al\u00e9m de seu legado que tocou diretamente minha carreira, seu trabalho para o desenvolvimento e implementa\u00e7\u00e3o de leis ambientais foram (e s\u00e3o) essenciais para todos os bi\u00f3logos e para a sociedade. Patr\u00edcia Nunes Silva.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Betina Blochtein &#8211; Meu primeiro contato com a obra do Dr. Paulo Nogueira Neto foi em 1985, com a leitura da sua obra, publicada em 1970, \u201cA cria\u00e7\u00e3o de abelhas ind\u00edgenas sem ferr\u00e3o\u201d. Naquele per\u00edodo como estudante de mestrado dedicada ao estudo de abelhas fiquei encantada com a possibilidade de manejar racionalmente abelhas sem ferr\u00e3o. Anos depois o encontrei pessoalmente em eventos cient\u00edficos e conheci sua not\u00e1vel trajet\u00f3ria de engajamento com a causa ambiental, e protagonismo para a prote\u00e7\u00e3o ambiental no Brasil. O Dr. Paulo \u00e9 uma refer\u00eancia inspiradora que me aproximou dos melipon\u00edneos e do desejo de estuda-los e de proteg\u00ea-los. Muitas outras pessoas tamb\u00e9m seguiram este caminho e assim seu legado se perpetua em prol da meliponicultura sustent\u00e1vel no Brasil. Betina Blochtein. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>REFER\u00caNCIAS<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Antunes, L. E. C.; Reisser J\u00fanior, C.; Schwengber, J. E. Morangueiro. Bras\u00edlia, DF : Embrapa, 2016. 589 p.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Bohart, G. E.; NYE, W. P.; Hawthorn, L. R. Onion pollination as affected by different levels of pollinator activity. Bulletin of the Utah Agriculture Experiment Station, Logan, v. 482, p. 1-60, 1970.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Camargo, J. M.; Wittmann, D. Nest architecture and distribution of the primitive stingless bee, Mourella caerulea (hymenoptera, apidae, meliponinae): Evidence for the origin of Plebeia (s. lat.) on the gondwana continent. Studies on Neotropical Fauna and Environment, v. 24, n. 4, p. 213-229, 1989.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Chandel, R. S.; Thakur, R. K.; Bhardwaj, N. R.; Pathania, N. Onion seed crop pollination: A missing dimension in mountain Horticulture. Acta Horticulture, v. 631. p. 79-86, 2004.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Efrom, C. F. S.; Souza, P. V. D. Citricultura do Rio Grande do Sul: indica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. Porto Alegre: Secretaria da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Irriga\u00e7\u00e3o &#8211; SEAPI; DDPA, 2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">EMATER-RS\/ASCAR. Sistema de produ\u00e7\u00e3o vegetal. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.emater.tche.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.emater.tche.br<\/a>. Acesso em abril de 2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Funda\u00e7\u00e3o De Economia e Estat\u00edstica. Caracter\u00edsticas da Agropecu\u00e1ria no Rio Grande do Sul. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.fee.rs.gov.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.fee.rs.gov.br<\/a>. Acesso em abril de 2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Giannini, T. C., Cordeiro, G. D., Freitas, B. M., Saraiva, A. M., &amp; Imperatriz-Fonseca, V. L. The dependence of crops for pollinators and the economic value of pollination in Brazil. Journal of economic entomology, tov093, 2015.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Heard, T.A. The role of stingless bees in crop pollination. Annual Review of Entomology, v. 44, p.183\u2013206, 1999.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Kakutani, T.; Ioue, T.; Tezuca, T.; Maeta, Y. Pollination of strawberry by the stingless bee, Trigona minangkabau, and the honey bee, Apis mellifera: an experimental study of fertilization eficiency. Researches on Population Ecology, v.35, p.95\u2011111, 1993. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Malagodi-Braga, K. A poliniza\u00e7\u00e3o como fator de produ\u00e7\u00e3o na cultura do morango. Comunicado T\u00e9cnico 56. Jagari\u00fana: Embrapa Meio Ambiente. 2018. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/1355163\/39571283\/Comunicado-Tecnico-56-Malagodi-Braga2018.pdf\/9d0277a4-3b37-10e6-5c68-9d3e35590a54\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/1355163\/39571283\/Comunicado-Tecnico-56-Malagodi-Braga2018.pdf\/9d0277a4-3b37-10e6-5c68-9d3e35590a54<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Malerbo-Souza, D.T.; Nogueira-Couto, R.H.; Couto, L.A. Poliniza\u00e7\u00e3o em cultura de laranja (Citrus sinensis L. Osbeck, var. Pera-rio. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, v.40, n.4, p.237-242, 2003. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Malerbo-Souza, D.T.; Nogueira-Couto, R.H.; Couto, L.A. Honey bee attractants and pollination in sweet Orange, Citrus sinensis (L.) Osbeck, var. Pera-Rio. Journal of Venomous Animals and Toxins including Tropical Diseases, v.10, n.2, p.144-153, 2004.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Malerbo-Souza, D. T.; Halak, A. L. Efeito da intera\u00e7\u00e3o abelha-fl or na produ\u00e7\u00e3o de frutos em cultura de laranja (Citrus sinensis L. Osbeck). Zootecnia Tropical, v. 31, n. 1, p. 78-93. 2013.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Mel\u00e9ndez Ram\u00edrez, V., Ayala, R., Delf\u00edn Gonz\u00e1lez, H. Crop Pollination by Stingless Bees. In: Vit P., Pedro S., Roubik D. (eds) Pot-Pollen in Stingless Bee Melittology. Springer, Cham. 2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Nunes-Silva, P., Rosa, J. M., Witter, S., Schlemmer, L. M., Halinski, R., Ramos, J. D.; Arioli, C. J., Blochtein, B., Botton, M. Visitantes Florais e Potenciais Polinizadores da Cultura da Macieira. Comunicado T\u00e9cnico. Bento Gon\u00e7alves: Embrapa Uva e Vinho. 2016 <a href=\"https:\/\/www.infoteca.cnptia.embrapa.br\/handle\/doc\/1047639\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.infoteca.cnptia.embrapa.br\/handle\/doc\/1047639<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Ortolan, S. M. L .S.; Laroca, S. Melissocen\u00f3tica em \u00e1rea de cultivo de macieira (Pyrus malus L.) em Lages (Santa Catarina, sul do Brasil), com notas comparativas e experimento de poliniza\u00e7\u00e3o com Plebeia emerina.\u00a0Acta Biol\u00f3gica Paranaense, v. 25, p. 1-113, 1996.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Tonietto, A.; Galaschi Teixeira, J.; Efrom, C. F. S.; Witter, S. Fauna De Abelhas Associadas \u00c0s Flores De Citros. In: XXV Congresso Brasileiro de Fruticultura. Porto Seguro, Bahia. 2017. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/frut2017.tmeventos.com.br\/anais\/trabalho.php?nome=trabalho_326.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/frut2017.tmeventos.com.br\/anais\/trabalho.php?nome=trabalho_326.pdf<\/a>. Acesso em abril de 2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Vollet Neto, A.; Blochtein, B.; Viana, B.; Santos, C. F.; Menezes, C.; Nunes-Silva, P.; Jaff\u00e9, R.; Amoedo, S. Desafios e recomenda\u00e7\u00f5es para o manejo e transporte de polinizadores. S\u00e3o Paulo: A.B.E.L.H.A., 2018. 100p.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Viana, B. F.; Silva, F. O.; Coutinho, J. G. E.; Garibaldi, L. A.; Castagnino, G. L. B.; Gramacho, K. P.; Silva, F. O. Stingless bees further improve apple pollination and production. Journal of Pollination Ecology, v. 14, p. 261-269, 2014.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">WITTER, S.; BLOCHTEIN, B. Efeito da poliniza\u00e7\u00e3o por abelhas e outros insetos na produ\u00e7\u00e3o de sementes de cebola. Pesquisa Agropecu\u00e1ria Brasileira, v. 38, n. 12, p. 1399-1407, 2003.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">WITTER, S.; BLOCHTEIN, B.; ANDRADE, F.; WOLFF, L. F.; IMPERATRIZ-FONSECA, V. L. Meliponiculture in Rio Grande do Sul: Contribution to the biology and conservation of Plebeia nigriceps (Friese, 1901) (Apidae, Meliponini). Bioscience Journal, v. 23, S. 1, p. 134-140, 2007.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Witter, S.; Radin, B.; Lisboa, B. B.; Teixeira, J. S. G.; Blochtein, B.; Imperatriz-Fonseca, V. L. Desempenho de cultivares de morango submetidas a diferentes tipos de poliniza\u00e7\u00e3o em cultivo protegido. Pesquisa Agropecu\u00e1ria Brasileira, v.47, p. 58-65, 2012.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Witter, S.; Blochtein, B.; Nunes-Silva, P.; Tirelli, F.P.; Lisboa, B.B.; Bremm, C.; Lanzer, R. The bee community and its relationship to canola productivity in homogenous agricultural areas. Journal of Pollination Ecology, v. p. 12:15\u201321, 2014.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Witter, S.; Nunes-Silva, P.; Lisboa, B.B.; Tirelli, F.P.; Sattler, A.; Both Hilgert-Moreira, S.; Blochtein, B. Stingless Bees as Alternative Pollinators of Canola. Journal of Economic Entomology, v.108, p.880\u2013886, 2015.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MELIPONICULTURA E POLINIZA\u00c7\u00c3O NO RIO GRANDE DO SUL Sidia Witter, Patr\u00edcia Nunes-Silva &amp; Betina Blochtein \u2013 sidia-witter@seapdr.rs.gov.br A agricultura \u00e9 praticada em todas as regi\u00f5es do territ\u00f3rio ga\u00facho, sendo historicamente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"parent":2921,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"pmpro_default_level":"","_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"class_list":["post-2950","page","type-page","status-publish","hentry","pmpro-has-access"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2950"}],"collection":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2950"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2950\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3006,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2950\/revisions\/3006"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2921"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}