{"id":2425,"date":"2018-06-19T00:58:53","date_gmt":"2018-06-19T00:58:53","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=2425"},"modified":"2018-06-19T01:58:27","modified_gmt":"2018-06-19T01:58:27","slug":"artigo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-146-maio-de-2018\/artigo\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">A import\u00e2ncia das Abelhas<br \/>\nPoliniza\u00e7\u00e3o, Biodiversidade, Meio Ambiente<\/h1>\n<blockquote><p>Profa. Dra. Andresa Aparecida Berretta<br \/>\nFarmac\u00eautica-Bioqu\u00edmica, Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas de Ribeir\u00e3o Preto, Universidade de S\u00e3o Paulo (FCFRP\/USP-RP), com mestrado, doutorado e p\u00f3s-doutorado pela mesma faculdade. \u00c9 Farmac\u00eautica Respons\u00e1vel pela Apis Flora Indl. Coml. Ltda., onde exerce sua profiss\u00e3o h\u00e1 17 anos. \u00c9 s\u00f3cia-fundadora da Empresa Eleve Pesquisa e Desenvolvimento Ltda, e atualmente \u00e9 Vice-Presidente da ABEMEL.<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A produ\u00e7\u00e3o de alimentos est\u00e1 amea\u00e7ada em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo, sendo que o desmatamento \u00e9 uma das principais causas desse evento, uma vez que ele afeta diretamente as popula\u00e7\u00f5es de abelhas (Imperatriz-Fonseca &amp; Nunes-Silva, 2010). Ainda, essa produ\u00e7\u00e3o tem sido desafiada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e uso da terra, e pelo crescimento expansivo da popula\u00e7\u00e3o (Giannini et al. 2015).<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2428\" aria-describedby=\"caption-attachment-2428\" style=\"width: 561px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_01_Importancia.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2428\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_01_Importancia.jpg\" alt=\"Figura 1 \u2013 (A) Apresenta\u00e7\u00e3o de uma flor perfeita (presen\u00e7a de \u00f3rg\u00e3o masculino e feminino) e flores imperfeitas, s\u00f3 apresentam um dos dois sexos (feminino ou masculino). (B) Demonstra\u00e7\u00e3o de um processo de poliniza\u00e7\u00e3o, onde a abelha visita a flor, coleta p\u00f3len da antera em seu corpo e leva esse p\u00f3len at\u00e9 o estigma, favorecendo o contato entre a parte masculina e feminina da planta e promovendo a fecunda\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de sementes e frutos. Extra\u00eddo de Witter et al. 2014.\" width=\"561\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_01_Importancia.jpg 561w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_01_Importancia-300x160.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_01_Importancia-150x80.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_01_Importancia-500x267.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 561px) 100vw, 561px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2428\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1 \u2013 (A) Apresenta\u00e7\u00e3o de uma flor perfeita (presen\u00e7a de \u00f3rg\u00e3o masculino e feminino) e<br \/>flores imperfeitas, s\u00f3 apresentam um dos dois sexos (feminino ou masculino). (B) Demonstra\u00e7\u00e3o<br \/>de um processo de poliniza\u00e7\u00e3o, onde a abelha visita a flor, coleta p\u00f3len da antera em seu corpo<br \/>e leva esse p\u00f3len at\u00e9 o estigma, favorecendo o contato entre a parte masculina e feminina da<br \/>planta e promovendo a fecunda\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de sementes e frutos. Extra\u00eddo de Witter et al. 2014.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A poliniza\u00e7\u00e3o \u00e9 um servi\u00e7o ecossist\u00eamico que \u00e9 essencial para a manuten\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es selvagens de plantas e para a produ\u00e7\u00e3o em ambientes agr\u00edcolas (Imperatriz-Fonseca &amp; Nunes-Silva, 2010). Os insetos se destacam dentre os agentes polinizadores em virtude de sua efici\u00eancia e abund\u00e2ncia na natureza. Cerca de 75% das culturas e 87,5% das plantas com flores dependem da poliniza\u00e7\u00e3o animal, e as abelhas s\u00e3o reconhecidas como os principais agentes nesse processo (Klein et al., 2007; Ollerton et al., 2011).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A poliniza\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo ecol\u00f3gico-chave, pois \u00e9 o primeiro passo da reprodu\u00e7\u00e3o vegetal e, portanto, essencial para a manuten\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa e dos animais que dela dependem, bem como para a produ\u00e7\u00e3o de frutos e sementes em v\u00e1rios cultivos agr\u00edcolas, garantindo assim a sustentabilidade dos agro ecossistemas (Souza et al. 2007). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Na natureza existem as flores perfeitas e as imperfeitas, as primeiras apresentam a por\u00e7\u00e3o masculina e a por\u00e7\u00e3o feminina enquanto as flores imperfeitas apresentam somente o \u00f3rg\u00e3o masculino ou feminino (Witter et al. 2014) (Figura 1A).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A poliniza\u00e7\u00e3o consiste na transfer\u00eancia do p\u00f3len presente na antera, por\u00e7\u00e3o masculina da flor, para o estigma, por\u00e7\u00e3o feminina. No estigma, o p\u00f3len, caso seja compat\u00edvel geneticamente, desenvolve um tubo que cresce at\u00e9 alcan\u00e7ar o \u00f3vulo no ov\u00e1rio, fecundando-o. Assim, a fecunda\u00e7\u00e3o dos \u00f3vulos da flor depende do sucesso da poliniza\u00e7\u00e3o. Estando fecundados, os \u00f3vulos se transformam em sementes e o ov\u00e1rio em fruto (Delaplane &amp; Mayer, 2000). A poliniza\u00e7\u00e3o pode ocorrer de v\u00e1rias formas, como atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o do vento, da gravidade ou pela participa\u00e7\u00e3o de insetos, sendo esta \u00faltima a mais efetiva (Witter et al. 2014) (Figura 1B). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A poliniza\u00e7\u00e3o pode ser de dois tipos: autopoliniza\u00e7\u00e3o ou poliniza\u00e7\u00e3o cruzada. No primeiro caso, a flor recebe um p\u00f3len pr\u00f3prio ou de outra flor da mesma planta. No segundo, a flor recebe o p\u00f3len de flores de outras plantas da mesma esp\u00e9cie. A fecunda\u00e7\u00e3o entre parentes pr\u00f3ximos pode oferecer um n\u00famero menor de descendentes e com vigor e sa\u00fade comprometidos. Desse modo, a autopoliniza\u00e7\u00e3o, em geral, gera poucos frutos, deformados e menores (Delaplane &amp; Mayer, 2000). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Algumas plantas n\u00e3o aceitam a autopoliniza\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o de um mecanismo fisiol\u00f3gico com base gen\u00e9tica denominado de autoincompatibilidade (Schiffino-Wittmann &amp; Agnol, 2002). Outras plantas possuem mecanismos que dificultam ou impedem a autopoliniza\u00e7\u00e3o, como a dist\u00e2ncia entre a parte masculina e feminina na flor, a morfologia, grau de compatibilidade e o amadurecimento de cada \u00f3rg\u00e3o em momento distinto (Witter et al 2014). As plantas mais dependentes de poliniza\u00e7\u00e3o por insetos s\u00e3o as que apresentam flores imperfeitas, na mesma planta ou em plantas diferentes de mesma esp\u00e9cie. Nestes casos, a aus\u00eancia do polinizador impede a produ\u00e7\u00e3o de sementes e frutos. J\u00e1 nos casos das flores perfeitas, onde pode ocorrer a autopoliniza\u00e7\u00e3o (soja e feij\u00e3o, p.ex.) ou a poliniza\u00e7\u00e3o pelo vento (mamona e coco, p.ex.), a presen\u00e7a das abelhas otimiza o processo, gerando sementes e frutos de melhor qualidade (Delaplane &amp; Mayer, 2000; Milfont et al. 2013) (Figura 2).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A intera\u00e7\u00e3o entre as abelhas e as plantas garantiu aos vegetais o sucesso da poliniza\u00e7\u00e3o cruzada, que constitui importante evolu\u00e7\u00e3o na adapta\u00e7\u00e3o das plantas, aumento do vigor das esp\u00e9cies, tornando poss\u00edvel novas combina\u00e7\u00f5es de fatores heredit\u00e1rios e aumento da produ\u00e7\u00e3o de frutas e sementes, al\u00e9m da melhor qualidade dos frutos. Al\u00e9m das abelhas nativas, as abelhas naturalizadas tamb\u00e9m dependem da vegeta\u00e7\u00e3o nativa ou introduzida para a garantia da sobreviv\u00eancia da colmeia, garantindo reserva de mel e p\u00f3len (Souza et al. 2007).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Cerca de 85% das plantas com flores presentes nas matas e florestas da natureza, dependem, em algum momento, dos polinizadores para se reproduzirem. Sendo assim, as abelhas cumprem um papel imprescind\u00edvel, verdadeiros \u201ccupidos da natureza\u201d, transportando o p\u00f3len entre as plantas, e garantindo assim a varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica t\u00e3o importante ao desenvolvimento das esp\u00e9cies, o equil\u00edbrio dos ecossistemas, e a reprodu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. Nunca \u00e9 demais lembrar que, ao fazerem isto, contribuem para que existam plantas suficientes para a produ\u00e7\u00e3o de parte do oxig\u00eanio vital para toda a forma viva em nosso planeta (http:\/\/www.semabelhasemalimento.com.br\/home\/polinizacao\/).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As abelhas, assim como outros insetos necessitam de nutrientes essenciais para o seu desenvolvimento, manuten\u00e7\u00e3o das crias e crescimento da col\u00f4nia, e essas exig\u00eancias nutricionais normalmente s\u00e3o supridas pela coleta de n\u00e9ctar, p\u00f3len e \u00e1gua. O n\u00e9ctar coletado pelas forrageadoras e\u0301 a principal fonte de carboidratos, o p\u00f3len e\u0301 a fonte natural de prote\u00ednas, vitaminas, minerais e tamb\u00e9m a fonte de lip\u00eddeos. E \u00e9 durante a coleta de n\u00e9ctar e p\u00f3len para suprir as necessidades nutricionais da col\u00f4nia, que as abelhas forrageiras voando de flor em flor que realizam o mais nobre servi\u00e7o a produ\u00e7\u00e3o de alimentos: a poliniza\u00e7\u00e3o (Zandonadi &amp; da Silva, 2005).<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2429\" aria-describedby=\"caption-attachment-2429\" style=\"width: 561px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_02_Importancia.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2429\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_02_Importancia.jpg\" alt=\"Figura 2 \u2013 Morangos polinizados por insetos (esquerda), autopolinizados de forma passiva (meio) e polinizados pelo vento. Extra\u00eddo de FAO, 2009.\" width=\"561\" height=\"207\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_02_Importancia.jpg 561w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_02_Importancia-300x111.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_02_Importancia-150x55.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_02_Importancia-500x184.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 561px) 100vw, 561px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2429\" class=\"wp-caption-text\">Figura 2 \u2013 Morangos polinizados por insetos (esquerda), autopolinizados de forma passiva (meio)<br \/>e polinizados pelo vento. Extra\u00eddo de FAO, 2009.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O processo de poliniza\u00e7\u00e3o \u00e9 um ganha-ganha para o meio ambiente e para a abelha, uma vez que as plantas e o meio ambiente ganham com a gera\u00e7\u00e3o de sementes de maior qualidade gen\u00e9tica em fun\u00e7\u00e3o da poliniza\u00e7\u00e3o cruzada, e a abelha se alimenta do n\u00e9ctar das flores. Assim, quando a abelha vai se alimentar do n\u00e9ctar das flores, ela carrega os gr\u00e3os dos p\u00f3lens que ficam aderidos em seu corpo, levando-os de flor em flor. Como consequ\u00eancia de a\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria que \u00e9 a alimenta\u00e7\u00e3o das abelhas e a poliniza\u00e7\u00e3o, a abelha produz de forma secund\u00e1ria o mel, que \u00e9 um subproduto da poliniza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Origem das Abelhas Apis mel\u00edfera no Brasil E Atividade Ap\u00edcola<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Com a finalidade de obter uma maior produtividade, tanto com os produtos diretamente produzidos pelas abelhas como com o incremento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola mediante a sua poliniza\u00e7\u00e3o, desenvolveu-se a atividade ap\u00edcola. A apicultura \u00e9 definida por Muxfeldt (1968) como a \u201ca arte de preservar abelhas, respeitando suas caracter\u00edsticas e particularidades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A atividade ap\u00edcola n\u00e3o \u00e9 recente, uma enorme quantidade de fatos demonstram que, desde tempos mais remotos, j\u00e1 havia um grande interesse do homem pelas abelhas e seus produtos. Schirmer (1986) relatou que as abelhas acompanham o homem desde a pr\u00e9-hist\u00f3ria, n\u00e3o mudando suas atividades. Nesse estudo encontram-se referencias sobre a apicultura em Val\u00eancia (Espanha), onde um desenho paleol\u00edtico de dez mil anos mostra um apicultor recolhendo mel. Igualmente na Alemanha, foi encontrado um favo com aproximadamente dez mil anos, cujos alv\u00e9olos tem o mesmo formato dos atuais. Na Europa, na \u00c1frica e na \u00c1sia h\u00e1 relatos e desenhos que permitem concluir que as abelhas j\u00e1 eram exploradas pelo homem, de forma predat\u00f3ria e sem qualquer tipo de manejo, h\u00e1 mais de cinquenta mil anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O pioneiro da apicultura nacional, ao qual foi conferido o t\u00edtulo do \u201cPai das Abelhas\u201d, foi o alem\u00e3o Frederico Augusto Hanemann, nascido no Reino da Sax\u00f4nia, em 1819. Ele veio, com outro imigrantes alem\u00e3es colonizar o S\u00e3o Leopoldo, RS, mas foi o primeiro imigrante apicultor a chegar ao pa\u00eds com firme prop\u00f3sito de se dedicar \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de abelhas em 1853.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Com o advento da expans\u00e3o europ\u00e9ia e a coloniza\u00e7\u00e3o das novas terras descobertas, as abelhas Apis mellifera, que a princ\u00edpio ocupavam somente o Velho Mundo, foram introduzidas em locais onde originalmente n\u00e3o existiam. As primeiras introdu\u00e7\u00f5es documentadas nas Am\u00e9ricas datam do s\u00e9culo XVIII com a introdu\u00e7\u00e3o de colm\u00e9ias da Europa Ocidental, provavelmente de A. m. mellifera nos Estados Unidos (Ruttner, 1992). Em terras brasileiras, elas primeiro foram introduzidas em 1839, quando o Reverendo Ant\u00f4nio Carneiro mandou vir da Europa colm\u00e9ias de A. m. mellifera. Com a introdu\u00e7\u00e3o destas abelhas, al\u00e9m do objetivo de se produzir mel, pretendia-se utilizar a cera branca produzida por elas para a fabrica\u00e7\u00e3o de velas para fins religiosos, uma vez que a cera produzida pelas abelhas sem ferr\u00e3o nativas \u00e9 de cor amarronzada, por ser uma mistura de cera e resinas, entre outros produtos. Primeiramente foram introduzidas nove colm\u00e9ias, sendo que destas, duas pereceram. Ao final do primeiro ano o n\u00famero de colmeias j\u00e1 era de 50 e ao final do ano seguinte, mais de duzentas, que foram ent\u00e3o entregues aos cuidados do governo local (Nogueira-Neto, 1972). Durante os anos seguintes, com a chegada de mais imigrantes, foram tamb\u00e9m introduzidas no Brasil as subesp\u00e9cies A. m. ligustica, A. m. carnica e A. m. caucasica entre outras, sendo as duas primeiras, juntamente com A. m. mellifera as principais subesp\u00e9cies europ\u00e9ias introduzidas em nossas terras (Gon\u00e7alves, 1994). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Desta maneira, at\u00e9 o ano de 1956, somente as subesp\u00e9cies europ\u00e9ias haviam sido introduzidas no Brasil. Entretanto, na d\u00e9cada de 50, ag\u00eancias ap\u00edcolas, \u00f3rg\u00e3os governamentais, apicultores e cooperativas manifestaram seu descontentamento com a baixa produtividade das abelhas pretas (A. m. mellifera) em nosso pa\u00eds, bem como tamb\u00e9m com a dificuldade de \u201citalianizar\u201d nossas abelhas (Kerr, 1967). Ap\u00f3s uma extensa busca na literatura ap\u00edcola mundial, foram encontrados relatos de um apicultor da \u00c1frica do Sul chamado E. A. Schnetler que conseguia m\u00e9dias anuais que giravam em torno de 70 kg de mel por colm\u00e9ia utilizando-se da subesp\u00e9cie at\u00e9 ent\u00e3o conhecida como A. m. adansonii (Kerr &amp; Portugal-Ara\u00fajo, 1958) que teve seu nome mudado para A. m. scutellata (Ruttner et al., 1978). No ano de 1956, o ent\u00e3o eminente geneticista Prof. Dr. Warwick Estevan Kerr foi contemplado com o Pr\u00eamio Nacional de Gen\u00e9tica \u201cAndr\u00e9 Dreyfus\u201d, o que possibilitou sua viagem ao continente africano de agosto a dezembro de 1956 com o intuito de que rainhas da referida subesp\u00e9cie fossem importadas para o Brasil. Dentre todas as rainhas que foram trazidas para o Brasil, 48 sobreviveram, sendo que destas, 26 eram consideradas \u201cas mais produtivas e trabalhadeiras\u201d que o autor j\u00e1 tinha visto at\u00e9 ent\u00e3o (Kerr, 1957). Destas, 35 col\u00f4nias foram transportadas para uma floresta de Eucalipto no Horto de Camacu\u00e3, nas proximidades da cidade de Rio Claro \u2013 SP para a realiza\u00e7\u00e3o de testes e cada uma das col\u00f4nias teve sua entrada protegida por uma tela exclu\u00eddora de rainhas. Um apicultor visitante retirou as telas e quando os pesquisadores tomaram conhecimento do fato, enxames de 26 col\u00f4nias j\u00e1 haviam abandonado o local, estabelecendo-se ent\u00e3o como col\u00f4nias selvagens (Kerr, 1967). Iniciou-se ent\u00e3o uma r\u00e1pida expans\u00e3o das abelhas para todas as dire\u00e7\u00f5es no Brasil, realizando cruzamentos com as subesp\u00e9cies europ\u00e9ias pr\u00e9- introduzidas, que eram mantidas principalmente em api\u00e1rios, resultando em um poli- h\u00edbrido (Kerr, 1967) que foi posteriormente chamado de abelha africanizada (Gon\u00e7alves, 1974). Nestes h\u00edbridos predominaram principalmente as caracter\u00edsticas da subesp\u00e9cie africana como uma alta capacidade enxameat\u00f3ria, alta produtividade, forte comportamento defensivo e uma alta adaptabilidade. Todas estas caracter\u00edsticas aliadas ajudaram as abelhas africanizadas a rapidamente se estabelecer como popula\u00e7\u00f5es silvestres nas regi\u00f5es Neotropicais (Lobo &amp; Krieger, 1992). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Assim, a origem das abelhas africanizadas no Brasil surge do cruzamento entre as abelhas Apis mell\u00edfera mel\u00edfera que vieram da Europa desde 1839 com as abelhas Apis mell\u00edfera scultellata, que chegaram da \u00c1frica em 1956. Esse poli-h\u00edbrido, com caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas e gen\u00e9ticas distintas da Apis europeia e da Apis scutellata foi publicado na literatura pelo geneticista Dr. Kerr em 1967, ou seja, h\u00e1 50 anos. Assim, a quest\u00e3o da abelha Apis ser considerada um animal ex\u00f3tico \u00e9 question\u00e1vel, pois as abelhas Europ\u00e9ias (diferentes subespecies de Apis) foram introduzidas no Brasil ao redor de 1840-1850 e as Apis mellifera scutellata, chegaram em 1956. Quanto tempo \u00e9 necess\u00e1rio para que uma esp\u00e9cie deixe de ser considerada ex\u00f3tica?? Elas j\u00e1 se hibridizaram, a o ocorr\u00eancia desse poli-hibrido (abelha africanizada) ocorreu em territ\u00f3rio Brasileiro, com caracter\u00edsticas diferentes da originais europ\u00e9ias e africanas. Portanto, o h\u00edbrido n\u00e3o \u00e9 mais ex\u00f3tico (Prof. Dr. Ademilson Espencer, USP\/Ribeir\u00e3o Preto).<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2430\" aria-describedby=\"caption-attachment-2430\" style=\"width: 561px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_03_Importancia.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2430\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_03_Importancia.jpg\" alt=\"Figura 3 - Mapa monstrando a expans\u00e3o das abelhas africanizadas ao longo do continente americano. Os c\u00edrculos coloridos indicam o ano em que os enxames foram encontrados nas regi\u00f5es (Ruttner, 1992).\" width=\"561\" height=\"530\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_03_Importancia.jpg 561w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_03_Importancia-300x283.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_03_Importancia-150x142.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figura_03_Importancia-500x472.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 561px) 100vw, 561px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2430\" class=\"wp-caption-text\">Figura 3 &#8211; Mapa monstrando a expans\u00e3o das abelhas africanizadas ao longo do continente<br \/>americano. Os c\u00edrculos coloridos indicam o ano em que os enxames foram encontrados nas<br \/>regi\u00f5es (Ruttner, 1992).<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Devido principalmente a sua alta capacidade enxameat\u00f3ria e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis que estas abelhas encontraram nos territ\u00f3rios Neotropicais, elas rapidamente se espalharam pelas Am\u00e9ricas, colonizando o Brasil em 15 anos (Taylor, 1977) e, subsequentemente, quase toda a Am\u00e9rica do Sul, excetuando-se as regi\u00f5es abaixo do paralelo 35o na Argentina, onde o limite foi provavelmente imposto pelas baixas temperaturas de inverno encontradas nesta regi\u00e3o (Kerr et al., 1982; Sheppard et al., 1999). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Conv\u00edvio Harmonioso entre as Abelhas Nativas e as Naturalizadas<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Embora possa fazer sentido para alguns o banimento de api\u00e1rios de abelhas Africanizadas em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o, na verdade a apicultura colabora para a preserva\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a nestas \u00e1reas. A apicultura, al\u00e9m de ajudar o meio ambiente atrav\u00e9s da poliniza\u00e7\u00e3o e melhoramento gen\u00e9tico das plantas, ajuda a evitar acidentes com abelhas e a presen\u00e7a dos apicultores reduz o risco de fogo e ajuda a inibir extra\u00e7\u00e3o de madeira e a ca\u00e7a. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O argumento que a manuten\u00e7\u00e3o destas abelhas interfere com as esp\u00e9cies nativas do Brasil n\u00e3o tem suporte cientifico, apesar de muitas tentativas de \u201cprovar\u201d que as abelhas Africanizadas competem com as esp\u00e9cies nativas. H\u00e1 muito pouca sobreposi\u00e7\u00e3o de utiliza\u00e7\u00e3o de recursos florais, conforme demonstrado em uma pesquisa sobre o assunto realizada na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) (Pedro &amp; Camargo, 1991). Conclus\u00f5es similares sa\u00edram de outras publica\u00e7\u00f5es internacionais, como Paini (2004) e Roubik &amp; Woulda (2001). No campus da USP em Ribeir\u00e3o Preto, o Prof. Dr. Ademilson Espencer Egea Soares e seus alunos t\u00eam pesquisado as colmeias silvestres naturais de abelhas s\u00f3cias nativas no pr\u00f3prio campus, alojados em arvores e em cavidades em paredes, edifica\u00e7\u00f5es e outros. Al\u00e9m de centenas de colmeias em caixas para pesquisa, ele e o seu grupo tem mapeado e cadastrado mais de 1300 ninhos naturais de mais de 25 esp\u00e9cies de melipon\u00edneos, em um campus que tamb\u00e9m aloja um grande api\u00e1rio de pesquisa de abelhas Africanizadas, demonstrando que estas abelhas nativas convivem sem problema com abelhas Apis mellifera. http:\/\/www5.usp.br\/4830\/pesquisadores-aproveitam-os-mais-de-13-mil-ninhos-de-abelhas-no-campus-de-ribeirao\/. Desse modo, embora alguns grupos tentam alegar que o conv\u00edvio entre as abelhas nativas e as africanizadas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, a literatura cient\u00edfica, bem como exemplos pr\u00e1ticos que existem no Brasil demonstram que isso n\u00e3o \u00e9 verdade, e que dada a import\u00e2ncia da poliniza\u00e7\u00e3o para a diversidade biol\u00f3gica e meio ambiente, e ainda que cada esp\u00e9cie, nativa ou n\u00e3o, tem grande import\u00e2ncia para a natureza e faz seu papel para as diferentes flores dada sua morfologia, a import\u00e2ncia das abelhas para o Parque \u00e9 indiscut\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As abelhas Africanizadas s\u00e3o bastante din\u00e2micas e v\u00e3o sempre ocupar o espa\u00e7o ecol\u00f3gico dispon\u00edvel em \u00e1reas rurais, naturais e at\u00e9 em \u00e1reas urbanas. Se retirar os api\u00e1rios, colmeias silvestres desta esp\u00e9cie (Apis mellifera) v\u00e3o ocorrer em abundancia, abrigando-se nas arvores no mato, em buracos na terra (abaixo de cupinzeiros), em cavernas, e nas edifica\u00e7\u00f5es, aumentando em muito o risco de acidentes com humanos. Colmeias em api\u00e1rios ocupam este espa\u00e7o ecol\u00f3gico, diminuindo o risco para as pessoas e animais, e os apicultores que cuidam destes api\u00e1rios podem servir como um recurso para remover colmeias que se abrigam em locais inadequados, al\u00e9m de usar caixas iscas para capturar enxames que de outro modo v\u00e3o nidificar fora dos api\u00e1rios. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A empresa Fibria tem colaborado com os apicultores que desejam manter api\u00e1rios nas suas planta\u00e7\u00f5es de eucaliptos. Eles perceberam que onde h\u00e1 apicultores, o risco de fogo nestas planta\u00e7\u00f5es tem diminu\u00eddo substancialmente, porque os apicultores agem como agentes de vigil\u00e2ncia, reportando e controlando eventuais focos. H\u00e1 um conv\u00edvio harm\u00f4nico para o bem de ambos, planta\u00e7\u00e3o de eucalipto e apicultores. http:\/\/www.fibria.com.br\/midia\/releases\/com-apoio-da-fibria-programa-colmeias-em-mato-grosso-do-sul-bate-recorde-de-producao-de-mel-em-2016\/. Para finalizar, apresentamos o depoimento da bi\u00f3loga que estuda as popula\u00e7\u00f5es das abelhas nativas e naturalizadas no campus da USP de Ribeir\u00e3o Prero: \u201cO que a popula\u00e7\u00e3o precisa saber \u00e9 que as abelhas t\u00eam papel ecol\u00f3gico fundamental para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade, porque muitas esp\u00e9cies vegetais s\u00e3o polinizadas por abelhas, que levam o p\u00f3len de um vegetal a outro, proporcionando a melhor germina\u00e7\u00e3o de sementes. E economicamente, as abelhas t\u00eam sido cada vez mais estudadas para a poliniza\u00e7\u00e3o de culturas, a fim de que sejam gerados produtos mais saborosos, fruto da maior variabilidade gen\u00e9tica da cultura\u201d, ressalta a bi\u00f3loga Geusa Simone de Freitas, doutora pelo Departamento de Gen\u00e9tica da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP), que pesquisa as abelhas do campus da USP de Ribeir\u00e3o Preto\/SP desde 1999, orientada pelo professor Ademilson Espencer Egea Soares. (http:\/\/www5.usp.br\/4830\/pesquisadores-aproveitam-os-mais-de-13-mil-ninhos-de-abelhas-no-campus-de-ribeirao\/ ). No campus da USP de Ribeir\u00e3o Preto, as abelhas africanizadas e \u00a0abelhas ind\u00edgenas sem ferr\u00e3o (ASF), convivem h\u00e1 mais de 30 anos sem evid\u00eancias de decl\u00ednio das ASF na presen\u00e7a das Africanizadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>O sumi\u00e7o das Abelhas<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><a href=\"http:\/\/www.semabelhasemalimento.com.br\/home\/abelhas-sumindo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.semabelhasemalimento.com.br\/home\/abelhas-sumindo\/<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A apicultura e a meliponicultura no mundo todo enfrentam hoje o seu maior desafio: as abelhas, principais polinizadores da natureza, est\u00e3o desaparecendo. Os primeiros relatos apontando o desaparecimento em larga escala de abelhas vieram dos EUA, mas hoje este problema tamb\u00e9m se manifesta na Europa, Am\u00e9rica do Norte, Am\u00e9rica Latina e, particularmente, no Brasil. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Estudos cient\u00edficos indicam que este fen\u00f4meno \u00e9 sintom\u00e1tico e epid\u00eamico, causado por um dist\u00farbio que mundialmente passou a ser denominado CCD (Colony Collapse Disorder \u2013 S\u00edndrome do Colapso das Col\u00f4nias) ou, simplesmente, S\u00edndrome do Desaparecimento das Abelhas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Por\u00e9m, o decl\u00ednio desses importantes polinizadores fica evidente tamb\u00e9m pelos relatos de mortes massiva de abelhas em\u00a0api\u00e1rios e melipon\u00e1rios, um fen\u00f4meno que se repete\u00a0silenciosamente na natureza, atingindo tamb\u00e9m as abelhas silvestres.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As estat\u00edsticas sobre a atividade ap\u00edcola no Brasil infelizmente s\u00e3o escassas, e um canal para o registro compartilhado do\u00a0desaparecimento e morte massiva de abelhas apenas come\u00e7ou a ser feito a partir da iniciativa da campanha \u201cSem Abelha, Sem Alimento\u201d, quando do lan\u00e7amento do\u00a0aplicativo Bee Alert. Antes, por\u00e9m, destaca-se o importante trabalho do pesquisador Prof. Dr.\u00a0Osmar Malaspina, da Unesp de Rio Claro, que estudou a\u00a0morte de\u00a0milhares\u00a0de colmeias,\u00a0em particular no estado de SP.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O aplicativo Bee Alert tinha, at\u00e9 fevereiro de 2015, mais de 100 casos documentados na Am\u00e9rica Latina (sendo 95% deles no Brasil), com aproximadamente 12 mil colmeias afetadas, e cerca de 700 milh\u00f5es de abelhas exterminadas. Mas o assunto tem ganhado a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, por se apresentar como\u00a0um problema que evolui e se expande\u00a0de forma preocupante. O decl\u00ednio dos polinizadores \u00e9, provavelmente, um dos temas que mais intriga a comunidade cient\u00edfica no mundo, por n\u00e3o haver uma raz\u00e3o \u00fanica. \u00c9 certo, entretanto, que as m\u00faltiplas causas t\u00eam, comprovadamente, grande interdepend\u00eancia entre elas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Agrot\u00f3xicos, desmatamento, queimadas, doen\u00e7as, \u00e1caros, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, d\u00e9ficit nutricional est\u00e3o entre as in\u00fameras causas do desaparecimento ou morte das abelhas. Confira abaixo os principais fatores naturais e os ocasionados pelo homem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Sem as abelhas, tanto a renova\u00e7\u00e3o das matas e florestas, como a produ\u00e7\u00e3o mundial de frutas e gr\u00e3os ficariam comprometidas. O equil\u00edbrio dos ecossistemas e da biodiversidade sofreria um s\u00e9rio impacto, o que afetaria diretamente o ser humano de diversas maneiras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O f\u00edsico e pr\u00eamio Nobel alem\u00e3o Albert Einstein exercitou o pensamento de como seria um mundo sem abelhas, e sintetizou um pensamento que se mostra um dos mais s\u00e1bios:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">\u201cSe as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade ter\u00e1 apenas mais quatro anos de exist\u00eancia. Sem abelhas n\u00e3o h\u00e1 poliniza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 reprodu\u00e7\u00e3o da flora, sem flora n\u00e3o h\u00e1 animais, sem animais, n\u00e3o haver\u00e1 ra\u00e7a humana.\u201d \u00a0Albert Einstein (1879\/1955)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">PEDRO, S. R. M.; CAMARGO, J. M. F.. Interactions On Floral Resources Between The Africanized Honey Bee Apis mellifera L. And Native Bee Community (Hymenoptera, Apoidea) In Natural Cerrado Ecosystem In Southeast Brazil.. APIDOLOGIE 22:397-415, 1991.<a href=\"https:\/\/www.apidologie.org\/articles\/apido\/pdf\/1991\/04\/Apidologie_0044-8435_1991_22_4_ART0005.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.apidologie.org\/articles\/apido\/pdf\/1991\/04\/Apidologie_0044-8435_1991_22_4_ART0005.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Paini, DR (Paini, DR) 2004. Impact of the introduced honey bee (Apis mellifera) (Hymenoptera : Apidae) on native bees: AUSTRAL ECOLOGY 29: 399-407 DOI: 10.1111\/j.1442-9993.2004.01376.x<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Roubik, DW (Roubik, DW); Wolda, H (Wolda, H) 2001. Do competing honey bees matter? Dynamics and abundance of native bees before and after honey bee invasion 2001. POPULATION ECOLOGY 43: 53-62 DOI: 10.1007\/PL00012016.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Muxfeldt, H. Revista O Apicultor, [S1], ano 1, n. 1, 1968.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Gon\u00e7alvez, L.S. 50 anos de abelhas africanizadas no Brasil. In. Congresso Brasileiro de Apicultura, 16.; Congresso Brasileiro de Meliponicultura, 2., 2006, Aracaju, Sergipe. Anais&#8230; Aracaju: UFPE, 2006.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Lengler, L, Lago, A., Coronel, DA. A Organiza\u00e7\u00e3o Associativa no Setor Ap\u00edcola: contribui\u00e7\u00f5es e potencialidade. Organiza\u00e7\u00f5es Rurais &amp; Agroindustriais, v. 9, n. 002, Universidade Federal de Lavras, 2007. p. 151-163.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Imperatriz-Fonseca, Vera Lucia; Nunes-Silva, Patr\u00edcia. Bees, ecosystem services and the Brazilian Forest Code. Biota Neotropica; Campinas10.4 (2010): 59-62.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Giannini, TC, Cordeiro, GD, Freitas, BM, Saraiva, AM &amp; Imperatriz-Fonseca, VL. The dependence of crops for pollinators and the economic value of pollination in Brazil \u2013 review. Journal of Economic Entomology Advance Access. p.1-9, 2015. Doi: 10.1093\/jee\/tov093.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Klein, A. M., B. E. Vaissie`re, J. H. Cane, I. Steffan- Dewenter, S. A. Cunningham, C. Kremen, and T. Tscharntke. 2007. Importance of pollinators in chang- ing landscapes for world crops. Proc. R. Soc. 274: 303\u2013313. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Ollerton, J.; Winfree, R. &amp; Tarrant, S. 2011. How many flowering plants are pollinated by animals? Oikos 120: 321-326.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Souza, D.L., Evangelista-Rodrigues, A., Pinto, M.S.C. As abelhas como agentes polinizadores. Redvet \u2013 Revista Electr\u00f3nica de Veterinaria, vol. VIII, n. 3, 2007, p. 1695-7504. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Witter et al.. As abelhas e a agricultura. Dados eletr\u00f4nicos. \u2013 Porto Alegre: e DIPUCRX, 2014. 143p. http:\/\/www.pucrs.br\/edipucrsISBN 978-85-397-0658-7.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Delaplane, K.S.; Mayer, D.F. 2000. Crop Pollination by Bees. CABI Publishing, Wallington, UK.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">SCHIFINO-WITTMANN, Maria Teresa; DALL AGNOL, Miguel. Self-incompatibility in plants.\u00a0Ci\u00eancia Rural, v. 32, n. 6, p. 1083-1090, 2002.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">MILFONT, M. D. O.; ROCHA, E. E. M.; LIMA, A. O. N.; FREITAS, B. M. Higher soybean production using honeybee and wild pollinators, a sustainable alternative to pesticides and autopollination. Environmental chemistry letters, v. 11, n. 4, p. 335- 341, 2013.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Food and Agriculture Organization (FAO). 2010. \u2018Climate- smart\u2019 agriculture, policies, practices and finances for food security, adaptation and mitigation. FAO, Rome.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">ZANDONADI, D. A.; SILVA, O. M. An\u00e1lise da competitividade do Brasil no mercado internacional de mel. In: CONGRESSO DA SOBER, 43. Ribeir\u00e3o Preto, 2005. Anais&#8230; Ribeir\u00e3o Preto: FEA\/USP, 2005. 1 CDROM.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Schirmer, L.R. Abelhas ecol\u00f3gicas. S\u00e3o Paulo: Nobel, 1986, 218p.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">RUTTNER, F. 1992 Naturageschichte der Honigbienen. M\u00fcnchen: Ehrenwirth Verlag. 357 p. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">NOGUEIRA-NETO, P. 1972. Notas sobre a hist\u00f3ria da apicultura brasileira. In: CAMARGO, J. M. F. (Ed.). Manual de Apicultura: Agron\u00f4mica Ceres,p. 17-32 <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">GON\u00c7ALVES, L. S. 1994. Africaniza\u00e7\u00e3o das abelhas nas Am\u00e9ricas, impactos e perspectivas de aproveitamento do material gen\u00e9tico. Anais do 9o Congresso Brasileiro de Apicultura. Candel\u00e1ria, 1992. 35-41 p. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">KERR, W. E. 1967. The history of the introduction of africanized bees to Brazil. South African Bee Journal 39 3-5. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">KERR, W. E. &amp; PORTUGAL-ARA\u00daJO, V. 1958. Ra\u00e7as de abelhas da Africa. Garcia de Orta 6 53-59. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">RUTTNER, F.; TASSENCOURT, L. &amp; LOUVEAUX, J. 1978. Biometrical statistical analysis of the geographic variability of Apis mellifera L. 1. Material and Methods. Apidologie 9 363-381. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">KERR, W. E.; GON\u00c7ALVES, L. S.; STORT, A. C. &amp; BUENO, D. 1967 Biological and genetical information on Apis mellifera adansonii. Proceedings of the 21st International Apiculture Congress APIMONDIA. Maryland. 76 p. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">KERR, W. E. 1957. Introdu\u00e7\u00e3o de abelhas africanas no Brasil. Brasil Ap\u00edcola 3 211-213. KERR, W. E. 1967. The history of the introduction of africanized bees to Brazil. South African Bee Journal 39 3-5. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">LOBO, J. A. &amp; KRIEGER, H. 1992. Maximum-likelihood estimates of gene frequencies and racial admixture in Apis melifera L. (Africanized honeybees). Heredity 68 441 &#8211; 448. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">GON\u00c7ALVES, L. S. 1974. The introduction of the African Bees (Apis mellifera adansonii) into Brazil and some comments on their spread in South America. American Bee Journal 114 414 &#8211; 415, 419. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">TAYLOR, O. R. 1977. The past and possible future spread of Africanized honeybees in the Americas. Bee World 58 19 &#8211; 30. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">KERR, W. E.; GONCALVES, L. S.; BLOTTA, L. F. &amp; MACIEL, H. B. 1970 Comparative Biology of Italian Bees (Apis mellifera ligustica), Africanized Bees (Apis mellifera adansonii), and their hybrids. Anais do 1o Congresso Brasileiro de Apicultura. Florian\u00f3polis &#8211; SC. 151-185 p. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">KERR, W. E., DEL RIO, S. L. BARRIONUEVO, M. D. 1982. The southern limits of the distribution of the Africanized honey bees in South America. American Bee Journal 122 196 &#8211; 198. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">SHEPPARD, W. S.; RINDERER, T. E.; GARNERY, L. &amp; SHIMANUKI, H. 1999. Analysis of Africanized honey bee mitochondrial DNA reveals further diversity of origin. Genetics and Molecular Biology 22 73-75. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A import\u00e2ncia das Abelhas Poliniza\u00e7\u00e3o, Biodiversidade, Meio Ambiente Profa. Dra. Andresa Aparecida Berretta Farmac\u00eautica-Bioqu\u00edmica, Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas de Ribeir\u00e3o Preto, Universidade de S\u00e3o Paulo (FCFRP\/USP-RP), com mestrado, doutorado e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":2418,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"pmpro_default_level":"","_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"class_list":["post-2425","page","type-page","status-publish","hentry","pmpro-has-access"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2425"}],"collection":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2425"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2425\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2427,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2425\/revisions\/2427"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2418"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}