Artigo


ABELHA PROCURADA
PROCURA-SE VIVA ESPÉCIE INVASORA

Entenda brevemente o caso

Fotos - Wikimdia commons

Fotos – Wikimdia commons

Recentemente, pesquisadores descobriram uma nova espécie de abelha europeia invadindo a América do Sul; na Europa ela é chamada de Mamangava da Cauda Branca (Buff-tailed bumblebee) ou, cientificamente, Bombus terrestris.

Tudo começou quando colônias desta espécie foram importadas da Europa para o Chile em meados da década de 70, para serem usadas como polinizadoras de tomateiros cultivados em estufas, mas elas escaparam das estufas para ambientes naturais ao redor e começaram a invadi-los.

Em pouco tempo grandes áreas do Chile estavam ocupadas pela espécie invasora, e não demorou muito até cruzaram a fronteira com a Argentina. Hoje, colônias desta espécie invasora ocupam vastas áreas naturais nestes dois países e impactos ambientais têm sido relatados por pesquisadores.

Fotos - Wikimdia commons

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Velozmente, agora a espécie expande sua área de invasão para sul e para norte da Argentina, já podendo ter chegado ao Uruguai. Esta alta velocidade de expansão e sua grande capacidade de invadir novos ambientes na América do Sul geraram preocupações sobre a eventual chegada da espécie ao Brasil, e potenciais impactos ambientais e agrícolas em nosso país.

Não há como impedir a espécie de invadir, mas há tempo para se entender os tipos de impactos que poderemos enfrentar quando ela chegar, e assim poderemos nos preparar para enfrentá-los e, até mesmo, tentar reduzir seus efeitos.

Por meio de avançadas análises científicas foi possível prever as áreas do Brasil que estão mais vulneráveis à invasão por esta abelha (leia mais em A ciência por detrás). Agora, precisamos apenas monitorá-las, pois cedo ou tarde ela chegará, ou talvez até já tenha chegado e ainda não sabemos.

A área susceptível é bastante grande (veja o Mapa da invasão), abrange grande parte do Estado do Rio Grande do Sul, e seria impossível ter pesquisadores espalhados e monitorando toda esta área. Por isso precisamos de você! Ajude-nos a encontrá-la.

Como posso ajudar?

É muito fácil!

Fotos - Wikimdia commons

Fotos – Wikimdia commons

Primeiro você precisará conhecer a abelha para poder identificá-la, depois, se avistá-la por ai, visitando flores, pousada em algum lugar, tire fotografias da sua lateral, da sua cabeça e costas com o seu celular ou câmera fotográfica e nos envie as fotos juntamente com a localização de onde você a viu.

Como posso identificá-la se eu avistá-la?

Você só precisa memorizar algumas características marcantes dela, especialmente sua destoante “cauda branca”.

Mas não é à toa que esta abelha é chamada de Mamangava da Cauda Branca, pois ela é grande, por isso mamangava (cerca de duas vezes o tamanho da abelha comum, aquela que entra em nossa lata de refrigerante); sua cauda é branca (ou amarelo claro), que contrasta bastante com o restante de seu corpo, que é listrado de preto e amarelo alaranjado. Mas se houver dúvidas, tire fotos da abelha e nos mande, assim nós verificaremos se poderá ser a abelha procurada e lhe retornamos.

Sua participação é fundamental!

A invasão de espécies é uma das formas mais agressivas de impactos à biodiversidade, juntamente com perda de habitat e as mudanças climáticas.

Mais informações em http://abelhaprocurada.com.br/

Mais informações em http://abelhaprocurada.com.br/

Quando uma espécie exótica invade, ela “toma o lugar” de outras espécies que usam recursos similares (por exemplo: alimento e locais para fazer ninhos), reduzindo as populações das outras espécies – as quais podem ser nativas no Brasil e favoráveis à agricultura e à natureza – podendo até gerar até extinções locais destas espécies.

Espécies exóticas trazem consigo doenças exóticas, ou seja, doenças novas que serão transmitidas para as espécies nativas; seja para outras abelhas mas também para plantas nativas e agrícolas. Como são doenças novas, não há resistência contra elas, podendo dizimar algumas espécies nativas na área contaminada.

Impactos nos polinizadores nativos poderão levar a redução da polinização nas plantas nativas e agrícolas, portanto, poderá refletir-se em danos às espécies selvagens e na redução da produção de alimentos nas culturas agrícolas afetadas

Perdas na produção agrícola poderão refletir-se em prejuízos para sua cidade, estado e até para todo o país, considerando que o sul produz alguns tipos de alimentos que não são produzidos em outras regiões. Todavia, ainda não se pode afirmar isso, é necessário estudá-la após a invasão para poder avaliar as repercussões.

Para se entender a intensidade e o tipo de impacto desta espécie invasora na natureza e na agricultura o pesquisador precisa conhecer as áreas onde ela invadiu e ir até lá, pois, precisa vê-la viva, visitando plantas e interagindo com as outras espécies. Por isso nunca devemos matá-la ou capturá-la!

Seria impossível colocar pesquisadores em sua procura ou aguardando ela chegar de forma a cobrir todas as áreas onde esta espécie poderá invadir no Brasil. Por isso precisamos de você! Ajude-nos a encontrá-la viva, e diga-nos onde você a avistou. Assim poderemos ir até lá para estudá-la.

O bom senso nos diz que nunca devemos atribuir culpa se não se sabe nem se haverá crime! Nada se conhece sobre os impactos desta abelha na natureza e na agricultura no Brasil, portanto ela é inocente até que se prove o contrário! Pense que, eventualmente, ela poderá não causar grandes danos ambientais e até seja um bom polinizador agrícola aqui no Brasil, tal como hoje a Apis mellifera é (abelha comum, que visita nosso refrigerante). Mesmo tendo sido um espécie igualmente invasora, trazida pelos Portugueses, hoje a Apis mellifera é importantíssima como polinizadora para a natureza e para a agricultura, sem falar no mel, no própolis e na cêra que esta abelha produz e nós tanto utilizamos e gostamos. Não mate, não capture, apenas fotografe!

Conheça a Abelha Invasora

A mamangava da cauda branca, ou cientificamente denominada Bombus terrestris é uma abelha de grande porte, com corpo cheio de pelos e muito bonita.

Ela não pode ser considerada uma vilã, pois é um excelente polinizador de várias espécies de plantas na Europa, dentre elas algumas produzem frutos de importância agrícola, como o tomate, os pimentões, berinjela, por exemplo.

Na Europa, esta espécie desempenha importantes funções na natureza, e é criada em larga escala cativeiro, pois suas colônias são colocadas próximas de alguns tipos de produções agrícolas para aumentar a polinização. Quanto melhor for a polinização, as plantas produzem mais frutos, e eles são maiores e mais bonitos, gerando benefícios econômicos aos produtores rurais.

A Bombus terrestris em muitos aspectos se assemelha a também abelha europeia Apis mellifera, que é aquela abelha cujo mel nós consumimos em larga escala, e que às vezes entra em nossas latas de refrigerante e, de vez enquando, nos ferroa. Ela também foi trazida da Europa para cá, mas há bastante tempo, na época da chegada dos portugueses. Hoje, ela se espalhou muito e podemos encontrá-la vivendo em todo lugar no Brasil e em muitos outros países fora da Europa, sua terra natal.

Quando a Apis mellifera chegou, ela gerou vários impactos na natureza, mas os sistemas ecológicos e a própria abelha se adaptaram e se ajustaram um ao outro ao longo do tempo. Podemos dizer agora que esta espécie já faz parte de nossa biodiversidade e, além de nos prover mel, cera, própolis, ela também é um importante polinizador de plantas nativas e agrícolas.

Ou seja, uma espécie invasora poderá ao longo do tempo se adaptar, bem como o ambiente que ela invadiu irá se adaptar com sua presença. Mas o problema é que quando uma espécie invasora acaba de chegar num novo ambiente ela gera impactos imediatos que podem resultar em sérias repercussões ambientais e agrícolas.

Abelhas que são trazidas ao Brasil de outros lugares distantes trazem também consigo, presas ou dentro de seu corpo, doenças que poderão ser transmitidas para as abelhas e plantas daqui. Como as espécies nativas nunca tiveram contato com estas doenças antes, elas não possuem resistência e poderão sofrer severas consequências.

A Bombus terrestris, que é uma abelha grande e forte, poderá competir com as nossas abelhas por alimento e locais de abrigo (para construção de ninhos), algo que também poderá prejudicar nossas espécies. Ainda não podemos dizer que a Bombus terrestris será favorável ou desfavorável para a polinização agrícola aqui no Brasil, pois ela poderá agredir as abelhas nativas que já fazem este serviço, e esta substituição de polinizadores poderá não trazer vantagens à agricultura, pelo menos inicialmente.

Como você deve ter percebido, não há segurança quanto aos tipos de impactos ambientais que esta espécie poderá causar quando invadir o Brasil. Por isso é tão importante que possamos estudá-la viva, interagindo com as nossas plantas e nossas abelhas. Por isso é tão importante sua colaboração para encontrá-la, bem como é fundamental que a fotografe e nos envie sua localização, assim poderemos estudá-la no local do avistamento.

Lembre-se de algo muito importante: a Bombus terrestris nunca “desejou” sair de seu ambiente nativo, fomos nós, humanos, que a levamos para os locais onde, hoje, ela é uma invasora.

Assim, a culpa dos eventos de invasão não dela, mas nossa. Portanto não é ela que deverá ser considerada a vilã desta história!