{"id":2860,"date":"2019-04-24T18:12:35","date_gmt":"2019-04-24T18:12:35","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=2860"},"modified":"2019-04-24T18:16:39","modified_gmt":"2019-04-24T18:16:39","slug":"artigo-3","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-150-marco-de-2019\/artigo-3\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">As Abelhas Solit\u00e1rias do Brasil<\/h1>\n<blockquote><p>Adriana Tiba e Julio Pupim (<a href=\"mailto:dritiba@icloud.com\">dritiba@icloud.com<\/a>; <a href=\"mailto:ssjmudas@hotmail.com\">ssjmudas@hotmail.com<\/a>)<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Desde o surgimento das flores no planeta, pequenos insetos aperfei\u00e7oaram seus corpos e desde ent\u00e3o realizam com efic\u00e1cia a continuidade de suas esp\u00e9cies. Alguns destes seres alados que chamamos de abelhas somam cerca de 20 mil esp\u00e9cies no mundo e s\u00e3o respons\u00e1veis n\u00e3o somente por garantir alimento para n\u00f3s humanos, como tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis pela perpetua\u00e7\u00e3o da diversidade da flora e da fauna.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">No Brasil s\u00e3o quase 2 mil esp\u00e9cies de abelhas j\u00e1 descritas, distribu\u00eddas por todos os ambientes do pa\u00eds, e curiosamente podem ser encontradas tamb\u00e9m em nossos jardins e quintais. Abelhas sociais ou abelhas ind\u00edgenas ou ainda abelhas sem ferr\u00e3o s\u00e3o as mais conhecidas. Pelo menos 300 esp\u00e9cies j\u00e1 foram descritas, e sua forma social de viver \u00e9 mais acess\u00edvel aos nossos olhares apressados e citadinos. Seus ninhos est\u00e3o nos ocos das \u00e1rvores antigas, em caixas de for\u00e7a el\u00e9trica, nos blocos de cimento dos muros, gavetas abandonadas, bules velhos e em tantos outros cantos cab\u00edveis de se aninhar. O entra e sai da popula\u00e7\u00e3o acaba atraindo o olhar, e l\u00e1 est\u00e3o elas, nos indicando que ainda h\u00e1 recursos necess\u00e1rios no local para que elas continuem se perpetuando. Sendo abelhas sociais, coletam n\u00e9ctar e o desidratam. O p\u00f3len tamb\u00e9m \u00e9 estocado e assim fica garantida a fonte de energia e prote\u00edna para suas atividades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As demais abelhas nativas, chamadas de solit\u00e1rias somam um pouco mais de 1700 esp\u00e9cies j\u00e1 identificadas no pa\u00eds. E como n\u00e3o as conhecemos? Porque num primeiro momento elas s\u00e3o como seres invis\u00edveis aos olhos, mas num piscar de olhos mais atento elas se multiplicam e se apresentam em cores, tamanhos, sons, cheiros e formas diversas. Seus ninhos s\u00e3o muito mais discretos, sendo a maioria constru\u00edda no solo. Algumas ainda fazem seus ninhos em pequenos orif\u00edcios j\u00e1 existentes em galhos, bambus, fissuras de pedra E n\u00e3o h\u00e1 um entra e sai constante do ninho como ocorre nas abelhas sociais. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O termo solit\u00e1ria significa que a abelha f\u00eamea ir\u00e1 cuidar da sua prole independentemente de outras abelhas, tanto na constru\u00e7\u00e3o do ninho, como na coleta de alimentos, assim como na oviposi\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 sobreposi\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es. No entanto, isso n\u00e3o significa que elas n\u00e3o possam fazer ninhos comunais ou agregados, sendo poss\u00edvel observar v\u00e1rias abelhas solit\u00e1rias utilizando uma entrada comum para seus ninhos, ou construindo num mesmo local v\u00e1rios ninhos, por\u00e9m cada abelha f\u00eamea cuidando do seu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Algumas abelhas procuram orif\u00edcios j\u00e1 existentes para nidificar, como \u00e9 o caso de Centris (Apinae), Megachile (Megachilinae) e Hylaeus (Colletinae). \u00c9 poss\u00edvel espalhar em nossa casa ninhos constru\u00eddos com madeiras e galhos furados e tamb\u00e9m com varetas de bambu. Isso possibilita atrair e notar a presen\u00e7a de colonizadores e tamb\u00e9m observar seu comportamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">H\u00e1 tamb\u00e9m abelhas cleptoparasitas que costumam entrar em ninhos de outras abelhas onde depositam seus ovos junto com os da hospedeira. Durante o desenvolvimento as larvas da abelha parasita passam a se alimentar do aprovisionamento deixado nas c\u00e9lulas de cria da abelha parasitada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Envolvimento<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O que um agricultor e uma ceramista t\u00eam em comum? Talvez uma curiosidade profunda em conhecer a fauna que se apresenta em seus espa\u00e7os verdes. Os cultivares atraindo seus polinizadores captaram tamb\u00e9m olhares atentos para as abelhas que transportavam p\u00f3len de uma flor \u00e0 outra, aumentando a produtividade e a qualidade de seus frutos. Os ninhos no ch\u00e3o de terra e de argila sinalizaram presen\u00e7a de abelhas solit\u00e1rias no quintal e a partir de observa\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, outros ninhos foram constru\u00eddos e elaborados com materiais naturais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A experi\u00eancia de observar o comportamento das abelhas locais propiciou o desenvolvimento de registro fotogr\u00e1fico e tamb\u00e9m de oficinas para est\u00edmulo de conhecimento e de constru\u00e7\u00e3o de ninhos para abelhas solit\u00e1rias. Saindo das fronteiras de nossos quintais, as experi\u00eancias cresceram de acordo com as atividades e as sa\u00eddas pelos cantos do pa\u00eds. E sempre que poss\u00edvel fica o registro e troca de informa\u00e7\u00f5es, discuss\u00e3o e dispers\u00e3o do conhecimento sobre as abelhas solit\u00e1rias do Brasil atrav\u00e9s do grupo \u201cAbelhas Urbanas sem Ferr\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Como a maioria destas abelhas nidifica no ch\u00e3o talvez explique a dificuldade em reconhecer seus ninhos e esse fato traz um alerta para as condi\u00e7\u00f5es em que estamos cuidando de nosso solo. Excesso de impermeabiliza\u00e7\u00e3o, tanto de pisos cobrindo quintais como asfalto em toda cidade aliados ao manejo do solo em \u00e1reas agr\u00edcolas e aplica\u00e7\u00e3o de diversos produtos qu\u00edmicos podem afetar as condi\u00e7\u00f5es naturais onde estas abelhas procriam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>As Oficinas<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As atividades com a sociedade de diferentes faixas et\u00e1rias t\u00eam propiciado trocas de conhecimento e apresentado novas rotas de descobertas. A cada encontro, aumenta o n\u00famero de pessoas curiosas e at\u00e9 mesmo engajadas na quest\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o das abelhas e de seus recursos. Aumentam os di\u00e1logos de educa\u00e7\u00e3o e as novas formas de propaga\u00e7\u00e3o oriundas de universos particulares e com expans\u00e3o surpreendente transitam do aposentado ao astr\u00f4nomo amador, e atingindo tamb\u00e9m poetas e professores da \u00e1rea acad\u00eamica. Toda din\u00e2mica resulta em novos encontros e abre possibilidades para novas explora\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Paralelamente, ao longo de quatro anos de pesquisa e de registro destas abelhas em nossos quintais, descobrimos outros g\u00eaneros que tamb\u00e9m constroem seus ninhos em barrancos como a Pseudaugochlora (Halictinae), no solo do s\u00edtio uma entrada de Epicharis (Apinae), na argila crua uma abelha Melitoma (Apinae) construindo c\u00e9lulas de cria para depositar seus ovos e muitas Xylocopa (Apinae) cavando com suas mand\u00edbulas entradas em madeiras moles ou em estado de decomposi\u00e7\u00e3o. E o estudo n\u00e3o tem fim, porque passamos a observar tamb\u00e9m onde elas buscam seus recursos, quais plantas elas visitam e ou polinizam, quem s\u00e3o seus parasitas, onde dormem os machos, quais odores e sons elas emitem e tantas outras curiosidades no mundo destas pequenas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Nas oficinas convidamos todos a cuidar de espa\u00e7os verdes, proporcionando assim locais ideais para que elas possam se aninhar. A felicidade de encontrar uma abelha construindo ninho a poucos cent\u00edmetro dos olhos \u00e9 imensur\u00e1vel. Sem contar no bem maior que realizamos para a manuten\u00e7\u00e3o do ecossistema.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">M\u00e3os \u00e0 obra e boa sorte! \u00c9 como sempre encerramos nossas oficinas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Agradecimento<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Gostar\u00edamos de agradecer a oportunidade de participar nesta edi\u00e7\u00e3o da revista com especial homenagem ao Sr. Constantino Zara. Estendemos o agradecimento \u00e0 Marilda Cortopassi-Laurino sempre nos acompanhando e sugerindo novos caminhos.<\/span><\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-2860 gallery-columns-2 gallery-size-full'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-1-Abelha-solitaria.jpg'><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"561\" height=\"317\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-1-Abelha-solitaria.jpg\" class=\"attachment-full size-full\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-2861\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-1-Abelha-solitaria.jpg 561w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-1-Abelha-solitaria-300x170.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-1-Abelha-solitaria-150x85.jpg 150w, 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href='https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-6-Abelha-solitaria.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1152\" height=\"300\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-6-Abelha-solitaria.jpg\" class=\"attachment-full size-full\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-2866\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-6-Abelha-solitaria.jpg 1152w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-6-Abelha-solitaria-300x78.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-6-Abelha-solitaria-1024x267.jpg 1024w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-6-Abelha-solitaria-150x39.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-6-Abelha-solitaria-500x130.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2866'>\n\t\t\t\tPotes de cer\u00e2mica para Euglossa \u2013 abelha das orqu\u00eddeas ou abelhas de l\u00edngua longa e ninhos em argila crua que podem ser ocupados por M. segmentaria\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-7-Abelha-solitaria.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"266\" height=\"342\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-7-Abelha-solitaria.jpg\" class=\"attachment-full size-full\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-2867\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-7-Abelha-solitaria.jpg 266w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-7-Abelha-solitaria-233x300.jpg 233w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-7-Abelha-solitaria-150x193.jpg 150w\" 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