{"id":2149,"date":"2017-11-05T15:23:32","date_gmt":"2017-11-05T15:23:32","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=2149"},"modified":"2017-11-05T15:29:45","modified_gmt":"2017-11-05T15:29:45","slug":"artigo-5","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-143-setembro-de-2017\/artigo-5\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">Efeito das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre os polinizadores de algumas culturas agr\u00edcolas no Brasil<\/h1>\n<blockquote><p>Tereza Cristina Giannini1,<sup>2<\/sup>, Wilian Fran\u00e7a Costa<sup>1<\/sup>, Guaraci Duran Cordeiro<sup>2<\/sup>, Vera Lucia Imperatriz-Fonseca<sup>2<\/sup>, Antonio Mauro Saraiva<sup>1<\/sup><br \/>\n\u2013 1.Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo. Av. Prof. Luciano Gualberto, 380. 05508-970. S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo. <a href=\"mailto:giannini@usp.br\">giannini@usp.br<\/a><br \/>\n\u2013 2.Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo. Rua do Mat\u00e3o, trav. 14. S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo.<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Um dos principais desafios abordados pela C\u00fapula Mundial sobre Seguran\u00e7a Alimentar \u00e9 a necessidade de os pa\u00edses abordarem adequadamente o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para alcan\u00e7ar a seguran\u00e7a alimentar. De acordo com a FAO (Organiza\u00e7\u00e3o para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura da Na\u00e7\u00f5es Unidas), existe seguran\u00e7a alimentar quando todas as pessoas podem atender suas necessidades e prefer\u00eancias alimentares para uma vida ativa e saud\u00e1vel. A seguran\u00e7a alimentar pode ser afetada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, pois tais mudan\u00e7as podem conduzir a altera\u00e7\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o das culturas agr\u00edcolas, afetando o pre\u00e7o das culturas e o mercado de alimentos, e agravando a fome, o abandono da terra, a migra\u00e7\u00e3o e a urbaniza\u00e7\u00e3o. De acordo com estudos na \u00e1rea, em escala global, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas dever\u00e3o levar a um decl\u00ednio na produ\u00e7\u00e3o de cereais per capita at\u00e9 2030, afetando particularmente as \u00e1reas tropicais. Na \u00c1frica e no Sul da \u00c1sia, espera-se at\u00e9 8% de perdas de rendimento em todas as culturas at\u00e9 2050, sendo os pa\u00edses em desenvolvimento mais vulner\u00e1veis, o que potencializaria o decl\u00ednio da produtividade das culturas, particularmente em pa\u00edses que atualmente apresentam problemas com fome e subnutri\u00e7\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira tamb\u00e9m dever\u00e1 ser afetada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Perdas entre 2 e 5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares podem ocorrer at\u00e9 2070, com as \u00e1reas produtoras de caf\u00e9 apresentando queda de 30% na regi\u00e3o sudeste (Pinto et al. 2008).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Um desafio adicional para a agricultura, relacionado \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, \u00e9 a perda de polinizadores das culturas agr\u00edcolas, sendo a poliniza\u00e7\u00e3o um servi\u00e7o ecossist\u00eamico importante para manter a produ\u00e7\u00e3o da maioria das culturas. As culturas t\u00eam diferentes graus de depend\u00eancia por polinizadores de animais, e uma avalia\u00e7\u00e3o global mostrou que 85% (91 de 107 culturas) dependem de polinizadores em algum grau. No Brasil, 60% das culturas (85 de 141) s\u00e3o dependentes de polinizadores (Giannini et al. 2015a). Assim, a pesquisa sobre esp\u00e9cies de polinizadores de culturas agr\u00edcolas e suas intera\u00e7\u00f5es \u00e9 de grande import\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Com o presente trabalho n\u00f3s objetivamos avaliar o impacto potencial das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica dos polinizadores de 13 culturas agr\u00edcolas brasileiras. Avaliamos o impacto dessas mudan\u00e7as em cada munic\u00edpio onde as culturas analisadas s\u00e3o produzidas. Com isso, quisemos avaliar o efeito potencial que as mudan\u00e7as de clima poderiam ter sobre a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, considerando-se seu impacto sobre os polinizadores.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Tabela-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-2151 size-large\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Tabela-1-405x1024.jpg\" alt=\"Tabela 1. Esp\u00e9cies polinizadoras de cada cultura agr\u00edcola analisada. Cada cultura apresenta diferentes depend\u00eancias para poliniza\u00e7\u00e3o animal (de acordo com Giannini et al. 2015a). As esp\u00e9cies de polinizadores aqui utilizadas foram previamente consideradas como polinizadores efetivos, ocasionais ou potenciais de cada cultura analisada (de acordo com Giannini et al. 2015b).\" width=\"405\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Tabela-1-405x1024.jpg 405w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Tabela-1-119x300.jpg 119w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Tabela-1-150x380.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Tabela-1-198x500.jpg 198w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Tabela-1.jpg 564w\" sizes=\"(max-width: 405px) 100vw, 405px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Material e M\u00e9todos<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os 95 polinizadores de um total de 13 culturas avaliadas est\u00e3o listados na Tabela 1. Foi avaliado o efeito da mudan\u00e7a de clima em cada esp\u00e9cie de polinizador atrav\u00e9s da Modelagem de Distribui\u00e7\u00e3o de Esp\u00e9cies, que avalia as caracter\u00edsticas ambientais mais adequadas para a ocorr\u00eancia da esp\u00e9cie. Essa avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 baseada nos dados de ocorr\u00eancia conhecidos. Esses dados s\u00e3o analisados e no final do processo, um mapa de ocorr\u00eancia potencial \u00e9 projetado, que mostra as \u00e1reas mais adequadas para a esp\u00e9cie no futuro. A proje\u00e7\u00e3o foi feita para a d\u00e9cada de 2050, considerando-se um cen\u00e1rio mais pessimista, ou seja, projetando mudan\u00e7as mais intensas de temperatura e precipita\u00e7\u00e3o. Esse cen\u00e1rio foi escolhido pois nos interessava saber qual seria a melhor \u00e1rea para as esp\u00e9cies ocorrerem no futuro, mesmo no pior cen\u00e1rio. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">No final do processo de modelagem, n\u00f3s somamos as probabilidades de ocorr\u00eancia de todos os polinizadores de cada cultura. Assim, para cada cultura, n\u00f3s obtivemos um mapa que representava as \u00e1reas com maiores probabilidades de ocorr\u00eancia dos polinizadores no cen\u00e1rio atual, e outro, no cen\u00e1rio futuro. Para calcularmos a diferen\u00e7a entre ambos, as probabilidades do cen\u00e1rio futuro foram subtra\u00eddas das probabilidades do cen\u00e1rio atual, de tal forma a obtermos um mapa que mostrasse as diferen\u00e7as entre as duas condi\u00e7\u00f5es. Dessa forma, os valores negativos representam quedas de probabilidade de ocorr\u00eancia e os valores positivos, aumento. Portanto, no final, obtivemos para cada cultura um mapa que representava perdas e ganhos de polinizadores, considerando-se os v\u00e1rios munic\u00edpios do Brasil. Al\u00e9m disso, n\u00f3s tamb\u00e9m somamos os valores de todas as 13 culturas para produzir um mapa que mostrasse como ser\u00e1 o impacto das mudan\u00e7as de clima sobre os polinizadores considerando todas as culturas analisadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Tamb\u00e9m foram considerados os valores de PIB (Produto Interno Bruto) de cada munic\u00edpio analisado, visando identificar se haveria maior redu\u00e7\u00e3o nos polinizadores nos munic\u00edpios com PIBs mais altos ou mais baixos. Da mesma forma, analisamos tamb\u00e9m o n\u00famero de habitantes, visando entender se as perdas seriam mais acentuadas em munic\u00edpios mais populosos ou menos populosos. Os valores de PIB e de n\u00famero de habitantes foram extra\u00eddos do s\u00edtio na internet do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Resultados e Discuss\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A an\u00e1lise de cada cultura demonstra que os polinizadores das flores da goiabeira, tomateiro, cafeeiro e tangerineira ser\u00e3o potencialmente os mais afetados pela mudan\u00e7a de clima. Destes, as produ\u00e7\u00f5es de goiaba e o tomate s\u00e3o altamente dependentes dos polinizadores, e podem ser mais afetadas. Especificamente, considerando o impacto nos polinizadores de tomate, nossos resultados s\u00e3o corroborados por um estudo recente que analisou cinco esp\u00e9cies de polinizadores de tomate no Brasil, mostrando redu\u00e7\u00f5es entre 10 e 70% em sua faixa de distribui\u00e7\u00e3o (Elias et al. 2017). Embora o caf\u00e9 seja modestamente dependente dos polinizadores, ele \u00e9 principalmente produzido na regi\u00e3o sudeste (a regi\u00e3o potencialmente mais afetada, de acordo com nosso cen\u00e1rio) com valores muito altos de produ\u00e7\u00e3o anual e o segundo maior valor econ\u00f4mico da poliniza\u00e7\u00e3o no Brasil (quase US$ 2 bilh\u00f5es\/ano) (Giannini et al. 2015a). A cultura da tangerina tem pouca depend\u00eancia de polinizadores, mas tamb\u00e9m \u00e9 produzida principalmente nas \u00e1reas do sul do Brasil. Portanto, a perda de polinizadores para essas culturas pode causar impactos econ\u00f4micos e sociais que precisam ser avaliados. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">No entanto, \u00e1reas adequadas para a ocorr\u00eancia dos polinizadores das culturas acima mencionadas podem ser encontradas na regi\u00e3o norte, e a viabilidade de aumentar o seu cultivo nessa regi\u00e3o poderia ser investigada. Por outro lado, \u00e9 prov\u00e1vel que novas perdas de habitat continuar\u00e3o a ocorrer em todo o pa\u00eds, e h\u00e1 um debate na literatura se haver\u00e1 aumento na expans\u00e3o das \u00e1reas agr\u00edcolas para compensar a diminui\u00e7\u00e3o do rendimento das culturas devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o que poderia gerar mais perda de \u00e1rea natural e trazer novos desafios \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos polinizadores. <\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2153\" aria-describedby=\"caption-attachment-2153\" style=\"width: 291px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Agricultura_fig1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2153\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Agricultura_fig1-291x300.jpg\" alt=\"Figura 1. Mudan\u00e7a potencial m\u00e9dia na probabilidade de ocorr\u00eancia de polinizadores relacionada \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica projetada para 2050 nos munic\u00edpios brasileiros onde as 13 culturas analisadas s\u00e3o produzidas. Os valores variam de -1 (diminui\u00e7\u00e3o de 100% na probabilidade de ocorr\u00eancia do polinizador, vermelho para amarelo) para +1 (aumento de 100%, verde para azul). As \u00e1reas em branco correspondem aos munic\u00edpios onde n\u00e3o h\u00e1 produ\u00e7\u00e3o das culturas analisadas.\" width=\"291\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Agricultura_fig1-291x300.jpg 291w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Agricultura_fig1-994x1024.jpg 994w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Agricultura_fig1-150x155.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Agricultura_fig1-485x500.jpg 485w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Agricultura_fig1.jpg 1142w\" sizes=\"(max-width: 291px) 100vw, 291px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2153\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1. Mudan\u00e7a potencial m\u00e9dia na probabilidade de ocorr\u00eancia de polinizadores relacionada \u00e0<br \/>mudan\u00e7a clim\u00e1tica projetada para 2050 nos munic\u00edpios brasileiros onde as 13 culturas analisadas<br \/>s\u00e3o produzidas. Os valores variam de -1 (diminui\u00e7\u00e3o de 100% na probabilidade de ocorr\u00eancia<br \/>do polinizador, vermelho para amarelo) para +1 (aumento de 100%, verde para azul). As \u00e1reas<br \/>em branco correspondem aos munic\u00edpios onde n\u00e3o h\u00e1 produ\u00e7\u00e3o das culturas analisadas.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Considerando todas as esp\u00e9cies de polinizadores associados \u00e0s 13 culturas, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas projetadas reduzir\u00e3o a probabilidade m\u00e9dia de ocorr\u00eancia das esp\u00e9cies em quase 13% at\u00e9 2050 (Figura 1). Nossos modelos preveem que aproximadamente 90% dos munic\u00edpios analisados \u200b\u200benfrentar\u00e3o perda de esp\u00e9cies. De acordo com nossos resultados, a diminui\u00e7\u00e3o da probabilidade de ocorr\u00eancia de polinizadores variou de 8% (caqui) a 25% (tomate) e, potencialmente, afetar\u00e1 de 9% (tangerina) at\u00e9 100% (girassol) dos munic\u00edpios que produzem os cultivos. Considerando-se todas as culturas, os resultados tamb\u00e9m evidenciam que os munic\u00edpios do sul e sudeste do Brasil enfrentar\u00e3o impactos potenciais maiores na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola devido \u00e0 perda de polinizadores. Em contraste, alguns munic\u00edpios do norte do Brasil, particularmente no noroeste da Amaz\u00f4nia, potencialmente, poder\u00e3o se beneficiar das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, j\u00e1 que a probabilidade de ocorr\u00eancia dos polinizadores nessa regi\u00e3o pode aumentar. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Nossos resultados mostram tamb\u00e9m que munic\u00edpios com valores menores de PIB poder\u00e3o ser potencialmente mais afetados com a redu\u00e7\u00e3o de polinizadores (Figura 2A), assim como, os munic\u00edpios com n\u00famero menor de habitantes (Figura 2B). No entanto, alguns munic\u00edpios com valores de PIB muito altos e com grande n\u00famero de habitantes tamb\u00e9m poder\u00e3o ser afetados, como mostram as figuras citadas. Isso \u00e9 preocupante porque as perdas de polinizadores poder\u00e3o ter impacto negativo na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, potencialmente causando impacto no n\u00edvel de riqueza dos munic\u00edpios e afetando os habitantes das diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2154\" aria-describedby=\"caption-attachment-2154\" style=\"width: 236px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Agricultura_fig2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2154\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Agricultura_fig2-236x300.jpg\" alt=\"Figura 2. Mudan\u00e7as negativas na probabilidade de ocorr\u00eancia de polinizadores (perda potencial de polinizadores) em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de munic\u00edpios analisados, considerando-se A) o produto interno bruto (PIB) e; B) o n\u00famero de habitantes.\" width=\"236\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Agricultura_fig2-236x300.jpg 236w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Agricultura_fig2-150x190.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Agricultura_fig2-394x500.jpg 394w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Agricultura_fig2.jpg 748w\" sizes=\"(max-width: 236px) 100vw, 236px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2154\" class=\"wp-caption-text\">Figura 2. Mudan\u00e7as negativas na probabilidade de ocorr\u00eancia de polinizadores (perda potencial<br \/>de polinizadores) em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de munic\u00edpios analisados, considerando-se A) o produto<br \/>interno bruto (PIB) e; B) o n\u00famero de habitantes.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Assim, em resumo, os resultados mostram que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem afetar as esp\u00e9cies de polinizadores de forma diferente nos diferentes munic\u00edpios brasileiros, e que o impacto relativo na produ\u00e7\u00e3o de culturas precisa ser considerado ao planejar estrat\u00e9gias que envolvam a produ\u00e7\u00e3o de alimentos para per\u00edodos de m\u00e9dio e longo prazo. \u00c9 necess\u00e1rio avaliar estrat\u00e9gias que reduzam a perda de habitat natural, al\u00e9m de ser urgente incrementar estrat\u00e9gias de restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas improdutivas e degradadas. As terras improdutivas no Brasil representam mais de 200 milh\u00f5es de hectares (citado por Fabrini 2014). Se essas terras fossem restauradas, mesmo que parcialmente, isso poderia ajudar a minimizar as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas localmente, al\u00e9m de proteger a biodiversidade. Estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o para polinizadores de culturas agr\u00edcolas s\u00e3o urgentes, bem como, aprofundar as discuss\u00f5es sobre pr\u00e1ticas agr\u00edcolas favor\u00e1veis aos polinizadores. A manuten\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais pr\u00f3ximas aos cultivos agr\u00edcolas, a redu\u00e7\u00e3o do uso de pesticidas e de queimadas, bem como o plantio de esp\u00e9cies vegetais que produzam alimento para as abelhas (n\u00e9ctar e p\u00f3len), s\u00e3o estrat\u00e9gias que podem beneficiar essas esp\u00e9cies, e aumentar a chance do servi\u00e7o da poliniza\u00e7\u00e3o ocorrer adequadamente nas \u00e1reas agr\u00edcolas. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante que os dados de biodiversidade envolvendo polinizadores de culturas agr\u00edcolas sejam organizados e compartilhados para melhorar a precis\u00e3o das an\u00e1lises. O Brasil, com sua diversidade cultural regional, tem um n\u00famero muito grande de esp\u00e9cies vegetais de interesse econ\u00f4mico. Muitas delas s\u00e3o cultivadas localmente e contribuem com a renda familiar de pequenos agricultores em todo o pa\u00eds. No entanto, muito pouco se sabe sobre a necessidade dessas plantas por poliniza\u00e7\u00e3o animal, nem existem dados sobre as esp\u00e9cies que s\u00e3o seus polinizadores efetivos. Tamb\u00e9m n\u00e3o existem dados de produ\u00e7\u00e3o dessas culturas regionais organizados em uma base de dados oficial. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, dados mais robustos podem resultar em estrat\u00e9gias mais efetivas para manter a oferta dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos fornecidos pelas esp\u00e9cies de polinizadores, garantindo assim a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e preservando a biodiversidade dessas esp\u00e9cies.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Obs.:<\/b> esse artigo foi publicado na \u00edntegra pela revista internacional PlosOne em 2017 sob o t\u00edtulo \u201cProjected climate change threatens pollinators and crop production in Brazil\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Elias MAS, Borges FJA, Bergamini LL, Franceschinelli EV, Sujii ER. 2017. Climate change threatens pollination services in tomato crops in Brazil. Agriculture, Ecosystems and Environment; 239: 257\u2013264.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Fabrini JE. 2014. Fronteira e quest\u00e3o agr\u00e1ria no Brasil. Anpege 10: 91-115. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Giannini TC, Cordeiro GD, Freitas B, Saraiva AM, Imperatriz-Fonseca VL. 2015a. The dependence of crops for pollinators and the economic value of pollination in Brazil. Journal of Economic Entomology 108: 839-848.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Giannini TC, Boff S, Cordeiro GD, Cartolano EA, Veiga AK, Imperatriz-Fonseca VL, Saraiva AM. 2015b. Crop pollinators in Brazil: a review of reported interactions. Apidologie 46: 209-223.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Pinto HS, Assad ED, Zulo Jr. J, Evangelista SRM, Otavian AF, \u00c1vila AMH, Evangelista B, Marin FR, Macedo Jr. C, Pellegrino GQ, Coltri PP, Coral G. 2008. Aquecimento global e a nova geografia da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola no Brasil. Embrapa.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Efeito das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre os polinizadores de algumas culturas agr\u00edcolas no Brasil Tereza Cristina Giannini1,2, Wilian Fran\u00e7a Costa1, Guaraci Duran Cordeiro2, Vera Lucia Imperatriz-Fonseca2, Antonio Mauro Saraiva1 \u2013 1.Escola [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":2079,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"pmpro_default_level":"","_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"class_list":["post-2149","page","type-page","status-publish","hentry","pmpro-has-access"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2149"}],"collection":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2149"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2149\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2152,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2149\/revisions\/2152"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2079"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}