APIMONDIA


CONGRESSO INTERNACIONAL DE APICULTURA, DE AGRADÁVEIS SURPRESAS DE INÍCIO A FIM.

Por Lionel Segui Gonçalves – Membro Honorário da APIMONDIA – Prof.Aposentado da USP-Ribeirão Preto-SP e Prof. Voluntário da UFERSA-Mossoró-RN

Foto aberturaO 45º Congresso Internacional de Apicultura da APIMONDIA foi realizado em Istambul-Turkia, metrópole com mais de 14 milhões de habitantes e 8.500 anos de glamoriosa história, tendo sido a capital de muitos impérios incluindo o romano, bizantino e dos ortomanos e cortada pelo estreito de Bosphoro que separa a parte Europeia da Asiática. A cidade de Istambul foi nomeada em 2010 como a Capital da Cultura da Europa , estando dotada de 49 Universidades, 70 museus, 5 palácios imperiais e 4 bazares históricos, sendo mundialmente conhecida como um dos mais antigos e importantes centros de comercialização da Europa e Ásia e onde existe hoje um Bazar que congrega mais de 3000 lojas de mercadorias.

O evento foi de 29 de Setembro a 4 de Outubro de 2017, em comemoração aos 120 anos de atividades da APIMONDIA, congresso que nos proporcionou agradáveis surpresas de inicio ao fim, senão vejamos: o clima de preocupação que havia entre nós antes da viagem quanto a segurança naquele pais ,em especial na capital durante o Congresso, face aos lamentáveis fatos terroristas ocorridos anteriormente na Europa, aos poucos foi substituído por um clima de alegria, satisfação e confraternização .

Seus mais de 12 mil participantes, com representantes de 135 países, tiveram a oportunidade de trocar informações e conhecimentos técnicos-científicos sobre os mais variados temas apícolas e sobre abelhas em geral e de desfrutar de um ambiente agradável e propício ao intercâmbio educacional, cultural, tecnológico e comercial, a ponto de podermos classificar esse como um dos melhores congressos da APIMONDIA dos últimos dez anos, sendo que em nome do Presidente da APIMONDIA, Mr. Philip McCabe e do Presidente do Congresso Mr. Ziya Sahin, aproveito para cumprimentar a todos os organizadores do evento pelo brilhantismo do mesmo.

A organização do evento foi perfeita, de formas que quem já tinha feito suas inscrições antecipadas, ao se dirigirem ao local indicado na recepção, sem tumulto encontrava os atenciosos recepcionistas com os respectivos crachás prontos e suas pastas de material do congresso devidamente preparados.

O local do Congresso nos surpreendeu pelas amplas e confortáveis instalações proporcionadas pelo moderno Centro de Convenções de Istambul, localizado no coração do distrito cultural e de negócios da parte Asiática da cidade, Centro este com uma área de aproximadamente 120 mil metros quadrados de amplas instalações e com uma ampla área para a exposição de produtos das abelhas e material apícola da APIEXPO ISTAMBUL 2017.

A parte científica do Congresso destacou-se pela excelência da triagem dos trabalhos selecionados, com destaque nos níveis dos mesmos e constou da apresentação de Comunicação Oral de 277 trabalhos, apresentações de 369 Posters, Simpósios e Mesas redondas, cujas Comissōes científicas local e internacional distribuíram os temas nas áreas de Apiterapia, Biologia das Abelhas, Saúde das Abelhas, Economia Apícola, Apicultura para o Desenvolvimento Rural, Tecnologia Apícola, Flora Apícola e Polinização , todos contidos no Livro de Resumos (Abstract Book ) de 304 paginas, com 646 trabalhos técnico-científicos, cujos livros de Resumos foram distribuídos a todos os participantes do Congresso. A parte científica do Congresso foi iniciada com três conferências nobres (Keynote Speech) a saber: dia 30/09/17 – O Futuro da Apicultura ,por Dr. Osman Kaftanoglu, da Universidade Estadual do Arizona-USA, dia 1/10/2017 – Stress sub-letal que afeta o comportamento: comparação de raças nativas e importadas de abelhas do mel – por Brian H. Smith da Universidade estadual do Arizona-USA e 2/10/2017- Melhoramento da qualidade e produtividade de produtos apiterápicos –por Norman L. Carreck , da Universidade de Sussex-UK. A seguir todas as demais sessões deram continuidade às apresentações orais até o término do evento.

Delegação APACAME

A APACAME agradece a todos os participantes da Delegação no 45o Congresso Internacional de Apicultura promovido pela APIMONDIA PARTICIPANTES: 1 – Constantino Zara Filho; 2 – Cleide Zara; 3 – Eloi Viana Silva; 4 – Maria Jose Silva; 5 – Carlos Honorato; 6 – Grasiela Honorato; 7 – Geni De Oliveira; 8 – Selma Chaves; 9 – Gizela Carrion; 10 – Maira Andrade; 11 – Edilberto Macedo; 12 – Rosalia Macedo; 13 – Dorival Ramos; 14 – Renisa Vieira; 15 – Vandira Da Mata;16 – Yoshimi Nagatani; 17 – Wilson Sandrini; 18 – Thaisa Sandrini; 19 – Renato Zucco; 20 – Launi Zucco; 21 – Darcet Souza; 22 – Adriana Barreto; 23 – Mario Isao Otsuka; 24 – Iocie Matinaga; 25 – Radamés Zovaro; 26 – Gislaine Dos Reis; 27 – Enio Silva; 28 – Sonia Alves; 29 – Pedro Sobenko; 30 – Ursunelia Sobenko; 31 – Luiz Melo; 32 – Odete Melo; 33 – Daniel Gonçalves; 34 – Josiane Gonçalves; 35 – Lionel Gonçalves; 36 – Neide Gonçalves; 37 – José Maria Guimarães; 38 – Creuza Guimarães; 39 – Edivaldo Pacheco Oliveira; 40 – Lucas Campos; 41 – João Sobenko; 42 – Mário Cobra; 43 – Manoel Silva; 44 – Nair Silva; 45 – Lucas Silva; 46 – Hugo Silva.

Como parte das atividades da APIMONDIA foi realizada a Assembleia Geral da APIMONDIA 2017 na qual , além das deliberações de rotina, foram apresentadas as candidaturas dos países proponentes como sede do Congresso de 2021, que será em seguida ao congresso de Montreal-Canada em 2019, tendo se candidatado os países membros Russia, Dinamarca e Slovenia.

Nessa mesma Assembleia foram propostos pelos membros da Federaçāo a nomeação de sete Membros Honorários da APIMONDIA pela contribuição científica que deram à apicultura, estando entre eles o Prof. Dr. Lionel Segui Gonçalves, do Brasil, lista esta que foi divulgada publicamente pelo Presidente Philip McCabe na Sessão Solene de Encerramento da APIMONDIA.

Nessa sessão foi também realizada a votação pública para decidir a sede do congress de 2021 pelos representantes oficiais dos países membros da APIMONDIA, tendo sido eleita a cidade de Ufa, na Russia, como o país sede da APIMONDIA em 2021.

Foto 2 -Vista parcial da Delegação da APACAME e do público presente na abertura do 45o Congresso da APIMONDIA em Istambul

Foto 2 -Vista parcial da Delegação da APACAME e do público presente na abertura do 45o
Congresso da APIMONDIA em Istambul

A sessão solene de encerramento da APIMONDIA 2017 foi abrilhantada com um show folclórico sobre a Turquia e por um vídeo sobre as principais atividades desenvolvidas durante o Congresso, com a apresentação de várias caravanas dos países que estiveram presentes no Congresso e fechando o vídeo com a imagem da delegação da caravana do Brasil com os membros da APACAME em frente à entrada principal do Centro de Convenções de Istambul, portando a bandeira do Brasil, o que foi muito gratificante para os brasileiros que assistiam a referida sessão.

A seguir, com o objetivo de comprovar o brilhantismo da reunião na sua parte científica será apresentado um levantamento numérico das atividades desenvolvidas em cada sessão da APIMONDIA. 2017.

Infelizmente nāo nos foi disponibilizada a lista dos premiados no concurso de produtos e inovações, talvez face ao elevado número de integrantes, porém com grande satisfação adianto que entre os premiados registro a empresa brasileira Prodapys de Santa Catarina, cujos prêmios serão comentados posteriormente.

Foto 3 – Painel comemorativo dos 120 anos da Apimondia, contendo o ano e as cidades onde se realizou o Congresso.

Foto 3 – Painel comemorativo dos 120 anos da Apimondia, contendo o ano e as cidades onde
se realizou o Congresso.

Destaco o elevado número de trabalhos apresentados (646 trabalhos técnico-científicos na forma de Comunicações Orais e Posters) sendo 134 comunicações (21%) na área de Tecnologia Apícola, 120 trabalhos na área de Apiterapia (18%) , 107 trabalhos na área de Sanidade Apícola (17%), 101 trabalhos na área de Biologia (16%) e 66 trabalhos na área de Polinização e Flora Apícola (10%) e outros, os quais constam todos no Livro de Resumos.

A seguir, face ao elevado número de trabalhos apresentados em plenário em reuniões simultâneas relatarei apenas alguns dos trabalhos apresentados e sobre os principais temas comentados e discutidos e, a seguir, comentarei sobre algumas premiações bem como alguns dos aspectos dos materiais e de algumas inovações expostas na Feira Internacional APIEXPO-ISTAMBUL 2017.

Com o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX-BRASIL) através do projeto Brazil Let’s Bee e em parceria com a ABEMEL diversas empresas do setor apícola brasileiro foram expositoras na APIEXPO 2017 da APIMONDIA, principal evento da apicultura mundial, desta vez em Istambul-Turkia.

Foto 4 – Painel do 45 o Congresso da APIMONDIA 2017 com vistas de Istambul-Turkia.

Foto 4 – Painel do 45 o Congresso da APIMONDIA 2017 com vistas de Istambul-Turkia.

Entre as empresas que lá estiveram destacamos a Apis Flora, Apiário Sol, Ita Brasil Própolis, Essenciale, Melbras e Minamel e Prodapys, mostrando nossas riquezas apícolas e, como já aconteceu em congressos passados da APIMONDIA, também houve destaque brasileiro na premiação dos produtos das abelhas entre os mais de 1000 participantes da competição.

A empresa Prodapys de Santa Catarina novamente nos orgulhou com suas conquistas na APIMONDIA, desta vez sendo 2 medalhas de ouro e uma de prata na categoria de mel claro e mais 2 medalhas de bronze nas categorias de mel e cera. Aos caros Celio H. M. Silva e seu filho Tarciano Santos da Silva os nossos cumprimentos.

Queremos finalmente destacar também ,nas diversas sessões do Congresso e em especial nas sessões de abertura e de encerramento do Congresso da APIMONDIA, a organizada comitiva da APACAME, fato que chamou muito a atenção pelo elevado número de pessoas devidamente uniformizadas e agrupadas, representando a comunidade apícola brasileira, todos liderados pela nossa querida coordenadora, a Sra. Cleyde Zara.

Foto 5 – Prof. Dr. Lionel S. Gonçalves em sua palestra sobre a Campanha de Proteção às abelhas e sobre a mortandade de abelhas no Brasil devido aos pesticidas (aplicativo Bee Alert).

Foto 5 – Prof. Dr. Lionel S. Gonçalves em sua palestra sobre a Campanha de Proteção às abelhas
e sobre a mortandade de abelhas no Brasil devido aos pesticidas (aplicativo Bee Alert).

Quanto aos trabalhos científicos apresentados em plenário, considero importante ser mencionado alguns dos trabalhos de pesquisadores brasileiros que, embora em número muito limitado, tiveram destaque pela qualidade dos mesmos. Um deles refere-se ao comportamento de termorgulação das abelhas africanizadas do nordeste brasileiro, de autoria de Herica G.Tertulino Domingos e colegas, apresentado pelo seu orientador Prof. Lionel S. Gonçalves. Este foi o primeiro trabalho científico experimental que comprova o eficiente trabalho das abelhas africanizadas na sobrevivência delas durante os períodos de secas, ocasião em que molham o próprio corpo com água e executam movimentos de ventilação para dentro das colmeias para suportar as altas temperaturas, demonstrando que as abelhas, como os seres humanos, também gostam de sombra e água fresca.

Como consequência dessa observação foi incentivado na Ufersa de Mossoró-RN, a prática de se instalar as colmeias sob as sombras das vegetações existentes na caatinga e em locais próximos a fontes de água. Na ausência dessas condições são construídas proteções naturais (latadas) com troncos de arvores e cobertos por folhas de carnaúba, bem como bebedouros com água potável, o que permite um belo conforto físico às abelhas e aos apicultores.

Foto 6 – Prof. Lionel entregando ao Presidente da APIMONDIA, Mr. Phillip McCabe, o Caderno de Atividades Ambientais e Educação, versão em inglês.

Foto 6 – Prof. Lionel entregando ao Presidente da APIMONDIA, Mr. Phillip McCabe, o Caderno
de Atividades Ambientais e Educação, versão em inglês.

Outro trabalho que também gostaria de comentar foi o trabalho de doutorado desenvolvido na Ufersa por Dayson Castilhos, também orientado do Prof. Gonçalves, sobre a séria mortandade de abelhas em geral que vem ocorrendo no Brasil nos últimos três anos, detectado através do uso do aplicativo BEE ALERT (www.semabelhasemalimento.com.br/beealert). Este aplicativo foi desenvolvido na USP, Ribeirão Preto-SP e no CETAPIS, na UFERSA em Mossoró-RN, o qual permite indicar, num mapa mundi, Online, o local exato das ocorrências de morte das abelhas, suas causas, prejuízos causados aos apicultores e meliponicultores. Segundo foi amplamente informado e denunciado publicamente na APIMONDIA pelo Prof. Gonçalves, trata-se do maior massacre de abelhas existente no Brasil, ocorrendo em 20 Estados da Federação e com sua maior frequência no Estado de São Paulo. O App BEE ALERT já registrou a morte de mais de 20.000 colônias de abelhas Apis mellifera e abelhas sem ferrão, já havendo uma estatística de 1 bilhão de abelhas mortas, e que as causas principais são os pesticidas, em especial os neonicotinóides indiscriminadamente utilizados no Brasil e que são aplicados também em vários países, conforme constam em inúmeras publicações nos Resumos da APIMONDIA 2017.

Foto 7 – Apresentação oral do trabalho de Herica T.Domingos e L.S.Gonçalves da UFERSA- Mossoró-RN sobre termoregulação em abelhas africanizadas.

Foto 7 – Apresentação oral do trabalho de Herica T.Domingos e L.S.Gonçalves da UFERSA-
Mossoró-RN sobre termoregulação em abelhas africanizadas.

O Prof. Gonçalves, ao concluir sua palestra sobre o massacre das abelhas no Brasil , comentou em plenário que, se não fosse feito nada em prol da proteção das abelhas, o Brasil estaria correndo o sério risco de se tornar mais um pais a adotar a profissão de “Homem Abelha” para polinizar suas plantas com as mãos como hoje existe na região de Sichuan, na China.

Curiosamente, após a apresentação do Prof. Gonçalves, dando prosseguimento aos trabalhos, o presidente da Sessão anunciou o próximo conferencista, o chinês Dr. Jie Wu (trabalho :Honeybees Management Increase the Pollination of Less Preferred Flowers) o qual comentou o fato de que muitos pomares de frutas hoje na China se utilizam do trabalho manual de “Homens Abelha”para garantir a polinização das flores.

Dando continuidade aos trabalhos apresentados em plenário tenho o prazer de comentar também mais dois importantes trabalhos apresentados por outro brasileiro, o pesquisador da Embrapa de Bélem do Pará, Cristiano Meneses.

Foto 8 – Premiação com medalha de ouro – embalagem com mel da empresa Prodapys de Santa Catarina.

Foto 8 – Premiação com medalha de ouro –
embalagem com mel da empresa Prodapys
de Santa Catarina.

Lembro que os avanços da tecnologia também estão sendo dirigidos no sentido de produzirmos drones para polinizar as plantas. No entanto, apesar dos avanços da tecnologia ,nada supera até agora nem deverá superar o maravilhoso trabalho das abelhas, embora a māo de obra dos homens abelha nos preocupe pois, devido a falta de abelhas essa tecnologia vem sendo cada vez mais frequente e já é uma realidade hoje na China.

O primeiro trata do inédito estudo da relação entre a abelha sem ferrão Scaptotrigona depilis e um fungo filmentoso, sendo que o micelio deste fungo se desenvolve no alimento provisionado dentro da célula de cria, o qual é comido pela larva.

Larvas desenvolvidas in vitro no alimento larval esterilizado suplementado com micélio de fungo apresentaram maior taxa de sobrevivência (76%) do que larvas desenvolvidas sob idênticas condições, porém sem micélio fungal (sobrevivência de 8%). Este é o primeiro caso de mutualismo em abelhas sociais, tendo sido discutida a importância dos microorganismos para as abelhas sem ferrão e para a meliponicultura.

O segundo trabalho tratou do uso das abelhas sem ferrão como uma alternativa para a polinização de diversas culturas vegetais em áreas tropicais e sub-tropicais, tais como no tomate, moranguinho,macadamia, açaí e café.

Foto 9 – Premiação com medalha de prata- Livro "No Bees, No Life" (Sem abelhas, sem vida), de Peter Kozmus, Bostjan Noc e Karolina Vrtacnik.

Foto 9 – Premiação com medalha de prata-
Livro “No Bees, No Life” (Sem abelhas,
sem vida), de Peter Kozmus, Bostjan Noc e
Karolina Vrtacnik.

Embora as abelhas sem ferrão sejam eficientes na polinização de aproximadamente 30 culturas, as técnicas de manejo e métodos de multiplicação ainda são pouco conhecidas.

Nesse sentido o pesquisador tem desenvolvido estudos sobre a multiplicação de rainhas no sentido de se estabelecer um sistema de produção sistêmica de colônias para atender os serviços de polinização dos agricultores.

Dando prosseguimento sobre os demais trabalhos apresentados, uma das áreas científicas que teve um crescimento surpreendente foi a de apiterapia. Foi marcante o número de trabalhos sobre as apitoxinas no tratamento de esclerose múltipla, sendo merecedor de destaque um trabalho de Ivor Vladimirovich Krivopalov Moskvin e colaboradores, de uma clínica russa (Yelena Fateeva International Center of Medicina Api Clinica) no qual foi chamada a atenção da ação das apitóxinas no tratamento de 1.500 pacientes com doenças autoimunes, com resultados positivos. Além de ser enfatizado o sucesso no tratamento da esclerose múltipla com as apitóxinas, os autores comentam ser essa a razão dos apicultores, pelo fato de receberem com frequência picadas de abelhas, praticamente não sofrerem de esclerose múltipla, também conhecida como desmielinização ou degeneração do tecido nervoso. O tratamento envolve o uso de injeções de frações de veneno de abelha o qual, segundo foi informado, influe no estado neurológico dos pacientes, detendo a desmielinização e estabilizando o índice de células vermelhas do sangue e reduzindo a leucocitose e a reação plasmática do tecido linfático. Confirmando a eficiente ação das apitóxinas no tratamento da eslerose múltipla ou desmielinização e degeneração do tecido nervoso que culmina com uma paralisia progressiva, registro também o trabalho da pesquisadora da Romenia, Cristina Aosan, da Comissāo de Apiterapia da APIMONDIA, no qual relata os resultados de 80 pacientes com esclerose múltipla, tratados com apitoxin (veneno de abelha) geleia real, apilarnil (produto natural rico em hormônio androgênico obtido de larvas de zangão), própolis, pólen e mel, associado a fitoterapia e psicoterapia. Os pacientes com menos de 40 anos apresentaram os melhores resultados no tratamento. Segundo a pesquisadora os pacientes com um bom equilíbrio psico-emocional e, em especial os pacientes mais jovens, apresentaram as melhores respostas ao tratamento e chances de uma recuperação total e de terem uma vida normal.

Foto 10 – Troféus e medalhas distribuídas aos ganhadores dos concursos de inovações, produtos e materiais apícolas da Apimondia.

Foto 10 – Troféus e medalhas distribuídas
aos ganhadores dos concursos de inovações,
produtos e materiais apícolas da Apimondia.

Ainda na área da apiterapia aplicada à medicina o Congresso da APIMONDIA trouxe vários trabalhos sobre o efeito do própolis e seus componentes flavonóides como sério candidato a drogas utilizados em tratamentos de câncer conforme comentou o pesquisador Akhmad E. Hasan da Índia, bem como o trabalho de Yufei Zhang e colaboradores da Universidade de Zheijang, China, ao comentarem o importante papel do constituinte bioactivo pinocembrim encontrado na própolis chinesa, utilizada no tratamento melanoma de ratos.

Os resultados demonstraram ter o pinocembrim um poderoso efeito antiproliferante nas células cancerosas. Estes resultados são altamente promissores para a medicina uma vez que o melanoma é um dos tipos mais virulentos de câncer devido às suas características de alta frequência de metastases e grande resistência a drogas quimioterápicas.

Na área de Polinização e Flora Apícola constatamos também uma alta frequência de trabalhos científicos apresentados tanto na forma oral como em posters.

Foto 11 – Premiados da Apimondia 2017 recebendo suas medalhas, troféus e honrarias.

Foto 11 – Premiados da Apimondia 2017
recebendo suas medalhas, troféus e
honrarias.

Embora saibamos que os polinizadores estão sendo dizimados no mundo em função do uso de agrotóxicos, não houve nenhuma manifestação ou comentários apontando a redução dos polinizadores, com exceção dos trabalhos dos chineses que já se utilizam do homem-abelha nos projetos de polinização de frutas.

Quanto a API-EXPO 2017, o surpreendente número de stands instalados pelas empresas nacionais da Turkia e pelas empresas estrangeiras nos permite afirmar que, salvo engano meu, foi uma das mais bem montadas e ricas exposições apícolas da APIMONDIA.

Foi notória a quantidade e variabilidade de produtos apícolas, de maquinário e implementos apícolas, modelos de colmeias, modelos de indumentárias apícolas etc.

A exposição na parte de produtos das abelhas primou pela enorme quantidade de tipos e embalagens de mel e pela quantidade de stands preparados para degustação dos tipos de mel.

Foto 12 – Embalagens de mel submetidas ao concurso da Apimondia.

Foto 12 – Embalagens de mel submetidas ao
concurso da Apimondia.

A Turkia é muito conhecida pelo famoso “Pine Honey” das florestas da região de Halicarnassus e do “Mel da Montanha”, mel silvestre das montanhas da Anatólia. Quanto as inovações tecnológicas, torna-se difícil a identificação das melhores entre tantos produtos expostos, sendo que me limitarei a descrever apenas algumas delas.

Uma inovação que atraiu muito a atenção dos visitantes da feira foi a enorme quantidade de modelos de colmeias de plástico, isopor, fibras de vidro etc, construídas para superar alterações climáticas conhecidas como “Ergo Séries” ou “Thermo hives”, consideradas como colmeias adaptadas para ultrapassar o inverno sem perdas de famílias, destacando-se também os inúmeros tipos de favos artificiais de plástico e derivados.

Destaco também uma enorme variedade de equipamentos e implementos apícolas expostos, destinados a desoperculação e centrifugação de favos bem como um variado número e tipos de recipientes metálicos e de plástico ou fibras de vidro para depósito de mel.

Foto 13 – Artesanatos em cera de abelha submetidas ao concurso da APIMONDIA.

Foto 13 – Artesanatos em cera de abelha
submetidas ao concurso da APIMONDIA.

Como inovação que no meu entender é fantástica, destaco um tipo de embalagem individual de mel no interior de cartões de plástico, de fácil utilização (Snap and squeeze=morda e esprema), contendo 7 gramas mel lançado pela empresa turca Balparmak. Trata-se de uma mini embalagem individual de mel como o já conhecido sachê, porém na forma de um cartão plástico que possui uma microscópica fenda que se abre ao dobrar o cartão.

Este tipo de embalagem permite inclusive a combinação do mel com distintas ervas medicinais, própolis, ginseng, guaraná, limão, cinnamon, pimenta, ginger, etc. combinações essas conhecidas como ApiteraUp, Mind e Zen, sendo essa inovação uma das agradáveis surpresas do congresso.

Ainda sobre os materiais expostos na Feira, porém não como inovação, gostaria de destacar a “Colmeia Flow” que, por ser apresentada como uma alternativa de coleta de mel direto da colmeia sem o uso de desoperculador e centrífuga, considero interessante ser comentada quanto as suas características e por ser um produto que despertou grande interesse no público presente.

Foto 14 – Embalagens de Hidromel submetidas ao concurso da APIMONDIA.

Foto 14 – Embalagens de Hidromel submetidas
ao concurso da APIMONDIA.

Foram apresentados vários modelos da colmeia flow construidos de araucária contendo 3 a 8 quadros-flow especiais que se encaixam também em colmeias tipo Langstroth standard super. Para isso há a necessidade de uma abertura especial na frente da colmeia Langstroth para se adaptar o tubo de coleta de mel que é conectado aos quadros flow. No entanto, apesar da aparente praticidade na manipulação dessa colmeia para a coleta do mel direto no frasco, esta alternativa de exploração apícola nos parece ser aplicada mais a pequenos apicultores possuidores de reduzido número de colmeias ou por hobistas. Esse tipo de colmeia já está sendo adotada em vários países, talvez por não necessitar da aquisição de desoperculadores nem de centrifugas para a extração do mel. Constatamos também que, apesar da aparente facilidade de manipulação, segundo os próprios fornecedores, esse tipo de colmeia demanda ainda de capacitação especial de seus usuários sobre os cuidados normais que requer uma colônia de abelhas quanto a alimentação, atividade enxameatória, doenças, presença de rainha em atividade de postura etc., cuidados esses necessários para se evitar a evasão das abelhas.

EXCURSĀO TÉCNICA:

Quadro Pagina9Finalmente, como programação oficial final do 45º Congresso Internacional de Apicultura da APIMONDIA destaco a realização de uma excursão técnica, mediante agendamento prévio, dos participantes do Congresso e que constou da visita a um apiário instalado numa regiāo rural próxima ao lado asiático da cidade de Istambul e de uma visita às instalações da empresa Balparmak Ressearch and Development Center, a maior e mais moderna empresa apícola da Turquia e sobre a qual faremos algumas considerações posteriormente.

No referido apiário haviam mais de uma centena de colmeias contendo abelhas com diferentes tipos de raças regionais utilizadas na Turkia (abelhas Anatolíacas, Caucasianas e Muglia) tudo devidamente identificado com placas informativas e onde vários apicultores se colocavam à disposição dos visitantes para abrir as colmeias.

Após a visita ao apiário os participantes foram transportados para outra regiāo onde se encontram as fabulosas instalações da empresa Balparmak, especialista em mel, empresa apícola exportadora de mel e que foi uma das patrocinadoras do Congresso da APIMONDIA de 2017.

Já na empresa e após um refinado cocketel de recepção aos visitantes, com a presença inclusive dos diretores da mesma, foi proporcionado a todos um tour pelas moderníssimas instalações e facilidades distribuidas nos 30.000 metros quadrados da empresa, que tem a capacidade de processar anualmente 32 mil toneladas de seus produtos.

Como destaque principal da visita menciono a visualização, do alto de um amplo corredor com paredes de vidro, das amplas instalações dos distintos laboratórios de pesquisas e análises de mel, incluindo o laboratório de avaliação organoléptica e de seus técnicos devidamente uniformizados trabalhando nas moderníssimas instalações dotadas de sofisticados equipamentos para análises de qualidade de mel e demais produtos apícolas produzidos pela empresa.

Conforme constatamos, trata-se do maior laboratório mundial de análises especificas de mel, sendo que o rigor de suas análises garante a excelência e pureza do mel, a fama mundial da qualidade de seus produtos e os inúmeros prêmios já recebidos.

Foto 15 – Homens-abelha sobre árvores frutíferas realizando o trabalho de polinização na China devido a falta de abelhas.

Foto 15 – Homens-abelha sobre árvores
frutíferas realizando o trabalho de polinização
na China devido a falta de abelhas.

Todas as embalagens com mel da empresa contém no rótulo o app “Priospot” com o “QR code” que certifica a garantia de produto genuíno e o resultado da análise do produto adquirido. Sem dúvida alguma, essa visita às instalações da Balparmak , maior empresa apícola da Turkia, empresa que na minha opinião é um exemplo ou modelo de empresa apícola, foi uma das mais agradáveis surpresas a que nos referimos no título deste trabalho.

Os organizadores do Congresso de Apicultura da APIMONDIA na Turquia estão realmente de parabéns pois, pelo nível de organização e programação, fechou com chave de ouro os 120 anos de atuação da APIMONDIA.

O país que recebeu a todos os congressistas com braços abertos, demonstrou, com competência e responsabilidade, fazer jus ao moto” Let’s Bee Where The Continent Meet…” revelando-se como uma importante potência apícola mundial.

Foto 16 – Modelos da Colmeia Flow que permite a coleta de mel direto do favo.

Foto 16 – Modelos da Colmeia Flow que
permite a coleta de mel direto do favo.

Devo agora finalizar este texto comentando que, face ao elevado número de trabalhos apresentados em plenário, infelizmente nos foi possível comentar resumidamente apenas alguns deles, lembrando aos interessados em outros temas, que foi distribuído a todos os participantes inscritos um livro de resumos de 304 páginas, contendo todos os trabalhos apresentados. Assim, com base na grande diversidade de trabalhos apresentados e discutidos no Congresso e na imensa variabilidade de produtos das abelhas, materiais apícolas e equipamentos expostos na Api-expo 2017, onde mais de 12.000 congressistas usufruíram das mais variadas informações do mundo apícola, é maravilhoso constatar que pequenos insetos como as abelhas possam gerar tantas informações.

No entanto, considero importante relembrar o seu papel principal e mais importante para a natureza que é a sua atuação como polinizadora das plantas, o que garante o alimentos para todos os animais e a manutenção das áreas verdes, matas, florestas etc. que colaboram inclusive com a produção do oxigênio do qual dependemos para viver.

Assim, face a riqueza de informações aqui resumidamente relatadas sobre as atividades desenvolvidas no Congresso e que nos foram proporcionadas durante o 45º Congresso da APIMONDIA, considero incomensurável ou mesmo impossível avaliar a importância de nossas queridas abelhas para nossas vidas e para os eco-sistemas de nosso planeta.

Finalmente, face ao conhecimento que temos sobre o atual uso indiscriminado dos agrotóxicos em nosso país e por saber quão importante é o papel das abelhas para o homem e para o meio ambiente, encerro este trabalho com a convicção de que é imperioso reunirmos esforços no sentido de protegê-las, evitando assim seu desaparecimento e uma possível catástrofe ecológica irrecuperável.

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