{"id":2323,"date":"2018-04-04T00:12:52","date_gmt":"2018-04-04T00:12:52","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=2323"},"modified":"2018-04-04T00:12:52","modified_gmt":"2018-04-04T00:12:52","slug":"artigo-3","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-145-marco-de-2018\/artigo-3\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">ENXAMEA\u00c7\u00c3O DAS ABELHAS NATIVAS<\/h1>\n<blockquote><p>Harold brand \u2013 Biologo-Meliponicultor \u2013 Consultor da APA &#8211; Ex titular de Gen\u00e9tica da PUC. &#8211; <a href=\"mailto:profharoldbrand@gmail.com\">profharoldbrand@gmail.com<\/a><\/p><\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_2324\" aria-describedby=\"caption-attachment-2324\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Figura-1-enxameacao.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2324\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Figura-1-enxameacao-300x100.jpg\" alt=\"Foto HB. Na foto uma linda princesa de uru\u00e7u pronta a participar da enxamea\u00e7\u00e3o\" width=\"300\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Figura-1-enxameacao-300x100.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Figura-1-enxameacao-150x50.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Figura-1-enxameacao-500x166.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Figura-1-enxameacao.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2324\" class=\"wp-caption-text\">Foto HB. Na foto uma linda princesa de uru\u00e7u pronta a participar da enxamea\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A etologia da enxamea\u00e7\u00e3o das nossas abelhas nativas \u00e9 bem diferente no seu comportamento do que a da abelha conhecida popularmente como a perigosa, com ferr\u00e3o. Nessas ultimas, quando ocorre , \u00e9 verdadeiramente explosiva, o seu enxame parte da col\u00f4nia m\u00e3e na forma de um verdadeiro turbilh\u00e3o, levando tudo que precisam para fundar uma nova fam\u00edlia. O enxoval \u00e9 completo, suficiente para estabelecer uma nova col\u00f4nia distante da fam\u00edlia que deu sua origem \u00e9 um grande acontecimento sem volta, do tipo \u201cou tudo ou nada\u201d.<br \/>\nNo ritual das nossas abelhas sem ferr\u00e3o, no lugar da enxamea\u00e7\u00e3o explosiva como da Apis ela \u00e9 silenciosa, gradativa com etapas complexas e delicadas que pode levar semanas para concretizar definitivamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>As etapas:<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>A escolha do local<\/b><\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2325\" aria-describedby=\"caption-attachment-2325\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Figura-2-enxameacao.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-2325 size-medium\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Figura-2-enxameacao-300x103.jpg\" alt=\"Foto HB. Uru\u00e7u na entrada da fam\u00edlia m\u00e3e prestes a partir para a nova resid\u00eancia levando parte do &quot;enxoval&quot;. Esse transporte pode durar semanas at\u00e9 que o v\u00ednculo definitivo m\u00e3e e filha se desfa\u00e7am. Essa etologia ajuda explicar porque a dist\u00e2ncia entre os enxames m\u00e3e e filhas devem ser pequenas.\" width=\"300\" height=\"103\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Figura-2-enxameacao-300x103.jpg 300w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Figura-2-enxameacao-150x51.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Figura-2-enxameacao-500x171.jpg 500w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Figura-2-enxameacao.jpg 748w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2325\" class=\"wp-caption-text\">Foto HB. Uru\u00e7u na entrada da fam\u00edlia m\u00e3e prestes a partir para a nova resid\u00eancia levando parte<br \/> do &#8220;enxoval&#8221;. Esse transporte pode durar semanas at\u00e9 que o v\u00ednculo definitivo m\u00e3e e filha<br \/> se desfa\u00e7am. Essa etologia ajuda explicar porque a dist\u00e2ncia entre os enxames m\u00e3e e filhas<br \/> devem ser pequenas.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O local a ser escolhido n\u00e3o pode ser longe da col\u00f4nia m\u00e3e, o motivo s\u00e3o f\u00e1ceis de entender, elas necessitam manter contato constante com a col\u00f4nia m\u00e3e para obter provis\u00f5es. As abelhas pequenas como a jata\u00ed procuram um local para nidifica\u00e7\u00e3o a poucos metros da m\u00e3e, as maiores como a manda\u00e7aia geralmente um pouco mais longe, podem chegar \u00e0s vezes at\u00e9 300 metros. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As conseq\u00fc\u00eancias desse comportamento \u00e9 uma curiosa distribui\u00e7\u00e3o das nossas abelhas no meio ambiente na forma de manchas familiares. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">H\u00e1 na literatura descri\u00e7\u00e3o de nidifica\u00e7\u00e3o de cinco fam\u00edlias da mesma esp\u00e9cie em uma \u00fanica arvore frondosa distribu\u00edda pelo seu caule e ramos. Minhas experi\u00eancias na procura de fam\u00edlias antes de represamento de usinas, na conversa com meleiros, madeireiros, carvoeiros, confirmam essa distribui\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">E esse comportamento \u00e9 uma &#8220;dica&#8221; para os pesquisadores de campo e para os meliponicultores, quando localizados uma fam\u00edlia a procura de outras nas proximidades deve ser mais cuidadosa, as probabilidades s\u00e3o maiores. Esses agrupamentos origin\u00e1rios da mesma fam\u00edlia \u00e9 uma distribui\u00e7\u00e3o t\u00edpica das nossas abelhas nativas decorrente do seu padr\u00e3o de enxamea\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Nas primeiras etapas algumas campeiras saem a campo na busca de um local, e o que \u00e9 interessante podem achar v\u00e1rios locais diferentes e iniciar simultaneamente a prepara\u00e7\u00e3o. O que torna uma inc\u00f3gnita \u00e9 a atitude de paulatinamente eleger apenas um, passando a concentrar os seus esfor\u00e7os na prepara\u00e7\u00e3o do local eleito. Como elas entram em acordo em estabelecer apenas um deles: Quem decide? Qual o crit\u00e9rio de escolha?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Prepara\u00e7\u00e3o do local<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O primeiro passo \u00e9 a limpeza, os fragmentos de madeira s\u00e3o jogados para o meio exterior, As frestas s\u00e3o lacradas e a constru\u00e7\u00e3o da entrada \u00e9 iniciada. Segue a constru\u00e7\u00e3o dos potes de mel tudo isso a custo do material transportado da colm\u00e9ia m\u00e3e, \u00e9 a primeira parte do enxoval.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Constru\u00e7\u00e3o do ninho,<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Segue a constru\u00e7\u00e3o dos inv\u00f3lucros do ninho e no seu interior as c\u00e9lulas de cria que \u00e9 o inicio da forma\u00e7\u00e3o do disco. Agora \u201c o novo lar\u201d esta apto a receber a princesa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Partida da princesa<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">\u00c9 o momento em que podemos observar uma maior agita\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia m\u00e3e, \u00e9 a partida da princesa com muitas operarias e zang\u00f5es. Esses \u00faltimos s\u00e3o os convidados que percorrem grandes dist\u00e2ncias atra\u00eddas pelo aroma irresist\u00edvel da jovem princesa ( o zang\u00e3o pode percorrer uma dist\u00e2ncia at\u00e9 oito vezes o que operaria campeira percorre no seu pasto floral).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">\u00c9 o grande momento em que podemos apreciar uma agita\u00e7\u00e3o, a partida para o novo lar. A princesa pode o n\u00e3o ser fecundada nesta fase.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Fase final\u00ad\u00ad\u00ad<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Mesmo com inicio da postura da nova rainha, \u201co vai e vem\u201d entre as colm\u00e9ias pelas oper\u00e1rias continua muitas vezes por semanas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">\u00c9 o transporte do suprimento para a col\u00f4nia filha principalmente do material mais \u201ccaro\u201d para as abelhas, a cera. (as operarias novas s\u00e3o as que secretam cera, como elas n\u00e3o voam, portanto n\u00e3o participam da enxamea\u00e7\u00e3o, o suprimento inicial desse valioso material deve vir da col\u00f4nia m\u00e3e).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Nota:<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A etologia da enxamea\u00e7\u00e3o das nossas abelhas nativas sociais justifica porque no espa\u00e7o geogr\u00e1fico elas se distribuem sob forma de manchas familiares ou clonais. Esse comportamento altera o equil\u00edbrio de Hardy\u2013 Weinberg que rege a gen\u00e9tica das Popula\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Em outras palavras, o processo evolutivo \u00e9 mais r\u00e1pido nas abelhas sem<br \/>\nferr\u00e3o comparativamente com a da Apis. Explica em parte porque os exemplos de especia\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais freq\u00fcentes e a exist\u00eancia de mais de 300 esp\u00e9cies dessas abelhas nativas ao passo que na Apis apenas 8 esp\u00e9cies.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ENXAMEA\u00c7\u00c3O DAS ABELHAS NATIVAS Harold brand \u2013 Biologo-Meliponicultor \u2013 Consultor da APA &#8211; Ex titular de Gen\u00e9tica da PUC. &#8211; profharoldbrand@gmail.com A etologia da enxamea\u00e7\u00e3o das nossas abelhas nativas \u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":2305,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"pmpro_default_level":"","_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"class_list":["post-2323","page","type-page","status-publish","hentry","pmpro-has-access"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2323"}],"collection":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2323"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2323\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2326,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2323\/revisions\/2326"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2305"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}