{"id":2699,"date":"2018-10-26T19:25:47","date_gmt":"2018-10-26T19:25:47","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=2699"},"modified":"2018-10-26T19:25:47","modified_gmt":"2018-10-26T19:25:47","slug":"artigo-5","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-148-setembro-de-2018\/artigo-5\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">Avalia\u00e7\u00e3o do potencial do p\u00f3len ap\u00edcola como bioindicador de contamina\u00e7\u00e3o ambiental por agrot\u00f3xicos<\/h1>\n<blockquote><p>Autora:\u00a0Renata Cabrera de Oliveira &#8211; Orientadora:\u00a0Susanne Rath<br \/>\nunidade:\u00a0instituto de qu\u00edmica (iq) &#8211; financiamento:\u00a0fapesp.<br \/>\nTexto: manuel alves filho fotos: divulga\u00e7\u00e3o \/ antoninho perri edi\u00e7\u00e3o de imagens: diana melo &#8211; Fonte: jornal da unicamp n\u00ba 612<\/p><\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_2701\" aria-describedby=\"caption-attachment-2701\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Avaliacao_foto1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2701\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Avaliacao_foto1.jpg\" alt=\"A Farmac\u00eautica bioqu\u00edmica Renata Cabrera de Oliveira, Autora da tese: se os agrot\u00f3xicos est\u00e3o presentes no pol\u00e9n, \u00e9 sinal que tamb\u00e9m est\u00e3o no ambiente.\" width=\"400\" height=\"245\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Avaliacao_foto1.jpg 400w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Avaliacao_foto1-300x184.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Avaliacao_foto1-150x92.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2701\" class=\"wp-caption-text\">A Farmac\u00eautica bioqu\u00edmica Renata Cabrera de Oliveira, Autora da tese: se os agrot\u00f3xicos est\u00e3o presentes no pol\u00e9n, \u00e9 sinal que tamb\u00e9m est\u00e3o no ambiente.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Pesquisa desenvolvida para a tese de doutorado da farmac\u00eautica bioqu\u00edmica Renata Cabrera de Oliveira comprovou a viabilidade do uso do p\u00f3len ap\u00edcola como bioindicador de contamina\u00e7\u00e3o ambiental por agrot\u00f3xicos. O estudo, orientado pela professora Susanne Rath, do Instituto de Qu\u00edmica (IQ) da Unicamp, e coorientado pela pesquisadora Sonia Cl\u00e1udia do Nascimento Queiroz, da Embrapa Meio Ambiente, constatou a presen\u00e7a de defensivos em sete de 21 amostras coletadas em api\u00e1rios comerciais da cidade de Ribeir\u00e3o Preto, no interior de S\u00e3o Paulo. \u201cSe as subst\u00e2ncias est\u00e3o no p\u00f3len, \u00e9 sinal de que est\u00e3o tamb\u00e9m no ambiente. Isso revela a necessidade de maior controle em torno do uso desses produtos\u201d, afirma a autora do trabalho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O estudo conduzido por Renata foi dividido em tr\u00eas partes. Inicialmente, ela coletou, entre mar\u00e7o de 2012 e maio de 2013, 145 amostras de p\u00f3len de um api\u00e1rio experimental instalado na \u00e1rea da Embrapa Meio Ambiente, localizada na cidade de Jaguari\u00fana, vizinha a Campinas. Nas imedia\u00e7\u00f5es do api\u00e1rio, a pesquisadora espalhou amostradores passivos, esp\u00e9cie de esponjas que ret\u00eam contaminantes do ambiente, a fim de estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o quantitativa entre a concentra\u00e7\u00e3o encontrada nos amostradores e os n\u00edveis de contamina\u00e7\u00e3o das amostras de p\u00f3len ap\u00edcola. Ao analisar as amostras de p\u00f3len e as esponjas quanto \u00e0 presen\u00e7a de 26 subst\u00e2ncias, a farmac\u00eautica detectou a presen\u00e7a em quantidade reduzida de dois agrot\u00f3xicos, bioletrina e pendimetalina, ainda que ela tivesse conhecimento pr\u00e9vio do uso de diferentes defensivos por parte de agricultores da vizinhan\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A autora da tese explica que o resultado provavelmente se deveu ao fato de o api\u00e1rio estar situado dentro de uma \u00e1rea de microrreserva ambiental, que funcionou como barreira de prote\u00e7\u00e3o contra os defensivos agr\u00edcolas. \u201cSe o api\u00e1rio estivesse localizado em um ponto distante da microrreserva, provavelmente o resultado teria sido outro\u201d, infere Renata. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A segunda parte da pesquisa consistiu em analisar amostras de p\u00f3len de api\u00e1rios comerciais de Ribeir\u00e3o Preto, importante centro produtor de mel do Estado de S\u00e3o Paulo, onde a pesquisadora encontrou um quadro completamente diferente do anterior.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Naquele munic\u00edpio, conforme a autora da tese, j\u00e1 havia o registro de mortes excessivas de abelhas, e os apicultores se mostravam bastante preocupados com a situa\u00e7\u00e3o. Houve caso de produtor que perdeu uma colmeia inteira, provavelmente por causa da contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos. L\u00e1, Renata coletou 21 amostras, sendo que em sete delas foram encontradas presen\u00e7as significativas dos agrot\u00f3xicos alacloro, aldrin, bioaletrina, endossulfan alfa, fempropatrim, permetrina e trifluralina, alguns deles pertencentes \u00e0 classe dos organoclorados, que s\u00e3o potencialmente cancer\u00edgenos e cujo uso \u00e9 proibido pela legisla\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2700\" aria-describedby=\"caption-attachment-2700\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Avaliacao_foto2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2700\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Avaliacao_foto2.jpg\" alt=\"O estudo analisou p\u00f3lens coletados em api\u00e1rios comerciais de Ribeir\u00e3o Preto. Das 21 amostras analisadas, sete apresentaram presen\u00e7a significativa dos agrot\u00f3xicos Alacloro, Aldrin, Bioaletrina, Endossufan Alfa, Fempropatrim, Permetrina e Trifluralina.\" width=\"350\" height=\"217\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Avaliacao_foto2.jpg 350w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Avaliacao_foto2-300x186.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Avaliacao_foto2-150x93.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2700\" class=\"wp-caption-text\">O estudo analisou p\u00f3lens coletados em api\u00e1rios comerciais de Ribeir\u00e3o Preto. Das 21 amostras analisadas, sete apresentaram presen\u00e7a significativa dos agrot\u00f3xicos Alacloro, Aldrin, Bioaletrina, Endossufan Alfa, Fempropatrim, Permetrina e Trifluralina.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Segundo Renata, a an\u00e1lise tamb\u00e9m identificou a presen\u00e7a de piretroides em algumas amostras, subst\u00e2ncias muito utilizadas em inseticidas dom\u00e9sticos. \u201cComo no Brasil n\u00e3o h\u00e1 legisla\u00e7\u00e3o que estabele\u00e7a limites para a presen\u00e7a desses contaminantes no p\u00f3len ap\u00edcola, n\u00f3s tivemos que extrapolar os dados com base no que \u00e9 determinado para outros alimentos. Em uma das amostras n\u00f3s identificamos a presen\u00e7a de uma quantidade de agrot\u00f3xicos dez vezes acima do permitido para alimentos. Isso \u00e9 extremamente preocupante, pois oferece pistas de que o mel tamb\u00e9m pode estar contaminado. Sem falar que o p\u00f3len ap\u00edcola tem sido muito utilizado como alimento, podendo ser comprado em qualquer loja de produtos naturais. Por causa da falta de controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma boa chance de as pessoas estarem ingerindo esses produtos ap\u00edcolas contaminados\u201d, alerta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Para que uma quantidade t\u00e3o expressiva de agrot\u00f3xicos atinja as colmeias, prossegue Renata, \u00e9 necess\u00e1rio que a concentra\u00e7\u00e3o dessas subst\u00e2ncias no ambiente seja muito elevada. \u201cA pesquisa n\u00e3o fez essa correla\u00e7\u00e3o quantitativa, visto que n\u00e3o foi poss\u00edvel utilizar os amostradores passivos em Ribeir\u00e3o Preto. No entanto, o estudo fornece uma forte evid\u00eancia de que est\u00e1 havendo um uso indiscriminado de defensivos agr\u00edcolas por parte dos agricultores\u201d, considera.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A pesquisadora lembra que, nesse caso, a fonte de contamina\u00e7\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3xima dos api\u00e1rios, pois as abelhas viajam, em m\u00e9dia, de dois a tr\u00eas quil\u00f4metros por dia em busca de alimento. Em casos excepcionais, esse deslocamento pode chegar a sete quil\u00f4metros. Al\u00e9m de comprovar que o p\u00f3len ap\u00edcola \u00e9 vi\u00e1vel como bioindicador de contamina\u00e7\u00e3o ambiental por agrot\u00f3xicos, o estudo demonstrou ainda que o m\u00e9todo pode ser aplicado a qualquer api\u00e1rio ou mesmo adaptado para a an\u00e1lise de outros tipos de amostras, como \u00e1gua ou outros alimentos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A terceira e \u00faltima etapa da pesquisa desenvolvida por Renata consistiu na avalia\u00e7\u00e3o da afinidade de dois agrot\u00f3xicos (aldrin e malation) com o p\u00f3len ap\u00edcola. A pesquisadora explica que o p\u00f3len \u00e9 composto por 20% de prote\u00edna e uma quantidade pequena de gordura, propriedades que fazem com que tenha afinidade com certas subst\u00e2ncias, mas n\u00e3o com outras. \u201cN\u00f3s fizemos um estudo de sor\u00e7\u00e3o, que normalmente \u00e9 aplicado para avaliar o comportamento das subst\u00e2ncias nos solos. N\u00e3o encontramos na literatura nenhum protocolo para o estudo de sor\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas em alimentos. O que constatamos foi que o aldrin, que \u00e9 tr\u00eas vezes mais apolar que o malation, demonstrou uma afinidade tamb\u00e9m tr\u00eas vezes superior a este. Ainda assim, o malation tamb\u00e9m demonstrou grande afinidade com o p\u00f3len\u201d, informa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Renata adianta que pretende dar continuidade \u00e0 pesquisa durante o p\u00f3s-doutorado que desenvolve no pr\u00f3prio Instituto de Qu\u00edmica. Um dos objetivos \u00e9 avaliar a afinidade de outras subst\u00e2ncias pelo p\u00f3len ap\u00edcola e propor um modelo matem\u00e1tico que permita estimar a afinidade dos agrot\u00f3xicos pelo p\u00f3len. A expectativa de Renata, que contou com bolsa de estudos concedida pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (FAPESP), \u00e9 que os dados gerados pela sua pesquisa sirvam \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que exer\u00e7am maior controle sobre a contamina\u00e7\u00e3o ambiental e de alimentos por agrot\u00f3xicos.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avalia\u00e7\u00e3o do potencial do p\u00f3len ap\u00edcola como bioindicador de contamina\u00e7\u00e3o ambiental por agrot\u00f3xicos Autora:\u00a0Renata Cabrera de Oliveira &#8211; Orientadora:\u00a0Susanne Rath unidade:\u00a0instituto de qu\u00edmica (iq) &#8211; financiamento:\u00a0fapesp. 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