{"id":2097,"date":"2017-10-30T20:52:25","date_gmt":"2017-10-30T20:52:25","guid":{"rendered":"http:\/\/apacame.org.br\/site\/?page_id=2097"},"modified":"2017-10-30T20:55:52","modified_gmt":"2017-10-30T20:55:52","slug":"artigo-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apacame.org.br\/site\/revista\/mensagem-doce-n-143-setembro-de-2017\/artigo-2\/","title":{"rendered":"Artigo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">Prote\u00e7\u00e3o da abelha janda\u00edra no Nordeste Brasileiro considerando-se as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/h1>\n<blockquote><p>Tereza C. Giannini1, Camila Maia-Silva<sup>2<\/sup>, Andre L. Acosta<sup>1<\/sup>, Rodolfo Jaff\u00e9<sup>1<\/sup>, Airton T. Carvalho<sup>3<\/sup>, Celso F. Martins<sup>4<\/sup>, Fernando C.V. Zanella<sup>5<\/sup>, Carlos A.L. Carvalho<sup>6<\/sup>, Michael Hrncir<sup>2<\/sup>, Antonio M. Saraiva<sup>7<\/sup>, Vera L. Imperatriz-Fonseca<sup>1<\/sup> .<br \/>\n\u2013 1.Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (IBUSP). Rua do Mat\u00e3o trav. 14, S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo. <a href=\"mailto:giannini@usp.br\">giannini@usp.br<\/a><br \/>\n\u2013 2.Universidade Federal Rural do Semi\u00e1rido (UFERSA). Rua Francisco Mota 572. Mossor\u00f3, Rio Grande do Norte.<br \/>\n\u2013 3.Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Av. Greg\u00f3rio Ferraz Nogueira, SN. Caixa Postal 063. Serra Talhada, Pernambuco.<br \/>\n\u2013 4.Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB). Castelo Branco. Jo\u00e3o Pessoa, Para\u00edba.<br \/>\n\u2013 5.Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA) Jd. Universit\u00e1rio, Foz do Igua\u00e7u, Paran\u00e1.<br \/>\n\u2013 6.Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB). Rua Rui Barbosa 710. Cruz das Almas, Bahia.<br \/>\n\u2013 7.Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (EPUSP). Av. Prof. Luciano Gualberto 380. S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo.<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2100\" aria-describedby=\"caption-attachment-2100\" style=\"width: 241px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Jandaira_Fig01.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2100\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Jandaira_Fig01-241x300.jpg\" alt=\"Figura 1. Plantas usadas para forrageamento: a) Alternanthera tenella Colla; b) Chamaecrista duckeana (P. Bezerra &amp; Afr. Fern.) H. S. Irwin &amp; Barneby; c) Mimosa quadrivalvis L.; d) Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan; e) Chamaecrista calycioides (DC. ex Collad.) Greene; f) Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.; g) Borreria verticillata (L.) G. Mey.; h) Croton sonderianus M\u00fcll. Arg.; i) Myracrodruon urundeuva Allem\u00e3o; j) Senna obtusifolia (L.); k) Ipomoea asarifolia (Desr) Roem. &amp; Schult.; l) Pityrocarpa moniliformis (Benth) Luckow &amp; R. W. Jobson; m) Mimosa arenosa (Willd.) Poir.; n) Mimosa caesalpiniifolia Benth.; o) Senna trachypus (Benth.) H. S. Irwin &amp; Barneby; p) Senna uniflora (Mill.) H. S. Irwin &amp; Barneby; and q) Sida cordifolia L.; r) Turnera subulata Sm. Plantas usadas para n\u00e9ctar: s) Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan; t) Aspidosperma pyrifolium Mart.; u) Cnidoscolus quercifolius Pohl; v) Commiphora leptophloeos (Mart.) J. B. Gillett; w) Poincianella pyramidalis (Tul.) L. P. Queiroz; and x) Spondias tuberosa Arruda. Abelha: y) Melipona subnitida Ducke (janda\u00edra) na Senna obtusifolia. Licania rigida Benth. e Piptadenia gonoacantha (Mart.) J. F. Macbr foram tamb\u00e9m inclu\u00eddas como plantas para nidifica\u00e7\u00e3o mas as fotos n\u00e3o foram apresentadas aqui.\" width=\"241\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Jandaira_Fig01-241x300.jpg 241w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Jandaira_Fig01-150x187.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Jandaira_Fig01-401x500.jpg 401w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Jandaira_Fig01.jpg 748w\" sizes=\"(max-width: 241px) 100vw, 241px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2100\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1. Plantas usadas para forrageamento: a) Alternanthera tenella Colla; b) Chamaecrista<br \/>duckeana (P. Bezerra &amp; Afr. Fern.) H. S. Irwin &amp; Barneby; c) Mimosa quadrivalvis L.; d)<br \/>Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan; e) Chamaecrista calycioides (DC. ex Collad.) Greene; f)<br \/>Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.; g) Borreria verticillata (L.) G. Mey.; h) Croton sonderianus M\u00fcll.<br \/>Arg.; i) Myracrodruon urundeuva Allem\u00e3o; j) Senna obtusifolia (L.); k) Ipomoea asarifolia (Desr)<br \/>Roem. &amp; Schult.; l) Pityrocarpa moniliformis (Benth) Luckow &amp; R. W. Jobson; m) Mimosa arenosa<br \/>(Willd.) Poir.; n) Mimosa caesalpiniifolia Benth.; o) Senna trachypus (Benth.) H. S. Irwin &amp; Barneby;<br \/>p) Senna uniflora (Mill.) H. S. Irwin &amp; Barneby; and q) Sida cordifolia L.; r) Turnera subulata<br \/>Sm. Plantas usadas para n\u00e9ctar: s) Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan; t) Aspidosperma<br \/>pyrifolium Mart.; u) Cnidoscolus quercifolius Pohl; v) Commiphora leptophloeos (Mart.) J. B.<br \/>Gillett; w) Poincianella pyramidalis (Tul.) L. P. Queiroz; and x) Spondias tuberosa Arruda. Abelha:<br \/>y) Melipona subnitida Ducke (janda\u00edra) na Senna obtusifolia. Licania rigida Benth. e Piptadenia<br \/>gonoacantha (Mart.) J. F. Macbr foram tamb\u00e9m inclu\u00eddas como plantas para nidifica\u00e7\u00e3o mas as<br \/>fotos n\u00e3o foram apresentadas aqui.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O Nordeste do Brasil apresenta uma vasta regi\u00e3o semi\u00e1rida conhecida como \u201cCaatinga\u201d que j\u00e1 foi predominantemente coberta por Florestas Tropicais Secas. As esp\u00e9cies animais e vegetais nessa \u00e1rea podem ter que suportar longos per\u00edodos de estresse h\u00eddrico, j\u00e1 que o per\u00edodo seco \u00e9 bem prolongado. As duras condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas associadas a pr\u00e1ticas inadequadas de uso do solo t\u00eam resultado em processos de desertifica\u00e7\u00e3o. O desmatamento est\u00e1 avan\u00e7ando em \u00e1reas naturais, principalmente devido \u00e0 pecu\u00e1ria, \u00e0 agricultura e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de lenha e carv\u00e3o. A vegeta\u00e7\u00e3o foi totalmente suprimida em 46% da \u00e1rea original, e tem sido observada uma taxa m\u00e9dia de desmatamento igual a 2.700 km2 por ano (MMA 2011). Para agravar esse quadro, os efeitos previstos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no futuro para a regi\u00e3o da Caatinga s\u00e3o alarmantes. O aumento m\u00e9dio da temperatura na \u00e1rea \u00e9 estimado entre 3,5-4,5 \u00b0C at\u00e9 2100, e a precipita\u00e7\u00e3o pode sofrer redu\u00e7\u00f5es m\u00e9dias de at\u00e9 40-50% (PBMC 2013), o que refor\u00e7a a tend\u00eancia \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">N\u00f3s analisamos o impacto da mudan\u00e7a do clima sobre a abelha sem ferr\u00e3o Melipona subnitida Ducke, esp\u00e9cie que ocorre na Caatinga e \u00e9 popularmente conhecida como &#8220;janda\u00edra&#8221;. Ela apresenta um importante papel na poliniza\u00e7\u00e3o de plantas nativas e culturas comerciais. Estudos anteriores indicaram que essas abelhas s\u00e3o polinizadoras de piment\u00e3o e urucum e podem ser utilizadas em estufas. Al\u00e9m disso, a janda\u00edra \u00e9 uma esp\u00e9cie de grande relev\u00e2ncia na cultura do sertanejo, pois \u00e9 a esp\u00e9cie nativa mais utilizada para a produ\u00e7\u00e3o de mel na regi\u00e3o, proporcionando renda extra para agricultores e fam\u00edlias rurais. Assim, a cria\u00e7\u00e3o dessa abelha nativa \u00e9 importante para a economia local, e \u00e9 exemplo de atividade sustent\u00e1vel em prol do desenvolvimento regional e da conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies nativas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Material e M\u00e9todos<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">No in\u00edcio deste estudo, a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da janda\u00edra era pouco conhecida e poucos registros estavam dispon\u00edveis. Para preencher esta lacuna de informa\u00e7\u00e3o, foi realizada uma extensa pesquisa em campo nos anos 2012-2014 que produziu quase 250 novos registros. Essa pesquisa resultou tamb\u00e9m em um livro, que estar\u00e1 dispon\u00edvel online muito em breve, com muitos detalhes sobre a janda\u00edra e a regi\u00e3o onde ela ocorre (Imperatriz-Fonseca et al. 2017). Utilizamos esses novos dados e os j\u00e1 existentes (9 registros) para realizar a Modelagem de Distribui\u00e7\u00e3o de Esp\u00e9cies, visando identificar e mapear os h\u00e1bitats clim\u00e1ticos adequados \u00e0 esp\u00e9cie. Esse tipo de modelagem consiste em uma t\u00e9cnica computacional que utiliza os pontos de ocorr\u00eancia conhecidos para determinar as \u00e1reas climaticamente prop\u00edcias \u00e0 ocorr\u00eancia das esp\u00e9cies. Essas \u00e1reas s\u00e3o projetadas na forma de um mapa, que representa a \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica potencial para a ocorr\u00eancia das esp\u00e9cies. No caso de an\u00e1lises envolvendo mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, essa proje\u00e7\u00e3o mostra as \u00e1reas no futuro que ser\u00e3o adequadas para a esp\u00e9cie.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Foi produzido um mapa indicando as \u00e1reas climaticamente prop\u00edcias para a ocorr\u00eancia da abelha janda\u00edra em 2050, utilizando cen\u00e1rios de mudan\u00e7a de clima seguindo as diretrizes do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas). O ano de 2050 foi escolhido por implicar em um per\u00edodo relativamente curto de tempo \u00e0 frente. Usamos tamb\u00e9m a proje\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a de clima mais pessimista (chamada de RCP 8,5) pois, para prop\u00f3sitos de conserva\u00e7\u00e3o, nos interessava saber qual seria a melhor \u00e1rea para a esp\u00e9cie ocorrer no futuro, mesmo no pior cen\u00e1rio. Para produzir os mapas utilizamos um algoritmo (uma sequ\u00eancia de comandos de computador) chamado de Maxent, por ser j\u00e1 bem conhecido na literatura cient\u00edfica e por apresentar resultados muito confi\u00e1veis. Al\u00e9m de projetar a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica potencial da janda\u00edra para 2050, n\u00f3s analisamos tamb\u00e9m essa mesma proje\u00e7\u00e3o considerando as plantas com as quais a janda\u00edra conhecidamente interage, seja para coletar seus recursos (p\u00f3len e n\u00e9ctar), seja para construir seus ninhos (Figura 1). Fizemos isso para avaliar o impacto das mudan\u00e7as de clima tamb\u00e9m sobre as esp\u00e9cies de plantas que fornecem recursos para a janda\u00edra sobreviver. Dessa forma foi poss\u00edvel avaliar em qual regi\u00e3o a abelha ir\u00e1 encontrar n\u00e3o s\u00f3 as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adequadas, mas tamb\u00e9m os recursos ecol\u00f3gicos dos quais ela depende.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Para melhor oferecer sugest\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o da janda\u00edra, analisamos tamb\u00e9m o grau de conserva\u00e7\u00e3o das \u00e1reas da Caatinga, bem como o IDH (\u00cdndice de Desenvolvimento Humano) da regi\u00e3o. Visamos com isso ter uma ideia mais precisa de diferentes estrat\u00e9gias que poderiam ser sugeridas para proteger a esp\u00e9cie no futuro. Nosso argumento \u00e9 de que \u00e1reas com vegeta\u00e7\u00e3o nativa deveriam ser preservadas, enquanto que \u00e1reas sem essa vegeta\u00e7\u00e3o poderiam ser restauradas. \u00c1reas com IDH muito baixo poderiam ser alvo de projetos que, al\u00e9m de proteger a abelha (e outras esp\u00e9cies), pudessem tamb\u00e9m resultar em recursos econ\u00f4micos suplementares para a popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Resultados e Discuss\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2101\" aria-describedby=\"caption-attachment-2101\" style=\"width: 265px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Jandaira_Fig02.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2101\" src=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Jandaira_Fig02-265x300.jpg\" alt=\"Figura 2. \u00c1reas priorit\u00e1rias para conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o da janda\u00edra, considerando-se as mudan\u00e7as de clima, o uso da terra e o IDH (\u00cdndice de Desenvolvimento Humano).\" width=\"265\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Jandaira_Fig02-265x300.jpg 265w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Jandaira_Fig02-150x170.jpg 150w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Jandaira_Fig02-442x500.jpg 442w, https:\/\/apacame.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Jandaira_Fig02.jpg 748w\" sizes=\"(max-width: 265px) 100vw, 265px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2101\" class=\"wp-caption-text\">Figura 2. \u00c1reas priorit\u00e1rias para conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o da janda\u00edra, considerando-se as<br \/>mudan\u00e7as de clima, o uso da terra e o IDH (\u00cdndice de Desenvolvimento Humano).<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As \u00e1reas mais adequadas \u00e0 ocorr\u00eancia de janda\u00edra na d\u00e9cada de 2050 est\u00e3o indicadas na Figura 2. A \u00e1rea total climaticamente prop\u00edcia para a esp\u00e9cie em 2050 apresenta um tamanho semelhante \u00e0 avaliada para as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas atuais. No entanto, as \u00e1reas mais adequadas no futuro estar\u00e3o potencialmente situadas em locais de maior altitude. Essas \u00e1reas se encontram nas bordas da \u00e1rea principal de ocorr\u00eancia atual, constituindo grande parte dos plat\u00f4s do Ibiapaba, Araripe e Borborema, presentes na fronteira dos estados do Piau\u00ed e Cear\u00e1 e nas \u00e1reas ocidentais do Rio Grande do Norte, Para\u00edba e Pernambuco. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O principal corredor central das \u00e1reas adequadas detectadas no cen\u00e1rio clim\u00e1tico atual provavelmente diminuir\u00e1 porque a maior parte dessa regi\u00e3o central se tornar\u00e1 menos adequada devido \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. A perda prevista de h\u00e1bitat adequado na \u00e1rea central da regi\u00e3o de estudo provavelmente resultar\u00e1 em uma ruptura das \u00e1reas de ocorr\u00eancia atualmente conectadas. Isso poder\u00e1 representar um problema consider\u00e1vel para a preserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, contribuindo para o isolamento de suas popula\u00e7\u00f5es e reduzindo o fluxo g\u00eanico entre elas. A melhor regi\u00e3o para, em 2050, reconectar as duas principais \u00e1reas de ocorr\u00eancia da janda\u00edra estar\u00e1 localizada no cintur\u00e3o sul, pr\u00f3ximo \u00e0s fronteiras dos estados de Pernambuco, Para\u00edba e Piau\u00ed, por representar a menor lacuna entre as duas \u00e1reas principais. Para prevenir o potencial isolamento das popula\u00e7\u00f5es, a implementa\u00e7\u00e3o de um corredor ecol\u00f3gico nessa regi\u00e3o pode ser considerada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A an\u00e1lise do IDH demonstrou tamb\u00e9m que essa \u00e1rea priorit\u00e1ria localizada no sul \u00e9 habitada por popula\u00e7\u00f5es humanas com diferentes perfis socioecon\u00f4micos. Como j\u00e1 discutido em outros trabalhos, \u00e1reas com n\u00edveis mais altos de pobreza precisam de mais aten\u00e7\u00e3o, pois as popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o potencialmente mais vulner\u00e1veis \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e tamb\u00e9m dependem mais dos recursos naturais. Assim, essas \u00e1reas ao sul poderiam abrigar diferentes estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o, visando n\u00e3o s\u00f3 proteger a biodiversidade, mas tamb\u00e9m melhorar o bem estar humano. S\u00e3o indicados sistemas agroflorestais amig\u00e1veis \u00e0 biodiversidade, onde as \u00e1reas agr\u00edcolas podem ser enriquecidas com plantas nativas usadas por abelhas para forragear e nidificar, formando os chamados &#8220;corredores de n\u00e9ctar&#8221;, ajudando assim as abelhas a encontrar condi\u00e7\u00f5es adequadas de sobreviv\u00eancia, al\u00e9m de fornecer recursos potenciais para o bem estar humano. Outras estrat\u00e9gias vi\u00e1veis para essa \u00e1rea priorit\u00e1ria poderiam incluir aumentar as pr\u00e1ticas de apicultura ou de meliponicultura, que podem ser adotadas como uma alternativa rent\u00e1vel e sustent\u00e1vel, bem como, o ecoturismo, especialmente em \u00e1reas bem preservadas com alto valor c\u00eanico ou de patrim\u00f4nio cultural. Ao implementar essas estrat\u00e9gias, pode ser poss\u00edvel restaurar e conservar a biodiversidade local, e assim assegurar os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos prestados pelos polinizadores, bem como aumentar a renda e o bem estar econ\u00f4mico da popula\u00e7\u00e3o local.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Obs.:<\/b> esse artigo foi publicado na \u00edntegra pela revista internacional Apidologie em 2017 sob o t\u00edtulo \u201cProtecting a managed bee pollinator against climate change: strategies for an area with extreme climatic conditions and socioeconomic vulnerability\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Refer\u00eancias<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Imperatriz-Fonseca V.L.; Koedam D.; Hrncir M. 2017. A abelha janda\u00edra no passado, no presente e no futuro. Edufersa, Mossor\u00f3.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">MMA \u2013 Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. (2011). Subs\u00eddios para a elabora\u00e7\u00e3o do plano de a\u00e7\u00e3o para a preven\u00e7\u00e3o e controle do desmatamento da caatinga. MMA, Bras\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">PBMC \u2013 Painel Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas. (2013). Sum\u00e1rio Executivo. PBMC, Rio de Janeiro.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prote\u00e7\u00e3o da abelha janda\u00edra no Nordeste Brasileiro considerando-se as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas Tereza C. Giannini1, Camila Maia-Silva2, Andre L. Acosta1, Rodolfo Jaff\u00e91, Airton T. Carvalho3, Celso F. Martins4, Fernando C.V. 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