{"id":2842,"date":"2019-04-24T17:15:55","date_gmt":"2019-04-24T17:15:55","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=2842"},"modified":"2019-04-24T17:22:31","modified_gmt":"2019-04-24T17:22:31","slug":"homenagem","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-150-marco-de-2019\/homenagem\/","title":{"rendered":"Homenagem"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">PROF. WARWICK ESTEVAM KERR, UM DOS MAIORES EXEMPLOS DE CIDADANIA, AMOR \u00c0 CI\u00caNCIA E AMOR AO PR\u00d3XIMO.<\/h1>\n<blockquote><p>Lionel Segui Gon\u00e7alves &#8211; Professor Titular aposentado da USP-Ribeir\u00e3o Preto-SP, Pesquisador Visitante Volunt\u00e1rio da UFERSA-Mossor\u00f3-RN e Presidente da Ong \u201cBEE OR NOT TO BE\u201d.<br \/>\nE-mail: <a href=\"mailto:lsgoncal@ffclrp.usp.br\">lsgoncal@ffclrp.usp.br<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A tristeza que me encontro para redigir este texto, homenagem p\u00f3stuma sobre o falecimento no ultimo dia 15\/9\/2018 de meu querido Mestre, Pai cient\u00edfico e Amigo, Prof. Dr.Warwick Estevam Kerr, meu orientador de doutorado na USP, n\u00e3o \u00e9 maior que a alegria e o grande prazer que sinto em enaltecer as qualidades desse homem do bem, honrado, religioso, exemplar pai de fam\u00edlia. Sua vida representa para mim um dos maiores exemplos de cidadania, amor \u00e0 ci\u00eancia e amor ao pr\u00f3ximo. O Brasil perde um de seus mais importantes cientistas e a Apicultura e Meliponicultura brasileira deixam de contar com um de seus mais importantes incentivadores.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2843\" aria-describedby=\"caption-attachment-2843\" style=\"width: 561px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-1-War.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2843\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-1-War.jpg\" alt=\"Foto utilizada na na capa do livro \u201cBiology,Genetics and Evolution of Bees\u201d \u2013 GMR-Genetics and Molecular Research, v8.n.2,2009 publicado pela FUNPEC - RP.\" width=\"561\" height=\"782\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-1-War.jpg 561w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-1-War-215x300.jpg 215w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-1-War-150x209.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Foto-1-War-359x500.jpg 359w\" sizes=\"(max-width: 561px) 100vw, 561px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2843\" class=\"wp-caption-text\">Foto utilizada na na capa do livro \u201cBiology,Genetics and Evolution of Bees\u201d \u2013 GMR-Genetics<br \/>and Molecular Research, v8.n.2,2009 publicado pela FUNPEC &#8211; RP.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As entidades cient\u00edficas e de apoio \u00e0 ci\u00eancia como a Sociedade Brasileira de Gen\u00e9tica, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia das quais foi Presidente, a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo a Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo da qual foi o primeiro Diretor Cient\u00edfico, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia do qual foi Presidente por duas vezes, s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es que registram sua dedica\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o em prol da ci\u00eancia. V\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias como a Universidade Federal do Maranh\u00e3o, a Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia tamb\u00e9m contou com as atividades de ensino, pesquisa e extens\u00e3o do Prof. Kerr e tamb\u00e9m a Universidade Estadual do Maranh\u00e3o onde ele foi reitor. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Dois anos ap\u00f3s ter se formado como engenheiro agr\u00f4nomo na ESALQ &#8211; Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, de Piracicaba, USP, concluiu seu doutorado sobre gen\u00e9tica de abelhas sem ferr\u00e3o e em seguida foi convidado como docente pelo Instituto Isolado ou Faculdade de Filosofia Ci\u00eancias e Letras de Rio Claro-SP (posteriormente UNESP), tendo ali criado o Departamento de Biologia. Ainda como docente da Biologia o Prof. Kerr foi convidado pelo ent\u00e3o Governador Carvalho Pinto, a ocupar o cargo de primeiro diretor cientifico da rec\u00e9m-criada FAPESP &#8211; Funda\u00e7\u00e3o de Amparo a Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo, tendo sido o respons\u00e1vel pelas eficientes normas e diretrizes que tornaram a FAPESP uma entidade exemplar de apoio \u00e0 ci\u00eancia e a pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo, modelo copiado posteriormente por outros estados do Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Mais tarde e ainda como diretor cientifico da Fapesp e mesmo n\u00e3o sendo m\u00e9dico, recebeu um convite desafiador, do diretor da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto-USP, para fundar o Departamento de Gen\u00e9tica da FMRP. Nesse departamento criou o setor de gen\u00e9tica de abelhas, do qual fui seu primeiro respons\u00e1vel como doutorando do Prof. Kerr, sendo mais tarde criados outros setores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">\u00c9 importante destacar que antes da chegada do Prof. Kerr os conhecimentos de gen\u00e9tica eram ensinados aos alunos de medicina em alguns cap\u00edtulos de disciplinas do Departamento de Morfologia. Com a cria\u00e7\u00e3o do Departamento de Gen\u00e9tica foi criada a primeira disciplina de gen\u00e9tica ministrada num curso de medicina no Brasil, ministrada ent\u00e3o pelo engenheiro agr\u00f4nomo e seus colaboradores. Gra\u00e7as \u00e0 capacidade de aglutina\u00e7\u00e3o de pesquisadores interessados em gen\u00e9tica pelo Prof. Kerr v\u00e1rios pesquisadores de outras unidades da USP passaram a integrar sua equipe e a trabalhar sob um mesmo teto, formando-se ent\u00e3o o \u201cPrimeiro Laborat\u00f3rio Integrado de Gen\u00e9tica da USP\u201d em Ribeir\u00e3o Preto, integrando fisicamente e por interesses comuns, docentes da FMRP, da Faculdade de Filosofia e da Faculdade de Odontologia. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Todos trabalhavam de maneira integrada em cursos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e todos desenvolviam conjuntamente projetos de pesquisas e servi\u00e7os de extens\u00e3o, numa verdadeira harmonia proporcionada pelo entusiasmo do Prof. Kerr, que sempre afirmava que a uni\u00e3o faz a for\u00e7a. Eu por exemplo, apesar de ter sido docente da Faculdade de Filosofia e inclusive ter sido Diretor daquela unidade da USP, nunca tive sala ou laborat\u00f3rio nas depend\u00eancias da Filosofia, trabalhando sempre no Departamento de Gen\u00e9tica onde fiz meu doutorado e defendi minha livre doc\u00eancia e apesar de ter realizado meu concurso de Titular na Faculdade de Filosofia, gra\u00e7as a essa integra\u00e7\u00e3o Inter unidades sempre continuei no Departamento de Gen\u00e9tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Para demonstrar um dos resultados positivos dessa integra\u00e7\u00e3o relato que o Departamento de Gen\u00e9tica da FMRP, por ocasi\u00e3o de seus 40 anos de atividades, em 2011, j\u00e1 tinha mais de 700 titula\u00e7\u00f5es (326 mestrados e 367 doutorados) 30% das quais sobre temas relacionados a abelhas, al\u00e9m de in\u00fameros \u201cpapers\u201d publicados nas mais importantes revistas cientificas do pa\u00eds e exterior, sendo na ocasi\u00e3o um dos Departamentos mais produtivos da FMRP e da USP.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Portanto, a substanciosa rela\u00e7\u00e3o de obras educacionais e publica\u00e7\u00f5es cientificas, ampla rela\u00e7\u00e3o de orientados e colaboradores no Brasil e no exterior formam o valios\u00edssimo curr\u00edculo do Prof. Kerr, digno de constar nas mais importantes bibliotecas de nosso pais, como modelo e exemplo de dedica\u00e7\u00e3o. Sua defesa pelos injusti\u00e7ados, que lhe ocasionaram inclusive persegui\u00e7\u00f5es e pris\u00f5es pol\u00edticas, juntamente com suas obras cientificas e educacionais, representam um legado de a\u00e7\u00f5es que raramente algu\u00e9m deixa, se n\u00e3o tiver dotado das melhores qualidades intelectuais e human\u00edsticas poss\u00edveis em um ser humano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Agora, relacionado \u00e0 obra cient\u00edfica sobre as abelhas desejo fazer alguns coment\u00e1rios. Durante os meus 55 anos de carreira intensamente vividos ao lado do Prof. Kerr como seu disc\u00edpulo e seguidor, trabalhando com as abelhas africanizadas, colaborei e testemunhei sua inquieta, intensa e permanente vontade de ajudar os apicultores a superar os problemas surgidos com a introdu\u00e7\u00e3o das abelhas africanas no Brasil e a desenvolver a meliponicultura no pa\u00eds. Embora a maioria de suas publica\u00e7\u00f5es tenham sido sobre as abelhas sem ferr\u00e3o, sua vida foi marcada e registrada internacionalmente com enfoque na introdu\u00e7\u00e3o das abelhas africanas no Brasil e suas consequ\u00eancias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">De 1963 at\u00e9 os dias de hoje tive o grande privil\u00e9gio de acompanhar e testemunhar todas as fases da africaniza\u00e7\u00e3o das abelhas no Brasil, conhecidas pela m\u00eddia como \u201ckiller bees\u201d, em especial no \u201cper\u00edodo ca\u00f3tico\u201d que foi principalmente de 1964 a 1980 quando ocorreram com maior frequ\u00eancia os acidentes com mortes de animais e pessoas. Fui, na ocasi\u00e3o, testemunha da sua ansiedade, sofrimento e profundo desejo de encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para a agressividade dessas abelhas descendentes das rainhas trazidas da \u00c1frica pelo Professor e introduzidas no Brasil em 1956.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">N\u00e3o foram dias f\u00e1ceis, muitos dos quais inesquec\u00edveis, principalmente quando nos chegavam not\u00edcias da m\u00eddia apontando mortes de animais e pessoas e sempre direcionadas ao introdutor das abelhas como o principal respons\u00e1vel. Na ocasi\u00e3o a m\u00eddia foi massacrante e sempre admirei o comportamento sereno do Mestre, apesar da tens\u00e3o reinante que, sem duvida, somente uma pessoa altamente equilibrada e dotada de s\u00e9rios princ\u00edpios e convic\u00e7\u00f5es religiosas poderia resistir. Lembro-me que na ocasi\u00e3o sua orienta\u00e7\u00e3o principal a n\u00f3s, seus colaboradores na miss\u00e3o, era sempre direcionada aos estudos e m\u00e9todos de manejo das abelhas, para que pud\u00e9ssemos controlar essas abelhas uma vez que sua biologia era totalmente desconhecida na ocasi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Sua persist\u00eancia na dire\u00e7\u00e3o de se controlar a agressividade das abelhas pelo manejo j\u00e1 era fruto de sua experi\u00eancia cientifica e, em minha opini\u00e3o, hoje constato que ele estava correto, pois, como n\u00e3o conhec\u00edamos a biologia dessas abelhas e esse conhecimento demandava muito mais tempo e pesquisas, restava fazer algo mais imediato relacionado ao manejo. Gra\u00e7as aos estudos de manejo aos poucos seus colaboradores, t\u00e9cnicos e orientados, tanto da Gen\u00e9tica como de outras institui\u00e7\u00f5es, gradativamente descobriam mais vari\u00e1veis que interferiam na redu\u00e7\u00e3o do comportamento agressivo das abelhas, destacando aqui, por exemplo, um bom uso dos fumegadores, maior espa\u00e7amento entre as colmeias, n\u00e3o manipula\u00e7\u00e3o das abelhas em dias chuvosos, uso de vestimentas claras, etc., tudo isso devidamente testados cientificamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Na ocasi\u00e3o trabalh\u00e1vamos sempre sob press\u00e3o da m\u00eddia e eu sentia que o Mestre sofria a cada not\u00edcia de acidente com abelhas, por\u00e9m tenho a certeza que seus princ\u00edpios religiosos e seu amor a um ente superior, nosso Deus, era o \u00fanico esteio que o mantinha esperan\u00e7oso de dias melhores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Muitos m\u00e9todos cient\u00edficos para reduzir a agressividade das abelhas foram utilizados como irradia\u00e7\u00f5es com bomba de cobalto com o objetivo de obter mutantes mais mansos, as milhares de rainhas italianas que distribu\u00edmos para hibridizar as col\u00f4nias de abelhas em dire\u00e7\u00e3o a uma linhagem mais mansa que o querido mestre pretendia obter para distribuir aos apicultores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">\u00c9 importante comentar que durante o per\u00edodo compreendido da introdu\u00e7\u00e3o das abelhas africanas aos dias de hoje houve sempre uma evolu\u00e7\u00e3o significativa da apicultura brasileira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Antes da chegada das africanas ao Brasil em 1956 a produ\u00e7\u00e3o ap\u00edcola nacional oscilava em torno de 4 a 5 mil toneladas de mel por ano e a apicultura era desenvolvida com abelhas europeias introduzidas anteriormente pelos europeus no pa\u00eds. A apicultura era mais como hobby, tendo as t\u00e9cnicas ap\u00edcolas uma grande influ\u00eancia europeia, principalmente dos alem\u00e3es que vieram colonizar o sul do Brasil. A baixa produtividade da apicultura brasileira na d\u00e9cada de 50 comparada com a superior produ\u00e7\u00e3o ap\u00edcola de pa\u00edses vizinhos ao Brasil como a Argentina, levaram o Prof. Kerr a fazer um estudo sobre as ra\u00e7as de abelhas, tendo ele constatado que na \u00c1frica existiam abelhas mais produtivas que as europeias introduzidas no Brasil, tendo ent\u00e3o decidido importar as abelhas africanas Apis mellifera scutellata em 1956.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As caracter\u00edsticas das africanas que mais atra\u00edram o Prof. Kerr foram a alta produtividade, alta capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, a resist\u00eancia a doen\u00e7as e alta taxa de enxamea\u00e7\u00e3o, tendo ele planejado fazer uma sele\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas mais importantes antes de distribuir aos apicultores brasileiros. As rainhas importadas pelo Prof. Kerr foram introduzidas em colmeias que possu\u00edam abelhas europeias no Horto Florestal de Camacuam, no Munic\u00edpio de Rio Claro \u2013SP onde ficaram em quarentena.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">No entanto um apicultor visitante ao constatar que as abelhas estavam perdendo gr\u00e3os de p\u00f3len na entrada das colmeias, devido \u00e0s telas excluidoras de rainhas e zang\u00f5es instaladas na entrada das colmeias, resolveu tirar as telas sem avisar o Prof. Kerr, que tomou conhecimento somente quando j\u00e1 haviam sido iniciadas as enxamea\u00e7\u00f5es. As enxamea\u00e7\u00f5es e as consequentes africaniza\u00e7\u00f5es das abelhas deu origem \u00e0s descendentes, abelhas polih\u00edbridas africanizadas, por\u00e9m antes do Prof. Kerr fazer a sele\u00e7\u00e3o programada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A partir de 1956 ocorreu a africaniza\u00e7\u00e3o das abelhas e os acidentes se repetiam com frequ\u00eancia, principalmente devido a falta de conhecimento dos m\u00e9todos de manejo dessas abelhas, sendo que aproximadamente de 1964 a 1980 ocorreu praticamente o auge dos acidentes, tendo ocorrido ent\u00e3o o \u201ccaos da apicultura brasileira\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Houve inicialmente uma redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o ap\u00edcola onde as abelhas chegavam, devido ao abandono da atividade ap\u00edcola por muitos apicultores, em face da agressividade das abelhas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Na d\u00e9cada de 60 foi criada no Rio Grande do Sul a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Apicultura, da qual participou o Prof. Kerr e em seguida os apicultores do sul do Brasil iniciaram as discuss\u00f5es do que fazer com essa nova e desconhecida abelha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Assim, em 1970 foi realizado o Primeiro Congresso Brasileiro de Apicultura, em Florian\u00f3polis &#8211; SC, e do qual toda a equipe do Prof. Kerr tomou parte, sendo o tema principal do referido congresso a \u201cagressividade\u201d. A partir desse congresso houve muita a\u00e7\u00e3o ap\u00edcola nas Associa\u00e7\u00f5es de apicultores e reuni\u00f5es cient\u00edficas em v\u00e1rios centros universit\u00e1rios em varias regi\u00f5es do Brasil e com grande destaque nos laborat\u00f3rios da USP de Ribeir\u00e3o Preto, sob a lideran\u00e7a do Prof. Kerr e seus colaboradores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">De 1970 a 1980 houve um grande salto de conhecimentos sobre a biologia e sobre o manejo das abelhas africanizadas, principalmente com a contribui\u00e7\u00e3o dos cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o iniciados em 1971 e que deram uma grande contribui\u00e7\u00e3o at\u00e9 os dias de hoje.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">De 1980 a 1990 os temas principais dos congressos brasileiros de apicultura j\u00e1 n\u00e3o mais tratavam da agressividade das abelhas e o associativismo foi muito incentivado em v\u00e1rios estados do pais, aumentando gradativamente a produ\u00e7\u00e3o ap\u00edcola nacional e gradativamente o tema \u201cagressividade das abelhas\u201d vinha sendo reduzido na m\u00eddia. No entanto, lembro-me que, apesar dessa redu\u00e7\u00e3o da agressividade das abelhas e da diminui\u00e7\u00e3o da press\u00e3o da m\u00eddia, numa ocasi\u00e3o em 1980 meu querido Mestre comentou: Ser\u00e1 que algum dia eu conseguirei me livrar desse terr\u00edvel trauma que \u00e9 a agressividade dessas abelhas?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">De 1990 a 2000 a apicultura brasileira progrediu consideravelmente tendo nossa produ\u00e7\u00e3o ap\u00edcola atingido a quantidade de 40 mil toneladas de mel\/ano. Embora a situa\u00e7\u00e3o da apicultura brasileira tenha melhorado consideravelmente a partir de 2000, o nordeste brasileiro que anteriormente n\u00e3o aparecia nas estat\u00edsticas de produ\u00e7\u00e3o ap\u00edcola passava ent\u00e3o a figurar como uma regi\u00e3o produtora de mel e respons\u00e1vel por aproximadamente 1\/3 da produ\u00e7\u00e3o ap\u00edcola nacional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Aparentemente a apicultura em nosso pa\u00eds parecia estar numa nova fase de expans\u00e3o. No entanto em 2009 a APIMONDIA &#8211; Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Apicultores fez um alerta em seu congresso mundial de apicultura da Fran\u00e7a sobre o perigo oferecido pelos pesticidas a apicultura francesa e o risco do mesmo ocorrer em outros pa\u00edses.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Infelizmente j\u00e1 a partir de 2012 a apicultura e a meliponicultura brasileira come\u00e7aram tamb\u00e9m a sofrer a a\u00e7\u00e3o do uso de pesticidas na agricultura, ocorrendo a morte de abelhas. Com isso nova batalha surgia, a luta contra os pesticidas e o tema agressividade das abelhas passava a ser substitu\u00eddo pelo tema pesticidas e a morte das abelhas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Atualmente praticamente todos os estados brasileiros apresentam perdas de abelhas (morte e desaparecimento das abelhas ou CCD \u2013 Collony Colapse Disorder) devido ao uso indiscriminado dos pesticidas, em especial os sist\u00eamicos neonicotinoides e o fipronil, sendo hoje o principal problema da apicultura e meliponicultura brasileira. Na Europa, Estados Unidos e outros pa\u00edses atribui-se a morte das abelhas e o CCD principalmente ao acaro Varroa destructor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Entretanto, no Brasil as perdas n\u00e3o s\u00e3o atribu\u00eddas ao acaro e sim aos pesticidas. A resist\u00eancia das abelhas africanizadas ao acaro Varroa destructor d\u00e1-se devido aos genes recessivos do comportamento higi\u00eanico que \u00e9 gen\u00e9tico e isso evita o uso de acaricidas contra essa praga. Portanto, n\u00e3o existem estat\u00edsticas de perdas de colmeias devido a varroatose no Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Por outro lado, h\u00e1 v\u00e1rios anos e por v\u00e1rias vezes j\u00e1 ouvi coment\u00e1rios no seguinte teor: que fant\u00e1stico como esse professor introdutor das abelhas africanas no Brasil teve essa vis\u00e3o maravilhosa de introduzir no Brasil essa abelha produtiva e altamente resistente a doen\u00e7as e pragas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Com isso a apicultura vem crescendo no pa\u00eds a cada ano, a produtividade j\u00e1 ultrapassa as 50 mil toneladas de mel ao ano, nosso mel \u00e9 considerado de excelente qualidade e grande parte \u00e9 org\u00e2nico e afirmo que a agressividade n\u00e3o \u00e9 mais o principal problema da apicultura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Caro Mestre, aquela sua pergunta, se um dia voc\u00ea conseguiria se livrar do trauma da agressividade das abelhas africanizadas, j\u00e1 foi devidamente respondida. Portanto meu querido \u201cDr. Kerr\u201d, como um de seus seguidores, kerzista com muito orgulho e especialista em gen\u00e9tica de abelhas africanizadas, com muita humildade e seguran\u00e7a, reafirmo que VOCE CONSEGUIU. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Descanse em paz sob a prote\u00e7\u00e3o divina de quem voc\u00ea sempre confiou e acreditou, no nosso Deus. Aqui fica minha mais pura e sincera homenagem p\u00f3stuma a este grande cientista brasileiro.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PROF. WARWICK ESTEVAM KERR, UM DOS MAIORES EXEMPLOS DE CIDADANIA, AMOR \u00c0 CI\u00caNCIA E AMOR AO PR\u00d3XIMO. 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