Artigo


MANIFESTO DA ABEMEL EM FAVOR DA POLINIZAÇÃO ASSISTIDA

Carlos Pamplona Rehder – ABEMEL

Rio Claro, 10 de julho de 2019.
Ofício nº. 019/2019
Ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. À Ministra da Agricultura
Exma. Sra. Tereza Cristina Côrrea da Costa Dias

Logo-ABEMELA Câmara Setorial da Apicultura da Secretaria do Estado de São Paulo inovou e criou um plano de longo prazo (10 anos) para desenvolver a agricultura paulista através de um novo insumo agrícola. Esse insumo agrícola, se implementado, injetará R$ 2 bilhões de produtos agrícolas a mais na economia paulista por ano, poderia ser R$ 20 bilhões em 10 anos. O investimento seria da ordem de R$ 450 milhões. O payback do projeto é em menos de 1 ano. Se estendermos para o Brasil, este projeto geraria 60 bilhões anuais ou 600 bilhões em 10 anos, equivalente a uma “mini” reforma da previdência.

Esse novo insumo que faria uma revolução sustentável na agricultura é a POLINIZAÇÃO ASSISTIDA.

Os serviços de polinização são necessários para quase 80% das culturas de frutas, hortícolas e sementes cultivadas nos Estados Unidos (MCGREGOR, 1976; BUCHMANN E NABHAN, 1996).

O valor econômico total da polinização no mundo somou 153 bilhões de euros, que representaram 9,5% do valor da produção agrícola mundial para alimentação humana em 2005 (GALLAI ET AL., 2009). Klein et al. (2007) estabeleceram que 87 culturas agrícolas, isto é, 70% das 124 principais culturas usadas diretamente para consumo humano no mundo, são dependentes de polinizadores.

Nos Estados Unidos, o valor da polinização paga pelo agricultor, por meio de aluguel de colônias, alcançou em 2017 o valor de US$ 319 milhões, para todas as culturas, de acordo com USDA. Por exemplo, a polinização da cultura de amêndoas em 2019 foi feita com 2,1 milhões de colmeias alugadas e transportadas de todo território americano para os pomares do vale central da Califórnia, pelo valor de US$ 200 por colmeia, em um total de US$ 420 milhões.

No caso do Brasil, o valor de produção anual de algumas culturas está disponível no sítio da Internet do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi possível estabelecer o valor da polinização para apenas 44 culturas, que possuíam tanto a dependência quanto o valor da produção definidos. A produção total dessas 44 culturas no ano de 2013 (ano para o qual foi feita a avaliação) foi de aproximadamente 45 bilhões de dólares. O valor econômico da polinização obtido para essas culturas no mesmo período foi de aproximadamente 12 bilhões de dólares, o que equivale a quase 30% do valor total (Giannini et al, 2015a6).

Nosso foco principal no Estado de São Paulo são: laranja e café e soja. Queremos polinizar 100% do café, 80% da laranja para suco e 30% da soja.

Nossa missão é aumentar a produtividade com sustentabilidade e reduzir a mortandade de abelhas.

A polinização é o processo que garante a produção de frutos e sementes e a reprodução de diversas plantas, sendo um dos principais mecanismos de manutenção e promoção da biodiversidade na Terra.

As abelhas são os agentes mais adaptados, mais eficientes e, portanto, os mais importantes no processo de polinização, havendo grande interdependência entre espécies de plantas e seus respectivos polinizadores, que podem ser únicos.

Estudos Científicos realizados com a Polinização:
CAFÉ
Há estudos realizados com café, por Blandina indica:

O estudo da polinização assistida em café, que analisou duas áreas com mesma produtividade histórica e em uma foram incluídas em uma delas abelhas e realizamos o processo da polinização assistida, demonstrou que em três propriedades analisadas o peso médio de cada grão de café foi significativamente maior no hectare com serviço de polinização. A variedade ‘Catuaí Vermelho’ aumentou o peso médio de cada semente em aproximadamente 11%, enquanto a variedade ‘Mundo Novo’ aumentou aproximadamente 13%.

Quanto à quantidade de litros (de café verde), os hectares que tiveram o serviço de polinização assistida e inteligente produziram significativamente mais grãos de café do que os hectares sem o serviço de polinização. Esse aumento foi de aproximadamente 49,2% para a variedade ‘Catuaí Vermelho’ (café de sequeiro) e de mais de 107,7% para a variedade ‘Mundo Novo’ (café irrigado). O proprietário da primeira área disse que “somente acreditou no resultado, porque ajudou a colher o café do experimento e viu a quantidade produzida” (estudo realizado pela AGROBEE, projeto financiado pela FAPESP/FINEP 2018-2019 – processos n. 2017/50362-7 e 2017/07848-6).

SOJA

Há estudos mostrando que a polinização da soja pode aumentar a produtividade de 10% a 40%, dependendo da variedade de soja.

A exemplo de um estudo realizado por Rehder (2012), com soja var. NIDERA 5909 houve aumento de 21,7% no peso colhido da soja. Além disso, concluiu-se que na área com livre visitação para abelhas melíferas e insetos observou-se um aumento de 36,7% no número de vagens, e 34,8% no número total de sementes em relação ao tratamento controle (coberto por gaiola).

Outro estudo realizado por Milfont (2012), na Chapada do Apodi, Limoeiro do Norte, Ceará, mostrou incremento de produtividade da soja (Glycine max (L.) Merril) cv. BRS Carnaúba com diferença estatisticamente significativa (p<0,05) entre os tratamentos. A área aberta com introdução de abelhas melíferas no centro do plantio mostrou um maior incremento na produção (p<0,05) quando comparado aos tratamentos da área aberta e da área fechada por gaiola. A produção de 3553,4 Kg/ha representou um aumento de 18,3% e 25,8% em relação à área aberta e a área fechada por gaiola,

LARANJA

As flores visitadas pelos insetos produziram maior quantidade de frutos (aumento de 35,30%), frutos mais pesados (180,2g), mais doces (1,164g de ác. cítrico/100g de amostra) e com maior número médio de sementes por gomo (1 semente/gomo) que as flores não visitadas pelos insetos.

Wafa e Ibrahim (1960) mostraram um aumento de 31% na produção de frutos em laranjeiras visitadas pelas abelhas com 22% de aumento no peso dos frutos, 33% de aumento na quantidade de suco (sem mudança alguma em sólidos) e 36% de aumento no número de sementes.

Interessante salientar que tanto no caso da polinização da laranja, do café e da soja, há o ganho na produção de mel. Inclusive poucas pessoas conhecem, mas o mel de café tem um sabor especial.

A promoção da polinização gerará benefícios diretos e indiretos para todo o agronegócio e meio ambiente:
• Redução da mortandade de abelhas

• Aumento da produtividade agrícola

• Produção ecologicamente sustentável

• Redução da pegada de carbono

• Redução da pegada hídrica

• Relação de ganhos mútuos entre produtores agrícolas e criadores de Abelhas

Conforme tabela abaixo, este projeto geraria 60 bilhões anuais ou 600 bilhões em 10 anos, equivalente a uma “mini” reforma da previdência.

Quadro-1

DEMANDAS:

Abelhas na Educação

Habilitação para aplicadores de agrotóxicos: Habilitar aplicadores de agrotóxicos (seja de pulverização tratorizada, aérea e equivalentes) através de curso de polinização. Constando, mas não se restringido a:

• Relações de dependência das Abelhas na reprodução vegetal;

• Potencial de aumento na produtividade da cultura agrícola através da polinização;

• Manejo dos agrotóxicos nos cultivos de maneira segura, prevenindo a morte das abelhas;

• Coexistência entre polinizadores, cultivos e o uso de agrotóxicos.

Abelhas no currículo das profissões: Inserir na grade curricular de curso superior matérias relacionadas às Abelhas, quais sendo, mas não se restringido à: apicultura, polinização, serviços ambientais das abelhas, abelhas como insumo agrícola noaumento da produtividade, o cuidado com as abelhas na aplicação de agrotóxicos. Os cursos que deverão apresentar tal currículo, mas não se restringido a estes:

• Agronomia, • Agroecologia, • Biologia, • Medicina Veterinária, • Zoologia, • Zootecnia, entre outros.

Curso de polinização para de assistência técnica: Criar curso especializado em POLINIZAÇÃO para técnicos agrícolas estaduais de assistência técnica (CDRS/EPAGRI/EMATER) para que estes fomentem que os fazendeiros (donos da terra) a criarem abelhas em suas reservas legais para assim polinizar suas culturas agrícolas e ainda trazendo mais renda de uma área que não é explorada economicamente hoje com a produção de mel.

Abelhas como insumo na Agricultura

ABC: Inserir a polinização por abelhas e meliponídeos no Plano ABC – Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura).

Embalagem: Regulamentar informação pictográfica na bula e embalagens de agrotóxicos constando: abelha x risco de toxicidade.

Cadastro NACIONAL ÚNICO na INTERNET de criadores de abelhas pelo MAPA: Integrar em plataforma online os cadastros dos apicultores realizados nas OESA estaduais e municipais. Com isso viabilizar a centralização e disponibilização de estatísticas de produção apícola, assim como dados de diagnóstico da mortandade das abelhas, facilitando a tomada de ações para mitigar o problema.

Integração Agricultura x Abelha: Muitos projetos de integração entre a apicultura e diversos cultivos agrícolas têm obtido resultados positivos na melhoria da produção apícola e a mitigação da mortandade das abelhas (exemplos em Eucalipto e Cana). Fomentar que grandes cooperativas agrícolas criem projetos de integração com as abelhas, como projeto de responsabilidade ambiental e social.

Indenização de criadores de Abelhas: Quando verificado o uso indevido dos agrotóxicos, por formas previstas ou imprevistas comprovadas pelos órgãos de defesa sanitária animal, ou ambiental, das esferas municipal, estadual ou federal, sujeitará aos responsáveis a aplicação das penalidades legais e ressarcimento imediato aos criadores de abelhas, de material e enxames, ao valor atual praticado pelo mercado.

• Usar as abelhas como Bio-indicador: Integrar a produção primária apícola ao Plano Nacional de Controle de Resíduos – (PNCR/MAPA), como forma de diagnosticar a contaminação (de doses letais e sub-letais) das abelhas e dos produtos das abelhas por agrotóxicos, e ainda mais, como ferramenta indicativa de contaminação ambiental. Por protocolo de amostragem adotar coleta de abelhas, mel e cera, e realizar a análise de amostras coletadas em todos os estados brasileiros.

• Força Tarefa Mortandade: Desenvolver nas DEFESAS ESTADUAIS uma força tarefa para análise de todos os casos notificados de mortandade com resposta de 24 horas da notificação

Problemas burocráticos na gestão governamental

Desburocratização procedimentos junto ao MAPA;

• Centrais de certificação sem funcionamento, que não conseguem fazer CSI (DCPOA).

• Excesso de rigor dos funcionários do MAPA junto aos entrepostos a produtos de baixo risco de saúde pública.

• Quantidade excessiva de documentos probatórios sobre embarque para realização de CSI.

• Problemas com lacre de exportação para embarques menores de um container.

• Problemas com análises de laboratório LANAGRO, com procedimentos e métodos equivocados.

• Desburocratização do processo junto ao MAPA para a importação de geleia real fresca e liofilizada para suprimento do mercado interno.

• Estímulo ao consumo de mel e demais derivados apícolas no país, através da inclusão na merenda escolar.

Trabalho em conjunto entre MAPA e Apex-Brasil para fomento de ações de exportação de mel.

Criar regras para rotulagem de produtos que tenham mel em sua formulação. Todo produto que contiver mel deve especificar na rotulagem a porcentagem de mel. Isso deve ser para todos os produtos alimentícios. Legislação da Anvisa. Assim para evitar mal informação do consumidor.